Ossos do Ofício
Você é ossos dos meus ossos,
sangue do meu sangue
e carne da minha carne.
Estamos conectados por toda vida.
Uma fusão de duas vidas em uma só.
Meus ossos estão grudados aos seus ossos,
tal como um cordão de três dobras:
Deus, eu e você.
Sinto pulsar em minha corrente sanguinea
o mesmo sangue que corre em suas veias.
Sinto na pele a dor ou o prazer
que você sentir na carne.
Minha mente pertence a você,
porque em você estão os meus pensamentos.
Meu coração pertence a você,
porque em você estão os meus sentimentos.
Não consigo mais viver além de você.
Você é minha, Vida!
Para sempre, sempre minha!
Ser pobre não é ser miserável, um desvalido. É ter a ferrugem da soberba a esmagar os ossos e o sarampo do egoísmo a invadir a alma
Trago alguns remorsos que trincam meus ossos, mas removo os arrependimentos, para não ter impedimento de me refazer.
É melhor mal-acompanhado a estar eremítico! E se confortar comendo "filé mignon" com os amigos a roer ossos sozinho.
Enquanto está ocupado com preços, saiba que você não vale a pele que Deus gastou para cobrir seus ossos. Reze pra Ele não se arrepender do investimento em você como eu me arrependo.
Você diz que não precisa de ninguém pra ser feliz. Você diz que cansou de acreditar, e de se decepcionar. Você diz, inclusive, que procurar é pros românticos bestas, pros ingênuos e pros alienados. Você se esquece que te foram dados dois braços justamente para que você tenha como carregar o escudo e a espada. Então o que é que você faz com dois escudos? E por quê essa armadura envolve teu corpo, e esse muro envolve tua casa?
Saia para caminhar comigo e sinta o peso dos seus dois escudos. Tente equilibrar-se, lutando contra o forte vento que te quer levar com ele para onde quer que seja. Eu caminhei por tanto tempo com escudos iguais aos teus que, hoje, livre, meus passos são (des)cuidadosamente rápidos. Eu demorei, mas consegui me despir da armadura e me desprover dos escudos. Hoje eu aposto comigo mesmo quantos passos eu consigo dar com os olhos fechados. Isso me instiga. Na verdade, eu adoraria, de olhos fechados, me espatifar contra o teu muro. Já tentei uma vez, sim, aquela vez em que tomei uma rasteira. Mas vou tentar de novo e de novo, até que teu sono seja abruptamente interrompido pelo quebrar de meus ossos. E não vai ser só a sua armadura que eu vou tirar.
Para você que eu recorro quando o mundo está cruel de mais, obrigado por tudo, e sei que ás vezes eu sou dramático de mais e sempre multiplico as coisas, mas sou grato por sua pessoa que me aguentou por todo esse tempo.
No momento que você se volto contra mim e começou a me julgar, um novo mundo desabou perante meus olhos, mas não destruirei sua pessoa, não irei profanar você que sempre foi enorme perante meus olhos e possuía um mundo com uma tempestade serena que me fazia querer ficar.
Irei partir, lhe dei poder de mais, suas palavras não apenas me atravessaram, elas se transformaram em veneno e ficaram em meu organismo, não consigo me sentir mais puro.
Amo esse clima, esse frio que faz meu corpo inteiro se contorcer, e o menor dos toques formam uma eletricidade que percorre por todo corpo. Porque é assim que eu me sinto nos 365 dias, me sinto a flor da pele e tudo que é dirigido a mim eu sinto o dobro.
Corpos ligados com algo conectado, mistério individual que ativa geral.
Perdeu o vital acabou o sinal: Futuro de ossos, destino do que viveu, enterrados sem nenhuma função para sempre hoje é só memórias e no fim desapareceram.
Simples atos determinam espaço, inéditos vividos também serão desaparecidos.
Agem pior engolindo e cuspindo só desgraça, destruindo a própria raça.
Adoro a forma como sorris para mim.
Da maneira ternurenta e única que colhes o melhor de mim.
Sou viciado em sorrisos da alma.
Alma como a tua que transforma vidas.
Vidas com pele, ossos e um coração imenso.
Gente que vive pelo amor e só isso importa.
O amor sorri sempre.
O que é
a culpa?
senão a mão que
não existe mais
aguilhoando
o mesmo cão
senão o olho desse cão
que não existe
abocanhando
a mesma mão
Cada santo quer a sua vela...
Cada tolo tem sua mania...
Conversa em pé de ouvido...
Tem a sua valia...
Se o mato enxerga...
As paredes podem ouvir...
Melhor falar baixinho...
Sorri melhor quem por último ri...
Cada um fala como quem é...
E não faz pouco olhar por si...
Procurando o que convém...
Adiante e mais além...
Cada um sente o frio...
Conforme a roupa que tem...
Cães e lobos comem todos...
Roem os ossos e não deixam para ninguém...
Calar é a sabedoria dos tolos...
Mas falamos bem baixinho para não ofender outrém...
Paschoal Nogueira
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