Pe Fabio de Melo os que te Amam

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Tá tão difícil pra você também né?
Com o coração vazio, mas sempre de pé
Buscando alguma direção.
Quantas vezes você me escreveu e não mandou,
Pegou o telefone e não ligou..
Partiu seu próprio coração.
Eu tenho uma má notícia pra te dar,
Isso não vai passar tão cedo, não adianta esperar.
Às vezes ficamos bem, mas depois vem o desespero,
Eu tento esconder, mas vi que pensei em você o dia inteiro.

Mas sempre haverá uma data, palavra, um olhar,
Um filminho, uma música, pra te fazer lembrar.
Um perfume, um abraço, um sorriso só pra atrapalhar.
Só pra te fazer lembrar de mim.

Duas loiras na rua:
– Então, amiga, o que foi fazer na farmácia?
– O teste de gravidez.
– E as perguntas eram difíceis?

Os sussurros rompem as barreiras do som
Damos para o amor um novo tom
Compomos as mais lindas melodias
Dedilhadas na sintonia
Cantadas em nosso olhar....

Todo ser humano já nasce morto. Mas, é Deus quem estipula a data de seu enterro. (Antonio Melo).

Maria do Carmo Barreto Campello de Melo nasceu no Recife em 21 de julho de 1924-2008.Passou parte da infância no antigo Engenho da Torre e no Rio de Janeiro.Jornalista, escritora, poetisa.Principais obras poéticas: Música do Silêncio; O Tempo Reinventado; Verde Vida; Partitura sem Som; De Adeus e Borboletas; Solidão Compartilhda; A Consoada e muitas outras. Ocupava a cadeira de nº29 na Academia Pernambucana de Letras.

Meu poema é mudo
meu poema é opaco
não te vislumbrem subjacentente
entre as palavras que te cercam.

Mítico e indecifrável
é o poema pelo avesso que te contruo
íntima muralha que te construo.

Enquanto te pensava
um poema se ergueu no chão das minhas mãos
ereto e insondável
como uma flor noturna.

Passaste
e me revesti de ti
atingiste minha substância íntima: quem me vê
não se sabe que está vendo
uma parte de ti que me adere.

Interira e lúcida
perco-me e me revigoro no poema
que me recompuseste o teu nome no meu nome
com sílabas e vogais acesas.

Assina-me
sou teu texto

Se um poeta cruzar seu caminho não é por acaso é poesia...


Marcio melo

Minha luta, não foi por ti, mas por nós. E então, tive que partir.

Shihan Cícero Melo - Hoshō Ryū Ninpo

Série
Poemas de marcio melo


____Na vida andamos por caminhos empoeiramos os pés em meio aos tropeços tristezas e sorrisos pelo caminho a vida é uma caminhada longa com acertos e desacertos a quentura do sol queima os pés e o Fusca os olhos assim tudo que buscamos é o que encontramos e deixamos pela estrada já longe não se pode voltar pois o tempo segue sempre adiante e quem caminha pela vida sabe o que ficou lá atrás não se pode recuperar mais é assim a vida é estrangeira e o tempo seu guia a vida nunca acaba somente aquele que caminha


A caminhada

Em Algum Lugar
Por Marcio Melo


Há lugares onde estamos
sem nunca deveríamos estar,
mas de lá não saímos.


São lugares que evitamos,
mas neles moramos.


Talvez sejam só isso:
lugares que nunca deixamos.
E onde quer que formos,
eles irão também.
Estarão sempre lá.


Em algum lugar.

O Mundo de Gente
Por Marcio Melo

No mundo tem gente de todo lado,
De cima, de baixo, sem parar,
Gente que se mexe pra sobreviver,
Gente que aprende e vem ensinar.

Tem gente que fez sua história,
Tem gente que a sorte ajudou,
Outros lutam com esperança,
Sem perder a linha que traçou.

Uns nem tanto, a sorte atrasa,
Mas Deus dá força pra aguentar,
E as desventuras do caminho
Não conseguem nos derrubar.

Cedo se aprende nessa vida
Que é caindo que se vai levantar,
Que é cedo que começa a lida,
Que é na luta que se faz lugar.

O trabalho é duro, isso é certo,
Mas não é o sufoco que importa não,
O que traz respeito e confiança
É a dignidade no coração.

Eita, mundo!
Eita, vida!
Povo que se mexe não para,
Parecem formiga na corrida.

Esse mundo de gente,
De tudo quanto é lado,
Gente a perder de vista,
Cada um no seu recado.

Cada um faz o que pode,
Da melhor forma que puder,
E é assim que o mundo de gente
Segue firme a caminhar, você há de ver.

O Cardápio e o Juízo
Por Marcio Melo

Adeus a este mundo que chama de normal
O ódio que impera sobre o sangue dos inocentes.
Eu não caibo aqui,
Pois prefiro o meu mundo interior,
Onde a música e a poesia dançam abraçadas,
E a primavera não morre nunca.

Mas todo dia o cardápio é servido:
Mulheres, crianças, homens,
Partes colhidas das guerras, da fome, da miséria,
Montadas com sofisticação
Pra o mundo comer sem culpa.

