Pena eu Nao fazer parte do seu Mundo

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Eu não conhecia a minha própria força até que a vida me exigiu ser invencível. A superação me revelou um homem que eu ainda não conhecia.⁠

"Não se pergunte por que eu sumi; pergunte o que você fez para eu sumir."

♪ "Ano passado eu morri, mas este ano eu não morro." ♫

Eu não me importo se falam mal de mim. Me importo se não falam nada.

Eu achava que tinha conquistado tudo.
Não porque tudo estava perfeito, mas porque eu ainda acreditava.
E acreditar, pra mim, sempre foi metade do caminho.


Havia planos que eu já chamava de vida,
sonhos que eu defendia como verdades, um futuro que eu protegia
como quem protege um lar.


Até que um dia
eu percebi.
Não foi de repente.
Foi um entendimento lento, cruel,
que foi se impondo:
nunca mais será a mesma coisa.


E essa frase pesa mais
quando não vem do medo, mas da lucidez.


Doeu aceitar.
Doeu soltar.
Doeu admitir que, mesmo dando tudo,
não foi o suficiente.


Eu não perdi apenas uma conquista,
perdi a versão de mim
que acordava acreditando.
Que insistia.
Que esperava sinais.


Passei a conviver com um vazio estranho:
Derrota,
Encerramento,
Frustração


E o mais difícil
não foi ver o sonho morrer, foi continuar vivendo
sem ele me guiando.


Hoje eu caminho diferente.
Com menos ilusão.
Com menos pressa.
Mas com uma verdade nova:
Algumas coisas que se quebram te quebra junto.


Algumas coisas se tornaram impossíveis e preciso parar
de perder tempo tentando salvá-las.


E talvez
isso também seja
uma forma silenciosa
de sobrevivência

Comecei a sentir algo que eu jurava não morar em mim.
A inveja chegou mansa, sem barulho,
mas fez morada no peito.
Não é do riso fácil dos casais de agora,
nem das fotos prontas, nem do amor que parece simples.
É da história.
Do caminho inteiro.
Do que foi construído com o tempo
e não apesar dele.
Invejo mulheres que ficaram.
Que olharam as falhas de perto, os defeitos sem filtro, as limitações nuas
e mesmo assim permaneceram.
Mulheres que escolheram ficar
quando ir embora parecia mais fácil.
Que lutaram não por perfeição, mas por compromisso.
Que amaram não o homem ideal, mas o homem real.
Isso me toca fundo.
Porque revela um amor raro, o amor que decide.
Que não romantiza,
não foge,
não solta a mão quando pesa.
Essa inveja não quer o que é do outro.
Ela chora o que faltou em mim.
É a vontade de ter sido escolhido nos dias bons e principalmente,
nos dias difíceis.


No fim, não é sobre eles.
É sobre a ausência que ficou.
Sobre a falta que insiste.
Sobre o valor imenso
de quem permanece, de quem luta e não desiste na adversidade.

Eu tenho um coração triste e quebrado, marcado por dores que o tempo ainda não conseguiu apagar.
Carrego cicatrizes de batalhas silenciosas, de decepções que eu não queria viver e de sonhos que ficaram pelo caminho.
Mas, mesmo ferido, ele continua batendo.
Talvez mais cauteloso, mas ainda encontra forças para seguir.
Porque um coração quebrado não deixa de bater; apenas aprende que algumas dores se tornam parte da história que carregamos para sempre.

Senhor,
Eu não quero apenas falar de Ti.
Quero conhecer-Te de perto.
Não me basta apenas saber quem Tu és.
Quero ouvir a Tua voz, caminhar Contigo e viver uma intimidade que transforme o meu coração.
Quero a minha fé alimentada pela comunhão.
Que eu Te busque não apenas pela Tua misericórdia, mas pela Tua presença.
Acima de tudo, quero conhecer-Te cada dia mais e fazer da minha vida um reflexo da Tua vontade

As pessoas confundem a facilidade que eu tenho de não guardar raiva ou rancor quando me fazem mal, com falta de vergonha na cara ou safadeza. Minha mãe nos criou para sermos fortes e resistentes aos problemas, não as pessoas!

