Pe Fabio de Melo os que te Amam
(Sobrevivência)
Por Marcio Melo
Às vezes não dá pra estar onde todo mundo está
e abraçar a todos.
Às vezes é preciso ser seletivo.
Até se afastar de algumas pessoas
por autopreservação e sobrevivência.
Alguns grupos se formam pra buscar melhorias
e nos ajudam a alcançar objetivos em comum.
Mas outros se aproximam só pra sugar
e nos infectar com o veneno deles.
Às vezes, mesmo amando, é necessário
se distanciar
pra não ser destruído por quem já desistiu de tudo.
"Rotina de um Autista na Periferia"
Por Marcio Melo
Sou prisioneiro do desespero alheio.
Onde gritos, ruídos e barulhos se misturam ao caos inflamado de uma capital inquieta, sem paz.
Me sinto fechado numa sepultura.
A miséria e a pobreza sem espírito se manifestam na bagunça, no barulho que quase sempre vira violência.
Eu, trancado no meu quarto, não saio.
Estou isolado, cercado por violências externas de pessoas transtornadas que se consomem em álcool e outras substâncias.
Sons altíssimos, sem respeito nenhum.
Eu, encolhido, me sinto exposto.
Minha mente colapsa diante do terror que vira a noite.
Só acaba quando o dia nasce.
Desgastado, exausto, me recomponho pra rotina.
Uma rotina dividida entre o pânico da tormenta da noite, que vara a madrugada,
e a responsabilidade de sobreviver ao dia.
Saudade
por Marcio Melo
Saudade são pessoas.
É um tempo onde momentos vividos marcaram profundamente a vida,
com gente importante que significava tudo.
Saudade de abraços, de sorrisos.
De casa, família e amigos.
De mesa farta, de festas repletas de felicidade.
Ah, que saudade...
Só de lembrar do tempo que abriu um espaço que nunca se fechou.
Eram momentos.
E a vida é feita de momentos que valem a pena lembrar.
Ruas de terra.
O cheiro de mato molhado.
O pé de manga que eu subia, lá de cima parecia que eu estava voando.
Os tios e tias.
As brincadeiras com amigos, primos, primas, irmãos correndo.
Era uma alegria que contagiava.
Cada brincadeira era uma conquista
que ficou registrada na memória
pra um dia lembrar suspirando e chamar de saudade.
Que saudade.
Os Sonhos
por Márcio Melo
Acho que eu já disse
que sou um sonhador.
Eu acredito.
Acredito na vida, na felicidade como uma busca interior.
Acredito no amor como sentido da vida,
que o amor cura qualquer ferida.
Eu sei que já disse isso muitas vezes:
sou um sonhador.
Os sonhos são possibilidades que projetamos na alma,
e acreditar é parte da realização.
Sou sim sonhador.
E sei que sonhar não é ilusão.
Sonhos que não motivam,
que não se tornam realidade,
são projeções desistidas
de alguém que se permitiu desacreditar
e perdeu o sentido da vida.
Mas pode sim voltar a sonhar,
recuperar o sonho perdido
e se realizar.
Por isso acredito:
vale a pena sonhar.
Quanto Tempo?
por Marcio Melo
Quanto tempo você tem?
Segundos, horas, dias, meses, anos, décadas, milênios...
Ou quem sabe a eternidade?
Só pare e reflita por alguns instantes:
Quanto tempo?
Eu não sei quanto tempo ainda me resta
até que meu fôlego acabe.
Acredito que a maioria também não sabe.
Mas do que estamos falando, então?
De tempo?
Ou de vida?
Dos dois. Sim.
Ambos andam de mãos dadas,
e só um continua a partir de um ponto na vida.
O tempo sempre segue sozinho.
A vida é um tempo finito, com prazo de validade.
Como diziam os antigos que passaram por este mundo:
_"Somos só passageiros."_
As adaptações, as transições, as mudanças
que vivemos como aprendizado de sobrevivência...
já que ninguém nasce com manual.
Viver está de fato ligado ao tempo.
São nossas perspectivas que nos definem
e nos colocam em algum momento no tempo.
Mesmo considerando passado, presente e futuro,
sabemos: este lugar no tempo é o que temos.
E só temos o agora.
É onde a pergunta inicial faz todo o sentido:
Quanto tempo você tem?
Bom, só temos o agora.
Ficam lembranças e projeções,
mas o que permanece é o agora.