Então eu acredito em Deus de novo.
Não por medo,
Mas por esperança.

Porque haverá um tribunal divino,
Um juízo final
Que há de consertar o que quebramos.
A natureza, as espécies,
Toda a criação profanada.

E nesse dia, salvos ou não,
Quem destruiu será queimado como palha seca,
Pulverizado da existência.
Porque justiça sem conserto não é justiça.

Até lá, eu fico no meu mundo.
Até lá, eu escrevo.
Porque alguém precisa dizer
Que o banquete da crueldade
Um dia acaba.

"Assoreamento"
Marcio Melo


Sou rio corrente,
arrasto o que me dói.
Mas no peito se assenta
a lama que corrói.


Assenta devagar,
soterra o que eu sou.
Cobre o leito antigo,
apaga o que jorrou.


Sou só correnteza
sem fundo pra voltar.
Peso no meu peito
que não deixa amar

Lugar de Mato
Marcio Melo


Eu queria ir pra um lugar
onde o vento sopra paz,
onde revoada canta alto
e o mato tem cheiro de mais.


Cheio de pássaro e terra
nos pés sem pressa de andar.
Sentado na porta da casinha de sapê,
só vendo o tempo passar.


Longe da cidade imunda,
poluída de gente vazia,
que se consome e se acaba
morrendo sem alegria.


Quero uma vida que não seja
só passagem sem sabor.
Quero erguer lembranças minhas
como quem ergue um castelo.


Um lugar onde se sonha
e o sonho vira real.
E morrer abraçado ao mato,
com a paz no coração.

Meu Amor
Marcio Melo


Em algum momento desta vida
eu terei meu amor.
E aí a gente vira sentido,
complemento, um só coração.


Até que os beijos, os abraços,
as carícias virem eternas.
Cada instante virando inspiração
pra quem se entrega sem preço.


Pra amar sem medo,
arriscar tudo por um beijo,
se aventurar no verdadeiro
e não soltar mais depois.


Só quero dormir e acordar
do lado de quem faz tudo ter sentido.
E amar cada dia
como se fosse pra sempre amar.

Febril
Marcio Melo


Enquanto a febre queima
e a dor inflama,
a solidão espreme a alma
até ela pedir licença pra ir.


Fechado no meio da multidão,
numa cidade que não para.
Nada é fixo, tudo gira
no furor de quem trabalha até morrer.


Onde está o fio da vida?
Escapa entre as dores,
entre o vazio cansado
de quem não tem tempo pra existir.


Aqui na cama, debaixo do cobertor,
derreto fritando na febre.
O quarto cheio de objetos inúteis,
empoeirados, mortos como eu.


O corpo na cama doente
sepulta o último desejo de viver.

Fragmentos de Mim
Marcio Melo


Somos fragmentos de vida,
folhas soltas no outono.
Caindo pouco a pouco,
levadas pelo vento que o tempo soprou.


Secas ao tocar o chão,
amareladas, sem cor.
Cada uma se desfaz em silêncio,
sem deixar rastro do que foi.


O tempo amarelou cada dia,
cada ano que assentou na terra.
E hoje não sobra vestígio
da vida que um dia fui.

Dias Fechados
Marcio Melo


Tem dias que é melhor não levantar.
Tem dias que nem banho tira o peso.
A água corre, limpa a pele,
mas não alcança o que dói por dentro.


Tem dias que viver
é morrer um pouco a cada hora.
Preso na cama, casa trancada,
enquanto o mundo lá fora não para.


O cabelo entope o ralo,
o café esfria no bar da esquina.
A tosse prende na garganta,
o frio castiga quem não tem pra onde ir.


Tem dias que é melhor nem sair.
Adoecer no quarto fechado,
deixar que o tempo furte o que sobrou.
Deixa-me aqui sozinho,
deitado com a dor,
na companhia do meu sofrimento.


Tem dias.
Tem dias que é melhor nem sair de casa
Tem dias ruins.

Versador
De Marcio Melo
09/2023


Um versador versava versos
pra cantar sobre o amor.
Às vezes vinham em rima,
outras vinham em prosa,
e ele lançava ao vento
sem saber pra onde vão.


Com o tempo, sem perceber,
foi ficando romântico.
De tanto falar de amor,
de tanto escrever o nome,
acabou se apaixonando
pelo que ele mesmo criou.

Sobre Amar
Marcio Melo


Se alguém me disser que não vale a pena amar,
eu diria que é o mesmo que
cortar as asas de um pássaro e impedir ele de voar.


Ou como um rio sem água,
que nunca vai encontrar o mar.


Será que vale a pena um pássaro não voar?
Será que existe rio sem água chegando ao mar?


Então eu pergunto:
qual o sentido da vida,
se não vale a pena amar?

As Rosas e Seus Espinhos
Marcio Melo, 14 anos


As rosas são lindas, coloridas, perfumadas.
Suas pétalas lisas, macias como seda.


Você desliza a mão no caule...
e os espinhos afiados te lembram:
tudo que defende, também fere.