O Poeta e o Passarinho
A mulher é um pomar, um jardim de espinhos, flores e frutos. Jardineiro que não se dedica, se vê cercado de cobras.
AMOR FARTO
Portentoso amor doce, amor formoso
Que meus desejos são desejos celestes
No meu peito o amor do amor viestes
Num olhar vivo de um haver amoroso
Amor tão sereno, amor tão venturoso
Que faz jus de tais prazeres te destes
Do tal sentimento o amor rendestes
Essa paixão, esse bom fruto saboroso
Que siga eu por vos ter, e vos traga
No meu pensamento tão contente
Onde ordena amor e o amor acena
Mas, que nunca tenha de vós pena
Pois, o amor com o amor se paga
E nos ricos gestos é que se sente!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
06/11/2020, 21’29” – Araguari, MG
TORMENTO
Em enturvados cruéis, tal a dor
Num ritmo triste, que não alivia
Chamar a inspiração da poesia
Fria: - é qualquer ode de amor
E ver o choro do penar que for
Ali presente, na rima. Se fazia
Em um vagar d’alma cativa, ia
Crendo neste causar pecador
A quem não fará crer a culpa?
De tais os versos no tormento
Bem sei, minha, sem desculpa!
Pois, até lástima na poética tem
E vem o versar meu, sem alento
Com suspiros na prosa também.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
08/11/2020 – Triângulo Mineiro
Você que tanto humilhou no passado, Agora chega com voz Mansa e uma grande habilidade para criar frases emotivas de consolo. A sua atitude é remorso para tentar limpar a mancha que ficou em sua alma. Remorso é tentar ficar bem consigo mesmo já arrependimento é ter vergonha e nem sequer coragem de consolar com um falso beijo
EM SUMA
Assim como vos vejo na saudade
distante, devoluto, assim me veja
despido de tudo, e assim esteja
sem haver em nós mais vontade
Que, pois eu fui o que na verdade
espirou nu na solidão, e nu seja
qualquer sentimento de peleja
pois, não se agrada pela metade
Quiseste vós, e assim, ter partido
sendo vós o amor meu, eu vosso
o devanear que me faz esquecer
Que, pois por vós tenho padecido
e último trovar esse de vós, posso
crer... O adeus a vós, é mais viver!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
08/11/2020, 14’24” – Triângulo Mineiro
Tens coração, por isso és imperfeição
Domine seu coração e saberás o que é vida.
A vida sempre escolhe a razão
Para uma alma perdida.
ORÁCULO
Horas breves da ventura em portento
E tão vazias no empenhar se as tinha
Que na ilusão se demoliu tão asinha
Atando acaso ao rumoroso tormento
Aqueles anseios que fundei ao vento
Que a sorte levou, que mas sustinha
Do incoerente que restou, é minha
Causa, pois, não predispus provento
Juízo, que bom se prudência tivesse
Tudo é possível, e não só brandura
Aparece e logo adiante desaparece
Ó oráculo pesado, ó acre amargura
Serventia sem valia, e sem benesse
Tudo é fugaz, voraz, e pouco dura!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
10/11/2020, 07’24” – Triângulo Mineiro
paráfrase Diogo Bernardes
Olhas para todos os lados e percebes que não tem para onde fugir.
Percebes que a vida não é uma fuga
Ela é somente compreendida pelo amor
E quando compreendemos que é tolice fugir
O amor habita em nós
E acaba a agonia de fugir, se esconder e se matar de culpa.