Não Permita Morrer Sem Realizar
por Marcio Melo
Às vezes abandonamos alguns projetos
do que gostaríamos de realizar,
porque permitimos que os problemas e as dificuldades da vida
nos engulam e sufocam parte do que realmente faria sentido.
Começamos a planejar ainda jovens, no início da vida.
Mas acabamos nos envolvendo com obrigações, responsabilidades e compromissos
que dizem mais respeito aos outros e seus projetos do que aos nossos.
E a vida vai passando,
e sem se dar conta, enterramos o que elaboramos com tanto carinho e acreditamos.
Mas o tempo passa.
A juventude enérgica e motivada que planeja e sonha,
capaz de desbravar o mundo,
é afogada em um mar de ilusões, distrações e falsas realizações.
Essas que nunca são as nossas.
Mas se a vida, mesmo no fim, te der só uma única oportunidade...
abrace. Pegue.
Tire do papel para a realidade seus sonhos, seu projeto.
Não permita morrer
sem que pelo menos um seja realizado.
Existem sentimentos que não cabem no dicionário, e o que sinto por você é um desses. É uma melodia constante que toca baixinho no fundo da minha alma, mesmo quando o mundo lá fora insiste em fazer barulho.
Se hoje o meu amor ainda habita o silêncio, não é por falta de força, mas por ser um tesouro que aprendi a lapidar no escuro. Como a estrela que você mencionou, eu espero pacientemente que a luz do dia se apague para poder te encontrar na imensidão dos meus sonhos. Lá, não existem sombras, e o "nós" é a única realidade que importa.
O Despertar do Sol
Mas sinto que o meu peito está ficando pequeno para tanta vida. Assim como o sol não pode ser contido pelo horizonte para sempre, o meu coração também reclama o direito de amanhecer.
Não quero mais ser apenas o eco de uma canção.
Não quero mais ser o poema suspenso no ar.
Quero ser a voz que te chama e o braço que te alcança.
Guardo essa paixão como quem guarda um segredo sagrado, mas confesso: meu coração já não sabe mais se esconder. Ele bate com a urgência de quem descobriu que a beleza da vida só faz sentido se for compartilhada com você, à luz do dia, sem medos e sem silêncios.
"Amar em silêncio foi o rascunho; agora, meu coração quer escrever a nossa história em voz alta.
Teus olhos me seduz tal qual a música que toca. Enquanto nos olhamos, nos amamos em silêncio, a melodia fala por nós !
praça da saudade
na pálida luz de uma lembrança amena
no silêncio de um poema de Anisio Melo
me lembro da praça da saudade e nela
tua imagem sob o caramanchão
não há uma saudade ali inscrita
mas uma espécie de sonho, de passado
de águas de uma chuva fina
de sombras de uma festa
O Observador de Aves
(Gleidson Melo)
Nos galhos da árvore há esperança de vida, em cores e penas, apenas luz e colorido. Enquanto a beleza matinal traz calmaria, uma melodia desperta e quebra o silêncio da trilha - encanta e canta em belos duetos e solos -, é vida que surge numa manhã de sol.
Nos caminhos da mata segue o homem:
ávido, curioso, atento!
Existe algo de novo a ser revelado, a aproximação transforma-se em êxtase, e lá se vai o observador:
nos galhos da árvore repousa uma bela ave.
PINGOS D’ÁGUA DA CHUVA
(Gleidson Melo)
Um, dois, três... Milhares de pingos d’água. Assim é a chuva. Suave, acalma e traz a tranquilidade necessária ao bem-estar.
Conforto para os corações apaixonados pela vida. Num cantinho especial e reservado, somente para contemplação da natureza: sozinho, sentado e sentindo o cheiro de terra molhada.
Cai em forma de chuvisco, fazendo barulho no telhado. Lava as calçadas e molha os campos verdejantes. Enche os rios, os riachos e escorre nos vales. A vida acontece. Na beira do lago, dá um sentido todo especial ao momento e traz a felicidade.
Os pensamentos repousam na calmaria, enquanto dezenas, centenas, milhares... Incontáveis pingos proporcionam a paz e “faz chover”.
SER POETA
(Gleidson Melo)
Ser poeta é acreditar na grandiosidade das coisas simples. É poder mergulhar na imensidão azul do conforto da alma e encontrar a paz necessária para a inspiração. É ter a sabedoria necessária para curtir um pôr-do-sol, uma noite enluarada e deliciar-se com o silêncio das madrugadas. Ser poeta é estar feliz e sempre de bem com a vida.
