Palavra Triste

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Por vezes uma palavra, um sorriso amável é quanto basta para desanuviar uma alma entristecida.

Eu te perdoo pela palavra não dita
Refugiada na solidão dos teus lábios
Entre os beijos que amordaçaste

Eu te perdoo pelo carinho adiado
Tatuado na insônia do teu corpo
Entre os sonhos que não dormiste

Eu te perdoo pelo olhar aflito
Desenhado no deserto do teu rosto
Entre os gritos de silêncio que guardaste

Eu te perdoo pelo abraço apenas imaginado
Sonâmbulo a ansiar o calor dos meus braços
Entre os luares que teus olhos apagaram

Eu te perdoo por sufocares teus desejos
Exilando-os na penumbra do teu coração
Entre os invernos perenes da tua alma

Eu te perdoo pelas vezes que te esperei
Quando teus passos emudeceram
Entre as fronteiras dos teus limites

Eu te perdoo pela tua renúncia
Por amontoares teus sonhos em gavetas
Entre tantos outros estilhaçados pelo tempo

Eu te perdoo por te perderes de mim...

Nocturnamente

Nocturnamente te construo
para que sejas palavra do meu corpo

Peito que em mim respira
olhar em que me despojo
na rouquidão da tua carne
me inicio
me anuncio
e me denuncio

Sabes agora para o que venho
e por isso me desconheces

PÁSCOA = Paixão Ao Sacrifício de Cristo em Oração e Amor...
Esse é o significado da palavra PÁSCOA.

‎Andei pensando coisas sobre amor, essa palavra sagrada. O que mais me deteve, do que pensei, era assim: a perda do amor é igual à perda da morte. Só que dói mais. Quando morre alguém que você ama, você se dói inteiro (a) mas a morte é inevitável, portanto normal. Quando você perde alguém que você ama, e esse amor - essa pessoa - continua vivo(a), há então uma morte anormal. O nunca mais de não ter quem se ama torna-se tão irremediável quanto não ter nunca mais quem morreu. E dói mais fundo - porque se poderia ter, já que está vivo(a). Mas não se tem, nem se terá, quando o fim do amor é: never.

Devocional



Hoje, uma palavra na minha devocional me atravessou. Não como conforto imediato, mas como espelho. Ela trouxe à memória cenas de injustiças — aquelas que vemos acontecer entre pessoas, aquelas que nos atingem diretamente e até aquelas que apenas assistimos à distância. Cobranças excessivas, falácias disfarçadas de verdades, julgamentos lançados com facilidade. E quase sempre reagimos com indignação. Achamos absurdo. Injusto. Condenamos quem condena.


Mas, nesse movimento, algo me foi revelado: eu esqueço de olhar para a pessoa que mais me julga.


Sou eu.


Sou eu quem mais me cobra. Quem mais aponta meus erros. Quem revisita falhas antigas como se fossem sentenças eternas. Sou eu quem, em vez de reconhecer qualidades, insiste em enumerar defeitos. Quantas vezes fui carrasca de mim mesma? Quantas vezes fui juíza severa, algoz silenciosa, aplicando penas sem direito a defesa?


Eu não me deixo descansar. Não me concedo pausa. Não me permito respirar antes mesmo que qualquer ataque externo exista. Muitas vezes, o tribunal já está armado dentro de mim, e a sentença já foi proclamada antes que alguém diga qualquer coisa.


Carrego um dilema interno diário: julgo como erro aquilo que talvez seja apenas humanidade. Trato processos como fracassos. Transformo aprendizado em culpa. E vivo me antecipando à dor, como se isso me protegesse — quando, na verdade, só me cansa.


Essa reflexão não nasce para me absolver sem consciência, mas para me lembrar que justiça também começa no modo como me trato. Que misericórdia não é permissividade, é entendimento. E que talvez o maior ato de fé seja aprender a silenciar essa voz acusadora e permitir que a graça — inclusive sobre mim — tenha espaço para existir.


Hoje, mais do que apontar injustiças no mundo, eu escolho observar como tenho sido comigo. Porque, muitas vezes, a batalha mais dura não é contra os outros — é contra a forma como aprendi a olhar para mim mesma.


13 de Janeiro 2026

Ninguém pode calcular a potência venenosa de uma palavra má num peito amante.

Falsos e hipócritas são aqueles que tudo fazem com palavras, mas na realidade nada fazem.

Quem pode morrer honradamente deve morrer; / Porque, para continuar nesta vida triste, / Chega-se ao mesmo tempo à morte e à vergonha / Com frequência e facilidade.

Todos temos um dia, mais ou menos triste, mais ou menos longínquo, de aceitar ser homem.

A alma triste nos prazeres chora.

O aborrecimento, esse triste tirano de todas as almas que pensam, contra o qual a sabedoria pode menos do que a loucura.

Mar de tormento
mar de sustento -
ai, triste sina

Não há nada mais triste que um grupo de pessoas bem intencionadas, dando o melhor de sí, mas em direções opostas. Todos os esforços se anulam...

Nesta vida temos três professores importantes: o 'Momento Feliz', o 'Momento Triste' e o 'Momento Difícil'.

O 'Momento Feliz' mostra o que não precisamos mudar.

O 'Momento Triste' mostra o que precisamos mudar.

O 'Momento Difícil' mostra que somos capazes de superar.

Me diga que está triste, eu consolo. Me diga que nunca foi tão feliz, eu concordo. Me ame ou me odeie. Me mande pra p****-que-o-pariu ou me convide pra ir com você. Exploda na minha cara ou se derreta na minha mão. Deixa eu te ver morrendo de tanto rir ou com vergonha das olheiras de tanto chorar. Só não me esconda o rosto. Me abrace, me esmurre, me lamba ou me empurre. Só não me balance os ombros. Não me perturba assistir tua dor nem acompanhar teu gás. Te ver mais ou menos realmente me incomoda. Mais ou menos não rende papo, não faz inverno nem verão, não exige uma longa explicação. É melhor estar alegre ou estar triste, mais ou menos é a pior coisa que existe.

O mais triste de uma despedida é a incerteza de uma volta.

* Sou Chata? Depende de você. * Sou metida? Inveja é triste. * Sou feia? Tem quem queira. * Sou bonita? Tenho espelho. * Me ama? Bom para nós. * Me odeia? Entra na fila. * Sou louca? Problema eh meu. * Fui fácil? To a fim. * Fui difícil? Cai fora. * Beijo mal? Você também. * Beijo bem? Já sabia. * Sou boa amiga? Demais. * Sou boa inimiga? Mais ainda. * Eu minto? O necessário. Você também. * Duvida de mim? Paga pra ver. * Eu odeio? Não, tenho pena. * Sou ridícula? Estamos falando de mim ou de você? * Sou educada? Quase sempre. * Sou mal educada? Você mereceu. * Tenho juízo? O suficiente. * Humilde? Às vezes. * Modesta? Nem sempre. * Pego no pé? Sorte sua. * Dei um fora? Não seja brasileiro... desista! * Sou boa? Com certeza. * Sou ruim? Tento não ser. * Gostar de mim? Fácil. * Gostar de você? Convença-me. * Me odeia? Tenta me superar. * Num gosta de mim? Sai daqui...

Sorria, mesmo que seja um sorriso triste, pois mais triste que um sorriso é a tristeza de não saber sorrir.

E só estou triste hoje porque estou cansada. No geral sou alegre.

Clarice Lispector

Nota: Dito durante entrevista concedida ao repórter Júlio Lerner, na TV Cultura, em 1977.