Eu só queria ser eu mesma quando não tenho mais nada para ser. E ainda que eu não seja, continuo sendo sem querer.

antes de mim.


Naquela noite eu recebi uma ligação de um número que não existia.


Não era número privado. Não era desconhecido.


Simplesmente não existia.


Ainda assim, atendi.


- Alô?


Do outro lado, silêncio.


Depois uma voz.


A minha.


- Não vá dormir hoje.


Eu ri.


Não porque fosse engraçado. Ri porque algumas coisas assustam menos quando a gente finge que são ridículas.


- Quem é?


- Você.


- Isso não tem graça.


- Eu sei.


A ligação caiu.


Fiquei olhando para o telefone por alguns segundos, esperando alguma explicação aparecer na tela. Nada.


Joguei o celular na cama e tentei esquecer.


Cinco minutos depois, bateram na porta.


Três batidas.


Sempre três.


Levantei.


Não havia ninguém.


Só um envelope no chão.


Meu nome estava escrito à mão.


Dentro havia uma foto.


Era uma foto minha dormindo.


No verso, uma frase:


“Você tem oito horas.”


Eu deveria ter chamado alguém.


Não chamei.


Talvez porque, no fundo, uma parte de mim já soubesse que aquilo não tinha começado naquela noite.


Passei a madrugada tentando encontrar uma explicação.


Procurei a origem do número.


Nada.


Revirei mensagens antigas.


Nada.


Olhei as câmeras.


Às 02:13, alguém entrou.


Era eu.


A mesma roupa que eu estava usando.


O mesmo rosto.


A mesma cicatriz pequena perto da sobrancelha.


Eu parei o vídeo.


Voltei.


Assisti de novo.


Eu entrava em casa às 02:13.


Mas eu estava em casa.


Sentado na frente daquela tela.


O vídeo continuava.


Eu aparecia no corredor.


Parava diante da minha porta.


Olhava diretamente para a câmera.


E sorria.


Depois levantava a mão.


Três batidas.


A gravação terminava.


Eu olhei para a minha porta.


Três batidas vieram do outro lado.


Não abri.


Às 05:40, alguém bateu novamente.


Dessa vez, uma mulher falou meu nome.


Eu conhecia aquela voz.


Era impossível.


Ela tinha morrido há seis meses.


Fiquei parado no meio da sala.


Ela disse:


- Você prometeu que não faria isso de novo.


Não respondi.


- Eu sei que você está aí.


Meu corpo inteiro ficou frio.


- O que eu fiz?


Silêncio.


Depois:


- Ainda não fez.


Às 06:15, recebi outra mensagem.


Uma localização.


Um endereço que eu não reconhecia.


Abaixo, apenas:


“Se quiser saber por que todos estão tentando impedir você, venha sozinho.”


Fui.


Não sei por quê.


Talvez porque algumas perguntas sejam mais perigosas quando ficam sem resposta.


O lugar era uma casa abandonada.


Entrei.


Havia fotos nas paredes.


Centenas.


Todas minhas.


Eu criança.


Eu adolescente.


Eu adulto.


Eu dormindo.


Eu chorando.


Eu dirigindo.


Eu trabalhando.


Eu abraçando pessoas.


Eu terminando relacionamentos.


Eu sozinho.


E então encontrei uma foto que me fez parar.


Era eu, sentado naquela mesma casa.


Com cinquenta e poucos anos.


Ao meu lado havia uma mulher.


Não reconheci.


Atrás da foto estava escrito:


“Primeira tentativa.”


Outra foto.


Eu, mais velho.


Sozinho.


“Segunda tentativa.”


Outra.


Eu sorrindo.


Uma família ao meu redor.


“Terceira tentativa.”


E então uma última.


Eu, exatamente como estava naquela manhã.


Abaixo:


“Quarta tentativa.”


Foi quando ouvi passos.


Virei.


Um homem entrou.


Eu conhecia aquele rosto.


Era o homem do vídeo.


Era eu.


Só que mais velho.


Muito mais velho.


Ele fechou a porta.


- Finalmente.


- O que está acontecendo?


Ele sentou.


- Você vai me odiar.


- Quem é você?


Ele respirou fundo.


