Onde Estão os Amigos Quanda se Precisa
A tarde vem chegando
dando os seus sinais
aqui no nosso interior,
Os carrilhões arbóreos
estão embalando
música para o tempo
neste mês que fazem
dois anos que
o General continua
injustamente preso.
Não se fala em outra
coisa na imprensa:
os Pume, Hivi,
Capuruchanos,
Guajivos e os Yaruros
já vivem a escravidão
como sentença,
Para libertar eles
a lei não tem
sido quase presença,...
Errando ou acertando
cada poema não
deixa de ser um
General em exílio
tentando resgatar
que a natureza
das forças resista
a não caminhar
no passo ao ponto
de virar mercadoria,
e assim segue a rotina
dolorosa da nossa
gente na América Latina.
Os tempos mui
estranhos estão
se amontoando,
Diante da desgraça
sempre tenho
sido uma muralha
contra qualquer
inútil provocação,
O caminho real
que tem sido
esperado é
o da reconciliação,
O General que
está preso
injustamente
desde o dia
treze de março
do ano de dois
mil e dezoito:
Foi arrancado
no meio de uma
reunião pacífica,
Da liberdade dele
não há sequer
nenhuma notícia.
Aqui no maior
país do continente
o cenário não
está contente,
Não se fala
em outra coisa
sem trégua até
para o Carnaval:
Em aguardo ao dia
quinze de março.
Estes versos
de todo o dia,
Que pedem
a liberdade
dele e da tropa,
E que falam do mundo
e da América Latina:
Nasceram como
busca da verdade,
Trazer humanidade,
Registrar o quê
se passa nesta
contemporaneidade,
O General nem
sabe que existem
E que são todos de minha
total responsabilidade
e dignos sempre
de necessária correção.
Daqui onde a moeda
e o ouro negro
ambos estão
indo entre os dedos:
A minha solidão
...boliviana...
É também chilena.
Não preciso nem
dizer o porquê,
nós não temos
nenhum receio.
A minha alma
...latino-americana...
É também bolivariana.
Não preciso nem
dizer o porquê,
entre nós nunca
houve mistérios.
A minha letra
caridosa busca
pelo paradeiro
velho General,
e pelo notório
teimoso Coronel.
Até onde a queixa
não se esgota,
reclamo sem parar
pelo General preso
em meio há uma
reunião pacífica
há quase dois anos
e que não teve
acesso à justiça,
e pela tropa sofrida.
É quase véspera
de Ano Novo,
Três oficiais
e nove civis
estão presos
por decisão
do Tribunal Militar
17 de Controle
pela invasão
do Batalhão 513.
Uns desertaram
para terras brasilis
e ganharam refúgio;
É ao menos o quê
as notícias dizem,
E a poesia se
obriga a rimar
sem subterfúgio
em ares confusos.
Não é segredo
que peço justiça
por mais de
um general que
estão pagando
penas altas demais
que nem deveriam
continuar a pagar,
e nem presos
deveriam estar;
e assim sigo todo
o dia a reclamar.
Por tantos outros
ocorridos e agora
mais este fatídico
sigo escrevendo
para que o tempo
não promova
o esquecimento:
Que além do General
há quase dois anos
injustamente preso,
Há tantos outros
além dele e dos generais
na mesma situação,
Pois há tempos a justiça
vem sendo aplicada
sem nenhuma correção.
O General que
está há quase
dois anos preso
injustamente,
É um dos
três Generais
que estão
privados de tudo,
E enterrados vivos
a cada minuto
em Fuerte Tiuna,
Ali após a nove
da noite não
se recebe mais
nenhuma visita.
Dizem que há
um tenente
triste e enfermo
e de Ramo Verde
um Capitão
da GN foragido
saiu correndo,
Se é mesmo
verdade
só Deus sabe,
É preciso se
reconciliar para
dar um basta
neste pesadelo
tão covarde.
E vendo a vida
na vitrine conto
além da captura
do General
em meio de uma
reunião pacífica;
Ele e tantos
ainda esperam
a liberdade cantar
sob a luz do sol
da justiça um
país se pacificar.
Outros poetas
estão surgindo
de improviso
neste continente
de fracassados
pela dolarização,
É a delícia
e o inferno
do capetalismo
colocando em
transe e toda
a sua pressão
Aqui não há
quem não queira
foragir da realidade
e embriagar-se
para conter desespero,
É a tragédia de
mais de uma Nação.
