Ordinário
Rebocando as paredes da vida.
Um construtor ordinário.
Brincou até na casa do vigário.
E por aí foi colocando tijolos.
Pela adolescência e transição.
Levantando a bandeira da emoção.
É o vago coração que vai se enchendo de pinturas.
A junção de massas até parece obras maduras.
Mas na verdade essa obra é fajuta.
A operação tapa buracos.
Ser perfeito é pros fracos.
É que o comportamento de uma velha puta.
Rebocando as paredes da vida.
Recompensando o alicerce fraco.
É o que tinha a oferecer aquele prato.
Ou a cartilha que não foi lida.
Mestre na obra ou carpinteiro.
Pedreiro ou engenheiro.
A praga maior é o dinheiro.
Por conta dessa agonia.
Minha obra continua no estaleiro.
AS VARIAÇÕES DO AMOR
Amo o amor, e toda forma que dele descendeu.
Do mais ordinário amor previsível,
Ao amado amor que se perdeu.
Das sanhas do amor rancoroso,
Ao recalcado amor reprimido.
Dos contritos do amor pesaroso,
Ao magoado amor compungido.
Amo o amor abnegado,
O amor sublime,
E o amor minguado.
O amor com prazer,
O amor sem paixão,
E o amor libertino.
O amor afetuoso,
O amor casual,
E o amor clandestino.
Amo o amor sem vontade,
O amor do mundano,
E o amor da castidade.
O amor comedido,
O amor puritano,
E o amor excedido.
O amor da vileza,
O amor carinhoso,
E o amor com pureza,
O amor proibido,
O amor lascivo,
E o amor consentido.
O amor conturbado,
O amor platônico,
E o amor imbricado.
O amor carismático,
O amor antagônico,
E o amor pragmático.
O amor indelicado,
O amor oportunista,
E o amor carente.
O amor com a fé do cristão,
E o cético amor do descrente.
Amo o amor com mentira,
O amor verdadeiro,
E o incerto amor do talvez.
O amor exagerado,
O amor da equivalência,
E o parco amor da escassez.
Amo todo ser indefinido,
Aquilo que não foi nomeado,
E o amor fementido.
Amo tudo que ainda se desconhece.
O amor açodado,
E o amor que nem a carne apetece.
O amor com angústia,
O amor libidinoso,
E o amor altruísta.
O amor com sentimento,
O amor jactancioso,
E o amor sem cabimento.
Viver o extraordinário é reconhecer o básico; é fazer do ordinário o momento extraordinário da sua vida.
Ela existia, mas o mundo se tornou bem menos inocente – cretino e ordinário –, só restou a ela sentar de costas e enxergar o que ela conseguisse ver.
Sono (do latim somnu, com o mesmo significado) é um estado ordinário de consciência, complementar ao da vigília (ou estado desperto), em que há repouso normal e periódico, caracterizado, tanto no ser humano como nos outros animais superiores, pela suspensão temporária da atividade perceptivo-sensorial e motora voluntária.
Venho através deste simples e pequeno texto defender a classe de 'dorminhocos', injustamente taxados de preguiçosos, inúteis, emprestáveis.. e mais alguns nomes carinhosos. Eis aqui minha sincera e humilde defesa..
E existe algum estado, melhor do que o inoperante? (hehe )
Esquecer de todos os seus problemas, nem que seja por miseras horas. É dormindo que nos conhecemos melhor, é sonhando que nos descobrimos, nossos desejos escondidos no subconsciente são materializados através do sonho.
Uma boa noite de sono, revigora, revitaliza, reanima. É dormindo que nos preparamos psicologicamente para um novo dia que vai surgir, nunca estivemos tão sozinhos, e nunca tão bem acompanhados.
Sua companhia é você mesmo, e a única fonte de problema e preocupação acaba quando o relógio desperta.
Você pode fazer o que bem entender, quando quiser, como quiser. Sem se preocupar quem esta te observando ou quais serão as consequências...
Você descansa o corpo, a mente, a alma.
