O Espiritismo na Arte Leon Denis
A arte do comercio no Brasil, segue originalmente a tradição da mercancia dos velhos mascates e a filosofia dos mercados persas, que é regida milenarmente assim - Se eu lhe peço um preço e o comprador paga sorridente, não reclama, elogia a mercadoria e ainda por cima me agradece. Não quero mais vender por que você está me roubando pela oportunidade e eu estou vendendo muito barato a mercadoria que vale bem mais. Dito isto a velha arte do comercio a ser seguida, exige o regateio, o choro, a reclamação, o pedido de desconto e a ampla conversação entre as partes para ser um bom negocio, tanto para quem vende como para quem compra, seja o que for.
Quem diz que sabe de tudo não sabe de nada especificamente. A arte de saber desde a mais remota antiguidade está intrinsecamente ligada a arte de reconhecer que não sabe mas quer aprender.
Colecionar obras de arte de artistas brasileiros é bem mais que um mero investimento prazeroso. Em uma nação educada e civilizada sabe se que é preservar a historia, exaltar o belo, fortalecer a soberania artística e cultural, guardar a identidade nacional para as próximas gerações.
Em arte se aprende com o passar dos anos que a criação do mais erudito se inspira inevitavelmente no mais simples e popular.
Sim, isto é arte. O ponto redondo em cima do " i ", isto é arte. Não a parte que você observa isoladamente. O tudo que você vê e o que não vê é arte.
Todo artista de sucesso tem obrigações com sua arte, seu publico e com a vida no que diz respeito a dar de graça para caridade o que de graça por Deus, recebeu.
A boa arte nada tem haver com o pano pintado e o arame contorcido. Mas os valores altos nada tem haver com a qualidade, são movimentos autônomos do mercado de arte, segue e acredita quem quer.
Cabe a arte contemporânea e a tecnológica alcançar novos admiradores com interlocuções de todos os sentidos e os museus se adequarem.
Cabe a curadoria de arte, ir além do universo privado e particular do artista e sua obra e encontrar uma nova conexão com o olhar publico inclusivo de todos os espectadores. Com isto provocar novos diálogos entre a obra, o tema, o tempo e o espaço.
A arte, a cultura e a educação politicamente correta devem estar sempre aliadas ao convite para um novo universo, das cores, das musicas e das palavras e proporem novas oportunidades de trabalho a todos mas principalmente aos que vivem invisíveis e esquecidos no patamar mais baixo da pirâmide social.
A arte não é refém de governos e nem dos poderosos. Muito pelo contrario vive por criatividade em liberdade contra tudo que é imposto e não existe.
Por mais que não pareça a arte indigenista nativa e a arte popular cabocla é o que há de mais valioso na cultura artística brasileira.
A arte indígena no Brasil revela seus primeiros passos na contemporaneidade, quando se afasta da colonização aritmética européia religiosa e vai em busca de sua verdadeira mítica ancestral. As historias contadas, a terra, os rios, a mata são elementos mágicos e sagrados. Assim como os sonhos oriundos de uma atmosfera sagrada. Na verdade não tem como dissociar a arte indígena do sagrado e espiritual. Uma faz parte da outra, arte e espirito.
Desde bem pequeno sei, que a arte dos artistas populares e a arte nativa indígena devem vir para ocupar espaços nas grandes metrópoles brasileiras e do mundo inteiro. No entanto os artistas, não. Cada um deve permanecer na atmosfera de origem, pela produção em si e pela integridade de sua vida simples e de seu pensamento.
Moacyr Andrade, meu grande mestre sobre a arte e a cultura amazônica sempre foi forte e gordo, tinha muita fome em comer generosamente as cores, os sons e os mitos da Grande Floresta. Uma fome gratuita e bela, onde o coração de quem ama é bem maior que a barriga, o comer de conhecimentos para generosamente passar para quem aprendeu a amar também por respeito e liberdade. Hoje sei que quem sabe verdadeiramente distribui o que sabe. O mundo ainda não reconheceu o valor da extensa cultura amazônica deste grande pesquisador e artista. Moacyr Andrade e Manoel Santiago foram meus mestres por graça divina e devem ser considerados os maiores expoentes desta rica cultura regional brasileira.
Os mestres das culturas populares ribeirinhas, uma rica junção entre a arte e a cultura indígena, branca e a cabocla são as verdadeiras bases da arte, das festas dos mitos da cultura amazônica. Todo centenário legado imutável repassado de forma oral para seus descendentes, entre as brincadeiras das cheias e as vazantes do grande rio, fazem parte dos movimentos naturais de renovação da vida, livre e bela da Grande Floresta.
Toda obra de arte de qualidade uma vez gerada, aguarda eternamente encontrar especificamente seu verdadeiro dono.
