O Poeta e o Passarinho
POETA NILO DEYSON
Quero acordar do sonho e encontrar
Minha pequena, meu amor, meu
Universo que me acompanha
Desde a fundação da consciência
Eu não quero acordar sem ela;
Deixe-me dormir e sonhar que
É normal um amor profundo e
Proibido, mas verdadeiro puro
DESCULPE-ME O POETA
Prefiro a vida do romance que machuca,
à ficção da poesia que conforta.
Prefiro o romantismo e suas marcas profundas,
às farsas e seus afagos poéticos.
Prefiro a verdade poética do romântico,
à ilusão romântica do poeta.
Prefiro o segundo do romance sem tempo,
à eternidade da poesia sem fim.
Prefiro o cinza do romance imperfeito,
à cor da poesia sem defeito.
Prefiro a triste lembrança do romance,
à feliz imaginação da poesia.
Prefiro o calor de um abraço mudo,
à palavras em folhas frias!
Claudio A Broliani
A Felicidade do Poeta
No livro que o ano escreve em segredo,
nas páginas que o tempo molda ao vento,
escrevi a terceira, mas desde o começo,
meu pensamento voava em desalento.
Felicidade não bate à porta fechada,
não adentra o peito de grades cercado.
O poeta, com a alma em fogo cravada,
abre-se ao mundo, mesmo que marcado.
Nas palavras, o riso às vezes se esconde,
mas a busca é constante, nunca em vão.
A felicidade, quando o poeta responde,
é sentir o pulsar da própria criação.
Que venha o novo, a página por virar,
e que o poeta, ao escrever seu caminho,
encontre na alma, no ato de criar,
a chave para abrir o mais doce destino.
SimoneCruvinel
O Lirismo do Poeta
Manhã ensolarada,
O céu com nuvens coloridas;
O vento balança as folhas dos coqueiros,
A alegria na inocência das crianças.
O azul anil da piscina
Transforma a beleza de um dia de domingo.
Minha musa se apresenta,
Como deusa da beleza.
O sobrevoo dos pássaros em chilreio
Anuncia o encanto do verão.
A inspiração do menestrel do Mucuri
Rasga o coração para jorrar
O sangue da ternura e do amor.
O verde das árvores guarda resquícios
De primavera.
Os arranha-céus colorem a exuberância
Do espaço de encanto e prazer,
Aflorando o lirismo do poeta,
Com suspiros e saudades.
A paz cultuada na essência
Da bela ária que ecoa nos ouvidos
Daqueles que apreciam
O néctar da vida.
Ser poeta. O poeta é por natureza um sôfrego, Às vezes um indolente sem medidas, Em seu âmago, um pouco incauto, exagerando as alegrias da vida. Poetiza angústias e aflições, ressignifica as incertezas, e constrói castelos com tijolos de ilusão… Transforma as dores em amores, e o Amor é seu eterno companheiro… Versejando e andejando nos caminhos mais estreitos. Janice Cisne
Quanto a mim ,se pergunta-res de mim ,direi que sou um mero aprendiz de poeta; e se mais longe você for e perguntar a mim quem é meu professor,direi que a vida és.
O poeta aventureiro, singra os mares da utopia. Vive um sonho, vira o dia. Na vigília de encontrar, seu bocado de magia. Navegando entre borrascas, ele exerce a poesia.
Ser poeta
E mesmo se o mundo estivesse por um lapso,
Tenho certeza de que lá eu estaria,
Desejos e medos indo para o espaço,
Em mim, restaria a arte de fazer poesia
A poesia é como um refúgio,
Um vislumbre dos meus pensamentos,
Uma maneira de fugir desse mundo,
Uma libertação para os meus sentimentos
Ainda que a alegria eu não tivesse,
E mesmo se nada me pertencesse,
Um lápis e um papel seria o suficiente,
Para que a minha alma transparecesse
Ainda que a escuridão tomasse conta,
Toda angústia invadisse a minha mente,
A arte de escrever me consolaria,
Talvez seja isso que torne o poeta diferente.
Poeta do Vale
No Vale do Mucuri, onde a terra canta,
Menestrel do amor e da ternura que encanta,
O coração faz jorrar suave poesia,
Lirismo ardente em noites de melancolia.
Sob o firmamento azul, de estrelas reluzentes,
Estilhaços de luz nos desejos ardentes,
Riqueza rara, como pedras preciosas,
Diamantes, topázios, águas tão formosas.
Oh, terra de encanto, arrebol tão sereno,
Exuberância e beleza no brilho pequeno,
Menino lunar, que sonha em liberdade,
Chilreio dos pássaros, eco de saudade.
Sorriso do sol, que a aurora acende,
O néctar da poesia na boca que entende,
Segredos guardados no mistério da noite,
Lábios e olhos, lume que a alma acoite.
Capital mundial de tenros sonhos,
Onde o poeta tece casulos risonhos,
De solidão faz-se clareza e perdão,
Transformando loucura em pura paixão.
Nas águas marinhas, berilo reluz,
Riqueza da terra que o encanto traduz,
O grito é de vida, sangue que pulsa,
Liberdade jorra, a imaginação resulta.
Poeta do Vale, menestrel da ternura,
Jardineiro de estrelas, dono da doçura,
Faz do céu seu palco, do mistério um abrigo,
E nos dá sua poesia como eterno amigo.
Lirismo
A lua reluz ardente
por um jovem pescador
que nas noites de lua cheia
é poeta trovador
A lua se desnuda da noite
para esposar o pescador
e corpo-a-corpo, enlaçados
trocam juras de amor
O poema é transcrição de sentimentos, onde o poeta transforma em palavras seus sentimentos.
