O Poeta e o Passarinho
ABORTAMENTO
De João Batista do Lago
Quando eu morri, um deus qualquer me pariu!
Na casa onde parido fui havia duas dimensões:
primeira delas o ventre-rio solitário e escuro;
na segunda parição tive por casa o mundo,
e sem me cortarem o cordão umbilical
vadiei pelos aposentos ‒ já ali sujeito obscuro!
Na primeira casa naveguei todos os sonhos.
Na segunda casa fui jogado para “Outros” monstros:
qual casa, então, devera seguir!?
Hoje percebo a casa que me é original:
hei-me aqui parido como filho primogênito,
expurgado para sempre para a mundidade do mundo.
Nenhuma outra casa existira; fora tudo ilusão
Sou-me de mim a única casa repleta de eus
Todos os meus aposentos revelam-se: meu Corpo
NECROFILIA
De João Batista do Lago
E esta carne que se me apodrece
a alma, o espírito e os ossos,
que fará de mim?
‒ Me danará pó
na consciência de todos
os condenados de miserável sorte!?
‒ Terei então dado a resposta do que sou:
antropoema nascido da vagina do universo,
sacrário que me guardará no ventre
do meu eterno retorno do mesmo;
Serei, então, o épico do humano
na minha própria comsmogenia
enterrado no sarcófago
da minh’alma errante e vagabunda.
INFANTICÍDIO
De João Batista do Lago
Minha barriga está cheia!
Preciso urgentemente defecar
as tradições que degluti
e que me foram impostas
pelas tradições de todos poderes…
Estou empanzinado!
Necessito cagar velhos poemas
não posso deixá-los crescer:
se os parir como alimentos
serei algoz; cometerei infanticídio
QUERENDO PELA VIDA TE QUERER
De João Batista do Lago
No meu coração
Há um mundo de paixão
Guardado só pra você
Querendo pela vida te querer
Viajar contigo as emoções
Entre versos e canções
No meu coração
Há um campo vasto de ternuras
Sensato, sublime e puro
Capaz de suportar todas as dores
E assim alcançar teu porto seguro
Contigo viver instantes de amores
No meu coração
Há um jardim de flores
Pronto para o aconchego
Ao raiar de cada dia
Fazer do meu coração
Tua eterna moradia
MONOTONIA
Eu ligo a TV e o tédio invade a sala,
Eu abro um livro e a amargura exala das páginas.
Eu ouço música e a solidão de não ter um par para dançar me apavora.
Tudo que resta são noites de angústia sem fim,
Sofrendo sozinha,
Calada e contida.
É possível ser só na multidão?
É possível ser triste na alegria?
Acordo sem querer acordar,
A luz do dia já não me traz alegria,
Queria ficar no escuro em meio à apatia e ali fazer minha moradia.
Dormir e morrer,
Morrer e dormir
Qual a diferença?
Se já morri a mil vidas atrás.
Debaixo da luz da lua,
Estou eu observando esse lindo luar.
A lua me lembrou de você,
Ou pelo menos um pedaço seu.
Você sempre me iluminou.
E como você, a lua está longe,
Sem eu poder tocar
Sem eu poder beijar.
Você é como uma obra de arte
Que está presa no corredor de uma casa.
Que está presa á um simples homem.
Mas que foi feita pra ser admirada
Pra ser amada
Pra ser cuidada.
Um desperdício de um pedaço feito por Van Gogh.
Você é poesia rara
Desconhecida.
Nem William Blake poderia te descrever tão bem.
Não melhor do que eu.
Você é poesia que implora pra ser escrita
Poesia que tem que ser admirada
Poesia que tem que ser amada
Se não, não consegue viver.
Ela é a luz do meu coração
E minha maior inspiração.
Me faz feliz,
Me faz triste,
Não importa.
Apenas ela é quem me inspira.
Eu sou poeta, e você poesia.
Então tu és criador.
Se és,
Não-cries-dor,
No que se auto-cativa…
Na mente ativa,
Se fazem milagres,
Que curam até “peca-dores”…
Sempre sabemos onde esta o erro,
Onde esta o problema,
E qual a solução,
Mas faz parte sentir o drama.
Enredo…
De roteiros , bipolares...
E medos confiantes,
É a força da maré
Que habita,
Que grita,
Nos faz ser gigantes.
Colina , montanhas e curvas!
Geografia do teu corpo…
Fazem mapas que percorrem
Brevemente…. minha mente…
Antes mesmo do esboço.
Encandecente
Segue a Vida, protegendo.
O corpo que protege o cérebro.
Que desenvolve, o ser pensante,
Nas convecções com a Vida.
Não conduzimos.
E a gravidade. Puxa para religação.
E, o ser individual, tenta entender.
Entender, estendo a consciência. Do-que?
Estado de ser Presente.
Esquecimento. Lembrança. Mudança.
Formando novas conexões. Continuum,
O Sol nunca para.
Idas e retorno, a mesma massa, circula.
Pensante. Sentida, pelas águas da Vida.
Na procura do atman.
Para se refletir em espelho.
Mas com um conteúdo de consciência possível.
Sensibilizada pelas cordas do Instrumento;
Que transporta a Vida, de um ponto, para outro.
Para a proteção da Vida.
De tamanha grandeza, inexiste forma.
Sendo o vazio. Que impulsiona a busca.
Mais quente. Mais leve. mais forte.
De maneira que.
A água da vida circula, formando o espirito.
Até a próxima etapa da Vida.
Sendo o tempo.
Apenas a medição de um ponto ao outro.
E o Sol. Sempre estará lá.
Marcos FereS
Em um mundo onde você é humilde e bondoso, sempre avera pessoas a tentar se aproveitar de você, quando você perceber esses falsos indivíduos: evitios
Se a vida fosse uma empresa,
Na fila dos que querem ser poetas,
Eu estaria.
Não sirvo pra mais nada
Nem faço outra coisa, senão poesia.
Este é o meu compromisso!
Ao chegar no RH, logo diria:
Não que eu faça muito bem,
Mas tudo que faço é isso.
