Pedras
"No meio do caminho tinha várias pedras
Entre elas tive que passar
Entre elas tive que passar
Tive que sobreviver
Tive que lutar
Tive que pular
Tive que passar
Tive que ser forte
Tive que engolir o chorar
Tive quer ser corajoso
Tive que sobreviver
Tive que viver
Tive que passar
Tive tantas outras coisas
tive..."
"Existem pedras 🪨 de tropeço que se acham rubis; não se deixe enganar pelas inúmeras pedras no caminho que você pode remover. As pedras preciosas 💎 estão nos lugares mais secretos que se possa imaginar, e quando as encontrar, não as exiba aos quatro cantos do mundo, pois os saqueadores podem roubá-las. Sábio é aquele que mantém seus próprios segredos."
Meu lugar especial
Quem quer passar
no lugar do outro,
se o caminho alheio
pedras há que não se veem?
Melhor de longe observar
os passos que passam,
um após outro,
deixando no chão
a memória de quem neles acabou de passar.
Há pés que não acompanham
o ritmo do mundo;
ficam atrás,
desalinhados, num passo sempre atrasado
aprendendo a dançar
com os desníveis da vida...
Equilibrando-se sempre pra encontrar em tudo a melhor saída
Passam os passos, (des)compassados,
cambaleiam as certezas,
e cada tropeço revela
uma força escondida.
Ninguém chega
ao lugar do outro.
Cada coração guarda
uma paisagem única, um cenário só seu,
um silêncio que ninguém traduz,
uma ferida que ninguém sente
da mesma maneira de quem a viveu.
Por isso, não invejo caminhos.
O meu pode ser estreito,
com curvas a me tontear, lento, tão lento que estou sempre a me atrasar...
mas é nele que estou sempre a aprender
minha própria voz reconhecer.
Meu lugar não é perfeito.
É feito de ausências, carências (in)consistências... encontros, embates, combates...
lágrimas, sorrisos e recomeços.
E é especial:
porque é meu... somente meu.
Dele cada cantinho só quem conhece sou eu.
E, quando o mundo passar por mim,
seguirei caminhando,
com passos talvez incertos,
mas inteiros, certeiros –
em direção à pessoa
que estou me tornando...
Serei eu do jeito que só eu sei ser, enfim!
O caminho do conhecimento e da sabedoria é uma estrada íngreme, tortuosa, cheia de pedras e espinhos!!!
Ao seguir este caminho você vai encontrar os medíocres, os ignorantes, que tentarão a todo custo te derrubar!!!
Pessoas do teu círculo de amizades, parentes, vão se afastar de você, mas não desista, esse caminho é que vai te libertar, pois só o conhecimento e o autoconhecimento LIBERTA!!!
Enquanto o passado foi gravado nas pedras do tempo, o presente está sendo escrito na areia, e o futuro depende da força do vento!
Hoje eu agradeço a Deus por tudo: pela vida, pela saúde, pelo trabalho e até pelas pedras no caminho. Algumas ferem os pés, outras ensinam a caminhar. E até nos dias difíceis, há motivos para agradecer, porque Deus nunca deixa de cuidar de nós.
Eu construí meu castelo com as pedras que atiraram em mim,
fiz do silêncio meu elo,
para um novo e forte motim.
Não serei mais o mesmo que antes
eu juro que não serei,
sou agora as minhas variantes
Em tudo que me tornei.
Me reinventei, sim, me refiz
Com a luz que em mim encontrei,
Enfim, me achei, fui feliz,
E para sempre serei.
Ninguém sabe o que as pedras compõem, mas o vento sussurra, as árvores ouvem, as folhas dançam e as nuvens choram.
ROMANCE: CLADISSA.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro
CAPÍTULO X
As Pedras da Prisão.
A noite descera sobre a Úmbria como um pesado sudário.
Nas profundezas do antigo cárcere episcopal, Irmã Cladissa permanecia sozinha.
A cela era estreita. O odor de umidade impregnava as paredes de pedra, enquanto a escassa luz de uma tocha distante projetava sombras vacilantes através das grades enferrujadas. O inverno aproximava-se das colinas italianas, e o frio infiltrava-se pelas fissuras da construção secular, envolvendo o ambiente numa melancolia quase sepulcral.
Sentada sobre um banco rudimentar, Cladissa mantinha as mãos unidas sobre o colo.
Seu hábito, outrora impecável, agora trazia as marcas do confinamento. Ainda assim, sua postura permanecia serena. Havia em seu semblante uma dignidade silenciosa que nem os carcereiros conseguiam compreender.
Desde sua prisão, muitos dias haviam transcorrido.
As acusações permaneciam envoltas em ambiguidades, tecidas entre suspeitas, intrigas e interesses eclesiásticos que ultrapassavam sua compreensão imediata. O mosteiro do qual viera, situado entre as suaves elevações da Úmbria, encontrava-se distante. Talvez demasiado distante.
Pela pequena abertura gradeada, Cladissa contemplava uma estreita faixa do céu noturno.
As estrelas.
Sempre as estrelas.
Quando ainda era noviça, uma anciã do convento costumava dizer que os céus eram a única liberdade impossível de ser confiscada pelos homens.
Naquela noite, tais palavras regressaram-lhe à memória.
Subitamente, passos ecoaram pelo corredor.
Firmes. Lentos.
A religiosa ergueu os olhos.
Uma figura encapuzada aproximou-se acompanhada por um guarda. O homem carregava consigo uma lanterna e, após breve diálogo com o carcereiro, este afastou-se sem pronunciar palavra.
Por alguns instantes, apenas o silêncio permaneceu entre ambos.
Então, a figura retirou lentamente o capuz.
Cladissa reconheceu imediatamente o rosto.
Era Madre Agnese.
Sua antiga superiora.
Os olhos da anciã estavam marcados pela exaustão.
"Filha", murmurou ela através das grades, "o mundo além destes muros encontra-se em convulsão. Muitos desejam teu silêncio. Outros temem aquilo que sabes."
Cladissa permaneceu imóvel.
"Eu nada possuo além da verdade, madre."
A velha religiosa esboçou um sorriso triste.
"E, justamente por isso, tornaste-te perigosa."
Um longo silêncio instalou-se.
Ao longe, os sinos de uma igreja anunciaram as completas.
Cladissa fechou os olhos.
Na solidão da prisão, compreendeu que sua batalha apenas começava. Não se tratava unicamente de sobreviver ao cárcere, mas de preservar intacta a própria consciência diante das forças que procuravam dobrá-la.
As pedras podiam aprisionar o corpo.
Contudo, nenhuma muralha construída pelos homens seria suficientemente espessa para encarcerar uma alma fiel às suas convicções.
E naquela noite, enquanto o vento percorria os vales da Úmbria, Irmã Cladissa rezou.
Não por libertação.
Mas por coragem.
Nos olhos meus diga que não me quer mais.
Atire-me pedras apontando erros meus.
Mas jamais esqueça do bem que te fiz.
O dia que não te amei, desconheço.
O meu amor é puro, isso reconheço.
Fiz o beijo teu, como adereço.
Não sou merecedor do amor teu.
Te fiz deusa, deixei de ser ateu.
E foi os teus olhos que me converteu.
Não te dá o direito de me expulsar
não acabe desse jeito, vamos conversar.
Pensei que iria te ter
tolo a tentar te entreter!
Você errou em me obter.
Escreva sua parte da história como se estivesse gravando em pedras, pois histórias em pedras duram gerações devido à dificuldade de serem apagadas.
