Pássaros
O canto dos pássaros é a sinfonia para todos que apreciam um som afinado em todos os seus acordes. Melodias criadas através da liberdade na natureza para harmonizar seu interior e elevar-te ao grande Maestro dessa orquestra.
A tarde ensina o crepúsculo nos últimos raios do pôr do sol, quando pássaros distantes se acomodam no céu do dia, que passa lento no domingo pleno de paz e esquecimento. A cidade silencia a máquina no dia das mães e comemoro os filhos que eu não tive a habitar os espaços com uma doce ternura de ausência. E não há arrependimento se muito se sabe das escolhas da vida. Estou viva e não há na sala nenhum ser que fala. Nas linhas de minha mão encontro o meu mapa, que afirma que tudo tarda e nada indaga. Penso em você que pode ser qualquer pessoa que a câmera enquadra. Sua figura em imagem que menos diz do que uma cantiga passada. Porque tudo é contemplação se os pés serenos pisam o chão da história construída com a memória de dias leves que deixam sua marca no destino, se o passado e o agora faz o futuro. E sinto algo dúbio entre uma saudade vaga e a vontade de não revistá-la. É como querer e não querer simultaneamente. Uma figura que mais bela se faz no passado e no presente encontra pouco espaço. E se demora além da hora, se ainda falo e digitam os dedos. E penso em uma calma certa, que nada me falta, se te ver deixa minha alma atravessada, mais procuro minha voz encarnada. A calma e o tédio cruzam um limiar, que é justamente onde te encontro em minhas lembranças. Tudo é pura distância se desconheço o passar dos instantes e habito o tempo psicológico que muito mais é relativo, se memórias esquecidas ainda povoam o presente e se senta em minha frente. O encanto se perte no palpável. As coisas findas, muito mais que lindas ficarão. Ouço murmúrios de poetas antigos que na sala conversam comigo. E cito seus versos como se fossem meus, já que em meu ser floresceu. E muito além vou quanto mais autêntica me faço e poemas revoltosos são mais teatro do que verdade, se me tenho contida e mais me abro para a vida. Também não me calarei, mas que minhas palavras sejam sucintas e não se demorem, pois que o verso chore calado e se vai fatigado quando se alonga em controversas que não acrescentam cores a minha tela. Mais um domingo se passa e no silêncio de minha casa tenho um coração em brasa, que é intenso quando fala e é intenso quando cala. Senhora Dona Sancha, coberta de ouro e prata, mostre a felicidade rara. Queremos ver sua cara. Logo vai raiar a madrugada. Fui no tororó, beber água não achei, achei a Mona Lisa, cujo sorriso não me esquecerei. A renascença chove em meu rosto e haja vista o que já está posto. Fui no tororó, beber água não achei, de sede de amor eu não morrerei.
Encontra-se o sossego onde o vento sopra, os pássaros cantam e o verde da natureza silencia o mundo.
Intercalar o silêncio profundo da natureza com o coro vibrante dos pássaros; sentir a brisa fustigar a pele enquanto as ondas se desmancham na areia; deslumbrar-se com o drapejar das aves e, em prece, reverenciar o mistério inefável da vida e as leis eternas que regem este equilíbrio em absoluta harmonia.
Que linda manhã faz hoje,
Os pássaros a cantar,
A leve brisa a soprar,
O sol a raiar o amanhecer,
Tudo me lembra a você,
Como seria meu mundo antes,
Ou depois de você, não sei
Só sei que tudo começa
e termina com você,
Já não tenho ideias ou planos,
A vida hoje aos prantos,
De lembranças boas contigo,
De pensamentos vividos,
De um dia ter te conhecido,
E ao mesmo tempo te perdido,
Por excessos de delírios,
Por um Amor reprimido
De anos a te admirar,
De anos ao olhar o luar,
Louco para te Amar.
Jamais esquecerei desses dias,
No nascer ou ao fim do dia
Nesse olhar cheio de alegria
Mais as minhas a te admirar,
Hoje só de pensamentos eu vivo,
De memórias do passado,
De dias em que eu tive você apenas do meu lado.
Desafios
Lá fora os pássaros cantam
As árvores regigijam
Uma melodia que aquece o coração
As flores desabrocham desmontando
Todos os desafios que parecem invencíveis
Pequenas coisas mostram que incansável é
Esse olhar que brilha ao perceber o
Que se encontra entre a linha tênue
Do palpável e o imperceptível
O instinto de ser feliz.
