Olhando
Mais uma quarta e eu aqui preocupada, olhando os carros passarem, achando que no girar da lua a vida vai mudar.
A cada remédio que a senhora toma, mãe, acendo um cigarro pra me aliviar, achando que essa fumaça vai me salvar.
Faço vigília todas as noites,
presa à janela como uma condenada,
olhando um céu que nunca responde,
esperando que uma estrela caia
mas nenhuma tem coragem de despencar.
Meus sonhos são ilusões perdidas,
a esperança já apodreceu no leito.
Não sei se corro contra o tempo
ou se o tempo já riu de mim e partiu.
Os milagres? Covardes!
Dormem como deuses embriagados
enquanto eu grito no escuro.
Do quintal, vejo o firmamento,
e quando uma estrela ousa riscar a noite,
tenho apenas cinco míseros segundos
para vomitar um pedido desesperado.
Cinco segundos!
E depois?
O nada. O mesmo nada de sempre.
Fechei os olhos, menti para mim:
imaginei sonhos voltando à vida,
milagres despertando,
a esperança batendo à minha porta.
Mas era só delírio
a estrela caiu no mar
e afogou minha prece junto.
Agora, só me resta esperar,
presa à vigília de todos os dias,
olhando um céu de silêncio.
E eu, sozinha, amaldiçoo essa esperança,
essa mentira maldita que me mantém viva
apenas para perder mais tempo.
O para-brisa é maior que o retrovisor porque a vida foi feita para ser vivida olhando para frente. O passado ensina, mas é o presente que pede atitude, fé e foco. Faça acontecer!
A qualidade da sua vida é decidida nos momentos em que ninguém está olhando. O compromisso que exige plateia para ser mantido não é caráter, é espetáculo. A verdadeira força nasce do pacto secreto que você faz com a sua própria alma: a promessa de ser excelente mesmo que o mundo jamais saiba o esforço que isso custou.
"Olhando a minha frente vejo uma imensidão de claridade, tão claro quanto a luz dos olhos teus... Olho para o meu lado e sinto tua presença junto a minha nessa tarde ensolarada de primavera;
Balbucio os lábios querendo dizer-te o quanto lhe quero, mas noto que seria em vão, pois as palavras não conseguiriam transcender o meu olhar diante de ti;
Fecho os meus olhos e percebo que nem o meu olhar e nem os meus lábios conseguiriam dizer-te o quanto és bela e o quando agrada aos olhos meus."
Assim como não podemos sentir o sabor de uma laranja olhando apenas pela sua aparência, não podemos também conhecer á intenção do coração do homem ouvindo apenas suas palavras.
Não me limite aos seus conceitos.
Pra que iria ficar olhando meu umbigo, se posso contemplar as estrelas.
(Nepom Ridna)
O Caráter se revela não no que você faz quando todos estão olhando, mas no que você faz quando ninguém vê.
Sobre a vida: Dizem que a resposta está na luz no fim do túnel. E eu aqui, olhando para o nada, fingindo entender tudo.
O Devenir-Planta
Fiquei parada na varanda olhando a samambaia até que minhas pernas perderam a vontade de andar. Senti o sangue esfriar, ficando verde e espesso, uma seiva lenta subindo pela coluna.
Não era sono, era uma paciência vegetal. As folhas da samambaia não esperam por nada; elas apenas estão. Comecei a entender que o pensamento é uma agitação inútil do bicho-homem. Eu queria ser apenas clorofila e vento. Queria que o sol me comesse a pele até que eu não tivesse mais um rosto para apresentar aos outros. Ser planta é a maior forma de aristocracia: é existir sem precisar de um porquê. No final da tarde, eu já não tinha nome. Eu tinha apenas sede.
Pela estrada,
sigo no trem vida.
E olhando pela janela,
vejo a asa do Destino me levando
justo quando convencido
de estar indo rumo a ele...
Aqui parado olhando pro nada,
mas na mente vendo meu tudo.
Sentado no mesmo lugar
onde senti seus beijos, seus abraços
e o amor mais profundo.
Como esquecer um amor tão forte?
Como não pensar que te amar é minha sorte?
Sinto seu cheiro no ar,
fecho os olhos e finjo te abraçar.
Um misto de dor e alegria:
dor da saudade,
alegria de lembrar
dos beijos e abraços que recebi um dia.
Acredito nesse amor apesar dos pesares,
sei que é você a minha metade.
Te conheci de um jeito tão aleatório
entre bilhões no mundo…
e de repente
você virou meu tudo!!
