O que Nao Elabora se Repete Freud
Ganhar dinheiro não é tão difícil quando o dinheiro é a única coisa que importa.
Difícil é prosperar honestamente, sem abrir mão dos princípios, do autorrespeito, da dignidade e do respeito e da admiração de quem você ama.
Prosperidade de verdade é conquistar sem perder a essência, os valores e o respeito pela própria história.
Quem quer te entender de verdade não precisa de discursos longos e elaborados; entende você até no silêncio.
Percebe o que você sente nos detalhes, no jeito, na ausência de palavras.
Quando você precisa se explicar repetidamente, escolher cada palavra com cuidado e ainda assim termina a conversa se sentindo incompreendido, talvez o problema já não esteja na forma como você se expressa, mas na disposição do outro em compreender.
Quando existe interesse genuíno, não é preciso transformar sentimento em defesa, nem dor em justificativa.
Quem quer compreender, escuta além do que é dito.
E quem já decidiu não entender, dificilmente será convencido por qualquer explicação.
A dor do afastamento não é um castigo; é o convite da vida para o seu próprio crescimento. Não segure quem precisa ir. Às vezes, o desapego é o remédio amargo que cura a alma.
Muitas vezes, afastar-se não significa romper o afeto, mas mudar o laço de lugar. Há separações que acontecem apenas na geografia dos dias, onde cada um segue para cuidar das suas escolhas, da sua sobrevivência e da sua própria colheita. A afinidade diária pode até silenciar, mas o respeito e a amizade verdadeira permanecem intactos, guardados em um altar sagrado na memória. Entender que o outro mudou de rumo sem mudar o que fomos um para o outro nos permite torcer de longe, sem cobranças ou melancolia. A vida nos distancia nos passos, mas o amor maduro sabe que algumas almas continuam unidas pelo fio invisível da gratidão, não importa quão longe estejam.
O distanciamento físico não apaga uma amizade verdadeira. Cada um pode seguir sua vida, fazer suas escolhas e estar longe dos olhos, mas se o carinho for real, ele continua eterno e bem guardado no coração.
Quem ama de verdade não aprisiona. Se o laço virou nó e não deixa nenhum dos dois crescer, o maior ato de amor é soltar. Dar espaço para o outro caminhar é também libertar a sua própria vida.
Tempo
Demétrio Sena - Magé
Não me orgulho do tempo que não tenho
pra parar em um papo com alguém,
perguntar como vai quem já não vejo;
querer bem e dizer; olhos nos olhos...
Sendo assim me desarmo do sem tempo,
cavo brechas, consigo achar um ócio,
mando meu contratempo ir passear,
e me lembro de afetos esquecidos...
Eu me orgulho de nunca ter orgulho
de perder os prazeres pro trabalho,
não jogar um baralho com amigos...
Quero tempo de afagos em família,
empregar menos vida em meu emprego;
ter apego às tarefas; aos lazeres...
... ... ...
Respeite autorias. É lei
Gatilhos
Demétrio Sena - Magé
Sempre me vanglorio de não ser uma pessoa depressiva. De não ter crises de ansiedade ou algo semelhante. Mas me esqueço de alguns gatilhos que me desesperam, embora eu saiba me resolver, logo depois do impacto.
Tenho medo, por exemplo, de ser abandonado, em passeios com mais pessoas, a lugares muito cheios. Fico todo o tempo vigiando o guia ou motorista. Se não o vejo por um momento, meu coração dispara. Não vejo mais ninguém. Tudo gira. É uma lembrança de quando eu era bem pequeno e minha mãe se perdeu de mim em uma feira de Brasília. Ou eu dela. Só fui encontrado no fim do dia, chorando em desespero e já me dando por completamente perdido.
Quer me deixar suando frio e com o peito apertado, a respiração difícil? Deixe-me sozinho em qualquer ambiente, com algo de valor que não seja meu. Em minha infância e na adolescência, em razão da minha cara de culpa, meu cabelo desgrenhado de culpa e minhas roupas andrajas ou molambos de quem tem culpa, muitas vezes fui suspeito de roubo.
Minha sorte foi que os sumiços (nunca foram roubos) foram sempre desvendados, porque se dependesse do meu aspecto, eu teria sido recluso em um colégio interno, como eram chamadas as instituições para menores infratores. Até hoje, ao ficar sozinho entre objetos de algum valor, tenho medo de que algum deles crie pernas ou asas, e suma, me deixando em sérios apuros. É um sofrimento que só eu sei dimensionar.
Por "não ter Deus no coração", sendo reconhecidamente ateu, muitos acham, inclusive familiares, religiosos ou não, mas que publicam versículos em redes sociais, que sou capaz de coisas horrendas: até de minha presença, pura e simplesmente, agravar a doença de uma pessoa querida que não está bem. Isso também é um gatilho; morro de medo de me aproximar de alguém prestes a morrer, e depois sentir nos olhares, que a minha presença foi a causa.
Quando me vanglorio de não ser depressivo, é porque logo me resolvo: desarmo meus gatilhos, consciente das lembranças marcantes e, em muitos casos, do preconceito e da ignorância que me cercam desde a mais tenra idade.
... ... ...
Respeite autorias. É lei
Definitivamente, não estou no lugar de fala.
Mas dói na minha alma o sofrimento das pessoas pretas. É asqueroso, vergonhoso e desumano. Vivemos em um país que provavelmente é um dos mais miscigenados do planeta e, mesmo assim, o racismo e o preconceito em geral estão presentes no dia a dia e em absolutamente tudo.
