Ontem
Ontem éramos, em maioria, meras plateias sob as lonas invisíveis do Circo de Horrores brasileiro, hoje, quase todos divididos — os riscos são outros, habitar o manicômio que a polarização insiste em construir para o amanhã.
“Quanto mais nos esforçarmos para ser hoje melhor do que fomos ontem, seguindo o modelo que é o Salvador Jesus Cristo, mais aptos estaremos para identificar e escutar sua voz”
Ney Paula B.
Como seria bom se eu permanece se hoje como ainda eu era ontem.Já sinto uma forte saudade de como eu era e do pouco menos que sabia e entendia. Muitas das vezes passar a saber à verdade torna nossa convivência e nosso comprometimento mais difícil. Como entendo hoje o significado exato e doce do amor, dos sonhos e do silêncio dos inocentes. O relógio não caminha no sentido anti-horário logo já será amanhã.
... na Filosofia Cristã
não existe o 'pra ontem' - tampouco
subsistirá o 'tarde demais'... O que,
na verdade, existe e persiste é a prodigiosa
energia do 'agora' - comoum sofisticado
e atemporal registro - estimulandoe nos
conciliando com as acolhedoras oferendas
do tempo - quesem pressa,nos inspiram,
instruem, nos aperfeiçoam...
Logo - e sem atropelos - que
enalteças e bem desfrutes
do 'teu' indispensável
agora!
Hoje o dia pede aconchego ...
Depois da chuva intensa de ontem
Relâmpagos e trovões à distância
Enxurrada intensa ultrapassando a calçada .
Nada que deixe a pessoa assustada
Ao contrário de tantos por aí
prejudicados pela chuva de desce as encostas
derrubando tantas moradas
Deixando a tantos desalojados
Eu olho através dos frisos do portão da garagem
Vejo a enxurrada forte
Capaz de derrubar alguém que por ali tente atravessar
Eu até me arrisco e abro o portão
Debaixo da cobertura observo
A noite está baça
os fortes respingos no asfalto
parecem voltar em forma de fumaça
Não há ninguém na rua .
Tudo é silêncio
Apenas o som da chuva no telhado
O chuá , chuá da enxurrada
quebrando o silêncio da noite
O dia vem surgindo , chove ainda
Fininho, fininho
Chuvinha calma e mansinha
É possível ver através da vidraça
A manhã ainda está silenciosa
o calorão foi embora
Vontade de ficar aqui ociosa
Aconchegada na cama ainda morna
Hoje não vou trabalhar
Ah, mas hoje é sabado
Bora madornar
Ouvindo a chuva constante
cantante ,
ecoando diistante...
editelima 60
Ontem a noite estava fria,
A Lua pousou sobre a janela,
Senti a carícia plena...,
- a mais bela
Ela fez mais rosa a rosa cor-de-rosa,
A roseira estremeceu inteira...
Eis aqui um coração de pomba,
E você com esse teu charme
Que amacia, toma-me por tua conta!
Transformou-me a comportada menina
Em mulher faceira que só pensa
Em poesia - e na entrega perfeita.
Quem te tem no coração,
Não é mais sozinha,
Você esquenta e faz amorosa
A mais baixa temperatura,
Estou à espera de teus beijos,
E por eles escrevendo versos de ternura.
No itinerário a ser percorrido,
Há desejos a serem encaixados,
Dois corpos para serem acariciados,
Duas volúpias para não serem contidas,
E beijos para não serem findados,
As nossas mãos se farão incontidas.
Estou sentindo o amor primeiro chegar,
Chegou o tempo das nossas possibilidades,
É tempo particular das ternuras aconchegadas,
Saberemos o quê fazer,
E como fazer com as nossas docilidades
Vamos mais do que nos apaixonar:
- Nós vamos é nos (entregar)!
Ontem um quartel
ao sul foi assaltado
por terroristas
que queriam mais
uma vez convulsionar
a Pátria de Bolívar,
um militar foi morto,
o armamento recuperado
e o terror aprisionado.
É preciso esclarecer
cada passo dado,
Ser preciso ao manter
o povo bem informado
porque o perigo
vem sendo todo
o santo dia pavimentado
e o continente vem
sendo na escalada
pelo Império sacrificado.
