O Poeta e o Passarinho
Se projetassem a vida como um jogo de estratégia, seríamos dependentes de 5 recursos: 1- Tempo, 2- Dinheiro, 3- Saúde, 4- Felicidade, 5- Conhecimento. E tudo que conquistássemos seria em cima disso. Cada um priorizaria a obtenção de seus recursos conforme sua estratégia e o que busca em seu jogo. Desta forma, o dinheiro tem sua importância devido a obtenção dos demais através dele. O que é óbvio, pois ele é apenas um mecanismo que surgiu para simplificar o escambo. Seu valor está apenas na troca. Cada um tem seu(s) preferido(s). Os meus são o tempo e o conhecimento. Isto dependerá da aspiração de cada indivíduo. Só não deixe que as suas sejam definidas pelo medo. É o erro mais comum do jogo.
Quem vai pro céu, ou inferno, é o espírito, a alma. certo? Então, isto é literalmente um estado de espírito.
Ainda que eu fique cego, escreverei.
Ainda que eu fique mudo, escreverei.
Até surdo, escreverei.
Vou escrever tanto que um dia terei escrito
o meu próprio mundo.
Escreverei quando o coração estiver cheio.
Escreverei quando o coração estiver partido.
Escreverei que nunca estive vazio.
Se me feres na carne,
Dar-te-ei a minha dor para no teu coração confortar-se.
Se me feres no pensamento,
Dar-te-ei o meu silêncio para na tua consciência pronunciar-se.
Se me feres no sentimento
Dar-te-ei o meu perdão para na tua razão confidenciar-se.
Não sei por que tentam excluir nossa cor,
se uma mão branca e a outra negra juntas
fazem sombras iguais como uma poesia de amor!
Amigo é aquele que pede perdão,
que guarda segredos no coração.
Amigo sente saudades
e mesmo que o tempo passe
não muda a sua amizade.
Amigo é irmandade.
Amigo é como um jardineiro,
cuidando das flores.
Amigo é aquele que vê
nos seus olhos suas dores.
Que rega com carinho
para você voltar a dá flores.
TUDO QUE DEUS CRIOU FOI PENSANDO NA GENTE.
Dividiu o mundo;
Deixando a terra
Para andarmos e plantar o trigo.
A água para bebermos e tomar banho.
Clareou uma parte do escuro
E fez de dia.
Fez os animais
E deixou o que se poderia comer.
Pois o amor no coração do homem,
E o homem jogou fora.
Criou a fé, para homem não ficar atoa.
Criou a poesia, e o homem virou poeta.
Até para o homem ele fez uma parceira.
E por fim, deu seu filho para morrer e ressuscitar por nós.
Escravo e escrevo
Você corta uma rima minha
e eu escrevo outra poesia.
Faz escuro,
mas eu recito!
Trazendo uma ideia para um novo dia.
Escravo na senzala,
mas não deixo de ser poeta.
Escrevo, escrevo...
O arame quebrado
e eu continuo a jogar capoeira.
Até na gaiola o canto do pássaro não muda.
A leitura é meu cigarro
Faço minha cabeça com os livros!
Bolo a leitura,
acendo as ideias,
trago as rimas,
prendo o conhecimento.
Solto a folha em branco.
Viajo na leitura.
Seria um pretexto usar droga.
Cara, seja um leitor,
seja um peixe fora d’água.
Eu avistei uma arma
e escolhi o livro.
Vi a droga
e viajei na leitura.
Daí, virei poeta!
E estou traficando meus versos.
(Poesia do livro: Um Semeador De Poesia.)
CAROLINA DE JESUS
Era negra e catadora de papel
Morava na favela.
Mas foi alfabetiza;
Aprendeu a ler e escrever.
Carolina Maria de Jesus se
apaixonou pela leitura;
Nas horas vagas,
Tudo que via e vivia: escrevia nos
Cadernos que a rua lhe dava...
O seu cotidiano pesado deu um diário,
Que virou best-seller: Quarto de Despejo.
Carolina teve três filhos,
E criou todos sozinha.
E ainda virou poetisa.
O seus cadernos ouviu,
e copiou tudo que ela falava.
E Carolina disso sobre o livro:
"Quem não tem amigo mas tem um livro tem uma estrada".
DRUMMOND
Sentou-se numa pedra que havia
No meio do caminho.
E passou o José todo triste;
sem saber pra onde ia.
Logo depois passou um anjo,
E disse: "Vai, Carlos! ser gauche na vida".
E disse Drummond: "Eu não serei poeta de um mundo caduco..."!
E Drummond, saiu recitando: " Eu também já fui brasileiro..."!
Deixei um beijo meu
Na esquina do teu rosto.
Só pra avisar: estou voltando para buscá-lo. Se não me devolver, roubarei!
Sobre Mãinha escrevi: SOMOS UM
Meu olhar é o dela.
Meu cabelo crespo é o dela.
Meus lábios carnudos é o dela.
Até meu sorriso!
A cor da pele é dela.
O nariz esparramado é
o dela.
O rosto, é o dela.
Se tivermos distantes, a alma não se desconecta;
Somos uma alma, só dividida em dos corpos.
Nem a morte pode nos separar.
Pois até depois de mortos, a vida faz questão de nos juntar.
Somos a beleza do continente africano;
Eu sou seu poeta,
E ela, meu poema que declamo.
Mãe é um pedaço de Deus:
Porque é uma vida que gera outra vida!
Fragmentos do meu livro: Dom Amaro.
