Pe Fabio de Melo os que te Amam

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Ainda Lembro

Ainda lembro das palavras doces que você dizia
Ao pé do meu ouvido...
Lembro do sorriso que você abria quando me via,
Das explicações que você dava
Quando não conseguia telefonar...
Ainda lembro das risadas que dávamos juntos,
Das juras que fazíamos...
Ainda lembro do jeito que você me olhava,
Dos sonhos que eu tinha com você,
Do amor que eu tinha pra lhe oferecer...
Ainda sinto seu perfume,
Ainda sinto o calor de sua pele,
Ainda sinto sua presença...
Ainda lembro da nossa canção.
Ainda lembro das vezes que você me olhava
e dizia o medo que sentia de me perder...
Ainda lembro de quanta dedicação que eu
Tinha em lhe ver sorrir.
Ainda lembro das cartas apaixonadas,
Que me faziam ficar até tarde acordada...
Lembro das noites em claro que passei,
Pensando em você.
Hoje não te amo como antes,
E nem você me amava como dizia,
Ainda Lembro...

Arriscar-se é perder o pé por algum tempo.
Não se arriscar é perder a vida...

Você está pronto para recomeçar?
O caminho está a tua espera, pé na estrada, coloque um sonho na alma, fé no coração e esperança na mochila, a vida se enche de novidades para os que se aventuram na viagem que conduz a verdadeira liberdade.

No Cabaré-Verde
às cinco horas da tarde

Oito dias a pé, as botinas rasgadas
Nas pedras do caminho: em Charleroi arrio.
- No Cabaré-Verde: pedi umas torradas
Na manteiga e presunto, embora meio frio.

Reconfortado, estendo as pernas sob a mesa
Verde e me ponho a olhar os ingênuos motivos
De uma tapeçaria. - E, adorável surpresa,
Quando a moça de peito enorme e de olhos vivos

- Essa, não há de ser um beijo que a amedronte! -
Sorridente me trás as torradas e um monte
De presunto bem morno, em prato colorido;

Um presunto rosado e branco, a que perfuma
Um dente de alho, e um chope enorme, cuja espuma
Um raio vem doirar do sol amortecido.

A Maior prova da não existência de Deus se resume no fato de que as igrejas estão de pé ou já teriam recebido um raio fulminante sobre todas elas, vindo de Deus.

Olhe para aquele homem diligente em seu trabalho. Ele está destinado a ficar de pé diante de Reis, e não entre homens medíocres.
[Esta citação é vista na Autobiografia de Benjamin Franklin, mas não é de sua autoria]

Uma das piores sensações é quando você se afasta de uma pessoa para que ela sinta sua falta e percebe que ela vive muito bem sem você.

Quem vive de esperança... É porque não tem forças pra buscar seus objetivos.
Porque é facil pedir á um santo ou pedir pra Deus....
E depois culpá-los por não ter conseguido o que queria...

Tá tão difícil pra você também né?
Com o coração vazio, mas sempre de pé
Buscando alguma direção.
Quantas vezes você me escreveu e não mandou,
Pegou o telefone e não ligou..
Partiu seu próprio coração.
Eu tenho uma má notícia pra te dar,
Isso não vai passar tão cedo, não adianta esperar.
Às vezes ficamos bem, mas depois vem o desespero,
Eu tento esconder, mas vi que pensei em você o dia inteiro.

Mas sempre haverá uma data, palavra, um olhar,
Um filminho, uma música, pra te fazer lembrar.
Um perfume, um abraço, um sorriso só pra atrapalhar.
Só pra te fazer lembrar de mim.

Duas loiras na rua:
– Então, amiga, o que foi fazer na farmácia?
– O teste de gravidez.
– E as perguntas eram difíceis?

Os sussurros rompem as barreiras do som
Damos para o amor um novo tom
Compomos as mais lindas melodias
Dedilhadas na sintonia
Cantadas em nosso olhar....

Todo ser humano já nasce morto. Mas, é Deus quem estipula a data de seu enterro. (Antonio Melo).

Maria do Carmo Barreto Campello de Melo nasceu no Recife em 21 de julho de 1924-2008.Passou parte da infância no antigo Engenho da Torre e no Rio de Janeiro.Jornalista, escritora, poetisa.Principais obras poéticas: Música do Silêncio; O Tempo Reinventado; Verde Vida; Partitura sem Som; De Adeus e Borboletas; Solidão Compartilhda; A Consoada e muitas outras. Ocupava a cadeira de nº29 na Academia Pernambucana de Letras.

