Pássaros
Dia de festa
Café da manha ao ar livre com o canto dos pássaros pousados nos pés de manga a frente, que grata surpresa!
Nossa você caprichou no bolo de mandioca, esse queijo qualho tá uma delícia! Olha a cara desse pão caseiro, ou desse doce de ambrosia, perfeitos.
Amor passa o suco de laranja, veja um avião passando entre as nuvens, é engraçado ou parece que ele está fazendo desenhos nas nuvens, uau! Um coração deve estar homenageando alguém. Que loucura amor ele fez o seu nome com os dizeres parabéns e felicidades. A, a, a, a! Você esta chorando, eu só queria te surpreender nessa data tão importante do nosso aniversário de casados, me sinto vivendo nas nuvens e é lá que preferi te mostrar o meu presente, assim como para o mundo inteiro poder ver também, parabéns!
A tarde ensina o crepúsculo nos últimos raios do pôr do sol, quando pássaros distantes se acomodam no céu do dia, que passa lento no domingo pleno de paz e esquecimento. A cidade silencia a máquina no dia das mães e comemoro os filhos que eu não tive a habitar os espaços com uma doce ternura de ausência. E não há arrependimento se muito se sabe das escolhas da vida. Estou viva e não há na sala nenhum ser que fala. Nas linhas de minha mão encontro o meu mapa, que afirma que tudo tarda e nada indaga. Penso em você que pode ser qualquer pessoa que a câmera enquadra. Sua figura em imagem que menos diz do que uma cantiga passada. Porque tudo é contemplação se os pés serenos pisam o chão da história construída com a memória de dias leves que deixam sua marca no destino, se o passado e o agora faz o futuro. E sinto algo dúbio entre uma saudade vaga e a vontade de não revistá-la. É como querer e não querer simultaneamente. Uma figura que mais bela se faz no passado e no presente encontra pouco espaço. E se demora além da hora, se ainda falo e digitam os dedos. E penso em uma calma certa, que nada me falta, se te ver deixa minha alma atravessada, mais procuro minha voz encarnada. A calma e o tédio cruzam um limiar, que é justamente onde te encontro em minhas lembranças. Tudo é pura distância se desconheço o passar dos instantes e habito o tempo psicológico que muito mais é relativo, se memórias esquecidas ainda povoam o presente e se senta em minha frente. O encanto se perte no palpável. As coisas findas, muito mais que lindas ficarão. Ouço murmúrios de poetas antigos que na sala conversam comigo. E cito seus versos como se fossem meus, já que em meu ser floresceu. E muito além vou quanto mais autêntica me faço e poemas revoltosos são mais teatro do que verdade, se me tenho contida e mais me abro para a vida. Também não me calarei, mas que minhas palavras sejam sucintas e não se demorem, pois que o verso chore calado e se vai fatigado quando se alonga em controversas que não acrescentam cores a minha tela. Mais um domingo se passa e no silêncio de minha casa tenho um coração em brasa, que é intenso quando fala e é intenso quando cala. Senhora Dona Sancha, coberta de ouro e prata, mostre a felicidade rara. Queremos ver sua cara. Logo vai raiar a madrugada. Fui no tororó, beber água não achei, achei a Mona Lisa, cujo sorriso não me esquecerei. A renascença chove em meu rosto e haja vista o que já está posto. Fui no tororó, beber água não achei, de sede de amor eu não morrerei.
Para que eu escreva poesia que não seja política,
devo ouvir os pássaros, e para ouvir os pássaros,
os aviões de guerra devem estar silenciosos.
Encontra-se o sossego onde o vento sopra, os pássaros cantam e o verde da natureza silencia o mundo.
Intercalar o silêncio profundo da natureza com o coro vibrante dos pássaros; sentir a brisa fustigar a pele enquanto as ondas se desmancham na areia; deslumbrar-se com o drapejar das aves e, em prece, reverenciar o mistério inefável da vida e as leis eternas que regem este equilíbrio em absoluta harmonia.