ENTARDECER EM NOVEMBRO
Solta a sombra do negrume na tarde formosa
Vai galgando o escuro da noite de primavera
Montado na campina contornada de quimera
O novembro, corta o céu, na fresca carinhosa
Baixa o sol no vale, e o horizonte o espera
Calmamente, surge a estrelada tão radiosa
Com seu manto de uma couraça escamosa
Numa poética de sonho e de beleza sincera
Na imensidão do planalto suspira o infinito
A noturna acorda sob a escuridão ardente
Desperta a lua entre as nuvens no seu rito
E a noite em caminhada, no breu persiste
Tingindo o sertão num abaçanado poente
Do pousar do cerrado, melancólico e triste!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
10/11/2020, 20’23” – Triângulo Mineiro
CANTAR O CERRADO
É cascalhado e sinuoso, mas todavia
de um encanto lotado de um alento
no seu sulcado chão tão macilento
poema se lê com rimas de teimosia
E uma vez que na extensa pradaria
ao admirar o horizonte pardacento
hora se faz dia e o dia o momento
nascendo o diverso em desarmonia
A velha terra, de poesia e liberdade
com tal melancolia e uma saudade
que encharca a sequidão de sabor
Então, ao encontra-lo, assuste não
Logo terá acordo e muita emoção
Pois, o cerrado passa além do amor...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
11/11/2020, 08’47” – Araguari, MG
Ao perceber o erro do seu próximo, não deixe sua alma gritar em triunfo julgando-se o mais inteligente de todos
Você tem duas opções : ou fica esperando a chuva passar ou enfrenta a chuva. Se escolher enfrentar, você alcançará a realização de seu sonho e a paz é a água a inundar sua alma trazendo vigor refrigério vida e alegria
A imagem que resume o que é a vida é o mais puro significado de amor:
A luz de Deus iluminando as lágrimas de louvor.
A nudez é a verdade daquilo que se vê
No corpo sem retoques
Na alma serena, sem choque
Da dor do vazio
Do curto pavio.
A verdade é o estado de espírito das coisas como são.
AMOR COM AMOR
Amor que tanto amei, amor que sofre tanto
Saudade no sentir, sentir de suspiro amoroso
A quem lacrimejas, a quem? O pranto choroso!
Um cheiro extraviado? Um perdido encanto?
Ó herege ilusão, que o fado toma de espanto
Cobiçais a sofrência e dor no que já foi gozo?
Deixando a solidão em um delirar tenebroso
Onde o haver tornou-se um algum portanto
Amor, seja qual for este tal juízo profundo
Das pérolas do desengano, pesado rosário
Pois, tudo passa, e tudo passa no segundo
Então, erguei a alma num doce santuário
De emoção, na aurora do sonhado mundo
Fruir amor com amor no ditoso itinerário
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
17/11/2020, 09’44” – Triângulo Mineiro
Graças a Deus que apareceu alguém dizendo que estou incomodando! Se eu não incomodasse não seria poeta!
RÉUNION
Alegre momento amoroso, amor reluzente
ão festivos, satisfaze o agrado desejado
intenso entusiasmo, ventura no cerrado
renascida, és uma sensação tão contente
Vejo que entre esse prado, livremente
festo celebra a sorte do afeto imaculado
este, que vem com todo o seu cuidado
delicado, e murmura a firmeza presente
E, já que está evidente, sem demora
vai pelo sertão anunciar o doce laço
este, que é o bem que eu tanto adoro
E então, ter na carícia poética aurora
em um bater de asas num compasso
do prazer, estrugindo suspiro sonoro
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
18/11/2020, 09’15” – Triângulo Mineiro
AMOR REBUÇADO
Vai, paixão gentil, vai, amor suspirado
Doce prenda de sensação prazenteira
Vai, que és a caricia terna e fagueira
E, que há de por ti estar enamorado
Trova o que te agrada, ritual sagrado
Do afeto, rimando o teu doce cheiro
Tal qual a poética do amor primeiro
Assim, deixe o versar ficar rebuçado
Diz-lhe que, a saudade, é constante
Me queima o desejo de felicidade
E, tudo mais, é apenas um instante
E, para ter-te ao meu lado, piedade
Fado, ande logo, o amar é gigante
Qual de nós dois querer não há-de?
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
18/11/2020, 12’21” – Triângulo Mineiro