ÁG
Ela caminhava com o corpo curvado, de cabeça baixa, olhando para o chão, como quem carrega sua solidão com solenidade. Ela olhou para o lado e avistou um pardal, dois, três. E pensou que se ela fosse um pássaro, talvez tudo seria mais fácil. Não tinha acontecido nada ruim naquele dia, mas ela chorava uma vida inteira. Ela já foi feliz muitas vezes, mas se recusava a lembrar. Vinha à sua mente apenas abandono, vergonha, tristeza profunda. Em algum lugar da cidade um aluno lembrava dela com carinho. Professora por muitos anos. Mas nada mais importava. Sentia-se anônima e invisível. Foi ao supermercado e, em um caixa preferencial, cedeu o lugar a um idoso. Ele agradeceu. Ela respondeu "é um direito seu". O idoso puxou conversa e ela aproveitou para interagir alguns instantes. Ele falou que se não fosse a fé em Deus, ele nada seria. Ela pensou sobre como admirava as pessoas que tem fé. Ela respondeu descrente ao idoso "se o mundo todo se organiza, só pode ser a existência de Deus". O idoso respondeu que nem tudo se organiza, pois tem muita gente passando fome. Ela pensou que ele não era ingênuo, já que respondeu exatamente o que ela pensava, mas tentava esquecer. O idoso foi embora. Ela respirou fundo, segurou a angústia que sentia no peito e pagou a conta. Ela voltaria agora para o silêncio de seu apartamento. Colocou o ar condicionado no mais frio. Ela gostava de sentir frio. Tinha a sensação que o frio a distraia. Guardou rapidamente as compras e no celular ela assistia vídeos repetitivos, que a acompanhava no decorrer das horas, enquanto a noite caia lentamente. Solitude, solitude, solitude. Repetiu a palavra três vezes para tentar transformar sua solidão em algo mais palatável. "Se ainda houvesse minha mãe", pensou na dor de quinze anos atrás, quando sua mãe morreu em um acidente de carro. Depois que sua mãe partiu, ela nunca mais dirigiu. Tinha muito medo do trânsito. A solidão que ela sentia era decorrência de várias fatores. Ela mesma foi se afastando. Não queria mais ter amigos. Queria apenas o silêncio de seu apartamento gelado. Uma amiga antiga escreveu sobre a saudade que ela sentia. A amiga falou que ela brilhava. Ela respondeu sincera "são outros tempos. Agora convivo com a depressão". A amiga respondeu que ela sempre brilharia. Ela fechou os olhos com tristeza. Despediu-se da amiga, que tinha sido muito generosa nas palavras. Então se lembrou de um tempo feliz, como quem se lembra do cinema mudo. A amiga havia feito bem a ela. Então pegou os materiais de arte, tela, tinta, pincel. E pintou um gato bem colorido, no estilo pop art. Assim estava sendo sua rotina. Era como se carregasse um peso em seu corpo. E já não acreditava mais na medicina.
Seja íntegro. Escolha o que é certo, mesmo quando ninguém está olhando.
A verdade pode te custar aplausos, mas jamais te rouba a paz.
Quem vive com retidão incomoda quem vive de atalhos — e é por isso que, ao fazer o certo, você não apenas constrói caráter… você também revela quem não suporta a luz.
Quem é você quando ninguém está olhando?
Não a versão ajustada, polida, socialmente aceitável.
Não o personagem que você construiu para caber nas expectativas, nos vínculos ou nos silêncios alheios.
Mas você inteiro, cru, sem plateia.
Quem é você quando a luz apaga?
Quando o barulho externo cessa e sobra apenas o eco dos seus próprios pensamentos?
É nesse espaço íntimo que a verdade se revela. Não a verdade que você conta, mas a que você sente.
Porque, no fundo, não somos aquilo que dizemos ser
somos aquilo que repetimos quando ninguém está vendo.
Somos os hábitos invisíveis,
as escolhas silenciosas,
as fugas que justificamos
e as verdades que evitamos encarar.
Há uma diferença sutil, porém profunda, entre identidade e desempenho.
Muitos vivem performando uma versão de si que agrada, que é aceita, que é validada.
Mas poucos sustentam coerência entre o que mostram e o que são.
E é justamente nessa coerência que mora a integridade.
Quem é você quando pode escolher sem testemunhas?
Quando pode ir embora ou ficar?
Quando pode ferir ou preservar?
Quando pode se abandonar… ou se sustentar?
A forma como você se trata nesses momentos define muito mais sobre você do que qualquer discurso bem elaborado.
Talvez a pergunta não seja apenas “quem é você?”
Mas sim: você tem sido alguém que conseguiria respeitar, admirar e confiar se pudesse se ver de fora?
Porque no fim, inevitavelmente, você sempre volta para si.
E quando voltar…
que encontre verdade, não disfarce.
consciência, não fuga.
e, principalmente, alguém que não precise se esconder de si mesmo.
Nelma Andrade
Psicóloga
Palavra sem som.
E olhando dentro dos olhos dela,
nenhum som saiu.
Ele treinou tanto,
Palavra por palavra,
cada ponto e virgula.
Olhos abertos, mãos
nos bolsos e nenhuma palavra
na boca.
Foi assim que o amor
não aconteceu.
