Pena eu Nao fazer parte do seu Mundo

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Há amores que não partem, apenas se retiram do mundo visível, recolhendo-se às fissuras mais íntimas da alma, onde permanecem como um eco teimoso que o tempo não consegue dissolver. A saudade, então, deixa de ser ausência e se torna uma presença densa, quase palpável, feita daquilo que não se pode mais tocar, mas que insiste em existir com uma força silenciosa. Trago em mim os vestígios do que fomos, vozes que já não soam, sorrisos que o tempo apagou, promessas que agora repousam como ruínas dentro da memória.
E nesse vazio paradoxal, onde tudo falta e ao mesmo tempo transborda, compreendo que amar nunca foi possuir, mas resistir à permanência daquilo que se perdeu. Porque há histórias que se encerram no mundo, mas se recusam a terminar dentro de quem aprendeu a sobreviver carregando eternidades em forma de dor.


- Tiago Scheimann

Há uma força invisível em quem decide não desistir, mesmo quando o mundo inteiro já virou as costas.

O momento mais devastador não é quando o mundo te quebra, mas quando você percebe que a pessoa gentil que você costumava ser morreu nas mãos de quem você mais amou, e agora, no lugar dela, resta apenas uma carcaça fria que sorri para o próprio desastre enquanto enterra, em silêncio, os restos do que um dia foi o seu coração.


- Tiago Scheimann

Existe uma coragem que o mundo não vê, que reside no ato de levantar todos os dias sem saber se o sol brilhará para nós, mas indo ao encontro dele de qualquer maneira. O progresso, muitas vezes, é invisível aos olhos apressados, ele se manifesta nas pequenas decisões de não se render à apatia. Não sou feito apenas de acertos, sou um mosaico de tentativas frustradas e recomeços audazes que me tornam alguém real em meio a tantas máscaras de gesso.


- Tiago Scheimann

Tem gente que carrega o mundo nas costas e ainda encontra força para tocar. O piano não reproduz apenas melodias, ele revela saudades, cicatrizes e verdades que o coração guardou em silêncio. O pianista aprende cedo que a vida nem sempre oferece descanso, mas ensina sensibilidade e coragem. Porque existem dores que ninguém entende, apenas quem transforma solidão em música e sofrimento em arte. E no fim, entre notas, lembranças e emoções, permanece de pé aquele que nunca deixou sua essência desaparecer.


- Tiago Scheimann

Há palavras que nunca saíram de mim. Não por falta de desejo, mas porque pressenti que o mundo não saberia recebê-las. Então elas ficaram aqui, acumulando peso e silêncio. E o que não se diz, com o tempo, também fere.

A paz não nasce quando o mundo se acalma; nasce quando o coração deixa de guerrear contra o inevitável.

Não encontramos a paz quando o mundo finalmente se encaixa, mas no dia em que aceitamos caminhar sobre os cacos sem exigir que eles virem chão firme.

O Espelho e a Pedra


O humilde não possui nada,
E por isso, possui o mundo.
Ele se senta à mesa do silêncio
E come o pão que a soberba despreza.
Sua riqueza é um segredo que a poeira guarda,
E sua felicidade não faz barulho,
Não brilha,
Não fere os olhos de quem passa.


Mas há um espelho.
E o espelho é a alma do cruel.


O cruel olha para o humilde
E não vê um homem.
Vê um espelho partido,
Um reflexo embaçado de tudo o que ele teme perder.
E o que mais dói nesse reflexo
Não é a pobreza do outro.
É a paz do outro.


O humilde sorri com os olhos,
E o cruel se contorce por dentro.
Pois a felicidade completa do humilde
É um tribunal silencioso.
Ela não julga, não grita, não condena.
Ela apenas é.
E ser, para quem só sabe ter,
É a sentença mais cruel.


O cruel bebe o vinho da posse
E sente sede.
O humilde bebe a água da fonte
E está saciado.
O cruel acumula exércitos
E dorme em guerra.
O humilde não tem exércitos
E dorme em paz.


E quando o cruel se deita no espelho,
Ele não vê a si mesmo.
Ele vê o humilde dormindo.
E essa visão — ah, essa visão —
É o que mais dói.