- Sou a única versão sua que conseguiu chegar até aqui.


- Até onde?


Ele olhou para o relógio.


06:59.


- Até antes da escolha.


Ele explicou tudo como se estivesse contando uma história que já tinha contado muitas vezes.


Disse que aquela noite acontecia repetidamente.


Sempre.


Eu recebia a ligação.


Recebia a foto.


Via as câmeras.


Ia até aquela casa.


Encontrava ele.


E então precisava escolher.


Existiam quatro possibilidades.


Em uma, eu permanecia exatamente como era.


Em outra, mudava tudo.


Na terceira, esquecia completamente aquela noite.


Na quarta...


Ele parou.


- Na quarta, você me mata.


Eu ri.


- Por que eu faria isso?


Ele olhou para mim.


- Porque eu sou a única coisa impedindo você de ter a vida que quer.


- Que vida?


Ele não respondeu.


Foi até uma parede.


Havia uma porta.


Uma porta que eu não tinha visto antes.


Ele colocou a mão na maçaneta.


- Você precisa escolher antes das oito.


- E se eu não escolher?


- Já escolheu.


- O quê?


Ele abriu a porta.


Do outro lado havia meu quarto.


O meu quarto.


Exatamente como estava naquela noite.


Minha cama.


Meu celular.


A janela.


O envelope.


Tudo.


Eu entrei.


Na cama havia alguém dormindo.


Eu.


Ele estava dormindo profundamente.


O homem mais velho apareceu atrás de mim.


- Essa é a primeira vez.


- Primeira vez o quê?


- A primeira vez que você conseguiu chegar até aqui sem lembrar.


Olhei para o homem na cama.


- Então quem é ele?


O velho ficou em silêncio.


- Você.


- Não.


- Sim.


- Mas eu estou aqui.


Ele sorriu.


- Esse é o problema.


O relógio marcou 07:59.


Uma sirene começou a tocar em algum lugar distante.


Eu olhei novamente para a cama.


O homem dormindo abriu os olhos.


Sentou.


Olhou diretamente para mim.


E falou:


- Não vá dormir hoje.


Eu senti o sangue desaparecer do rosto.


Era a mesma frase.


A mesma voz.


A minha voz.


O velho começou a chorar.


- Não...


- O quê?


- Dessa vez foi diferente.


- O que foi diferente?


Ele apontou para mim.


- Você nunca deveria ter me visto.


A luz apagou.


Por alguns segundos, não existiu absolutamente nada.


Então ouvi uma porta fechando.


Quando a luz voltou, o velho tinha desaparecido.


A casa estava vazia.


As fotos haviam sumido.


A porta também.


Só havia uma coisa sobre a mesa.


Meu celular.


Ele estava tocando.


Olhei para a tela.


Era uma chamada recebida.


O número não existia.


Atendi.


Do outro lado, silêncio.


Depois uma voz:


- Alô?


Era minha voz.


Mas dessa vez eu não falei nada.


A voz continuou:


- Quem é?


Eu reconheci a frase.


Era exatamente o que eu havia dito naquela noite.


Então percebi.


A história não estava se repetindo.


Eu estava dentro dela.


Eu não tinha recebido uma ligação do futuro.


Eu estava ligando para o passado.


E o homem que eu havia encontrado não era uma versão futura minha.


Era a versão que existia antes de mim.


A quarta tentativa.


A terceira.


A segunda.


A primeira.


Todas as vidas.


Todas as mortes.


Todos aqueles homens.


Não eram versões diferentes.


Eram pessoas diferentes que tinham recebido a mesma ligação.


Todas achando que eram eu.


Todas tentando descobrir quem começou aquilo.


Todas chegando àquela mesma casa.


Todas encontrando alguém mais velho esperando por elas.


Até que uma delas finalmente entendesse.


Não havia nenhum primeiro homem.


Não havia começo.


Só havia o próximo.


A ligação continuava.


Eu poderia desligar.


Poderia falar.


Poderia perguntar.


Mas alguma coisa me impediu.


Então fiz a única coisa que ainda não tinha feito.


Olhei para o relógio.


08:00.


E disse:


- Não vá dormir hoje.