Kaw Lima
Pensamentos ao Vento, Cordas ao Coração
Meus pensamentos são pássaros sem gaiola nenhuma
que decolam do peito quando a alma chama
às vezes voam baixinho, rente ao chão
com a leveza de um suspiro em meio ao trovão
Outras vezes alçam voo alto, até o céu azul profundo
cruzam nuvens de prata, onde os sonhos se fundem
às vezes são murmúrios, como folhas no vento
outras, gritos silenciosos que o peito não contém
E no colo, meu violão — madeira e alma junta
cada corda sabe bem qual é a sua cunha
para cada pensamento que bate na minha porta
ela encontra a melodia que faz o coração sorrir ou chorar
Quando os pensamentos são de amor, suave e terno
as cordas vibram em dó maior, calmo e eterno
dedos deslizam leve, como beijos na pele
a música envolve tudo, fazendo o mundo parecer belo e pequeno
Se forem pensamentos de saudade, pesados e densos
a afinada vira ré menor, caminhando devagar, como em densos caminhos
cada nota é uma lembrança, um nó na garganta
a ressonância ecoa no peito, como um eco que não acaba
Há momentos em que a mente corre, agitada e rápida
os dedos correm pelas cordas, ritmo acelerado, quase febril
como um trovão que se aproxima, forte e inesperado
a melodia é um turbilhão, onde emoções se entrelaçam e explodem
E quando a paz finalmente chega, calma e serena
o violão sussurra em lá menor, suave e sereno
pensamentos flutuam como nuvens de algodão
a música embala tudo, fazendo o tempo parar e o mundo ficar só
Meus pensamentos voam livre, sem destino nem lei
e meu violão os acompanha, sempre com a melodia certa pra dizer
que cada emoção que vivemos, seja dor ou alegria
tem sua voz na música, sua casa na minha história
Que as cordas nunca se quebrem, que os pensamentos nunca se fechem
que o vento leve cada nota, onde quer que o coração queira ir
pois assim é a vida: feita de voos e de sons
de pensamentos que cantam e de violões que dão voz aos sentimentos.
*
"Meus versos quais pássaros,
criaram asas e voaram antes da colheita da escrita,
e meus olhos registraram aqueles vôos"
***
PÁSSAROS ATÔNITOS
O paradoxo da liberdade diante do caos interno de tua mente é quando os pensamentos ficam prolixos e se perdem em direções difusas, como pássaros atônitos e dispersos querendo voar dentro de ti. Mesmo com a gaiola aberta, não o fazem; não conseguem sair do lugar. Às vezes, a liberdade também é uma forma de prisão lá fora... por isso, o voo se paralisa no ar que acabas de ganhar.
Lu Lena / 2026
Quando a tarde organiza seus últimos argumentos a raiar no céu pássaros fragmentos, a opinião pública se mostra pragmática e cobra as horas do tempo arrastado no ardor do esquecimento de qualquer contratempo questionável. A tarde responde lânguida que são inefáveis os minutos da existência e é caro o azul celeste a se espraiar pelo ambiente. E mais tardam suas verdades existentes. Em aveludadas cores laranjadas o pôr do sol se despe do amarelo e reflete em águas a perder de íris. A alvíssima açucena se demora perene em lírios brancos convertidos na janela de paz que levo comigo. Nos meus olhos auríferos descortino a retina de um mar bravio e apascento as águas com o meu brilho a ensurdecer calafrios na lua imponente que esplendorosa doa seu brio. E desce uma noite fria sobre as de ramagens incertas e convalecem as insesatas flores do inverno. Navios partem e voltam, levam e trazem, e se julgam donos dos mares e das vidas exauridas de despedidas. E contumaz me desvio de desatinos desvios dos portos do meu destino. E há viventes que coadunam comigo, se lhes falo e me dão ouvidos, em suas escamas douradas que muito sabem das estradas. Deletério seria fingir que não vê e perder lagos elísios no enlevo sossego de quem já não se importa, pois que é inútil bater na porta de quem parte sem volta. No fulgor de um fausto tempo outras alegrias se diziam e voltavam comigo a rir e sorver o dia como quem escreve uma poesia no imarcescível interstício de uma flauta suave a acalentar os versos no impoluto momento de se desfazer e deixar a semente crescer. Novas frondes arbóreas cruzarão o horizonte e suaves sombras da tarde se farão eternidade.
Na penumbra que antecede a alvorada, os pássaros rompem o silêncio da noite com sua melodia, anunciando a primeira luz do dia
Um colar floresceu.
Vida gerando vida.
Anunciam os pássaros,
Nas árvores frondosas,
Num canto unificado,
A celebração do Paraíso,
Sem dor,
Sem choro,
Sem morte.
Apenas um sonho realizado.
Além do rio da vida.
Meus pensamentos tomam a forma de pássaros voando sem cessar,descobrindo algo novo,diferente,talvez mil maneiras para se amar!!!
"Noites em claro, batidas aceleradas.
Entre erros de ansiedade e o canto dos pássaros,
vejo o dia nascer.
Basta uma palavra para que o ciclo se finde.
Recomeçar exige a calma de quem não quer perder o chão já conquistado.
Sou agora uma folha em branco;
o passado deletado dá lugar à nova escrita.
Busco a estabilidade para ser porto seguro.
Quero estar pronta para cuidar,
transformando gratidão em gesto e amor em destino."
Atenciosamente Roseli Ribeiro
