Pena eu Nao fazer parte do seu Mundo

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Eu caminho por uma rua com forte odor de urina, como se aquela passagem fosse um verdadeiro banheiro a céu aberto, com vasos sem dar descarga. Prendo a respiração e meus olhos miram paredes pichadas, que paradoxalmente harmonizam com as velhas casas destelhadas, lembrando que ali morava o abandono do que um dia foi lar. Uma vertigem me sobressai e tenho ânsias de vômito. Até que finalmente acordei, e as paredes do meu quarto tinham cheiro de tédio, de tal forma que a rua com odor de urina, soava até agradável em sua decrepitude. Levantei a contra gosto e tomei um copo de coca-cola, porque me sentia incapaz de fazer um café. Fechei os olhos e respirei profundamente, e já não sabia se estava na rua decadente ou no meu apartamento frio, com o porcelanato impecável. Acendi um cigarro de forma tão automática, que era como se eu respirasse fumaça. Nas redes sociais desejei "bom dia", enquanto pensava que de bom não tinha nada. Sentia meu corpo denso como um elefante, e meus braços pesavam como se carregassem uma carga de cem quilos. Olhei para a janela e pensei: "Quem me salvará de mim mesma?" Em seguida olhei os livros na estante como quem olha para copos sujos na pia. As panelas de comida requentada cheiravam a morfo. E eu simplesmente não ligava. Minha solidão era refúgio. Eu não precisava abrir a boca para articular palavras. Sentei na beira da cama e permaneci inerte por longos minutos. O telefone tocou. Era engano. Deitei novamente na cama e sonhei com aquela rua mais uma vez. Eu pintava as paredes sujas das casas como se tomasse banho e o cheiro de urina da rua me fez urinar na cama. "Quanta decadência", pensei. E me pus a escrever essas palavras como cenas da minha alma exposta ao leitor. E fiz esse texto, não porque fosse necessário nem bonito, mas simplesmente porque precisava preencher a mente com algo que não fosse belo, já que o belo aumentava o meu tédio. Peguei um livro e comecei a rasgar as folhas, pelo simples prazer da destruição. Voltei às redes sociais e escrevi "boa tarde", pelo prazer da ironia. E quem me visse assim, talvez fugisse, ou talvez se uniria a mim para demolir as paredes, não sem antes quebrar o espelho e beber um copo de caco de vidro. Bendito seja aquele que acorda de bom humor.

Eu ainda vou me tornar quem você merecia
Alguém com estatus,relevância edinheiro
Altos papos nas rodas...
Influência e diplomacia
Mas eu não serei mais seu.

“Entre constelações distraídas, eu, Capitu de alma inquieta, reencontro teu silêncio no espaço e nele descubro que até o universo conspira pra nos alinhar outra vez.”

Eu poderia lhe dizer que você me lembra a lua, mas a lua precisa do Sol para brilhar, já você é como uma estrela, emite a sua própria luz, o brilho que ninguém é capaz de apagar.

Quem sabe eu te encontre para tomar um caldo apimentado, mas espero que seus beijos sejam doce.


Norberto Dias

Meu verdadeiro eu estava adormecido em ruínas, e você o acordou sem medo.

Eu era um corpo em pausa, e você apertou o botão da alma.

Eu sobrevivia em preto e branco, você me devolveu as cores.

EU E MEUS INHOS

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Apesar das palestras motivacionais que me recomendam a troca de cada "inho" por um "ão" do tamanho do infinito, confesso que sou do tipo que adora um "inho", tanto na vida profissional quanto na pessoal. Se isto, por si só, é um sinal de acomodação, devo confessar que sou irremediavelmente acomodado. Também pudera: moro na roça, tenho vida lenta, trabalho três dias por semana e quase sempre recuso trabalhos extras (como dar palestras motivacionais) que me renderiam em poucas horas mais do que a minha remuneração mensal.
Escolhi me aquietar com um salariozinho de educador, morar numa casinha nos fundos de um quintal cheio de plantinhas, cuidar de minhas filhinhas até que sejam filhonas e não me matar para viver. No meu cantinho, tenho tudo que mais quero: tempo para compor versinhos, bater um papinho com os vizinhos acomodados como eu, criar uma cachorrinha, ler um romancezinho, escrever meus livrinhos e ouvir uma musiquinha de quando em vez. Às vezes, até fazer um amorzinho com quem não despreze um sujeito anti-competitivo; com ambições distorcidas; sem carrão, mansão, "contona" bancária, comendas, fama, influência, status, nominatas.
Agora com licença; preciso tirar uma sonequinha, pois não sou de ferro e meu planinho de saúde não cobre terapias para corrigir problemas que um bom soninho corrige. Ademais, preciso mesmo cuidar bem do corpo e da psique, uma vez que decidi não adoecer física e mentalmente numa peleja insana para pagar, entre outros itens, um grande plano de saúde que não poderá juntar os cacos de quem terá se matado ou simplesmente não vivido exatamente para viver, dentro desse conceito massificado que se tem de vidão.
Cá com os meus botões, e para ninguém ouvir: vidão, mesmo, é a vidinha que levo neste mundinho particular onde vejo o nascer e o pôr do sol, tenho as rédeas do tempo e sei exatamente quem sou. Até mesmo porque não me confundo com toda essa gente que disputa entre si esse campeonato interminável de quem é mais. Mas isso é uma escolha minha... e não me torna especial... inclusive para minhas filhas, que certamente optarão por não serem acomodadas igual ao pai... e às quais desejo todo o sucesso.