O tempo está correndo
e ainda insisto
em pedir a liberdade
da tropa e do General,
Para a reconciliação
sempre é tempo.
Ignora-se o quê
é mais grave,
Mas é a minha
poesia que
tira a paz
do autoritarismo
golpista na Bolívia,
Por ambição ainda
desejo tirar a paz
de muitos outros
que estão com
alma vendida
e que também
merecem meus
versos alucinando
cada passo deles
neste continente,
Nas minhas veias
há o mesmo sol
do deserto de sal ardente.
Os Generais que
estão presos
em Fuerte Tiuna
são inocentes,
Eles são presos
políticos e todos
os presos políticos
são inocentes,
Todos eles são
culpados por uns
que confundiram
que discordar
é desobedecer
e outros que
precisam criar
a todo instante
inimigos imaginários
para permanecer
em nome do poder.
Da última repressão
policial a um tupamaro,
Porque fiquei sem saber
porque fiquei sem sinal
para comunicação,
Depois li a notícia
de justa libertação.
Fato provocado
pelo neoliberalismo
que esmaga a todos
neste continente,
Que nos distancia
a cada dia de um
novo amanhecer
e nos colocou
com o Atlântico
mergulhado
num óleo sem fim.
A donzela
Elorza está
desprotegida
e por outras
mãos vem
sendo levada,
Estão deixando
que dela não
sobre sonhos
e mais nada.
Não consigo
fingir que
não estou
vendo nada,
A gente anda
oprimida
e castigada.
O major e pastor
que havia convocado
uma marcha
espiritual foi preso,
Ele acreditou
que o tempo
de liberdade
havia chegado.
A luta popular
em união com
as Nações Indígenas
no Equador recebeu
o seu triunfo
num decreto revogado,
Neste continente há
tantos fatos ocorrendo,
E nenhuma notícia
de libertação para
o General que
segue injustamente preso.
Os ventos do dia
seguinte que
estão a refrescar,
Não chegam
até o General
porque janela
na cela não há.
Em relação
a justiça não
é diferente:
Ele se encontra
há mais de um
ano e meio
sem audiência
preliminar,
Tendo sido preso
no meio de uma
reunião pacífica.
Repito para que
ninguém mais
venha outra
história inventar,
Ou da imagem
dele se aproveitar
como um famoso
laureado ainda
insiste um falso
positivo plantar.
O General é inocente,
e não adianta
a cantilena
contra ele insistir
em espalhar,
A cada sílaba maldita,
surgirá um
novo poema
para o mal atrapalhar.
Os campesinos
estão desprotegidos,
O Comandante
se estivesse vivo,
Jamais teria permitido
que tivessem
os seus direitos agredidos.
Não se sabe há mais
de cinco meses
do civil desaparecido.
Foi o quê disse a imprensa:
Um tenente relatou
o milagre da sobrevivência.
Todos tentando se salvar,
enquanto a total
liberdade não chega.
Dos Generais presos
em Fuerte Tiuna
sem nenhuma culpa,
Não se ouve mais
sequer um ruído,
Quando eles
serão libertados?
Foi levado a um destino
o General de Brigada,
e onde ele está é por
tantos desconhecido,
e não saber de nada
se consolidou como vício.
Nos olhos
inabaláveis
de azabache
do General
estão claros
o cansaço,
o tormento
e a dor
de verdade
com as cores
da moldura
da tristeza.
A lentidão
da Justiça
faz vítimas
sem escolher
a patente
alcançando
com o punho
castigando
fisicamente
o tenente,
o coronel
e tanta gente.
Há quase
dois lentos
anos venho
insistindo
em pedir
a liberdade
de um General
que está preso
inocentemente
e sem devido
processo legal,
ele foi preso
por discordar
do poder vigente.
Não importa o quê
de mim estão falando,
as flâmulas perpétuas
tecidas de palavras
poéticas na História
em defesa do Esequibo
pertencem só a mim.
O quê é de direito
de lugar e de se hastear
pertence somente
às oitos estrelas na proa
do Monte Roraima
com todas as virtudes,
homenagens e decência.
A liberdade que foi
arrancada com violência
da tropa estimada
e do General preso
injustamente deve ser
por humanidade restituída:
a História de injustiça
nunca mais deve ser repetida.
Não é segredo
para ninguém
que desejo tocar
o coração de
todos os que
estão deixando
sem notícias
aqueles que
têm os seus
na prisão,
e sem saber
como estão
há muito mais
de um mês.
