Pedras

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"Se você é do grupo que lança pedra, leve as suas pedras com você..."

Se és do grupo que atira pedras,
carrega nelas o peso do teu silêncio,
leva-as contigo até ao espelho —
que lá Deus fala mais alto que o juízo.


Que cada pedra te lembre:
do pecado que também pulsa em ti,
da misericórdia que te alcançou,
e do perdão que te fez novo.

Não venhas com pedras ao encontro do quebrado;
vem com mãos, com curativos, com pão.
Que o julgamento se converta em cuidado,
e a acusação, em abraço.


Pois quem guarda pedras perde a ternura;
quem as entrega encontra graça,
e no colo do Amigo ferido, aprende a amar sem ferir.

Senhor Jesus, que viste além das pedras, ensina-nos a largá-las.
Transforma coração de pedra em coração dócil;
que nossos olhos enxerguem irmãos antes de faltas,
nossas mãos estendam mais que apontem,
e nossa boca leve bênção, não pedra.
Que a Tua graça nos faça especialistas em ajudar, perdoar e restaurar.
Em nome de Jesus, amém.

"Quem não lança pedras, mas estende as mãos, prosperará diante de Deus e dos homens."

Não lances pedras,
não é esse o chamado do céu.
Estende as mãos, ama sem reservas,
e prosperará quem vive o que Cristo viveu.


Pois a mão que se abre,
nunca fica vazia;
e o coração que perdoa,
torna-se terra fértil de alegria.

Quem escolhe lançar pedras,
cava o abismo do próprio coração.
Mas quem estende as mãos,
abre caminhos de compaixão.


As pedras não constroem,
elas ferem, destroem, afastam.
Mas mãos estendidas levantam,
curam, unem e restauram.

Pedras raras não vivem expostas ao toque de qualquer um.
Elas são guardadas, seladas, escondidas.
E o cofre só se abre quando o Dono decide.
miriam leal

Há pedras que não foram feitas para vitrines, porque vitrines são para o comum,
tesouros pertencem ao cofre.


miriamleal

Enquanto muitos carregavam pedras, Jesus oferecia esperança. Enquanto os religiosos apontavam o passado, Cristo enxergava a possibilidade de uma nova vida.

E quem vive aos pés da cruz aprende a abandonar as pedras e a estender a mensagem da reconciliação (2 Coríntios 5:18-20).

No escuro, entre pedras e sombras, a esperança, um pulso quente, foi meu único modo de não me perder no vazio.

O vento traz um nome esquecido, sussurra entre pedras e vales. A alma, ferida, se move, lembrando o que era abrigo. Não há culpa, só saudade, só o desejo de voltar. E na curva do silêncio, o amor começa a falar.

As pedras do caminho não impedem o amor, moldam os passos de quem acredita. A dor que machuca hoje será o altar onde a esperança se deitará amanhã. Há propósito até no terreno mais árido, porque o divino também habita o deserto.

Quem confia descobre trilhas onde antes só havia pedras, transforma obstáculo em passagem.

As promessas se tornam pedras que eu carrego até afogar-me.

Os segredos me assam como pedras, quentes e impossíveis de segurar.

Há palavras que têm o peso de pedras e outras, a leveza do lenço. Escolho as que abraço como lenços, para limpar, não para ferir. Dizer pode ser armas ou remédio, prefiro a medicina. Meu vocabulário tem dias de luta e dias de trégua. Aprendo a calibrar a voz como quem regula uma balança.

Carrego memórias como quem carrega pedras: pesadas, quentes, íntimas. Elas queimam a palma da mão, marcam o caminho do corpo. Mas cada pedra também inventa um mapa, quem eu sou, onde caí, e como ainda consigo ficar de pé com tanta terra no sapato.

Minha voz, às vezes, é um barco que não encontra cais. Bate nas pedras do entendimento e volta vazia. Se pudesse, mudaria de mar e deixaria a costa para trás. Mas aprendi que certas correntes só ensinam a nadar melhor. E então permaneço, remando com paciência terna.