Nunca Magoe uma Mulher
Das portas fechadas,
ficaram ecos de passos
que nunca tiveram coragem de partir.
Nas janelas trancadas,
a luz se desfaz devagar,
como um sonho esquecido
atrás das cortinas.
O amor mais puro é aquele que sangra sem criar rancor, porque a sua natureza é acolher, nunca destruir.
Por muito me sentir perdida e sozinha então, conheci você e nunca mais abracei a solidão, pois o teu amor preencheu todo o vazio que havia tomado conta de meu ser
-Deus
Dizer que "sou feliz"
é negar a possibilidade de nunca "não ser feliz",
logo, nega-se o sentido na busca por felicidade
ou afirma-se que somos
eternamente infelizes, pois estamos
numa luta constante por sermos felizes.
O difícil nunca foi me reconhecer, foi sustentar. Autenticidade cobra caro. Ela retira aplausos fáceis, desmonta personagens bem avaliados, afasta quem só se aproximava enquanto eu me moldava.
Ser eu exigiu cortes precisos. Abandonei negociações afetivas, rasguei expectativas alheias, aceitei que nem todo vínculo sobrevive quando a gente para de pedir permissão para existir.
Hoje sou mais direto, menos explicável. Não tento convencer, sustento. E isso, curiosamente, é o gesto mais delicado e mais ácido que já aprendi.
Porque nada desconcerta mais o mundo do que alguém que decidiu ficar inteiro.
Conhecer novas paisagens nunca foi apenas mudar de horizonte. É permitir que os olhos aprendam um vocabulário que ainda não conheciam.
Passei anos tentando descobrir quem eu era. Hoje desconfio que a pergunta mais honesta nunca foi essa. A verdadeira pergunta é: o que em mim ainda espera a coragem de ser vivido?
A PESSOA POR TRÁS DAS PALAVRAS
Talvez você nunca tenha percebido...
mas tudo o que escrevo acaba falando um pouco sobre mim.
Eu sou assim.
Reparo no que quase ninguém percebe.
Guardo palavras, olhares, silêncios, horários e pequenos gestos.
Transformo momentos em lembranças
e lembranças em versos.
Eu gosto do que tem significado escondido.
Um lírio pode ser mais do que uma flor.
4:47 pode ser mais do que uma hora.
Marte pode ser mais do que um planeta.
O escuro pode revelar mais do que a luz.
E o mar pode, quem sabe, aprender um nome.
Eu gosto de transformar coisas comuns em segredos.
Talvez essa seja uma das características mais bonitas —
e também mais perigosas — em mim: eu sinto os detalhes.
Tenho dentro de mim uma espécie de universo particular,
onde sentimentos ganham nomes,
perfumes ganham sabores,
pessoas viram constelações
e momentos pequenos demais para serem explicados
se tornam enormes dentro de uma página.
No fundo, acho que escrevo para não deixar certas coisas morrerem.
Para guardar aquilo que talvez o tempo tente apagar.
E se um dia alguém quiser realmente me conhecer,
talvez não precise me fazer tantas perguntas.
Talvez só precise ler aquilo que escrevi.
Porque entre um verso e outro,
entre o mar e Marte,
entre a maresia e o silêncio,
existe uma versão minha que quase ninguém conhece.
Uma versão que sente profundamente.
Que observa demais.
Que guarda demais.
Que ama as pequenas coisas.
Que encontra significado onde outros enxergam apenas acaso.
E talvez exista uma coisa que eu nunca tenha dito
com todas as letras.
Então vou dizer agora:
Eu te desafio a me amar.
Não pelo que eu sou.
Não pelo que você imagina que eu seja.
Não pelas palavras bonitas que escrevo.
Mas pelo que você sente quando está comigo.
Porque talvez seja aí que eu realmente esteja.
Não nos versos.
Não nas metáforas.
Não nas páginas.
Mas naquela sensação que fica quando estamos perto,
naquilo que você não consegue explicar,
mas também não consegue ignorar.
