Para que Tanta Mentira Magoa e Dor
Me disseram que o poeta é paz...
Não se engane, no poeta a guerra também se faz...
Me disseram que o poeta não chora...
Não se engane, o poeta também deixa as lágrimas escorrerem pelo rosto...
lavarem a alma... devolverem-lhe a
calma.
Me disseram que o poeta é só amor...
Não se engane, há momentos em que o poeta é só dor.
Me disseram que obstáculos não são pedras no caminho do poeta...
São... nem tudo na vida do poeta rosas perfumadas são
O poeta é um ser como todos os outros...
Talvez o que o diferencie é saber ser um fingidor...
Finge amor, quando há dor.
Finge paz, quando há guerra.
Finge calma, quando por dentro tudo queima sua alma.
O poeta baila na vida... olha a linha do horizonte...
E pra tudo encontra ou finge uma saída encontrar.
A alma só cicatriza onde aceitou sangrar — e o que chamamos de cura é, quase sempre, uma forma elegante de conviver com a ferida.
Eu nunca fui um assassino,
mas máquinas só enxergam zeros e uns.
O Estado me deu fome, tristeza, dor e opressão.
Aí depois veio Deus, e me deu justiça, esperança e real mudança.
Então, armado até os dentes, fui fazer os desejos do Senhor.
Sem Ele, não haveria permissão pra matar.
Na minha lógica, só tinha que pegar o que era meu por direito,
e buscar o arrependimento — sem machucar ninguém.
Enquanto vocês se submetem a coisas que nem entendem.
E é isso que acontece. Todos os dias. Séculos. Milênios.
Alegria Efêmera.
Sou completa em mim,
Embora, não são todos os dias que dão certo,
Carrego o amor como maior jóia,
Enquanto as vezes também se torna pedra de tropeço.
A taça é meu trabalho,
Mas, demais é kriptonita,
Não aceito o fato de te perder pra mim,
Num momento que nem era eu,
É uma briga do certo com o ardor da garrafa,
Onde, se não existe nada do ocorrido se fez,
No meu peito mora ninho,
Não gaiola, mas, a kriptonita engarrafada apaga a memória,
Desconstrói até o ser humano mais construído,
Constrange,
Até os dentes rangem,
A falta que você me faz.
Há dores lancinantes, barulhentas, escandalosas, mas com a mesma rapidez que chegam se vão, passam tão rápido que dias depois nem nos lembramos mais delas.
Há outras sutis, discretas, silenciosas, mas persistentes. Quando chegam ficam ali latejando devagarinho nos dando a sensação de que vieram para ficar, que nunca mais irão embora. E a gente acredita e sofre como se isso fosse verdade, mas não é.
A intensidade e duração da dor não é igual para todos, mas uma coisa é certa: toda dor passa. Algumas deixam uma pequena cicatriz, enquanto outras nem isso.
A amizade (da minha parte)
Miséria de amores que um dia foram radiantes,
Intensos e satisfeitos.
E um repouso lento…
Tão lento que, dos amores, formou-se amizade.
Amizades — da minha parte.
Parte de quando finalizei na sexta,
E, em outra sexta, veio o recomeço.
E o ciclo se repete.
Miséria de amores que um dia foram radiantes,
Ardentes, ásperos, cortantes.
Agora, um repouso lento…
Tão lento que, de colegas, tornaram-se desconhecidos.
E o ciclo, inevitável, se repete.
Aprecio as estrelas... não apenas por sua beleza silente, mas por aquilo que simbolizam: a doce ilusão da permanência. Embora saiba que estão em perpétua agonia, consumindo-se em esplendores terminais, ainda assim parecem eternas aos olhos de quem, da Terra, as contempla. Lá do alto, brilham com uma serenidade que desmente o caos de sua essência. Enquanto os mundos se desfazem, os deuses se calam e os mortais esmorecem como brumas ao vento, as estrelas seguem cintilando, indiferentes à finitude que nos devora. E é nesse cenário celeste que me permito sonhar... sonhar que o tempo cessa, que os amores não fenecem, que os instantes ternos permanecem suspensos no véu da eternidade. Porque, ao fitá-las, sinto como se tudo aquilo que me é caro — um olhar, um gesto, uma memória — pudesse resistir ao tempo, envolto na luz serena de um firmamento que não se apaga.