A ligação caiu.


Fiquei parado.


Esperando.


Três batidas vieram da porta.


Eu não me mexi.


Mais três.


Depois ouvi minha própria voz do outro lado:


- Quem é?


Eu olhei para a porta.


E, pela primeira vez, entendi o que estava acontecendo.


Não havia alguém tentando entrar.


Havia alguém tentando sair.


E eu não sabia mais de qual lado da porta estava.


Fim.


Ou talvez só mais uma tentativa.

Ser pai espiritual…

Talvez eu tenha demorado para entender que ser pai na fé não é apenas conduzir pessoas a um culto, mas receber de Deus a responsabilidade de ajudar a formar almas, cuidar de vidas e pastorear destinos.

A paternidade espiritual me ensinou que existem presentes que não cabem em caixas, não se medem em dinheiro e não podem ser comprados. Existem presentes que chegam pelas mãos de Deus e transformam para sempre o sentido da nossa existência.

E Deus me confiou esses presentes: as ovelhas desta casa, a Igreja Catedral do Avivamento Nova Vida.

Cada um de vocês, com suas histórias, suas lutas, suas personalidades e suas jornadas… e dentro de cada vida, um pedaço do coração pastoral que Deus me deu.

Ser pai na fé de vocês é descobrir que o amor também corrige, que a disciplina também ensina, que a intercessão é uma forma silenciosa de amar e que, muitas vezes, quando penso que estou ensinando vocês a caminhar com Deus, são vocês que me ensinam o verdadeiro significado da dependência do Senhor.

Vocês me fizeram compreender que o maior legado de um pastor não é aquilo que ele constrói em estruturas, mas aquilo que permanece no coração daqueles que ele amou e serviu em Deus.

Um dia, talvez, vocês sigam seus próprios caminhos, enfrentem suas próprias batalhas, construam suas próprias histórias e amadureçam na fé de formas que hoje nem consigo imaginar. E, quando esse dia chegar, talvez eu não possa mais estar tão perto de cada um como estou em oração e cuidado hoje.

Mas haverá algo que o tempo jamais poderá tirar de mim: a certeza de que Deus me permitiu ser pai espiritual de vocês.

E por isso eu agradeço.

Obrigado, meu Deus, por cada ovelha desta casa.
Obrigado, meu Deus, por cada vida confiada ao meu pastoreio.
Obrigado, meu Deus, pela Igreja Catedral do Avivamento Nova Vida.

Que eu tenha sabedoria para corrigir sem ferir, força para proteger sem aprisionar, humildade para aprender com vocês e amor suficiente para que, mesmo quando eu não estiver por perto, vocês carreguem dentro de si a certeza de que foram profundamente amados em Cristo.

Porque ser pai espiritual não é preparar filhos na fé para dependerem de nós.

É prepará-los para caminharem com Deus, sem nunca esquecerem de onde vieram, quem os amou e de Quem veio a bênção sobre suas vidas.

Se algum dia me perguntarem qual foi a maior riqueza que Deus me deu como pastor, eu não precisarei pensar.

Direi com convicção:

As ovelhas que Ele me confiou.

Vocês não são apenas parte da minha história.

Vocês são uma das razões pelas quais a minha história pastoral vale a pena.

E se Deus me concedesse a oportunidade de viver tudo novamente, com todas as lutas, noites em oração, preocupações, lágrimas e sacrifícios…

Eu escolheria pastorear vocês outra vez.

Sem hesitar.

Porque algumas bênçãos não apenas mudam a nossa vida.

Elas dão sentido a ela.

Obrigado, Senhor, por me permitir ser pai espiritual.
E obrigado por ter confiado a mim vidas que eu amarei enquanto Deus me permitir servir neste altar.

Meus filhos na fé, meu legado espiritual, minha oração constante e uma das maiores provas de que Deus foi generoso comigo. ❤️🙏

Eu estou triste.
tão triste que já nem sei mais onde começa ou termina.
é um cansaço que não passa com descanso,
é um peso que não se explica
só se sente.
eu estou tão triste
que até existir parece esforço demais.
e o mais difícil de admitir
é que não é sobre querer ir embora…
é sobre não aguentar mais ficar assim.
eu estou cansada de estar triste.
cansada de tentar e não sair do lugar,
cansada de sustentar algo dentro de mim
que já não se sustenta sozinho.
tem dias que a vontade não é viver,
é só desaparecer um pouco…
silenciar tudo isso que não cala.