Meu poema é mudo
meu poema é opaco
não te vislumbrem subjacentente
entre as palavras que te cercam.

Mítico e indecifrável
é o poema pelo avesso que te contruo
íntima muralha que te construo.

Enquanto te pensava
um poema se ergueu no chão das minhas mãos
ereto e insondável
como uma flor noturna.

Passaste
e me revesti de ti
atingiste minha substância íntima: quem me vê
não se sabe que está vendo
uma parte de ti que me adere.

Interira e lúcida
perco-me e me revigoro no poema
que me recompuseste o teu nome no meu nome
com sílabas e vogais acesas.

Assina-me
sou teu texto

Se um poeta cruzar seu caminho não é por acaso é poesia...


Marcio melo

Minha luta, não foi por ti, mas por nós. E então, tive que partir.

Shihan Cícero Melo - Hoshō Ryū Ninpo

Série
Poemas de marcio melo


____Na vida andamos por caminhos empoeiramos os pés em meio aos tropeços tristezas e sorrisos pelo caminho a vida é uma caminhada longa com acertos e desacertos a quentura do sol queima os pés e o Fusca os olhos assim tudo que buscamos é o que encontramos e deixamos pela estrada já longe não se pode voltar pois o tempo segue sempre adiante e quem caminha pela vida sabe o que ficou lá atrás não se pode recuperar mais é assim a vida é estrangeira e o tempo seu guia a vida nunca acaba somente aquele que caminha


A caminhada

Em Algum Lugar
Por Marcio Melo


Há lugares onde estamos
sem nunca deveríamos estar,
mas de lá não saímos.


São lugares que evitamos,
mas neles moramos.


Talvez sejam só isso:
lugares que nunca deixamos.
E onde quer que formos,
eles irão também.
Estarão sempre lá.


Em algum lugar.

O Mundo de Gente
Por Marcio Melo

No mundo tem gente de todo lado,
De cima, de baixo, sem parar,
Gente que se mexe pra sobreviver,
Gente que aprende e vem ensinar.

Tem gente que fez sua história,
Tem gente que a sorte ajudou,
Outros lutam com esperança,
Sem perder a linha que traçou.

Uns nem tanto, a sorte atrasa,
Mas Deus dá força pra aguentar,
E as desventuras do caminho
Não conseguem nos derrubar.

Cedo se aprende nessa vida
Que é caindo que se vai levantar,
Que é cedo que começa a lida,
Que é na luta que se faz lugar.

O trabalho é duro, isso é certo,
Mas não é o sufoco que importa não,
O que traz respeito e confiança
É a dignidade no coração.

Eita, mundo!
Eita, vida!
Povo que se mexe não para,
Parecem formiga na corrida.

Esse mundo de gente,
De tudo quanto é lado,
Gente a perder de vista,
Cada um no seu recado.

Cada um faz o que pode,
Da melhor forma que puder,
E é assim que o mundo de gente
Segue firme a caminhar, você há de ver.

O Cardápio e o Juízo
Por Marcio Melo

Adeus a este mundo que chama de normal
O ódio que impera sobre o sangue dos inocentes.
Eu não caibo aqui,
Pois prefiro o meu mundo interior,
Onde a música e a poesia dançam abraçadas,
E a primavera não morre nunca.

Mas todo dia o cardápio é servido:
Mulheres, crianças, homens,
Partes colhidas das guerras, da fome, da miséria,
Montadas com sofisticação
Pra o mundo comer sem culpa.

Então eu acredito em Deus de novo.
Não por medo,
Mas por esperança.

Porque haverá um tribunal divino,
Um juízo final
Que há de consertar o que quebramos.
A natureza, as espécies,
Toda a criação profanada.

E nesse dia, salvos ou não,
Quem destruiu será queimado como palha seca,
Pulverizado da existência.
Porque justiça sem conserto não é justiça.

Até lá, eu fico no meu mundo.
Até lá, eu escrevo.
Porque alguém precisa dizer
Que o banquete da crueldade
Um dia acaba.

"Assoreamento"
Marcio Melo


Sou rio corrente,
arrasto o que me dói.
Mas no peito se assenta
a lama que corrói.


Assenta devagar,
soterra o que eu sou.
Cobre o leito antigo,
apaga o que jorrou.


Sou só correnteza
sem fundo pra voltar.
Peso no meu peito
que não deixa amar