Rechacar a externa
e grave intromissão
que faz perder tempo,
impedindo a paz,
e o restabelecimento
pela via de um caminho
mais aplainado,
é uma sensível urgência
de cada instante
e não há como desviar
da realidade dos fatos:
É quase Natal e até
agora não houve
nenhuma notícia
de reconciliação
com a tropa
e com o General
que estão há anos
injustamente aprisionados.
O conhecido militante
de esquerda que foi
preso ilegalmente
na aldeia universitaria
ontem foi libertado,
A viúva
do Capitão-de-Corveta
que morreu de tanto
ser torturado
pede o direito
de enterrar o marido,
As visitas aos presos
políticos foram
suspensas sem aviso,
Em cada miliciano
e coletivo também vejo
rostos de filhos sofridos,
Há ainda muito
o quê ser esclarecido.
Insisto em saber
do General desaparecido.
Insisto em escrever
sobre a cada novo fato um registro.
Insisto em saber
se o General está vivo.
Insisto em dizer que por
cada verso eu me responsabilizo.
Insisto em saber
o porquê de tanto silêncio envolvido.
Era para ter
sido hoje,
mas começou
ontem mesmo:
uns deram
a conta de vinte
e cinco,
e outros
de oitenta
e três detidos,
Não importa
o saldo da conta
que sejam
um ou mil,
ela já está
muito cara;
já era hora
de ter parado
com isso,
não aceito
um arranhão
sequer mesmo
no mais
rebelde filho.
Fitas e máscaras
azuis para se
caracterizar
como parte da
Op. Liberdade
por um processo
de estabilidade,
Do futuro
só Deus sabe.
Censura a
dois canais
internacionais,
uma rádio,
Jornalistas
agredidos
e dezenas
de feridos;
Há jogos
de nervos
por todos
os lados,
Por mim pode
amanhecer
com o mesmo
Presidente,
só não pode
persistir
as mesmas
questões
não resolvidas.
Uma tanqueta
da GNB atropelou
manifestantes,
Não dá para
apática aplaudir
a barbárie,
Mesmo que eu
não seja ouvida,
Sou o dedo
na tua ferida;
Assim sigo
me queixando
pela prisão
da tropa
e do General
inocentes até
aonde não se
esgota a poesia.
O Ahó Ahó da América do Sul
profunda de ontem tomou
outras formas nos dias de hoje,
Não queira provar para dizer
para si que algum dia provou
deste pesadelo assustador,
Antes tarde do que nunca
fazer uma demonstração de amor.
(O presente depende que você
seja guardião do seu herdeiro).
Não confie o destino dele
nas mãos de terceiros,
Olhando onde ele dorme,
o quê guarda, conversando
vigiando com quem ele fala
e com ele tem se divertido.
(Se você não se importar
com tudo aquilo te falei,
depois não diga e nem
se queixe que eu não te avisei).
A Lua de ontem,
a Lua de hoje,
a Lua de sempre,
a Lua que me guia,
a Lua que ilumina
os meus passos
nômades e a poesia.
Ontem senti pela primeira vez
o perfume da morte e da guerra,
Fui dormir e acordei chorando
por causa da minha amada terra.
O Arroz-doce-de-Pagode
de ontem
é o mesmo que
ser de hoje
o famoso Arroz de Festa,
Tem gente que
a este papel se presta.
Os bagos de Jaca
de ontem são
os mandados de hoje,
Prefiro não preferir
nenhum deles,
e sim prefiro a Jaca
que veio da Índia
e nos traz alegria
sempre que a gente come.
Era para ter sido ontem,
e mais um dia foi adiada,
A espera anda salgada
porque ela não faz sentido.
Essa falta de verdade
anda me machucando
que até parece um tanto
que aconteceu comigo.
Tratar mal quem a história
conhece como leal herói
É desrespeito a memória,
e não tem a ver com justiça.
Isso só confirma que há
quem por sadismo busca
Nas dores alheias beber
o cálice da desleal vitória.
A estrela cadente ontem no céu anunciou que irei viver uma doce ternura, doce sideração, À ti dedico a poesia íntima, Estou plena de paixão.
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