O Poeta e o Passarinho
Tinha um passarinho que passava sempre em frente a janela.
Ele cantava e cantarolava, esperando sempre um sorriso dela.
Deus está na força do vento, na canção do acalento, na beleza de um passarinho e na delicadeza de um carinho.
No banco do jardim, eu ganhava abraços do meu amor, enquanto um passarinho cantava, entre os raminhos de uma flor.
Tem ser humano que fica no seu mundinho, igual filhote de passarinho no ninho; de bico aberto reclamando e esperando tudo na boquinha.
Nada, absolutamente nada cai do céu além de chuva, neve ou cocô de passarinho, portanto não espere ajuda de ninguém, pois as pessoas se odeiam umas as outras.
Caló
Tava presa em uma gaiola
Imitando um passarinho
Com um belo canto,
E uma penugem luzindo
Quando avistei de longe
Um caboclo Moreninho
Moreno da cor de café,
Tinha a lua em baixo do pé,
Com os olhos doces como mé,
Me atraia com sua fé
JURUNA no PLENÁRIO
O passarinho te viu tão sozinho,
Que se fosses passarinho
Jamais serias um bem-te-vi,
Tão triste, que se fosses
Rouxinol, jamais terias alpiste,
E se fosses um pardal, jamais estarias tão mal
E se fosses um canário, não sairias do armário
Se fosses corrupião, morrerias de paixão...
O passarinho te viu tão só,
Que jamais serias um curió,
Tão aflito que jamais serias um periquito
Tão jururu que, jamais ouvirias um uirapuru,
E nesse mundo de penas,
Tanta pena tenho de ti,
Que te trago do cacique, um cocar guarani,
Te trago penas de pavão,
Pra te lembrar da paixão,
Te trago tons de lilás, tons celestiais
De um mundo colorido de araras e tuiuiús
Te trago lembranças do pajé,
que cuida de bichos de pena...
De todo índio com fé...
condor
O trigésimo andar me seduz
Salto livre no vazio,
Talvez me torne passarinho,
A vertigem é mais que adrenalina,
Talvez traga um crepúsculo só para mim...
O condor já foi homem um dia,
O homem um dia já foi condor,
Então se jogou do penhasco,
Flutuou até o horizonte,
E guardou o sol atrás da colina...
Na paixão o homem volta a ser condor,
Mas esquece que já não sabe voar,
E quando surgem ressentimentos com dor,
Com dor o homem não consegue flutuar,
Então esta queda no vazio,
Do azul do firmamento,
E nas estrelas do olhar da menina
Até achar o horizonte, o ocaso e a colina
E redescobrir o condor que há em mim...
Ela pensava que era passarinho
E sonhava com as manhãs,
Ela pensava que era passarinho
E sonhava com as nuvens...
O amor lhe dava segurança
Como qualquer gaiola,
Mas ela pensava que era passarinho...
E sonhava ver a tarde morrendo
Na parte mais alta do bambuzal
Um dia o amor lhe abriu as portas
E ela se perdeu na imensidão de seus delírios,
Sentiu falta da segurança que lhe dava o amor,
Mas sem o calor de sua presença
O amor pereceu no frio da noite...
Certa vez quando pequeno, resolvi criar um passarinho. Não sabia se quer a espécie, mas criava. No começo era um pouco calado e pulava muito de um lado para o outro da gaiola. Com o tempo, cantava mais e era manso. Cansado daquilo, resolvi abrir a porta da gaiola e ele observou... Silêncio, meu e dele. Em um bater de asas ele saltou para fora e voou. De longe eu pude observar observar algo que nunca havia observado meu pássaro fazer... voar. Algo tão simples, mas tão magnífico. Me emocionei e chorei por fazê-lo sofrer. Estava privando-o de ser o que realmente nasceu pra ser. Um pássaro! Quando crianças, simples coisas marcam nossas vidas. Naquele momento, aprendi a deixar voar tudo aquilo que não me pertence.
Pandemia
A saudade
é como um passarinho preso
na gaiola do meu coração.
Vontade de bater asas por aí...