Que linda manhã faz hoje,
Os pássaros a cantar,
A leve brisa a soprar,
O sol a raiar o amanhecer,
Tudo me lembra a você,
Como seria meu mundo antes,
Ou depois de você, não sei
Só sei que tudo começa
e termina com você,
Já não tenho ideias ou planos,
A vida hoje aos prantos,
De lembranças boas contigo,
De pensamentos vividos,
De um dia ter te conhecido,
E ao mesmo tempo te perdido,
Por excessos de delírios,
Por um Amor reprimido
De anos a te admirar,
De anos ao olhar o luar,
Louco para te Amar.
Jamais esquecerei desses dias,
No nascer ou ao fim do dia
Nesse olhar cheio de alegria
Mais as minhas a te admirar,
Hoje só de pensamentos eu vivo,
De memórias do passado,
De dias em que eu tive você apenas do meu lado.
"A liberdade está na consciência e não nas asas."
Há pássaros que não tem gaiolas, mas vivem presos em rotinas.
Desafios
Lá fora os pássaros cantam
As árvores regigijam
Uma melodia que aquece o coração
As flores desabrocham desmontando
Todos os desafios que parecem invencíveis
Pequenas coisas mostram que incansável é
Esse olhar que brilha ao perceber o
Que se encontra entre a linha tênue
Do palpável e o imperceptível
O instinto de ser feliz.
Kaw Lima
*
"Meus versos quais pássaros,
criaram asas e voaram antes da colheita da escrita,
e meus olhos registraram aqueles vôos"
***
Pensamentos ao Vento, Cordas ao Coração
Meus pensamentos são pássaros sem gaiola nenhuma
que decolam do peito quando a alma chama
às vezes voam baixinho, rente ao chão
com a leveza de um suspiro em meio ao trovão
Outras vezes alçam voo alto, até o céu azul profundo
cruzam nuvens de prata, onde os sonhos se fundem
às vezes são murmúrios, como folhas no vento
outras, gritos silenciosos que o peito não contém
E no colo, meu violão — madeira e alma junta
cada corda sabe bem qual é a sua cunha
para cada pensamento que bate na minha porta
ela encontra a melodia que faz o coração sorrir ou chorar
Quando os pensamentos são de amor, suave e terno
as cordas vibram em dó maior, calmo e eterno
dedos deslizam leve, como beijos na pele
a música envolve tudo, fazendo o mundo parecer belo e pequeno
Se forem pensamentos de saudade, pesados e densos
a afinada vira ré menor, caminhando devagar, como em densos caminhos
cada nota é uma lembrança, um nó na garganta
a ressonância ecoa no peito, como um eco que não acaba
Há momentos em que a mente corre, agitada e rápida
os dedos correm pelas cordas, ritmo acelerado, quase febril
como um trovão que se aproxima, forte e inesperado
a melodia é um turbilhão, onde emoções se entrelaçam e explodem
E quando a paz finalmente chega, calma e serena
o violão sussurra em lá menor, suave e sereno
pensamentos flutuam como nuvens de algodão
a música embala tudo, fazendo o tempo parar e o mundo ficar só
Meus pensamentos voam livre, sem destino nem lei
e meu violão os acompanha, sempre com a melodia certa pra dizer
que cada emoção que vivemos, seja dor ou alegria
tem sua voz na música, sua casa na minha história
Que as cordas nunca se quebrem, que os pensamentos nunca se fechem
que o vento leve cada nota, onde quer que o coração queira ir
pois assim é a vida: feita de voos e de sons
de pensamentos que cantam e de violões que dão voz aos sentimentos.
Pássaros a cantar,
variações
de uma vida bela,
veloz,
certeira,
formada
ou não intencional;
Flor!
É com lágrimas
nos olhos
e aperto no coração
que me despeço
de ti,
tô tão disperso
sem esforço
por as vezes
me lembrar
que de você
esqueci.
Em cada viagem, o coração dela pulsa mais forte, as borboletas dançam em sincronia, os pássaros recitam poesias, e é você quem as inspira.
