Definitivamente, não estou no lugar de... Irusca Balbino

Definitivamente, não estou no lugar de fala.

Mas dói na minha alma o sofrimento das pessoas pretas. É asqueroso, vergonhoso e desumano. Vivemos em um país que provavelmente é um dos mais miscigenados do planeta e, mesmo assim, o racismo e o preconceito em geral estão presentes no dia a dia e em absolutamente tudo.

Apesar de ser parda, descendente de africanos, indígenas e caboclos, reconheço que, pela forma como sou percebida pela sociedade e por ter a pele mais clara, tenho privilégios que pessoas negras de pele mais retinta não têm. E, a partir desse lugar, que antes eu não entendia muito bem, venho aprendendo bastante e comecei a enxergar as coisas por outra ótica.

É triste perceber que todos estamos sujeitos a reproduzir preconceitos e comportamentos racistas, mesmo que inconscientemente. O racismo está impregnado na nossa cultura, na linguagem e na sociedade em geral. Até mesmo expressões que usamos no dia a dia podem carregar associações entre o negro e algo negativo, e muitas vezes nem paramos para refletir sobre isso.

Quando nos silenciamos diante de uma situação real de racismo, contribuímos para que ele continue. Quando nossos colegas de trabalho, amigos ou familiares fazem um comentário racista e não nos posicionamos, também ajudamos a naturalizar esse comportamento.

Por fim, a primeira coisa que devemos fazer é nos conscientizar sobre o racismo estrutural do nosso país. É um aprendizado diário e, em seguida, precisa vir a mudança de atitude!

P.S.: Tenho muito orgulho da minha ancestralidade!