Toda chuva fina um dia passa e toda garoa um dia torna em tempestade,
Quem me dera tudo fosse sol,
Mas, se não fosse o frio e o vento,
De onde se tornariam em frutos as sementes plantadas com amor?
O tempo é violento,
Assim como a vida a se formar,
Hora, se não viemos todos de uma explosão,
Evolução, barro, alienígenas?
Todo processo construtivo é doloroso,
Ou seria fácil de lagarta para pupa e pupa para borboleta?
Até a rosa mais bonita e sedosa em suas pétalas, carrega embaixo a saia teus espinhos,
Somos feitos de dor e amor,
Entre o caos e a calmaria,
Respira.
O Cadafalso
No cadafalso, eu sorriria amargo
não por redenção, mas por desprezo.
Mergulharia no frio da paz sem rosto,
onde ao menos a dor não mente.
Deixaria pra trás os escombros de promessas podres,
palavras doces que apodreceram na boca de quem jurei confiar.
Fui traído com o silêncio, com o toque vazio,
com olhares que já não sabiam o meu nome.
E os amores…
tão rasos, tão covardes
que até a queda me pareceu mais leal
do que quem dizia me amar.
Permita-se sentir. Chore, grite, desabafe… viva cada emoção com intensidade, porque até os momentos difíceis carregam valor. Chorar não é sinal de fraqueza; é um ato de coragem, de quem tem o coração aberto pra sentir o que a vida traz. Depois do choro, se arrume, vá assistir a um filme ou caminhe por horas pelo shopping, mesmo que acabe comprando só uma casquinha de sorvete. Não importa o que você faz, o que importa é viver. Porque a vida não espera, e os momentos, bons ou ruins, passam depressa... e não voltam mais.
Invisível, mas sentindo tudo
Sou parte da sua história, mas só nos capítulos que ninguém lê.
Aqueles escritos em silêncio, entre mensagens apagadas e promessas sussurradas.
Você sabe que eu estou aqui — mas só quando o mundo não está olhando.
Quando você vai embora, eu fico com tudo que ninguém vê:
a espera que pesa no peito, a saudade que ocupa a casa toda,
o vazio que se senta ao meu lado como se fosse você.
Estar com você é doce e cruel.
Doce quando você chega com esse jeito que desarma tudo em mim,
cruel quando lembro que você não fica.
Você nunca fica.
E eu sempre fico — com a metade de um amor que merecia ser inteiro.
É difícil ser invisível pra quem ilumina tudo em mim.
Você me acende, me faz sentir viva, me faz sonhar.
Mas sonhar com alguém que não pode te assumir…
é como se amar fosse um segredo que me mata aos poucos.
E no fundo, o que mais machuca…
é essa pergunta que ecoa em silêncio toda vez que você se vai:
Por que não sou suficiente para ser a única?
Por que, mesmo dando tudo de mim, ainda não sou a sua escolha?
Talvez um dia eu entenda.
Ou talvez eu só aprenda a me escolher no lugar de te esperar.
C.S
Cabernet Sauvignon.
É uma uva que fora da maturação adequada,
Trás com ela um toque herbácio meio amargo,
Não adianta a chaptalização,
Ainda não chegou sua hora de ser colhida,
Matura na pedra rolada da vida,
No sol da alegria,
Na chuva do choro da cura,
Dos traumas dos granizos,
Que caíram em ti na falta da proteção,
Da cerca que um dia você mesmo perfurou,
Sem atenção...
Então, cresça e apareça,
Envelhecida e embarricada,
Seja tu um vinho de guarda,
Dentro da minha adega que se chama coração.
"A alma, sendo levada por Caronte até Hades, talvez se sinta destruída por partir sem querer partir. Por outro lado, o vivo, quando não quer ficar, mas fica por uma retidão moral, talvez também se sinta destruído. Corpo e alma vivem o paradoxo de querer ser e não estar, de estar sendo e, ao mesmo tempo, não estar."
