Pedagogia da Autonomia
"Lhe entreguei uma parcela generosa de mim,
e parti,
para vê-lo crescer,
florescer,
e sorrir,
com autonomia,
esculpir sua história,
sem me fazer um seu fardo,
mas um exemplo de amor,
meu filho."
“houve um momento, que de tão afável, parecia um algodão, em que pus-me a deslindar, ou ao menos tentar, ainda que de esgueio, alguns mistérios comezinhos da vida. Uma vivência extremamente intensa pôs-se a me rodear, sem qualquer timidez ou zelo. Senti que tinha algo a dizer. Algo que pudesse desvendar qualquer dúvida, ainda que diminuta, sobre anseios e projeções futuras. Eis-me aqui. O instante se foi envolto de incertezas e sobressaltos e tudo o que permaneceu foi sua imagem indelével em minha retina tão carcomida pela degeneração macular. Crias que sou só um simples ser humano, daqueles de que as pessoas, crasso modo, não desgostam nem desdenham, mas, malgrado impressões mal interpretadas, continuo sendo o mesmo homem mortal que morre de amores pela sua amada. Não me tenhas em mau conta simplesmente pelas minhas inquietudes corriqueiras, visto que estas também, como todas as outras, definem-me e guiam-me pari passo ao seu coração. Compreendas, muito embora saiba do vulto da dificuldade, a necessidade premente que tenho de inspirar liberdade e transpirar autonomia. A desorganização episódica e circunstancial dada aos que amam, acredite, aqui e ali, não foi e jamais será terra arrasada, ou seja, dentro da mixórdia descompensada dos meus desideratos, frise-se em todos eles, estará você.”
“Na arte de viver
É preciso que sejamos
O personagem principal
Da nossa história
Sem deixar que outros
Façam dela
Aquilo que somente a nós
É dado por direito,
Vivê-la plenamente!”
Jussara Inez Juhem de Castilhos
Em 01 de dezembro de 2008.
ISENÇÃO é não sonegar a ninguém as informações para que concluam por si mesmos. PRETENSÃO é querer transformar todo mundo em meros "players" do seu pensamento.
A criatividade humana tem como premissa básica a liberdade, sem o que a essência criadora não consegue desenvolver sua percepção do universo em torno para exercê-la em sua plenitude. Pessoas tolhidas ou acuadas não criam.
Existe algo mais merecedor de lástima do que a imagem de ovelhas no aprisco? Cada indivíduo foi criado para pensar por si, para buscar seu próprio caminho, e nada mais depreciativo do que lhe ser exigido pensar de acordo com os parâmetros do pastor que lhe dá abrigo em troca de obediência.
Todas as vezes que decidem interferir no que me compete decidir, também decido fazê-los descobrir que não renuncio à soberania sobre decisões que me cabem, e que minhas escolhas jamais se dobrarão sem luta à qualquer tipo de tutela.
A diferença entre o sensato e o fanático é que o primeiro discute ideias e o segundo ataca as que lhe ditam, porque abdicou da legitimidade de seu autopensar para replicar o pensamento daqueles que segue.
Pra você não conseguir vão usar seus medos, suas culpas, seus ciúmes e o máximo de suas limitações. Mas apenas um poderá controlar os seus sentimentos... Você. Então não esqueça: autonomia garante autoridade.
Ser independente não significa ter dinheiro. Isso pode ser fruto do acaso, da sorte, do destino.Ter autonomia significa ser o único dono das suas culpas, seus medos, suas perdas e derrotas. Significa ser o único responsável declarado pelas suas escolhas.
As peças do meu xadrez são rainha, rei, bispo, cavalo e torre... Porque todos os piões tem autonomia para ser a peça que quiser.
Feliz de todo aquele que vive na cidade e não pensa e nem interpreta a vida, as noticias e os movimentos, como a maioria.
Não somos perfeitos o tempo todo, e há situações que não podem ser resolvidas apenas com base no aprendizado contido em manuais. Nessa hora, é você por você mesmo.
Uma pessoa só consegue exercer verdadeiramente a liberdade não somente na escolha do caminho, mas quando consegue autonomia para calçar e amarrar os cadarços dos seus próprios sapatos
Soltar das mãos
As mudanças em relação ao sentido da vida muitas vezes causam uma insegurança, dor e medo; seja mudança no sentido natural da vida, a morte, ou seja, a mudança no sentido da vida familiar.
Quando se percebe que os filhos já caminham sozinhos, e que nossas orientações muitas vezes são desnecessárias, isso nos faz sentir uma sensação de vazio. Talvez porque não tenhamos praticado direito, o desapego.
Soltar das mãos é deixar ir, mas isso pode nos deixar com uma sensação esquisita, uma sensação de impotência, mas que se faz necessária.
E quando a vida apresenta um espelho diante de nós, nos causa um descontrole, uma dor, que nos leva a uma profunda reflexão.
E quando retornamos dessa reflexão percebemos que a vida é isso mesmo:
Que em toda chegada existe uma partida;
Que em toda união existe uma separação;
Que em todo crescimento existe um desprendimento;
Que em cada sorriso há uma lágrima;
Que em cada aprovação há uma desaprovação;
Que em cada sucesso há uma perda.
Enfim viver, gera mudanças.
Falando em Educação: quando não se cobra (no sentido de incentivar) se acomoda, estagna. Quando coloco o discente e sua família como coitados, indiretamente, estou alimentando a exclusão. Dizer "coitadinhos"; "vulneráveis" gera ação meramente assistencialista, que em nada ajuda. Visualizar e atacar por meio de ação planejada sim gera atitudes logo mudanças longitudinais, não assistencialismo momentâneo que nada mais é que manutenção da dependência, falta de confiança e prisão; servidão.
Que a tecnologia seja ponte, e não muro. Que o conhecimento seja semente, e não mercadoria. E que a escola permaneça como território de afetos, de encontros e de sonhos; um lugar onde a autonomia do professor e a singularidade de cada estudante sejam celebradas como parte essencial de um processo verdadeiramente educativo e humano.
Durante a infância é preciso que se ensine a criança a voar alto e sozinha em vez de cortar suas asas e desencorajá-la de alçar os mais altos cumes.
