O Poeta e o Passarinho

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Na Terna Brandura do Cárcere
O Último Avo de um Amor Extinto

Em qual formato desconexo,
Depositamos desta vez,
Encharcadas expectativas ?

Quão afastados de nós mesmos
Pudemos chegar, sem ferimentos
Graves ou pesares terminais ?

Vislumbres precisamente balizados,
Experimentos da farta engrenagem,
Tudo estaria certo, exceto por nossa
Irrecuperável disposição à auto sabotagem.

Falências agendadas
Com antecedência,
Decompostos em
Nossa compostura célebre.

Resta-nos septos pútridos,
Hábitos promíscuos
E a terna brandura do cárcere.

Arrepios raivosos percorrem
Cada processo das vértebras,
Pálpebras aplaudem frenéticas,
Cãibras confirmam o torpor faminto.

Inserida por michelfm

Esquadrinhando o dorso
Que outrora partilhamos,
Teu ventre aquece em expansão,
O último avo de um amor extinto.

Pálpebras aplaudem frenéticas,
Cãibras confirmam o rubor retinto.
Teu ventre aquece em profusão,
O último avo de um amor extinto.

Na Terna Brandura do Cárcere,
O Último Avo de um Amor Extinto

Inserida por michelfm

Antes que os Mares Sequem

A inércia preservada
Num percurso severo,
Sugada repentinamente
Por tua ofuscância.

Qual a motivação
Desta ansiedade sufocante ?
A sensação de que
Necessitamos cumprir algo.

Nosso compromisso
Não se aplica a isto.

Deixar de ser
O lugar comum,
A obviedade.

Esgotado, desértico,
Frutiferamente liquidado.
Chegamos ao ponto central
De toda causa de amedrontamento.

Eis que o causador descobre,
A verdadeira substância
Por trás de tudo.

A inspiração acaba.

Inserida por michelfm

E o grito por socorro
Ainda habita a garrafa,
Tragada pelo oceano.

Mas hão de resgatá-la,
Antes que os mares sequem.

Inserida por michelfm

A Fluência de Jana
(ou o Chamamento)

Por aqueles negros belos
serrilhados olhos redondos,
Vindos dela,

Vívidos,
Determinados
A ver.

Seria exatamente aquele momento,
Sobre o qual ainda não havia falado,
Não precisava,
Devido a tua tamanha precisão,

Fazia-se preciosíssima,
Em tua influência permissiva,
Propiciando particularismos,
Que sob quaisquer termos,
Sei que não soariam pretenciosos.

Então o desafio é arremessado
Em direção ao Rimante.

Era tudo pelo que ele ansiava;
O chamamento.

Que seja fluente quando percorra
E que deslize fluindo enquanto existir.

Inserida por michelfm

Permita-me,
Converter-te no próprio amor
E o amor próprio,
Que se ame.

Inserida por michelfm

Epifania qualquer ainda que Cesariana

Se eu pudesse nascer novamente, Gostaria de ter nascido poesia.
Não soneto, limerique ou haicai,
Apesar de apreciar a brevidade.

Gostaria de ser um prolongado
E magistral poema épico,
Em versos livres.

Escrito obviamente por uma Poetisa. Poetas, desconhecem a imaculada poeticidade.

São audazes amadores, neste campo de saberes,
Dominado inteiramente, pela sensitiva feminilidade,

Munida de empírica coragem inexaurível
E hipertrofiada na expressividade e sinestesia.

Se eu pudesse nascer de novo,
Gostaria de nascer POESIA.

Inserida por michelfm

É mesmo uma pena,
Mas causa alguma vale a vida.

Eis a vida.
A única causa
Que realmente vale a pena.

Inserida por michelfm

Quarteto para Cordas Bambas

Sinceramente, não tenho a mais rasa noção, de como fomos atirados, nesta conflituosa e elevada ponderação, sobre temas, que até então não haviam sequer esboçado, uma breve coceira, em meu recipiente craniano. Me foi marcante, o ecoar da voz ressonantemente sedutora e excitatória de Renatinha, através do corredor que antecedia a sala de reuniões. Simultaneamente, em tom esbravejante, de profunda severidade, na antessala, Grazi especulava com excessiva convicção, o quão produtivo, era utilizar a centrífuga, para secar, seus pares de tênis recém enxaguados; ao passo que Cláudia, em toda tua cordial exposição de pontos de vista, afirmava não ser prudente, tal método de secagem dos calçados, pois isto reduziria drasticamente a vida útil dos mesmos. Gabi, não dava a menor importância, para nada, daquilo tudo, e mantendo o tradicional diálogo interno para consigo, só conseguia pensar em maneiras infinitas, de como não estar ali.

Inserida por michelfm

Esta, é minha inspiração
E não posso trair a inspiração,
Prometi minha lealdade a ela.

Inserida por michelfm

(Se por um acaso,
Nem todos quisessem)
Viver para sempre

Desprenda-se,
Da ideia de
Céu E Inferno.

Descole-se,
Do Paraíso,
Tártaro ou
Repartição,

Satisfação ou
Punição perene.

O maior triunfo,
Que podemos obter
Com a Morte,

É o fim,
Definitivo,
Da Estupidez.

Inserida por michelfm

Ela ainda não sabia,
Mas era dona da matéria-prima,
Com que os encantamentos eram feitos.

Inserida por michelfm

Quase um Bóson de Higgs

Admito aqui,
Diante deste
Colisor de Hádrons,

Uma ampla pretensão,
De exclusivamente embriagar,

Os espaços vagos
Em minha mente,
Com majestosas imagens;

De um vívido passado,
Prum suposto futuro,
Descompromissado.