Prisões ilegais,
festivais
de torturas
e de tormentos,
Não dá para
fingir que
nada ali
não está
ocorrendo,
Muitos nem
deveriam
estar presos,
E vocês bem
sabem que
tenho razão.
Tudo isso é
de doer
o coração,
E sobre
o destino
de quem
quer que
seja não
se deixa
nem por
uma hora
em silenciação,
Mas isso tem
acontecido
com o General
preso injustamente
e tantos outros
que estão desaparecidos.
Do Inferno de
cinco letras,
Não se fala
das parejas,
Que lá estão
por detrás
de las rejas.
Caiu a luz
em partes do
nosso continente,
Dá medo do que
virá daqui
para frente.
Dormindo com
os olhos abertos,
Só Deus para
acudir o povo;
Pois há gente
que 'prevê'
que seremos
eliminados iguais
a porcos,
Iguazú colapsos.
Farta é a ironia
do destino:
quem julgava
passou a ser
julgado, preso
e condenado.
Do sargento
metropolitano
preso também
tenho perguntado,
Ele já era para
ter sido libertado.
Não vou sossegar
enquanto não souber
do General o paradeiro,
Insisto em saber dele
e de pedir a liberdade
ao mundo inteiro...
O General está
desaparecido,
Vejo que estão
nos enganando
Estão de nós
ocultando
que ele não
está mais vivo,
Não importa,
todo o dia será
dia de sair por
aí por procurando.
Como louca vai
me ouvir sem
querer nos teus
ouvidos gritando
Até você ceder;
Não é ignorando
que irás fazer
ir sossegando,
Bem sei que
estás brincando.
O Roque segue
ainda preso,
o tal polícia
metropolitano;
E os médicos
indefesos
e vítimas
da mesma
e trágica
circunstância,
Por todos
eles sigo
aqui reclamando.
O General está
desaparecido,
Não quero semear
a desesperança,
Os irmãos estão
procurando,
Creio que não
esteja mais vivo.
Vejo um pastor
que segue com
as suas ovelhas
apontando um
novo itinerário
ecumênico,
Para descobrir
se o General
está inteiro,
Ao fundo um
cântico llanero.
Tento ao menos
ser um sopro
alvissareiro,
Essas letras
no meio deste
bruto silêncio
de metal
em busca de
saber onde
está o General.
Libertados foram
os comuneros,
Da tropa e do General
não posso dizer
se estão inteiros.
Do General mesmo
nada mais sei,
Não vejo no caso
dele nem mais lei.
O tempo nem mais
tem sido aliado,
Preso porque falaram
e outros nele
não acreditaram,
Ele está sacrificado.
Não adianta posar
de revolucionário,
E esquecer de
quem sempre foi
pelo povo dedicado.
Abertas estão as
Asas do condor
Sobre o continente,
Carta de pedido
De perdão da Mãe
Pela libertação
Do rebelde filho.
De pé pelo povo
Mesmo após
O susto ocorrido,
Ele não deixa
Quem quer que
Seja fazê-lo rendido,
Da Pachamama
Ele é o protegido.
Abya Yala, terra
Que não se abala,
O Império não nos
Curva e não cala;
Eis a poesia que
Não é a cura
Que você busca,
Cheia de si ela
É amor em via
De retribuição,
E total integração.
Os meus punhos morais
estão etereamente erguidos
para todos que os acusaram
falsamente de Neonazismo
por conveniência ou por fanatismo,
cada um de vocês não será esquecido.
Uns sem conhecer as origens
os símbolos étnicos de cada um,
e outros para fortalecer
um roteiro de poder que não
os pertencem colaboraram
como incitadores de genocídio
e de crimes de guerra
auxiliaram todos aqueles
que derramaram o sangue,
prenderam e ocuparam o território
dos povos da Ucrânia e da Criméia.
Os heróis feridos do Batalhão
de Azov foram transportados
pelo Exército da Rússia,
A palavra de troca de prisioneiros
não foi cumprida e o espírito de 1944
foi pelo tirano ressuscitado.
Os heróis serão julgados ilegalmente
pelos invasores e todos
sabemos qual será o final,
está provado aos olhos do mundo
que esta guerra começou
pela mentira que fez uma
mais de uma vez terra invadida,
e por razões óbvias quem não
cumpre com a palavra
jamais agirá na vida com justiça.
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