Ouvido
Antigamente quando os olhos de alguém viam o Senhor, o que se ouvia dos lábios era: “Ai de mim!” e não “Eu sou o cara!”
Quando estou em silêncio não estou propriamente calado, pois estou há conversar comigo mesmo, falando com minha alma e ouvindo os conselhos de meu próprio Espírito.
O silêncio é o mais alto grito, o mais forte protesto, no silêncio a vozes ecoam na cabeça o que grita o coração, nele percebemos o quão frágeis podemos ser e o quão fortes nos tornamos. Faça silêncio mais vezes, quem muito grita pouco é realmente ouvido.
O passo da conversa
Iniciar uma conversa despretensiosa é quase sempre um prenúncio de tragédia. Já reparou como o passo da conversa distrai?
Mal começa-se uma conversa e pronto, distrai-se! Perde-se o último ônibus, tropeça-se, cai no buraco.
O passo da conversa parece ter a função de ninar a nossa atenção. Você está atento, mas a sua atenção foca no diálogo, esquece do mundo ao redor, transforma-o em cenário para que o diálogo se desenrole. E um bom papo desarma a gente não é mesmo?
Nos transforma em poetas, em filósofos, em heróis ou em vilões, em seres mortais ou imortais, transforma-nos em expectadores de nossa própria realidade. Desperta em nós toda humildade ou arrogância contida na mais profunda e insubstancial dimensão de nossa alma, e as fazem aflorar num regozijo de palavras fugitivas,que saltam de nossos lábios, feito prisioneiros escalando em fuga muralhas robustas quase intransponíveis, na busca por uma liberdade falseada e efemeramente transitória.
A verdade é que o passo da conversa deixa a gente mais lento mesmo, parece diminuir a marcha do tempo, conspirando para otimizar o instante que antecede a despedida, que nos torna novamente à realidade, onde distrair-se pode ser muito oneroso.
E por fim...Cessa-se a conversa, os passos aceleram, a distração desaparece, ouve-se as buzinas dos carros e sente-se o cheiro da fumaça produzida por seus motores embrutecidos, a poluição invisível faz arder os olhos e secar a garganta. Tudo volta a sua normalidade habitual. Até logo, até amanhã!
Confissão ao pé do ouvido no Leblon
"Como é difícil achar uma pessoa para conversar... Sem notar o tempo passar..
Um encontro a beira do mar...
Um brilho lindo no olhar... Fez meu coração se encantar"
Momo correu os olhos pela sala e perguntou: – É para isso que você tem tantos relógios, não? Um para cada homem? – Não, Momo. Esses relógios são só um hobby meu. São apenas reproduções muito imperfeitas de algo que todo homem traz no peito. Porque, assim como vocês têm olhos para ver a luz e ouvidos para escutar os sons, também têm um coração para perceber o tempo. E todo tempo que não se percebe com o coração é tão perdido quanto as cores do arco-íris para um cego ou o canto de um pássaro para um surdo. Infelizmente, há corações cegos e surdos que, embora batam, não percebem nada. Em vez de contarmos as batidas de nosso coração, as horas e os dias que temos para fazer isto ou aquilo, seria melhor nos assegurarmos de que ele bata pela causa certa e no nosso ritmo.
Todo jovem procura ter a sua própria experiência de vida, porém áquele que dá ouvido as instruções de seu pai e os ensinamentos de sua mãe e as considera, antecipará possíveis perigos no presente e evitará situações não tão confortáveis no futuro.
Quando o ouvido capta verdades amargas, o cérebro luta para racionalizá-las, mas é o coração que sofre no silêncio do conflito.
Eu acredito que a grande necessidade do ser humano, é a de ser ouvido. Na maioria das vezes agente fala, fala, e não escuta quase nada do que o outro tem a dizer, e perdemos a oportunidade de conhecer um ser maravilhoso.
Da mesma forma como o Senhor dos exércitos tem os seus escolhidos o inimigo de nossas almas também tem os seus aliados Não dê ouvido ao diabo.
Quem quiser preservar a aparência, deve fechar os ouvidos para a voz interior que fala quem realmente somos.
Uma das coisas que eu queria fazer contigo é poder lhe abraçar por trás e te dar um beijo no seu pescoço, lhe dizendo um elogio no seu ouvido.
Quando eu ouço um banjo bem tocado
Fico todo arrepiada
E nem sei o que me dá
Ao chegar o tom em meu ouvido
Eu me vejo comovida
Com vontade de cantar