E se algum dia você conseguir descobrir quem sou
por trás de tudo aquilo que escrevo...
talvez entenda.
Eu não transformo qualquer coisa em poesia.
Quando algo — ou alguém — realmente importa...
eu não simplesmente passo por isso.
Eu transformo em poesia.
O Feitiço
Nunca acreditei em bruxas,
feiticeiras ou sereias.
Achava que eram apenas histórias
criadas para explicar o impossível.
Até você.
Porque desde que chegou,
tudo o que vem de você
carrega um feitiço silencioso.
Não um feitiço que aprisiona o corpo,
mas aquele que alcança a alma
e faz o coração esquecer o caminho de volta.
Já vivi algumas vidas
dentro da mesma existência.
Ouvi incontáveis palavras,
vi pessoas entrarem e saírem do meu mundo,
mas nenhuma delas me ensinou
que era possível viver com a alma.
Então me pergunto,
em silêncio:
será que somos almas gêmeas?
Ou apenas duas almas
que o destino resolveu fazer se reconhecer
por um breve instante?
Ainda lembro do instante
em que te senti entre os meus braços.
Do cuidado com que toquei tua pele,
como quem segura algo sagrado,
com medo de que um gesto brusco
pudesse quebrar o encanto.
Tudo o que eu queria
era cuidar de você
do jeito mais puro e sincero
que o meu coração conhecia.
Nunca quis confundir meus sentimentos.
Nunca quis ultrapassar os teus limites.
Jamais desejei que o peso do que eu sentia
se tornasse um fardo para você.
Eu só queria que soubesse
o quanto a tua existência
transformou a minha.
E talvez seja justamente esse
o maior dos feitiços.
Porque, entre todas as certezas
que um dia pensei possuir,
você se tornou a única dúvida
que eu nunca quis responder.
Você é o meu pensamento mais perigoso...
porque é o único do qual
eu jamais desejei escapar.
O Pecado de Escolher a Paz
Eu nunca compreendi como um grande amor,
que ontem era abrigo, hoje vira rancor;
como quem adormece envolto em carinho
desperta odiando quem andou no seu caminho.
Por que a ternura se torna vingança?
Por que destruir aquilo que um dia foi esperança?
Ciclos se encerram, caminhos se desfazem,
amores se transformam, pessoas se afastam.
Mas por que transformar um adeus em prisão?
Por que fazer da partida uma condenação?
Só porque alguém não coube na expectativa,
merece carregar uma culpa tão viva?
Eu também já esperei de quem não correspondeu,
já amei quem não foi aquilo que prometeu.
Nem por isso fiz do ressentimento uma arma,
nem transformei despedida em guerra ou desgraça.
Então por que fazem comigo aquilo que não fiz?
Por que me chamam de monstro, se eu só quis ser feliz?
Ninguém viu minhas noites, ninguém viu minha dor,
ninguém sabe quantas vezes calei por amor.
Eu não quis destruir, eu só quis respirar;
não quis ferir, só precisava me encontrar.
E se partir de onde eu já não podia florescer
me fez parecer cruel, então que seja —
eu escolhi viver.
Não quero tua queda, não quero vingança,
não quero transformar mágoa em lembrança.
O que um dia foi amor não precisa ser guerra,
nem todo adeus precisa incendiar a terra.
Talvez um dia você consiga entender:
eu não fui embora porque deixei de querer.
Fui embora porque, para continuar ao teu lado,
eu precisava deixar de ser quem eu sou — e isso seria errado.
E se me chamarem de vilã, deixarei o tempo falar:
há verdades que só o silêncio consegue revelar.
Porque, no fim, aprendi a duras penas:
nem todo amor nasceu para permanecer,
nem todo adeus precisa fazer alguém sofrer.
E escolher a própria paz, depois de tanto padecer,
não é crueldade — é finalmente escolher viver.
Entenda que os vínculos mais fortes não são construídos nos dias fáceis;
Por isso, nunca se esqueça de quem segurou a sua mão quando você já não tinha forças para continuar.
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