Pois o humilde não precisa de espelho
Para saber quem é.
Ele é.
E a sua felicidade é um rio que corre
Sem pedir licença à seca.


O cruel, no entanto,
Precisa do espelho para existir.
E no fundo desse vidro,
A imagem que o atormenta
Não é a sua própria crueldade.
É a inocência do humilde.
É a sua inteireza.
É a sua completa e insuportável
Felicidade.


E isso, meu caro,
É o que mais dói.
Não a dor do humilde.
Mas a alegria dele.
Pois a alegria do humilde
É a única coisa que o cruel
Nunca poderá comprar,
Nunca poderá roubar,
Nunca poderá entender.


E no silêncio do espelho,
O cruel aprende, tarde demais,
Que a maior pobreza
É não saber ser feliz
Sem precisar que o outro seja infeliz.


André Vicente Carvalho de Toledo.

Tempo? chuva ou sol? Céu, terra e mar?
Agora o mundo é de todos e para todos, mais ainda não estou nessa orbita.

Ainda não tenho a certeza ser sou louco ou se o mundo inteiro e retardado.

A morte como a conhecemos
Não existe de verdade
É uma porta que se fecha para esse mundo,
E uma outra que se abre para a eternidade.

Alo? Não tô com tudo, mas tô tranquilo.
relaxa que o mundo e nosso.

Você não pode ter nada, mas o mundo e teu.

Bruxo/a
caminha
entre os ruídos
do mundo não físico
e escuta o que
não se diz:
a respiração
da Natureza.

NOSSA FINITUDE


O mundo já não basta em si, ele quer me devorar.
Ele, o mundo, comporta-se como um bicho feroz,
Sedento e faminto...
Eu já não basto em mim e tento devorá-lo, também.
Mas sou tragado, como a parreira lambida pelo fogo.
Assim, deixo-me ser consumido, pois não há porque lutar,
Pois tudo, é o que é! Já percebeu que a força
Do destino que pensamos estar em nossas mãos
É um pêndulo, como uma mão que balança o berço?
Já percebeu que precisamos de fatores externos
Para cumprirmos algo, e que existe em nós
Uma força interna e o desejo de cumprir algo?
Já parou para pensar por que as coisas acontecem?
E como surgem as boas e más ideias e as situações?
De certa forma, muitos pensam que dominam a própria vida,
Sendo que há fatores que sempre nos desapontam
Em todo momento e que somos devorados
Todos os dias por uma grande força motriz
Invisível, sem nos darmos conta da finitude
Que existe de tudo que pensamos entender...
Em algum lugar no espaço-tempo, onde o tempo se dobra,
Na sua infinitude, pode ser que exista
Um eu, um você, tentando alinhar a cronologia do tempo,
Para que as coisas por aqui progridam da melhor maneira possível,
E que o destino realmente faça jus ao seu ofício
E que tenhamos a benção dos deuses como sorte...
⁠

Quando o Mundo Perde a Graça


Há dias em que o mundo se cala por dentro.
Não é ausência de som, é ausência de eco.
O céu continua azul, mas é um azul sem memória,
como se nunca tivesse guardado um grito de criança ou um beijo roubado.
O vento passa, mas não traz cheiro de terra molhada;
traz apenas a notícia de que está passando.
E a gente sente, no peito, um silêncio que não explica.


A graça se perde devagarinho, quase com educação.
Primeiro a gente para de correr atrás do caminhão de gás só para ouvir a musiquinha.
Depois deixa de desenhar corações no vapor do vidro do banheiro.
Um dia olha para o mar e pensa em conta de luz.
No outro, vê uma pipa rasgada no céu e calcula o tempo que falta para a reunião das três.
Crescer, descobrimos, é aprender a traduzir encantamento em utilidade.


A gente vai trocando os olhos de vidro por olhos de adulto,
e o vidro, coitado, não reflete mais arco-íris.
A gente aprende que rir alto é exagero,
que chorar é fraqueza disfarçada,
que dançar sozinho na cozinha é loucura que não se assume.
E assim, com jeitinho, vamos nos tornando pessoas sérias,
pessoas que precisam de motivo monumental para se permitir um sorriso sem destino.


