Pena eu Nao fazer parte do seu Mundo

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Eu sou o capitão da minha alma.

Nelson Mandela
"Book of Verses", William Ernest Henley, 1888,

Nota: Trecho do poema predileto de Nelson Mandela: Invictus, de William Ernest Henley

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Tem horas que é caco de vidro
Meses que é feito um grito
Tem horas que eu nem duvido
Tem dias que eu acredito.

Eu quero o mapa das nuvens e um barco bem vagaroso.

AQUI

Aqui
Eu nunca disse que iria ser
A pessoa certa pra você
Mas sou eu quem te adora
Se fico um tempo sem te procurar
É pra saudade nos aproximar
E eu já não vejo a hora

Eu não consigo esconder
Certo ou errado, eu quero ter você
Ei, você sabe que eu não sei jogar
Não é meu dom representar
Não dá pra disfarçar
Eu tento aparentar frieza mas não dá
É como uma represa pronta pra jorrar
Querendo iluminar
A estrada, a casa, o quarto onde você está
Não dá pra ocultar
Algo preso quer sair do meu olhar
Atravessar montanhas e te alcançar
Tocar o seu olhar
Te fazer me enxergar e se enxergar em mim

Aqui
Agora que você parece não ligar
Que já não pensa e já não quer pensar
Dizendo que não sente nada
Estou lembrando menos de você
Falta pouco pra me convencer
Que sou a pessoa errada

Eu não consigo esconder
Certo ou errado, eu quero ter você
Ei, você sabe que eu não sei jogar
Não é meu dom representar
Não dá pra disfarçar
Eu tento aparentar frieza mas não dá
É como uma represa pronta pra jorrar
Querendo iluminar
A estrada, a casa, o quarto onde você está
Não dá pra ocultar
Algo preso quer sair do meu olhar
Atravessar montanhas e te alcançar
Tocar o seu olhar
Te fazer me enxergar e se enxergar em mim

Ana Carolina

Nota: Composição de Ana Carolina e Totonho Villeroy

Do meu telescópio, eu via Deus caminhar! A maravilha, a harmonia e a organização do universo só pode ter se efetuado conforme um plano de um ser todo-poderoso e onisciente.

Tudo quanto penso
Tudo quanto sou
É um deserto imenso
Onde nem eu estou

Fernando Pessoa

Nota: Autoria não confirmada.

Eu já tirei mais do álcool do que o álcool tirou de mim.

Winston Churchill

Nota: Citação retirada de "The Forbes Book of Business Quotations", Ed. Goodwin, Black Dog Publishing, 2007

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Hoje eu acordei tão só, mais só do que eu merecia

O amor é irracional, eu lembrei pra mim mesma. Quanto mais você ama alguém, menos sentido as coisas fazem.

Eu admiro demais os detalhes. O detalhe de um sorriso tímido, da forma como os olhos se movem. Tudo revela algo.

É bonito ser amigo, mas confesso: é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher teu rosto de lembranças,
Dá-me tempo, de acertar nossas distâncias.

Nada mais vai me ferir. É que já me acostumei com a estrada errada que eu segui, com minha própria lei, tenho o que ficou e tenho sorte até demais como eu sei que tens também.

Para desentristecer, leãozinho,
O meu coração tão só
Basta eu encontrar você no caminho
Um filhote de leão, raio da manhã
Arrastando o meu olhar como um ímã

Caetano Veloso

Nota: Trecho da música Leãozinho.

ENTRE SONO E SONHOS

Entre mim e o que em mim
É o quem eu me suponho
Corre um rio sem fim.
Passou por outras margens,
Diversas mais além,
Naquelas várias viagens
Que todo o rio tem.

Chegou onde hoje habito
A casa que hoje sou.
Passa, se eu me medito;
Se desperto, passou.

E quem me sinto e morre
No que me liga a mim
Dorme onde o rio corre —
Esse rio sem fim.

Talvez eu seja um cara que apenas te disse um ‘oi’
Ou um ‘boa noite’.
Talvez eu só tenha aberto uma porta pra você
Ou te servido um copo d’água

Talvez eu tenha te cuidado com os olhos enquanto você passava
Ou simplesmente te observei partir, sorrindo comigo mesmo

Talvez eu tenha te oferecido balinhas
Ou alguma outra guloseima
E você apenas disse ‘muito obrigado’

Talvez eu seja apenas aquele carinha que você esbarrou na rua
Enquanto você lia um livro, ou olhava as vitrines,
E ao qual você sorriu desconcertada
Enchendo o meu coração de poesia

Sim, talvez eu seja aquele carinha que viajou ao teu lado
Com o qual você cantou e sorriu e depois disse adeus
E desde então nunca mais nos vimos

Talvez eu seja um cara que você nunca irá conhecer
Talvez eu seja um cara ao qual você jamais irá esquecer
- ou fará questão de esquecer!
E talvez eu seja um cara ao qual você jamais notará a presença

Não é preciso, pois, que me notes a presença
Já me sinto muito feliz em estar aqui
E ter notado você
Em meu caminho
Pois é justamente isto o que sou
E apenas isto o que sou:
apenas um cara no caminho...

Eu tenho tanto medo de ser eu. Sou tão perigoso. Me deram um nome e me alienaram de mim.

Clarice Lispector
Um sopro de vida. Rio de Janeiro: Rocco, 2015.

Isso tudo nunca foi pra mim, nunca funcionou, é sempre eu que caio, de amores, ilusões, dores e no final de tudo eu fico aqui, esperando esse trem, pra me levar para a próxima estação, onde eu possa finalmente criar uma nova ficção na minha cabeça, uma nova atração para os meus olhos, uma nova paixão pro coração, e quem sabe, um final pra este roteiro.

Poética (II)

Com as lágrimas do tempo
e a cal do meu dia
eu fiz o cimento
da minha poesia

e na perspectiva
da vida futura
ergui em carne viva
sua arquitetura

não sei bem se é casa
se é torre ou se é templo
(um templo sem Deus)

mas é grande e clara
pertence a seu tempo
- entrai, irmãos meus!

Vinicius de Moraes
MORAES, V. de. Antologia Poética. Rio de Janeiro.1960

Difícil fotografar o silêncio.
Entretanto tentei. Eu conto:
Madrugada, a minha aldeia estava morta. Não se via ou ouvia um barulho, ninguém passava entre as casas. Eu estava saindo de uma festa,.
Eram quase quatro da manhã. Ia o silêncio pela rua carregando um bêbado. Preparei minha máquina.
O silêncio era um carregador?
Estava carregando o bêbado.
Fotografei esse carregador.
Tive outras visões naquela madrugada. Preparei minha máquina de novo. Tinha um perfume de jasmim no beiral do sobrado. Fotografei o perfume. Vi uma lesma pregada na existência mais do que na pedra.
Fotografei a existência dela.
Vi ainda um azul-perdão no olho de um mendigo. Fotografei o perdão. Olhei uma paisagem velha a desabar sobre uma casa. Fotografei o sobre.
Foi difícil fotografar o sobre. Por fim eu enxerguei a nuvem de calça.
Representou pra mim que ela andava na aldeia de braços com maiakoviski – seu criador. Fotografei a nuvem de calça e o poeta. Ninguém outro poeta no mundo faria uma roupa
Mais justa para cobrir sua noiva.
A foto saiu legal.

Manoel de Barros
BARROS, M. Ensaios fotográficos. Rio de Janeiro: Editora Record, 2000.

Eu me contradigo? Pois muito bem, eu me contradigo. Sou amplo, contenho multidões.