Eu disse que estou caindo.
e não é uma queda rápida
é lenta, contínua…
dessas que parecem não ter fundo.
eu estou em uma fase
que não suporta mais nada.
cada dor chega como se fosse única,
infinita, profunda, árdua…
como se eu não fosse atravessar.
e mesmo fazendo parte de um todo,
cada uma delas, sozinha,
já é um abismo.
neste momento
eu estou exausta.
cansada. triste. melancólica.
eu calo… e calo…
e ainda assim choro.
grito por dentro.
e não consigo desligar.
a vida me chama pra continuar,
me pede presença, responsabilidade, cuidado…
mas por dentro
tudo em mim só queria parar.
eu preciso ser forte para os outros,
mesmo quando ninguém é por mim.
então eu guardo a minha dor no bolso
e sigo… como dá.
tem tanta coisa que eu queria dizer,
retrucar, gritar, responder…
mas eu me calo.
e perdoo, em silêncio,
a insensatez de quem não sabe o que diz.
porque não sabem o que eu sinto.
não sabem como eu sinto.
e talvez seja melhor que não saibam.
porque desejar que saibam
seria desejar que sentissem o mesmo.
e eu não desejo isso a ninguém.
então não…
eu não espero que me entendam.
mas eu estou cansada.
cansada de uma dor
que não parece ter fim.
e quando tudo em mim acredita
que isso nunca vai passar…
o pensamento que vem
não é sobre viver
é sobre querer que isso acabe.

With you, eu descobri que a verdadeira coragem não é a ausência do medo, mas sim a certeza de que existe uma mão segurando a minha para enfrentarmos qualquer coisa juntos. Você me deu a segurança de ser exatamente quem eu sou, me abraçando com todas as minhas falhas e virtudes.
_Enzo Ruchell_

napoli.


Eu ainda não conheço Napoli.


E talvez seja justamente por isso que Napoli tenha conseguido existir tanto dentro de mim.


Antes de conhecer uma cidade, a gente inventa uma versão dela. Junta fotos, histórias, músicas, filmes, partidas de futebol, prédios antigos, ruas que nunca atravessou e um mar que só conhece pela tela. Vai montando, aos poucos, um lugar que talvez nem exista exatamente daquele jeito.


Mas existe Napoli.


Pelo menos a Napoli que eu imagino.


Napoli, para mim, começa antes do avião pousar.


Começa naquele instante em que eu imagino sair de algum lugar e simplesmente caminhar sem saber direito para onde estou indo. Napoli sendo o nome das placas, o idioma nas conversas, as roupas penduradas entre os prédios, o barulho das pessoas atravessando uma rua estreita enquanto alguma janela permanece aberta.


Eu imagino Napoli assim.


Imperfeita.


Viva.


Um pouco suja, um pouco caótica, um pouco triste.


Bonita justamente porque não parece estar preocupada em ser.


Napoli não é uma foto que eu quero visitar.


É uma sensação que eu quero descobrir se existe.


Eu penso em Napoli e penso no Vesúvio.


Não pelo vulcão em si, mas pela ideia de uma cidade inteira vivendo diante de alguma coisa que poderia destruí-la e, ainda assim, acordando todos os dias para continuar.


Isso me fascina.


Talvez porque eu goste de lugares que carregam uma ameaça sem precisar falar sobre ela.


Napoli parece ter alguma coisa disso.


Uma cidade que sabe que o chão pode tremer, que o passado pode voltar em forma de cinzas, que o mar pode guardar histórias demais, mas que ainda assim existe café pela manhã, futebol à tarde e gente voltando para casa à noite.


É assim que eu imagino Napoli.


Não como um paraíso.


Como um lugar humano.


Eu imagino o futebol em Napoli quase como uma religião antiga. Imagino o nome de Maradona ainda atravessando paredes, camisas, conversas, crianças que talvez nem tenham nascido quando ele jogava, mas cresceram ouvindo que houve um homem que fez uma cidade acreditar em alguma coisa.


