Odeio Pessoas
A verdade é que eu odeio o fim de tarde.
Odeio o farfalhar das folhas, o doce e sereno bailar das árvores.
Odeio o bafejar do vento, que me assopra a face.
Odeio o pôr do Sol, cuja beleza sublime me remete a ela, minha beldade.
A verdade é que eu odeio o fim de tarde.
Odeio o cantarolar dos pássaros e a balbúrdia da cidade.
Odeio tantas coisas, mas eu odeio mesmo é essa distância, nossa saudade.
Odeio a mentira, mas, por tantas vezes, também odiei a verdade.
A verdade é que eu odeio o fim de tarde.
Odeio ter que me reencontrar todas as vezes em que me perco no castanho dos seus olhos, meu mar de serenidade.
Odeio sua boca, pois, mesmo estando tão perto da minha, a distância que as separa vai daqui até Marte.
Às vezes, odeio amar-te.
A verdade é que eu odeio o fim de tarde.
Odeio meu corpo, pois quando está deslizando sobre o seu, me queima a pele e an alma arde.
Odeio toda religião, pois fiz somente de ti minha divindade.
Odeio as estrelas e a Lua, porque o brilho e a palidez me lembram suas fases.
E por lembrar-me amiúde de ti, amada minha, é que eu amo o fim de tarde…
Eu odeio saber que cada verso que faço é para você,
mas o que me resta são esses versos,
de sentimentos e prazer.
São eles que me fazem lembrar de você.
Há vários anos, escrevo o quanto te odeio em tom melancólico.
Embora eu esqueça que isso faz parte de mim,
Tão marcante quanto o tom da minha voz.
Faça aquilo que você faz de melhor e que ressoa nos ecos do meu coração.
A seta do tempo comprimiu a possibilidade de tê-lo,
Junto com o medo de seguir em frente.
A finitude do seu tempo consome minha alegria,
Opondo-se à imortalidade.
A beleza da lembrança perdura após a efemeridade,
Ou seja, é passível de recordação,
Sendo sublime em sua vividez.
Tudo o que eu queria fazer está no passado,
Embora tudo o que poderei fazer esteja no futuro,
À espreita, em branco, esperando ser preenchido.
Dar um tempo. Eu odeio tempos, eu odeio não poder seguir as estações, eu odeio perder algo, eu odeio sentir que algo mudou. Eu prefiro términos definitivos do que tempos indeterminados. Ah como prefiro. Tempos são ruins, não servem pra merda nenhuma que não sejam te agoniar.
Eu odeio tudo em você. Odeio seus beijos que sempre me fazem querer mais e mais. Odeio seus abraços que me fazem ir ao céu e voltar. Odeio seu sorriso bobo que ao mesmo tempo me faz sorrir também. Odeio seu modo de ser que sempre me faz rir.
Odeio suas palhaçadas que sempre me fazem gargalhar. Odeio quando você tira um sorriso involuntário meu. Odeio quando você diz que me ama. Odeio receber todo esse carinho de você. Mas sabe? Tudo isso que eu disse é a mais pura verdade, só que totalmente ao contrário.
A valsa
Em cada choro e dor eu vejo como ela me escolheu. Ela me ama e eu a odeio. Ela dança comigo e eu a rejeito, ela me atrai e na mesma força eu a despejo. Em lágrimas cantamos a noite toda. Ela me chama quando estou preste a largar, talvez destino ou conveniência. Ela faz tudo dar errado. Ás vezes dançamos a noite toda como uma valsa sem fim. Uma loucura consciente vivo em meu mundo e dos despojos dessa dor, digo que a solidão me ama e eu a odeio.
Odeio, quase sem perdão, quem me tira da solidão, promete ilusão e fica com joguinhos infantis dizendo não.
Eu precisava levar as minhas lágrimas para onde não seriam notadas. - Eu verdadeiramente odeio chamar a atenção. Foi então que sem perceber, o mar me abraçou, e em forma a consolar a minha tristeza interna, todas as lágrimas caíram. O céu então se abriu e muito embora meus olhos me entregassem, o sorriso já me era mais leve.
UTOPIA
Odeio a utopia na qual vivo.
É um pensamento efêmero,
Mas pesado,
Sufocante e latente,
Volto no tempo por 3 segundos
Passam-se 10 anos.
Eu me odeio, por ter desistido de nós, mas te odeio mais por não lutares por mim para que houvesse nós.
"Eu odeio depender dos outros, me sinto mal, como se eu tivesse uma dívida. Eu sempre fiz sem esperar nada em troca, então eu gosto que pessoas dependam de mim, mas não eu delas."