Apesar de ser parda, descendente de africanos, indígenas e caboclos, reconheço que, pela forma como sou percebida pela sociedade e por ter a pele mais clara, tenho privilégios que pessoas negras de pele mais retinta não têm. E, a partir desse lugar, que antes eu não entendia muito bem, venho aprendendo bastante e comecei a enxergar as coisas por outra ótica.
É triste perceber que todos estamos sujeitos a reproduzir preconceitos e comportamentos racistas, mesmo que inconscientemente. O racismo está impregnado na nossa cultura, na linguagem e na sociedade em geral. Até mesmo expressões que usamos no dia a dia podem carregar associações entre o negro e algo negativo, e muitas vezes nem paramos para refletir sobre isso.
Quando nos silenciamos diante de uma situação real de racismo, contribuímos para que ele continue. Quando nossos colegas de trabalho, amigos ou familiares fazem um comentário racista e não nos posicionamos, também ajudamos a naturalizar esse comportamento.
Por fim, a primeira coisa que devemos fazer é nos conscientizar sobre o racismo estrutural do nosso país. É um aprendizado diário e, em seguida, precisa vir a mudança de atitude!
P.S.: Tenho muito orgulho da minha ancestralidade!
Todos os amores da minha vida deram certo, independente se terminou, até mesmo o que não foi recíproco.
Por que seria uma ingratidão e uma tremenda injustiça com esse sentimento falar o contrário, tudo sofre desgaste!
Mas há uma eternidade enquanto dura.
Eu não te amo mais!
Mas também, não te odeio
Amo as memórias que vive com você
Foram recíprocas e bem vivenciadas
E estão guardadas no espaço-tempo
E jamais poderão ser apagadas.
Sou inteira
não há fronteira
entre a vida pessoal e o trabalho.
O tempo me pede cuidado:
distinguir o urgente
do importante.
Pergunto a mim mesma:
até onde quero ir
ao custo do esgotamento?
De que vale consumir mais,
se o preço
é a saúde ou a sanidade?
Antes que a natureza imponha sua resposta,
preciso aprender
a impor a minha.
Do silêncio em mim
E eu não lhe disse nada...
E, o silêncio que se fez em mim, disse-lhe tudo.
No peito ficou guardado o que não encontrou coragem na voz.
Engasguei-me com a dor e o medo do som das palavras que poderiam de mim sair.
E cá estou eu: vivendo há séculos de frases inacabadas... palavras tartamudeadas, balbuciadas, só dentro de mim...
"Não fuja de si, mesmo que doa. Às vezes, seguir em frente exige deixar para trás o que já não cabe em quem você está se tornando. Recomeçar não é fracassar; é escolher não permanecer onde você deixou de florescer."
A palavra nasce do silêncio, mas não lhe pertence por inteiro. Ela carrega a matéria do mundo: o peso da pedra, a aspereza da terra, o calor da pele, o rumor das águas. Quando nomeamos, tocamos. Quando escrevemos, deixamos marcas no corpo do tempo.
A memória é uma casa sem paredes. Guarda vozes, gestos, cheiros, caminhos. Às vezes, permanece em uma cicatriz; outras, no espaço vazio de quem partiu. O corpo sabe o que a boca esquece. Cada osso traz um território. Cada passo redesenha a distância entre o medo e a coragem.
Resistir é permanecer sem ficar imóvel. É lançar raízes em solo ferido e, ainda assim, procurar a luz. É transformar a dor em presença, a ausência em lembrança, o silêncio em testemunho. Há palavras que quebram muros. Há silêncios que recusam a mentira.
Somos feitos de matéria e passagem, de ruína e recomeço. O território que habitamos também nos habita: entra pelos olhos, permanece nos músculos, reaparece nos sonhos. Nada desaparece completamente. A terra conserva pegadas. A palavra conserva o grito. O corpo conserva a história.
E quando tudo parece se desfazer, resta a insistência de existir: uma voz baixa, uma mão aberta, um nome dito contra o esquecimento. Permanecer é isso: continuar sendo presença onde quiseram deixar apenas silêncio.
Camaleão
Camaleão...
Não tenho convicções,
me adapto a qualquer situação...
vou e volto,
dou a volta,
depois volto...
Passo por cima,
passo por baixo...
me encaixo.
Preto e branco?
Comigo não...
domina a razão,
quem manda é o coração.
Meus sonhos têm a cor da minha vida
... (des)colorida.
Repleta de contradições,
tudo me convence...
nada me vence...
começo e não termino
no meio do caminho...
largo tudo e volto
convenientemente
começo tudo novamente.
... mais uma vez.
Camaleão
mudado, transmutado...
(re+vestido de sonhos,
Disfarçado de (des)amores,
O que
Tem de ser feito faço...
‘Melhor feito do que perfeito’ é o meu lema...
Esqueço-me, se preciso for, de seguir qualquer esquema.
Mudo-me como sinto
ou, se acaso pressinto que mudar não é a solução,
simplesmente minto.
Camaleão, pele mudada
núcleo intacto, integro, só a casca desintegrada...
Sou o que preciso,
sem deixar de ser quem era,
ou de ser o que de mim se espera...
Estou aqui, estou lá.
Mudo sem mudar.
A gente acha que vai se controlar e não se controla. A gente acha que vai suportar e não suporta. A gente tenta ter domínio emocional e não tem. Ninguém está preparado pra uma traição.
