Pensamentos de Goethe
Eu precisaria ter o talento do maior dos poetas, para conseguir ao mesmo tempo transmitir a expressão de seus gestos, a harmonia da sua voz e a ternura em sua essência.
Um homem deveria escutar uma pequena canção, escrever um pequeno poema, contemplar uma bela imagem todos os dias de sua vida, para que as preocupações do mundo não suprimam o senso de beleza na qual Deus implantou na alma humana.
Vejamos então, se há outra maneira de imaginarmos como se sente o homem decidido a livrar-se do fardo da vida, que, segundo dizem, é agradável. Porque somente temos o direito de falar sobre determinada situação quando somos capazes de senti-la e compreendê-la.
Mas também na vida cotidiana é insuportável ouvir gritarem, quando alguém se comporta de maneira livre, nobre, inesperada: "Esse homem bebeu demais, está louco." Vocês homens tão sóbrios e sábios, deveriam envergonhar-se!
Os seres humanos abrigam-se em suas casinhas, aninham-se e dominam em seu espírito o vasto mundo! Pobres coitados!
Não tenho mais capacidade de raciocinar, nem sensibilidade pela natureza, e os livros me repugnam. Quando sentimos falta de nós mesmos, falta-nos tudo.
Tenho tanta coisa, e o meu sentimento por ela devora tudo; tenho tanta coisa e sem ela tudo se reduz a nada.
O amor é uma coisa ideal; o casamento, uma coisa real; a confusão do ideal com o real jamais fica impune.
Consentimos que nos apontem os nossos defeitos, aceitamos as punições que deles decorrem, sofremos pacientemente por causa desses defeitos. Mas perdemos a paciência se nos obrigam a pô-los de lado.