Quando foi que desaprendemos de nos espantar com quase nada?
Quando foi que um passarinho pousado no fio virou mero pássaro,
uma criança fazendo bolha de sabão virou estorvo,
um velho segurando a mão da mulher depois de meio século virou apenas “casal de idosos”?
A gente troca a capacidade de ver milagre pela habilidade de ver problema.
E chama isso de maturidade.


Mas há instantes, raros, em que a cortina se abre sozinha.
Um homem entra no vagão tocando violão desafinado,
cantando com a voz rachada de quem já perdeu muito.
Todo mundo finge que não é com ele.
Até que uma senhora de coque branco e rugas profundas
começa a bater palma fora do tempo,
e canta junto, tão baixo que quase é prece.
De repente o vagão inteiro se lembra de que tem coração.
Alguém sorri sem permissão.
Outro deixa cair uma lágrima que não explica.
E por trinta segundos o mundo volta a ter graça,
como quem volta para casa depois de anos sem endereço.


Nessas horas eu entendo:
o mundo nunca perdeu a graça.
Ele apenas se cansou de oferecê-la a quem já não sabe receber.
A graça continua ali, inteirinha,
escondida no jeito que a luz atravessa a folha da árvore,
no som do portão rangendo como se dissesse “bem-vindo de novo”,
no cheiro de bolo que vem da casa de alguém que a gente nem conhece.


Ela espera apenas um olhar que ainda tenha coragem de ser criança,
um coração que aceite se surpreender sem pedir certidão de utilidade.
Porque a graça não mora nas coisas grandiosas.
Mora exatamente onde a gente desaprendeu a olhar.


E talvez a única revolução possível
seja voltar a se espantar com quase nada,
voltar a correr atrás do caminhão de gás,
voltar a desenhar no vapor,
voltar a dançar na cozinha sem plateia.


Talvez o mundo só volte a ter graça
no dia em que a gente parar de ter vergonha
de ter alma.

"Muitas vezes, os maiores monstros que enfrentamos não estão no mundo físico, mas nos rincões da nossa própria mente. Nascemos na complexidade e, por algum motivo enraizado em nós, a plenitude nos soa artificial. Escrevi sobre essa nossa tendência à autossabotagem e como o ruído interno acaba sendo o que nos faz sentir vivos. Convido você a essa reflexão:

O ENTRAVE: POR QUE SABOTAMOS O SOSSEGO?"

Por tantas vezes, abri mão de coisas difíceis para encontrar em situações fáceis o prazer de alimentar meu ego; em outras vezes, nas coisas fáceis, encontrei a robustez para alcançar algo difícil. Aqui, deixo um pouquinho de tudo quanto mostra que o entrave, as lutas diárias e o embate de pensamento e no pensamento, altera a lucidez ou o devaneio no caminhar.

Solucionar questões criadas por monstros invisíveis na alma é bem mais difícil do que no campo físico. Toda nossa realidade, por incrível que pareça, começa na mente, nas categorias e nas camadas que nem mesmo nós, sendo nosso protagonista fiel, conseguimos mensurar. Dito isto, partimos para um lugar que todos desconhecem, mas suspeitamos que existe — bem lá nas profundezas e rincões da mente humana. Não existe o vazio, nem o vácuo, mas sim um ser que nos move, que chamamos de motivação, fé ou esperança, todos fortemente preparados para nos iludir e nos persuadir de forma que sabotemos nossos caminhos.

A chamada mente, dizem, nos distrai e nos sabota o tempo inteiro; é como se víssemos verde e falássemos azul. Hipoteticamente, a maioria das vezes que nos vemos em situações calmas ou de desespero, entramos neste entrave: é verde ou azul? Os fundamentos da alma são um engajamento contínuo de eras ancestrais, uma forma da mente proteger o corpo físico dos atritos reais enquanto a mesma nos adoece por dentro. O caminho para o paraíso pode ser convertido em nuances trazidas e fragmentadas por caixinhas, como: moral, ética, ego, temperança, certo e errado. Vemos a fragmentação e nossa angústia em saber qual caminho trilhar. Não nos deram um roteiro de como sustentar a vida e suas probabilidades, nem uma bússola para navegar em águas calmas ou em mar turbulento.