Que de anteontem
E do instante-em-diante,
Tudo seja presente.

Inserida por michelfm

O que sinto por você,
Ainda não foi batizado,
Pela psicologia, filosofia ou pela fé.

Inserida por michelfm

Distribuo Atritos com Garantia Estendida

Lamentavelmente não acumulo cifrões,
Muito provavelmente por inaptidão,
De resto, tanto acúmulo.

Acumulei...

Saberes, palermices, sabores,
Prazeres, crendices, descrenças,
Compadres, tolices, amores,
Novidades, mesmices, plateias...

Acumulei...

Hematomas, saltitos, cafunés,
Excursões, alardes, historíolas,
Ruínas, empates, calmarias,
Tralhas, capotes, estreias...

Faço tuas as minhas palavras,
Sem risco de devolução.
Mesmo isso sendo o cúmulo,
Sugiro como princípio, uma única encíclica:

Neste parágrafo, sede travessão.
E em negrito maiúsculo sublinhado

ACUMULAI

Inserida por michelfm

Após as infinitas milhas alcançadas,
A única distância que realmente importa,
É aquela que percorremos em nosso interior.

Inserida por michelfm

Suor dos teus poros borrando a escrita,
A Tinta que Fere em Frases Avulsas,
Histéricas, concretas, poéticas, precisas.

Inserida por michelfm

Beltranos Motel

Tinha algo a ver com ductos lacrimais obstruídos e isso se reverteu numa discussão sobre como um obstetra relapso, tratava com indiferença suas pacientes; já naturalmente sensibilizadas, pela condição de estarem gerando vida dentro de si. Aparentemente, o Doutor Sem Tese, havia deixado um equipamento dentro de uma das belas arredondadas mamães, que ali esperara para ser consultada. Enfim, enquanto o Dr. Ciclano, fumava seus mentolados na saleta com sacada ao lado, o aparelho saltou de dentro da acolhedora e aconchegante progenitora, espatifando-se contra o solo. Excomungando todas as coisas vivas e inanimadas o Dr. Cara de Hemorroida, adentrou o recinto e tudo isso acabou rapidamente, num comum acordo entre ambas as partes, diante do juiz de paz. A secretária do consultório, que se apresentou como testemunha do casal, hoje atua no ramo imobiliário, aparentemente aquecido após a mais recente crise financeira. Os condomínios tem nascido como prole de coelho, do Jardim Três Marias até a fábrica de injeção de plástico, na região limítrofe da cidade. A estiagem veio tão cedo quanto a escassez dos derivados de petróleo. O desemprego tornou-se tradição na vida de Aroldo, mas ele iniciou um curso de panificação semana passada e as expectativas são as melhores dos últimos verões.

Inserida por michelfm

⁠#E #LÁ #VOU #EU

Ouvi, por vezes, em meio ao azul infinito...
Que as coisas profundas devem ser ditas em poucas palavras...
E com o coração sentido...

Sinto o dia todo aqui e ali...
Todo esse sentimento...
E escrevo meus poemas...
Para dizer que estou aqui...

Posto que nunca estou só...
Nem mesmo quando me abraça o silêncio...
Tudo é na eternidade um pequeno momento...

Sou verso de começos...
Sem princípio, sem fim, sem medida...
Escrevo o que sinto...
Coisas simples, da vida...

Porém, nunca a verdade me deixou...
Simplesmente fantasiar...
Bordando minhas letras...
Sempre posso mais sonhar...

Esse instante existe...
E minha vida por si mesmo se completa...
Não sou alegre...
Não sou triste...
Sou um solitário poeta...

Não tenho vergonha de dizer que estou triste...
Não tenho vergonha de dizer que estou alegre...
Apenas sinto dentro de mim...
E sigo fazendo assim...

Me deixo perder...
Para me procurar...
Pois é me perdendo...
Que sei que vou me encontrar...

E quando necessário...
Enlouqueço como for...
É o meu jeito...
Assim eu sou...

Dizem que os sonhos estão fora de moda...
Cavaram um buraco bem fundo e entraram...
Mas lá vou eu...
Nunca vou deixar de sonhar...
Nunca vou deixar de amar...

Se no meu amanhã o que eu sonhei...
Não acontecer...
Tiro um arco-íris da cartola...
Sem nada temer...

E nisso, sim, acredito...
Maior que todos os ventos contrários...
Diante das dificuldades...
Saberei sempre encontrar...
Minha felicidade...

⁠#CANTEI #PARA #VOCÊ

Cantei uma serenata...
Debaixo da sua janela...
Me transformei em um vento...
Para roubar seu beijo...

Juntei no céu...
Todas as estrelas...
E nessa noite linda...
Enfeitei minha diva...

Dentro do seu olhar...
Eu pude me ver...
Já não mais estava sozinho...
Era amado por você...

Encontrei alegria...
Em seu sorriso apaixonado...
Me coração se fez em festa...
Por ter você ao meu lado...

Quisera eu ...
Já há muito ter percebido...
Que sem você....
Eu não existo...

Como é bom lhe amar...
Minha doce querida...
Agora eu já sei...
A razão de minha vida...

Possa Deus sempre permitir...
Todos os meus dias...
Lhe adorar...
Por toda a eternidade...
Quero contigo sempre estar....

A lua inveja sua beleza...
Quando o violão chora...
Cantando...
Lhe querendo...
Em toda hora...

Esse poeta...
Que faz juras de amor...
Oferta seu coração...
Minha linda flor...

Você é luz...
É raio de luar...
É magia...
É encanto...
Meu sonho...
Faz minha alma voar...

Então querida...
Linda mulher menina...
A você eu me entrego...
Por completo...

Sandro Paschoal Nogueira