AMOR TRANCADO

Demétrio Sena, Magé - RJ.

O silêncio se rende aos teus passos lá fora;
eu me atenho às caladas desta sala escura;
fantasio, desejo, percebo de ouvidos,
que vieste segura, e porcerto estás bem...
Quero abrir essa porta para o corredor
e mirar o teu porte, fazer gentileza,
ver a cor do vestido com que foste hoje,
mas me vem a certeza de não ser prudente...
É preciso estancar este quase rompante,
pra manter meu instante, meu culto secreto
e sonhar com a chance que jamais terei...
Logo escuto ruídos da chave que fecha
tua porta pra minha, teu mundo pro meu;
o museu de miragens deste coração...

RECONSTRUÇÃO

Para hoje ser quem sou,
já passei por muito eu...
muitas vezes troquei de mim.

MEDO DO ⁠CLARO

Demétrio Sena Magé

Eu tenho medo do claro;
meu corpo todo estremece,
porque me sinto inseguro...
é justamente no claro
que a escuridão aparece...
e me dá medo do escuro...
... ... ...

Respeite autorias. É lei

Hoje eu nasci para a esperança. Ela se revelou para mim como uma besta abismal, embrenhando-se entre as sombras da floresta. Eu estava em uma clareira confortável demais, segura demais, pequena demais, sufocante demais, embora luminosa. Ali, ao redor, escutava as folhas quebrando no chão. Eram passos vagantes, circundantes, tateando a luz do lugar. A fera pulou em mim, e eu caí monumentalmente como o império de uma era inteira. Morri naquela clareira do conhecido, o animal se me assemelhou, reconheci que eu era a própria fera, e renasci para algo maior que eu, algo ainda em mim mesmo. Esperancei-me. Fui, assim, explorar o breu da floresta, porque queria viver deliberadamente.

Eu odeio ter que sofrer por alguém que nunca me verá da mesma forma.

Se eu pudesse escolher um lugar para viver eternamente, pousaria em teus olhos — neles, descobri o sortilégio de um universo onde o amor é verbo e infinito.

Eu aprendi a distinguir o que é imaginário do que é real!

MEU INTERIOR
Eu banhava de cuia
E sabão d`cuada
O barro do riacho
Encardido ficava

Desnuda na praia
Só passava a boiada
Eu tibungava nos açudes
Saia da água renovada

Chovia em mim chuva de versos
Minha alma saia lavada
Nas ribanceiras caçava ingá
Manducava todo o jatobá

Depois eu pegava caminho
No atalho do carreirinho
Apreciava o casulo
E o ninho do passarinho

Atravessava a cerca de arame farpado
Pra catar canapum do mato
Quando eu chegava à casa de vó
Era hora do arroz pinicado

Parecia infindo o caminho do riacho
Era hora de acender as candeias.
Como eu vivia um lado avesso
Tudo em mim já estava aceso!

Eu sou o poder absoluto, dono do meu destino, e atraio justiça, clareza e força em todas as situações legais; com paciência, foco, confiança e determinação, tudo o que preciso para conquistar a vitória e ver a verdade reconhecida vem até mim, manifestando-se plenamente em minha vida.

sabe, eu fico oscilando entre a fé e o ateísmo, mas sou a favor da fé.... porque os humanos me dão medo ja que a falta de fé pode torna-los monstruosos, ja eu não fico assim, por isso me dou o luxo de me revoltar as vezes, porque eu sei lidar com a falta de sentimentos, mas não confio nos demais para isso....

⁠Uma vez por semana, talvez, eu acordo paralisado, revivendo aquela noite. Mas, antes de o sol se pôr, acho que foi o melhor dia da minha vida.