Olhos Alma
De todos os olhos, de todos os rostos você e o que mais esta perto da santidade, devemos então dizer que agora neste momento você e a única coisa que me mantem aqui, neste mundo sujo e desumano.
Seus olhos
Rasos, profundos, profanos
Boca
Língua, invasiva e descuida
Mãos
Inquietas no caminho
íngreme, escorregadio
Te encontra e me perde
Me encontro e não acho
Trabalho o nó
Nó do laço
Fácil me atar, desprender de mim
Difícil me ater
Sou peça tua
Que não quero e me encaixo
São 4h09min.
Child in time flauteia os meus ouvidos.
27 no dial.
Nem abóboras maduras,
nem princípios de incandescência.
Apenas outra madrugada tíbia.
Outra noite no vazio dos seus olhos.
Bagos flutuantes se alternam no veludo vagaroso dos dedos.
Nada sinto.
Senão um fado roçando as minhas vontades.
Meu olhar pesa tanto, tanto é o sono
que encobre o meu querer.
E só antevejo sonhos.
Apenas paz.
Não sei respirar desejos,
não sei te deixar.
Adiante sua face mudará de cor.
Seu hálito será o meu alento.
Nessas águas de outono.
Nessas noites de trégua.
Nesses dias de escuridão.
E enquanto a lua reluz e o brilho dos seus olhos serenam
eu desaguo de paixão...
Enquanto ventanas e ventanias me levam...
Eu vou rumo ao coração...
Sussurrando baixinho...seguindo meu caminho...
Nesse forte trovão...
E nada faz sentido...ou tudo tem sentido...nas rimas da nossa canção...
Nada dizer, simplesmente olhar-te:
te pedir com os olhos
te agradecer com os olhos.
Fechar os olhos porque estás perto,
abri-los para ver teu sorriso.
Cada vez tornar-me mais imagem tua
de tanto te olhar.
As flores colhidas
para serem oferecidas a você
não morrem jamais.
Pelo contrário, ganham mais vida
depois de admiradas por seus olhos,
pois viverão para sempre na sua lembrança.
Não conseguiremos ver tudo o que há na terra ou fora dela, nem poderíamos mesmo que tentássemos, mal conseguimos enxergar o que está diante dos olhos.
"Sento-me à porta e embebo meus olhos e ouvidos nas cores e nos sons da paisagem, e canto lento, para mim só, vagos cantos que componho enquanto espero”.
( Bernardo Soares [Semi-heterônimo de Fernando Pessoa],no Livro do Desassossego. (Org.) de Richard Zenith - Assírio E Alvim, 2008.)