E talvez seja isso que eu procuro quando penso em Napoli.


Não uma cidade perfeita.


Uma cidade que acredita.


Napoli acredita no futebol.


Napoli acredita no mar.


Napoli acredita na própria história.


Napoli acredita até nas próprias contradições.


E talvez eu queira acreditar também.


Às vezes penso em como seria estar em Napoli sem ter nada para fazer.


Sem roteiro.


Sem obrigação.


Sem aquela pressa de transformar cada lugar em foto.


Só estar.


Sentar em algum lugar e observar uma cidade que eu passei tanto tempo imaginando finalmente existir na minha frente.


Talvez eu olhasse para o Vesúvio.


Talvez para o mar.


Talvez para uma rua qualquer.


E provavelmente pensaria:


"Então era isso que eu estava tentando imaginar."


Mas existe uma coisa ainda mais bonita em não conhecer Napoli.


Eu ainda posso sonhar.


Ainda posso colocar em Napoli tudo aquilo que procuro no mundo.


A possibilidade de recomeçar.


A sensação de estar longe o suficiente para ouvir meus próprios pensamentos.


A liberdade de ser desconhecido.


A melancolia de perceber que uma vida pode caber em outro lugar.


Eu não sei se Napoli é assim.


Talvez não seja.


Talvez eu chegue lá e descubra que algumas das coisas que inventei nunca existiram.


Talvez o café seja apenas café.


Talvez as ruas sejam mais barulhentas do que bonitas.


Talvez o Vesúvio não pareça tão imenso.


Talvez Napoli não tenha nada da Napoli que eu criei.


E tudo bem.


Porque existe uma beleza estranha em desejar um lugar antes de conhecê-lo.


Você começa a construir uma casa dentro de uma cidade onde ainda não colocou os pés.


Napoli é essa casa, por enquanto.


Uma casa imaginada.


Um nome repetido.


Napoli.


Napoli.


Napoli.


Como se repetir fosse uma maneira de aproximar.


E talvez um dia eu chegue…


Talvez eu desça do avião, respire aquele ar pela primeira vez e perceba que a cidade real é completamente diferente da cidade que construí na cabeça.


Mas talvez, no meio de alguma rua qualquer, com o Vesúvio aparecendo ao longe e o mar existindo onde eu só conhecia por fotos imaginárias, eu entenda uma coisa


Alguns lugares a gente visita pela primeira vez duas vezes.


A primeira é quando chega.


A segunda é quando percebe que passou anos sonhando com aquele momento.


E quando esse dia chegar, eu não vou querer que Napoli seja exatamente como imaginei.


Vou querer apenas olhar para ela e pensar:


Napoli.


Então era você.


A cidade que eu conheci antes de chegar.

- Por que você não foi?
- Porque eu estava preso.
- Preso? Preso onde?
- Dentro de mim mesmo.

Às vezes penso
e chego até a acreditar
que eu não posso me conter...

sou limitadíssima
para a imensidão
que a minh'alma
recolhe em si...

e talvez
por isso...
me transbordo
em derivados
de partículas de essência...
✍©️@MiriamDaCosta

COP30 Belém


Francamente,
eu não levo fé nessas conferências mundiais
pró Meio Ambiente...
Desde sempre, muito blá-blá-blá... discursos belíssimos e dignos de aplausos mil, mas...
na realidade e na prática, pouco ou nada fazem
de concreto para salvaguardar o nosso planeta . E ano após ano assistimos a crise climática e ambiental aumentar.
Vejo muita hipocrisia e muito interesse financeiro nisso tudo, nada mais e nada menos.
✍©️@MiriamDaCosta

Se eu tivesse sido concebida
pela brisa do silêncio,
eu não teria brotado
um furacão de palavras ...


e não teria espargido pétalas de poesia
nas estrofes do vento da minha existência,
que sussurra versos gritantes de vida
entre as linhas do tsunami da minh'alma ...


Um'alma poética
ama o silêncio
mas não pode
ser silenciosa ...


ela não é silente
e nem faz ruído
ela escreve...
✍©️@MiriamDaCosta