O Poeta e o Passarinho
Para quem escreve, sentir saudade é algo obsoleto.
Talvez tu sintas falta de algum momento, gostaria de revivê-lo, voltar no tempo e aproveitá-lo novamente, ou, quando se trata de casos mais delicados, poder ter a chance de reencontrar alguém que, diferente de nós, não possui mais o pulsar ardente, forte, alastrando energia pelo inteiro corpo. A sensação de saudade não passa de uma nostalgia melancólica, infantil, carregando consigo, mesmo que no fundo, uma tristeza árdua de aceitar e uma irrealidade fácil de se perder. Seria rude a escritora relatar que não sente saudade? Contudo, explica, ela sente algo mais simples, o desejo de cada vez mais compartilhar diversos momentos com estas pessoas, viver incansavelmente novos e únicos instantes, sem esquecer as gratas memórias, porém, acreditando que o futuro guarda muitas outras melhores histórias.
Uma Poeta Entre a Porta e a Gaveta. Janeiro de 2021, das loucuras de acreditar que não sinto saudade.
Eu escrevo pra esquecer,
E a vida ignorar,
Só de ilusão viver,
O real esfumaçar!
Num mundo de ficção,
Eu vivo dizendo não
Ao mal pra não se chegar!
Ventando
Ventando por todos os dias
Desde o nascer da Vida.
Fechando e abrindo os olhos.
Uns ventam alegrias,
Outros ventam tristezas,
Uns ventam ironias.
Outros hipocrisias.
Mas são tudo vento.
Uns usam a voz.
Outros amplificadores.
Uns usam símbolos.
Outros computadores.
Som, escritas, símbolos.
É um modo de ventar.
O que seria importante.
Vento inconstante , que nasce lá.
Do começo do ser.
E ganha a carne.
Que ganha movimento carregando o corpo.
E tentando carregar outros corpos.
Mas ninguém sabem de esse vento vem.
E para onde ele vai.
Dos elementos. Ele é que infunde Vida.
No condomínio de carnes e ideias.
Tudo é vento.
E; invento das ideias para a carne.
Carne, que segue ventando,
Naquilo ; que sonha ser o tempo.
Engano. É carne se desmanchando todos os dias.
Ao desejar do vento. Que ventania.
E ventando. A criatura segue seu caminho.
Sem saber aonde esse vento principia.
Marcos fereS
Um mistério que não me deixa calar.
Aos incrédulos de plantão.
Um Deus imortal se transforma em humano...
Para como humano sofrer, morrer e o humano salvar e imortalizar.
Só mesmo Deus!!!
E seu incondicional amor por nós.
Ilógico
Minha querida menina
Ilógico seria
Ser assim, lógica, a poesia.
E não óbvio talvez
Como não se supõe ser
O poeta é louco, e....
Logicamente consente
O que não sente...
E o que sente, desmente
Insistente...
Das suas vidas, contadas no papel
Seu único real confidente.
De tanto querer
De tanto querer o bem....
Deixa de ouvir e aceitar,
O que o outro acredita.
De tanto amor.
Deseja que o outro, ame....
Como acha, de como;
Deve ser amor.
De tanto, procurar o conhecer...
Deixou de respeitar o conhecimento de outros.
De tanto, procurar felicidade...
Não considera a forma de felicidade de outro.
De tanto procurar como o mundo poderia ser melhor....
Resolveu, eliminar, quem em contrario.
De tanto, produzir grandes frutos...
Não tem paciência, de esperar bons
Frutos, daqueles que ainda não te alcança.
De tanto desejar, brilhar abaixo do sol...
Não repara; onde pisa.E maltrata,
Veladamente o semelhante.
De tanto se sentir acolhido...
Discriminava o mais fraco.
E sente um certo tesão.
De tanto, valorizar a própria inteligência...
Joga com as únicas cartas que possuí....
E repete, e repete, e repete.....
Para; poder , ainda sentir alguma coisa.
Sei lá , o que....
De tanto, gostar de si.
Consegue viver para si.
E fica; o tempo em si.
Não encontra mais notas diferentes....
Em diferentes acordes da vida.
Acorde. Si é a última nota,
Da escala.
Como pode alguém encontrar um
Lugar, para compor uma melodia
Nesse coração.
Não é o lhe falta.
Mas, o que possui demais.
De tanto querer.
Não consegue encontrar a forma de largar.
Nem que seja, para alçar, novos vôos.
No imaginável futuro;
Que se escreve a cada momento.
Marcos fereS
(Em tempo de corona vírus)
Noz
Noz, entre sucos em mesocarpo.
Protegidos em pericarpo.
Envolto em casca. Feito capacete.
Protegendo o embrião.
Sendo levado por ventos,
Em uma viagem ao espaço.
Passando diversos caminhos.
Até que; é chegada a hora.
E amadurecido . Abre-se, morre; e finca, na terra.
Que abre-se. E o recebe,
Orgasticamente em seu ventre.
E o alimenta.
O fruto bendito.
E aliança sagrada, é
Novamente renovada.
E a Vida, continua por mil gerações.
Marcos fereS
Os ventos que te sopraram
foram os mesmos que me fizeram
sem barro,
trouxeram
as cinzas do meu corpo
e renasci.
Senhor dos Passos...
Ó Senhor dos Passos, visão triste e dolorosa
Aperta-me a alma, assim, chorosa
E faz-me comover com tal bruteza...
Oh Virgem de Nazaré
Oh Mãe de Jesus
Mãe dolorosa aos pés da cruz
Amparo nosso, força e fé...
Ó visão triste e tão pavorosa
Deixa-me com tanta tristeza
Soluça-me em amarga prosa
Desventurada infausta fraqueza
Ó Cristo, Jesus, Senhor dos Passos
De braços nus, árduos cansaços
Perdoai-nos por tanta pequeneza!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
04 abril, 2023, 15'25" – Araguari, MG
Semana Santa
SE, CORAÇÃO ESTREITO
Se, por ventura com aspereza estares
O coração suspiroso, coração estreito
Tu, não tomes o caminho dos pesares
Procura aos sentimentos do bem feito
Lá, tem afagos, venturas aos milhares
Que se encontra nos apreços, perfeito
Encantador. De imaginações salutares
E, que lateja sensação dentro do peito
Dizem que, assim, se tem inteiramente
Tem gesto, toque, em forma de poesia
Afinal... ter magia faz a gente diferente
Depois... é dar o valor a prenda tocada
Podes ser, e também, ter a companhia
Aí, é partilhar da cortesia encontrada!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
07 abril, 2023, 13'41" – Araguari, MG
Sexta Feira Santa
