Outono

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Outono

Já frágeis e ressecadas, suas folhas caíram
No toque suave de uma brisa foram levadas para longe
Jamais voltaria a ser aquilo que um dia foram
A árvore, já sem folhas, ali permaneceu
Esperando mais uma primavera
Onde se encheria mais uma vez de vida
Onde tudo de renovaria
Onde ela retornaria mais forte
E suas folhas que caíram já não seriam mais uma lembrança triste, mas um lembrete que tudo faz parte de um ciclo

Observe bem o outono,
o sol, devagar, se apagando no horizonte,
não fique triste, siga o seu caminho,
a vida é feita de realidade e sonho.


Num amanhã, chegará nova primavera,
trazendo flores, luzes e sentimentos novos,
seja como o outono: vá com calma,
viva bem esse seu tempo de esperar.

Neusa Marilda Mucci - poetisa

Cogumelos nascem no outono… mas nem tudo que cresce rápido cria raiz.

Outono


Há dias em que acreditamos
que nada se move,
que o cinza se instala
e o vento só traz despedidas.


Mas o outono sussurra
que a mudança não chega de repente:
ela começa em pigmentos,
em tons que ardem nos olhos —
laranjas, vermelhos, amarelos,
um fogo silencioso antes da queda.


As folhas cedem devagar,
soltam-se em coragem,
aceitam o chão
como quem aceita o próprio destino.


A árvore, nua,
não é fraqueza —
é força em repouso,
guardando em silêncio
a seiva da próxima primavera.


Assim somos nós:
precisamos perder camadas,
despir memórias,
para que o novo encontre espaço.


Resiliência não é resistência:
é confiança na passagem,
é coragem no cair,
é força no recomeçar.


O outono nos ensina:
a beleza também está
no processo da despedida.

Eis que um novo tempo se aproxima, e no passado o vento ainda varre as folhas de outono num chão onde deixei marcas das pisadas de meus pés e que ainda estão cicatrizando dos ferimentos de espinhos em tempos de outrora onde observava no recôndito de minha existência Aquele que em silêncio de seu sofrimento percorria aos sons estridentes de risadas e chibatadas o caminho da Luz e da Salvação.

⁠Carrego em mim o silêncio do outono,
onde cada folha que cai, me ensina a deixar ir.
Sou feita de pausas, de raízes e de
renascimentos.

- Edna de Andrade

Valorizemos o cinza e o chuvisco do outono, com suas folhas caindo e anunciando a transição para as frias noites de inverno. Assim, aprenderemos a apreciar ainda mais as novas chuvas e o colorido renascimento da primavera.
Solange Padova

O quanto de outono e inverno existe em nós?


Se estás sendo podado, és uma criatura que dá frutos. Árvore morta não necessita de poda: arranca-se a raiz e joga-se fora. Quem está vivo passa por galhos secos, mas também recebe flores novas.


Arranque as ervas daninhas e seja um belo jardim.


Em 30/06/2023.

Cada outono renova as esperanças de quem acredita que o melhor ainda está por vir.

Outono


Brisa suave

Sopra em nós
Acalenta,
Faz repousar.
Voam beija-flores
Noutros ninhos
E lá se deixam ficar.

Na casa clara da manhã, de poeira se enchia a estrada em um redemionho a levar flores de outono que descansam no solo. Canta a asa branca na planície de uma mata vasta e inebriada. A água calma da lagoa acalma a alma vaga na madrugada. Ouve-se a fala mansa de um arara que chama alta na varanda. No mar uma barca branca e iluminada levava uma menina que sorria. Para ela a vida era linda e infinita. A brisa fria da colina ouvia sinos a vibrar nas igrejas. Um poeta põe-se a escrever rima viva e cristalina, trilha antiga e escondida, que fitava a neblina e a poesia ilumina o dia. A melodia inspira a menina de família unida e querida. O rouxinol cantou de novo no dia solto do outono. No quintal havia um poço fundo e silencioso. Nas montanhas se ouviam coros sonoros de monges. Os olhos eram como sóis dourados, no contorno do horizonte e os opostos formam o todo de um sonho longo e misterioso. A lua despida sobre a rua pairava chuva pura da altura, em escultura de ternura. A bruma azul era música muda à alma. Uma luz profunda e absoluta. Na mesa havia uma fruta suculenta e madura, com uma cursa suave de pintura. O dinheiro era escasso e fortuna busca aventura. Mas esqueça. Uma doçura flutua na memória e o céu sereno e pequeno leva o tempo lento e secreto. Um vento leve sobre o campo, faz o verde crescer em silêncio para futuras festas belas e singelas. Uma estrela revela secredos e a névoa leve desliza pela relva. A terra espera a primavera em um verso belo e sincero. Um menino seguia sozinho, sorrigo antigo e tranquilo. Brilho vivo do destino. E há um caminho florido e bonito. Foi um livro escrito com carinho.

"O outono ensina que é preciso deixar cair o que já cumpriu sua missão para que o novo tenha espaço para brotar."


Lúcia reflexões &Vida

"Seja como o outono: aprenda a arte de soltar o que já cumpriu seu papel. Algumas perdas são, na verdade, espaços vazios para novos floresceres."


SerLúcia Reflexões

O outono chegou, passou o verão e a primavera ainda está em mim.

Manual Supérfluo
dos Conselhos (inúteis)
Indispensáveis

Às vésperas do outono
Só nos resta esperar,
Pelo inverno rigoroso
Que se impõe sem hesitar.

Às vésperas dos sonhos
Mirabolantes, irreais,
Pulsando vigorosos,
Irresistíveis e nada mais.

Às vésperas do encontro
Ansiedade a escancarar,
Dos teus lábios saborosos
Um labor que nos enlaça.

Às vésperas de tudo
Quando tudo conflitar,
Só declame poesias,
Para alguém e doe graça.

Dos teus lábios saborosos
Um labor que nos enlaça,
Só declame poesias
Para alguém e doe graça.

(Michel F.M. - Pacífico em Brasas - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2017)

Fragmentos de Mim
Marcio Melo


Somos fragmentos de vida,
folhas soltas no outono.
Caindo pouco a pouco,
levadas pelo vento que o tempo soprou.


Secas ao tocar o chão,
amareladas, sem cor.
Cada uma se desfaz em silêncio,
sem deixar rastro do que foi.


O tempo amarelou cada dia,
cada ano que assentou na terra.
E hoje não sobra vestígio
da vida que um dia fui.

Uma xícara de café e folhas soltas ao vento;
Uma rosa, um chalé, outono e relento...
Dê sua mão: vamos buscar a paz que perdemos.

Belas Manoelas descem as ruelas do São Francisco
rumo ao sol tirano do outono
belas folhas renascem nas nascentes secas do velho senhor
meninas sorrateiras, verdadeiras relíquias à margem do arredio
belas Manoelas desfilam ao lado das sombras dos canaviais
certas que chegarão ao planalto
lá no alto da serra
onde o poder encerra a ira dos mandantes
que por instantes se rendem
ao charme das belas
e as levam para serem amantes
dos mordomos jovens, que o poder faz de conta que não vê..

Deitei meu cansaço no chão do tempo,
onde o outono levou o que já não era vida.
Cada folha caída contava um pedaço meu,
histórias que o vento não quis mais guardar.
Helaine Machado

⁠Meus dias de outono mostram que nem sempre são flores. Mas no momento certo as flores vêm!