Surge Poesia
(Gleidson Melo)
Caneta na mão, papel, tinta e imaginação. Riscos suaves tracejam os pensamentos. Sentimentos em forma de rabiscos dançam em linhas azuis e dão a emoção necessária ao momento. Letras se confundem com fantasias e se misturam com o prazer.
À primeira vista, tudo lhe é revelado e as palavras fluem - viajam no passado e trazem a esperança do futuro. Os traços bailam e a tinta marca a trajetória de um instante precioso. Surge poesia.
A Natureza do Pantanal: a vida acontece
(Gleidson Melo)
Recanto abençoado por Deus. Aqui, os pássaros deliciam-se da água da chuva, do doce das frutas e da paisagem sedutora. O verde é a marca registrada desse lugar. Belíssimos ipês de todas as cores recobrem a terra com flores primaveris. O perfume no ar, o cheiro de terra molhada, o calor desse chão, rememoram os tempos vividos de amor e de paixão. As varandas das casas pantaneiras, o martim-pescador espreitando o peixe, a chuva fina molhando o telhado. Sentimentos de nostalgia pairam no ar e explodem os sentimentos.
Araras e tucanos embelezam e apaixonam. Tocam o céu com suas asas e fazem um convite para a festa do amanhecer. A calmaria e a tranquilidade embalam o desejo de viver, presente em cada olhar. A natureza encontra-se em harmonia: capivaras e jacarés, jacarés e o homem, em convívio de mútuo respeito. Belo é o entardecer alaranjado, recôndito das garças- brancas, verdadeiro registro de beleza sem igual.
Tuiuiús constroem seus ninhos às margens dos rios, aninham-se e marcam a sua presença. Trilhas e caminhos que levam à emoção de estar presente em uma paisagem deslumbrante. No Pantanal a vida acontece.
Água, o Ciclo da Vida.
(Gleidson Melo)
Gotas de águas que caem do céu,
fluem dos mares, lagos, rios e montanhas.
O sol aquece e formam vapores,
nuvens pesadas, carregadas de esperança.
Viajam em cumulus singelos,
caem gotas d’água,
chuva fina e temporais.
Sinal de boas vindas à plantação,
é a felicidade nos caminhos da colheita.
Água que refresca e sacia a sede,
sinal de vida e esperança.
Giram as estações,
o tempo muda, a chuva cessa e
um novo ciclo surge na natureza.
Em algumas regiões podem cair granizo que saltitam no chão e nos telhados das casas. A neve também é um fenômeno que deixa a paisagem com um clima todo especial.
O granizo e a neve derretem e partem em direção às nuvens. Juntos, fazem parte do magnífico ciclo da água.
Sabiás e Bem-te-vis
(Gleidson Melo)
Sabiás e bem-te-vis fazem uma festa grandiosa do amanhecer em Recife. O brilho do sol aquece a areia da praia. A paisagem deslumbrante e banhada pelas ondas do mar verde-esmeralda faz o dia resplandecer com harmonia e felicidade. Num clima de beleza sem igual, quero passar os meus dias. Com tranquilidade, o meu desejo é o de viver e poder viajar no vento, que acalma e funciona como terapia d’alma. Nos cajueiros frondosos, os pássaros repousam nos galhos e se alimentam dos frutos doces e carnudos, dando um ar de graça e equilíbrio com a natureza. A cidade festeja o ano inteiro e a cultura regional põe à prova um sabor todo especial e cativante para os visitantes, que cruzam as pontes em busca de novas descobertas e do prazer de estarem presentes. Em paz, descanso na sombra dos coqueiros, embalado ao som de uma música tipicamente regional.
DESCOBRIMENTO
(A João Cabral de Melo Neto)
Quando durmo, os ardores tropicais fazem-me chacoalhar na cama. Então, vejo o Cabral descobrir-me - o filho do Brasil. Ele vem, sorrateiramente e sonso como quem conduz - da proa - a primeira embarcação. E adentra nas áridas terras do meu peito de poeta, enfinca bússola no vazio-caatinga, dá-me sonhos de fogo, ladainhas, murmúrios e desvãos. Assim, comunica com os meus reis e musas além-continente, além sete-chaves, além-Luzidia: Península-Ibérica-Mais-Pra-Espanha-Sevilha. Depois de furar a pedra do sono, abre a porta com uma faca só lâmina. Vai-se embora, caminhos agrestes. Fico no desvario, a tecer o amanhã. João, é tu que me colonizas!