Deixa escorrer sobre o papel suas angústias, coloca nos traços suas alegrias e tristezas e nas linhas suas paixões.
O poeta, por sua incessante paixão na escrita, escreve para aqueles que são amados e para aqueles que não são.
Coloca ternos sentimentos nos versos, e neles expressa sua esperança de oferecer amor em forma de poesia.
A Poetisa
se apaixonar por uma poeta
tão gentil, pacata, seleta
num fio de dúvida se perguntar
o que será o entardecer
tornar tarde cada pedaço, traço cor
pele rosto, fogo, ardor
deixa eu arder em você
me deixa arder com você
e em tão pouco mirando universos
pois cada pouco se torna muito
cada palavra encontrada nesses versos
cada vez mais me perdendo do mundo
pegando em tua aspera mão
em cada traço me vejo
nos olhos tamanho é o brilho
as íris castanhas que revelam todo meu desejo
acendo o teu maço de cigarros
te contando sobre lindos textos
pela cintura te agarro
te beijo, te mordo, te pego, te perco
e do universo te trago
Um poeta nem sempre escreve o que vive.
Vivemos buscando mais e mais emoção que sejam o bastante para nós suprir de inspiração.
Um poeta sofre sem sofrer pois é o sofrimento que alimenta nossa ânsia por escrever.
Minha dor e paixão está em um filme que eu nunca vou viver ou em um livro que eu posso apenas ler.
30 de junho
Começou em um início de tarde,
onde inspirado fiquei
com um coração de um poeta, que arde,
e o notebook eu peguei.
Disse ao tempo “me aguarde”,
e foi ali que finalmente comecei,
e por mais que a inspiração me retarde,
algumas poesias digitei.
Comecei falando de amor com toda a verdade,
retratei um pouco da vida com sinceridade
e tudo isso energiza meu punho.
Não cansava de falar com amabilidade
e escrevia com muita facilidade,
inspirado estava, em 30 de junho.
Um poeta faz-se de muita dor. E a sua alma é repleta do mais puro amor. A sua vida nunca é completa - pois ele é um eterno sonhador. Um poeta é o mais puro quimerista... Um incessante alquimista... Demiurgo de seu próprio mundo - Grande criador...um visionário,um idealista,um fantasiador,um realista... Às vezes um ser que parece invisível,sem cheiro,nem sabor... Um forjador imprevisível,ludibriador... - Sabe o poeta que algumas poesias é uma espécie de leitura fria . O poeta é a voz daquele que clama no deserto. E mesmo quando tudo é ilusão,ao escrever,ele consegue trazer aquilo que está longe para bem perto. Ora o poeta é uma alma feliz - Ora uma alma aflita. E mesmo quando calado,sua alma grita!!! O poeta é tão forte que ele escreve sobre a dor,a alegria,o amor,a morte,o medo,o vazio e a solidão que em seu mundo vaga. - Pois ele é a verdade e a mentira escrita que nem mesmo o tempo apaga!
ANJO-POETA
Raimundo era um homem simples,
– daqueles homens de fazimento –
com nome de santo,
que andarilhava pelo mundo
catando desperdícios em sacos de lixo.
Raimundo – que era filho do mundo –
tinha um trabalho invisivelmente nobre:
pobre, recolhia das lixeiras da sociedade
o entulho que a humanidade desprezava.
Catava entre velhas caixas de papelão
– e sacolas jogadas ao chão –
o lirismo do romantismo de outrora,
os cantos não percebidos dos passarinhos,
a beleza do nascer do dia (a aurora),
a imagem de Cristo no crucifixo,
as virtudes de amizades perdidas
que se amontoavam [no amor ferido do agora]
entre as sarjetas – das tantas ruas imundas –
que percorria durante os afazeres do dia.
E, das valas abertas que encontrava no caminho,
recolhia sempre, com muito carinho,
o silêncio das palavras carinhosas não ditas,
o perfume das flores reboladas ao solo,
o respeito vilipendiado, a coragem menosprezada,
a humildade e a perseverança desdenhadas,
a tolerância e a fé preteridas,
as rosas que cintilavam ao pôr do sol,
as palavras proferidas pelos girassóis amigos:
palavras que nunca foram ditas ou notadas
nos caminhos que se percorre na vida.
Ao final do clarão de um dia de trabalho,
Raimundo levava tudo para um terreno baldio,
e lá depositava em leiras tudo que recolhia.
Anos depois, Raimundo se foi...
Ele que não tinha nem beira, nem eira,
nem estudo, nem família,
morreu sem deixar um legado...
Ledo engano, velho desacerto!
Raimundo deixou um jardim plantado,
– um canteiro florido de amor alentado.
Foi ele um semeador
neste mundo louco em que se joga no lixo
a essência e a beleza da rosa-vida!
* * *
Falso poeta que fala de amor sem saber amar.
Falso pintor que mancha tela sem saber pintar.
Busco inspiração nos filmes clichê, pois sobre meus próprios amores não quero escrever.
PATRÍCIA POETA (acróstico)
Rio, 25/07/2009.
Pela manhã o sol no campo escorre,
A relva orvalhada reluz cor de ouro,
Todas as árvores se curvam à brisa;
Rendo-me observando este tesouro,
Isto mareja os olhos e a lágrima corre...
Cada pássaro retinindo festeja a vida,
Inda as vozes das águas ouço ao fundo:
A cachoeira que canta e encanta,
Pondo pra bailar as gotas que levanta.
O vate observa este tão belo mundo
E tem seu olhar voltado nesta meta;
Traz ao peito pra suave te dizer:
A poesia tu és e eu simples poeta...
SEDNAN MOURA