O interessante é que, quando a vida está calma, chamamos pela turbulência. A impressão é que nascemos para a luta e que viver no sossego é só uma palavra de companhia para o desprezo da nossa inquietude. Algo intrínseco em nós revelou-se nas entrelinhas sem qualquer disfarce: a monotonia nos assusta. Parece que a tempestade é o que nos guia e o conflito é nossa arma mais eficaz quando a felicidade bate à porta.

Nascemos na complexidade e vivemos dela. Nossa arquitetura interna é um labirinto: fomos feitos para o movimento de buscar a saída, não para o repouso de encontrá-la. A plenitude exigiria uma quietude que a nossa mente — ocupada em criar camadas e conflitos — não sabe processar. Viver dessa complexidade significa que o ruído interno é o que nos faz sentir vivos. Por causas profundas e enraizadas, a plenitude nos soa estranha ou artificial; nunca a alcançaremos plenamente porque o ser humano é dotado para se autossabotar, preferindo o embate que conhece ao silêncio que ignora.

O entrave busca estancar situações, paralisar de forma a mostrar caminhos que devemos escolher. Nisto cabe o ajustamento de forças, ideias e ações, que digladiam-se entre si como em uma eterna brincadeira de braço de ferro.

Sou movido por emoções.
Não sei viver no meio-termo, sou 8 ou 80.
Sinto o mundo com intensidade, porque sentir menos seria deixar de ser eu.


Priscila de Araújo

AVÔ, PAI, TIO E PADRINHO

Quando Deus manda uma criança
para este mundo chegar,
não lhe entrega só um berço,
nem somente um simples lar;
dá pessoas de confiança
para ensinar e amparar.

Avô, Pai, Tio e Padrinho
são nossa Casa, Morada, Lar e Ninho.

O avô planta a memória
com paciência e tradição;
conta histórias do passado,
fortalece o coração.
É raiz que nunca morre,
é exemplo e direção.

Avô, Pai, Tio e Padrinho
são nossa Casa, Morada, Lar e Ninho.

O pai ensina o caminho
do trabalho e do dever;
mostra que a honra é riqueza
que ninguém pode vender.
Seu abraço é fortaleza
para o filho florescer.

Avô, Pai, Tio e Padrinho
são nossa Casa, Morada, Lar e Ninho.

O tio chega sorridente,
companheiro da alegria;
é parceiro das aventuras,
da pescaria e da folia.
Sem deixar de dar conselho,
faz da infância poesia.

Avô, Pai, Tio e Padrinho
são nossa Casa, Morada, Lar e Ninho.

O padrinho faz promessa
diante do altar sagrado;
assume um compromisso
de seguir sempre ao seu lado.
Quando a vida traz espinhos,
é apoio abençoado.

Avô, Pai, Tio e Padrinho
são nossa Casa, Morada, Lar e Ninho.

Cada um tem sua missão,
cada qual seu próprio jeito;
um corrige com firmeza,
outro abraça com respeito.
Todos deixam na criança
um amor que bate no peito.

Avô, Pai, Tio e Padrinho
são nossa Casa, Morada, Lar e Ninho.

A bênção de cada um
vale mais que ouro e prata;
é riqueza que acompanha
desde a infância mais ingrata.
Quem recebe esse carinho
nunca vive vida exata.

Avô, Pai, Tio e Padrinho
são nossa Casa, Morada, Lar e Ninho.

Se o menino cai na estrada,
logo encontra uma das mãos;
uma levanta o seu corpo,
outra aquece o coração.
Assim cresce homem de bem,
cheio de fé e gratidão.

Avô, Pai, Tio e Padrinho
são nossa Casa, Morada, Lar e Ninho.

A criança bem cuidada
faz do mundo um bom lugar;
leva adiante os exemplos
que aprendeu no seu caminhar.
E um dia será também
quem vai ensinar e amar.

Avô, Pai, Tio e Padrinho
são nossa Casa, Morada, Lar e Ninho.

Que Deus guarde essas figuras
como joias do destino;
são colunas da família,
são faróis do nosso hino.
Onde vivem esses homens,
floresce o amor divino.

Avô, Pai, Tio e Padrinho
são nossa Casa, Morada, Lar e Ninho.