Outono
Um dia de outono nunca será mais um dia
Um dia de outono nunca será um dia qualquer
Os cisnes num lago tranquilo
A floresta dourada, quem não quer ver?
E o gramado, salpicado de folhas
De cobre, de ouro, a mais não poder
Nas tardes de outono, as fadas passeiam
Dançam, floreiam, nos vales a voar
Onde vive o outono...no céu tão bonito
Onde a Lua gigante, só faz encantar
Os gramados entoam melodia suave
Com brilho diáfano, lindo de olhar
Os pássaros comemoram, as abelhas adoram
E a vida continua, no eterno pulsar...
Desce o outono suave e lento
levando as almas a emoção
e as folhas caem do pensamento
como as das árvores em profusão...
Chuva fina de outono ..
E eu sem sono
E a pensar
Em como caminhar. .
Sem ser criança
E aquela lembrança
Você me pegava
E me abraçava..
Hoje , bate a saudade
Mas tenho vontade
Que ao dormir
Você venha a sorrir
Em um sonho tão lindo
Nem que eu esteja dormindo
Horizonte infernal
Do ônibus eu mirava o horizonte
Ainda era outono, quase inverno
Viajar ao lado de uma janela tem esse efeito
Nos faz refletir sobre as coisas
Até então eu pensava no presente
Em como as coisas estavam indo de mal a pior
Ao olhar pela janela, com o sol já quase posto
O céu tinha um tom vermelho sangue
Onde ainda os últimos raios teimavam em permanecer
Pensei que aquela cena parecia um vislumbre da atmosfera do inferno
Do presente passei para o futuro
Mais precisamente das desgraças que estão a me esperar
Então fiquei com medo e com medo permaneci
Vocês sabiam? Assim como as folhas de uma árvore caem uma a uma no outono, o mesmo ocorre com as mentiras. Então aproveitem a primavera enquanto podem, antes que suas folhas (mentiras) comecem a cair.
Gosto da mansidão dos dias cinzas que me abraçam úmidos. A garoa fina que cai nesse outono invernal pinica a ponta do meu nariz que, sem pudor, enrubesce. Caminho sem pressa nessa rotina que me agita e me engole as horas... Tem sido bom viver agridoçura do cotidiano, meio caos, meio manso -- nunca morno.
Treinei meus olhos para perceber cosinhas: essas bonitezas simples do dia-a-dia que, tão costumeiras, quase ninguém mais vê. É o que tem me desacelerado o peito e acalmado ansiedades: respiro tranquila enquanto vejo o dia passar, devaneando na fumacinha que sobe do café recém coado, percebendo a pressa das pessoas fugindo da chuva, dançando, sozinha, enquanto espero o semáforo esverdear.
Absorvo risadas como se fossem música. Deixo meu riso fazer coro às felicidades alheias. Abraço quem cruza meu caminho, espantando o frio pelo tato. Aprendi a aguçar meus ouvidos biônicos e ouvir atentamente tudo que me chega aos ouvidos. É bonito viver o presente, estar no agora. Exercício bonito deixar o amanhã para a sua devida hora...
O outono chega para nos lembrar que o colorido espalhado pelas ruas e calçadas é a primavera das folhas.
No outono as folhas amarelam e caem; porém, na primavera novas folhas nascerão e virão cheias de vida.
Assim também é com o ser humano.
Em um dado momento perdemos a vitalidade da juventude, mas a maturidade que adquirimos com o tempo, nos ensina que novos horizontes sempre se abrirão.
Como uma trilha no outono: mal foi varrida, cobre-se outra vez de folhas secas.
Não confie nas coroas nem no brilho do mundo enganador, o vento do outono soprou para longe o chapéu de muitos sultões.
AMORES OUTONAIS
Marcial Salaverry
No outono da vida,
de uma vida bem vivida,
podem surgir
os verdadeiros amores...
Já sentimos todas as dores...
Não pensamos no porvir...
Podemos vivenciar
uma nova forma de amar...
Mais completa,
mais direta...
Um amor sem preconceitos,
Podemos vivê-lo,
podemos senti-lo...
Pelos instintos nos guiando,
vamos assim amando...
Totalmente...
Apaixonadamente...
Amores outonais...
Gostosos... Sensuais...
Primavera que cura, verão que embriaga
outono que chega e inverno que não passa.
Mulher que hidrata, e que não se disfarça.
resolvida de si, sorriso me abala.
Gelo que não derrete, congela minha alma.
Você é a quinta estação, a unica que nao passa.
Cicatriz que não cura, amor que não Sarah.
"Na lagoa tranquila o sapo pula,
Outono cai, as folhas se desprendem,
Em cada pétala de íris existe uma centelha divina,
As montanhas ecoam meu suspiro e o vento responde.
Sob o céu estrelado os versos fluem como rios,
Nas águas dos rios transcendo o eu,
Palavras escritas, pensamentos tecidos,
Na poesia breve encontro a essência da alma.
Nas palavras simples, aprofundo-me,
No toque suave da tinta encontro a liberdade,
Cada pincelada é uma meditação silenciosa ,
Caminho estreito, mente vasta.
Cavalgo pelas estradas do mundo procurando respostas,
Busca incessante do autoconhecimento,
A transcendência pessoal está na aceitação do efêmero,
Na busca do eterno, na poesia das páginas em branco."
Outono: essas folhas que tombam na água parada dos tanques e não podem sair viajando pelas correntezas do mundo...