"Há quem diga que todas as noites são de sonhos. Más há também quem garanta que nem todas, só as de verão. No fundo, isso não tem importância. O que interessa mesmo não é a noite em si, são os sonhos. Sonhos que o homem sonha sempre, em todos os lugares, em todas as épocas do ano, dormindo ou acordado. (William Shakespeare)
Eu até poderia escrever mais, só que de repente me deu um sono...
Estagnado
Preso sem correntes
O medo vence o desejo
Reverter o quadro, como?
Sair do ordinário, como?
Emergir à superfície, como?
Sem ar, preciso respirar, mas como?
Ordinário
Oh - maldito tempo, que me envelhece
a cada momento
oh - tempo egoísta que me torna pessimista
de meus tormentos
oh tempo caricatura do medo, da peste
e do desespero!
oh tempo, ordinário e belo como o espelho
oh - tempo de todas as respostas e de todos os
desejos...
oh - tempo que mal há em seus segredos? derretidos
com as falhas dos velhos tempos...
oh tempo congelado com a ilusão alimentada
de veneno, recheada apodrecimento
oh - tempo rude, velho e nojento como o gado
desligado andando sobre os ventos...
Troco os canais da televisão compulsivamente, é só um hábito ordinário meu, uma vez que estou tão desligada pensando em você que não presto atenção nas figuras que se mexem ali na tela de sei lá quantas polegadas. O cigarro no cinzeiro já virou cinzas, a fumaça que levanta é do filtro queimando em vão, estou estática.
Garrafa de vinho vazia no chão, taça cheia na mão... balanço pra lá e pra cá, como aqueles provadores em concursos sabe? Encosto a taça perto da boca, inspiro a embriaguês, cadê você?
Meus olhos já sonolentos pelo álcool vasculham o quarto te procurando. Os lençóis arrumados na cama. Suas roupas no armário. Aquela nossa foto tirada num final de semana no campo toma conta da minha procura, fixo-me no seu sorriso.
"Realizar o ordinário é fundamental, porém o extraordinário é reservado para aqueles que não se resignam e sempre buscam estar à frente se seu tempo, e a cada início de semana você tem a possibilidade de responder em qual plano quer estar."
Metafísica do Teu Silêncio
Dizem que o mundo é ordinário.
Que tudo caminha para o fim —
sem epifania,
sem redenção.
Mas então,
num entardecer sem pressa,
teus olhos cortaram a lógica
como uma contradição luminosa.
Tu não me disseste "salvação",
me disseste "aqui".
E esse aqui
— tão pequeno, tão presente —
rasgou a eternidade em meu peito.
Não sei se Deus existe,
mas sei que tua presença
reordena o absurdo.
Tu és a prova de que a beleza
não é uma ideia,
mas um gesto.
Um café às 8h.
Um “fica” quando tudo desaba.
Um corpo que não promete nada —
e por isso revela tudo.
Amar-te não é sair do mundo.
É habitá-lo com mais lucidez.
É aceitar a imperfeição como forma.
É compreender que a queda
também é voo
quando compartilhada.
Na filosofia disseram:
“Tudo flui”, “Nada permanece”,
“O real é o tempo que escorre”.
Mas em ti,
há um intervalo que suspende a fuga.
Um hiato onde o ser cansa de fugir
de si.
Tu és o sagrado
sem necessidade de altar.
A fé sem metafísica.
A transcendência encarnada
em carne, toque e ausência de promessa.
E talvez,
essa seja a única forma de eternidade
que o humano pode suportar:
a de ser visto
sem precisar ser salvo.
Vestimenta não determina nada. Você pode estar super bem vestido e ser um cafajeste ordinário.
[Isto] foi exatamente o que aprendi. Que o mal pode ser ordinário.
O original não se desoriginaliza. A moda deixa o indivíduo ordinário, fútil e vulgar. Toda moda é ridícula. Câmbio.
Tem gente que ainda confunde gentileza e elegância com o mais ordinário flerte. E de flerte eu entendo. E jamais seria raso.
Exclui da minha agenda todo Homem que já mentiu para sua mulher , e me afastei de todo ordinário de minhas redes sociais, e se você está lendo está mensagem na paz do Senhor irmão.
