Nunca Diga que Ama uma Pessoa
O luto
O luto é resposta emocional profunda.
É natural a uma perda significativa,
Não se limita apenas à morte sentida,
Mas também às rupturas da vida
Que nos atingem em momentos aflitos
Com angústias no silêncio no peito que as abriga.
O luto angustia a alma,
Abala as emoções
E enche o coração de tristeza.
Todavia, Deus cria situações
Para nos dar a certeza
E curar as nossas aflições.
Raimundo Nonato Ferreira
Setembro/2026
A espiritualidade firme e não efêmera funciona como uma âncora interna.
Ela não depende de momentos passageiros de euforia ou de crises temporárias, mas sim de uma prática diária de conexão profunda.
“Cuidado com tudo que proporciona prazer ou sensação de felicidade, mas que não é fruto de uma justa recompensa ou escolha digna.”
Autor: Ney Paula Batista
“O primeiro passo para a construção de uma mentalidade rica é a admissão da sua pobreza…”
Autor: Ney Paula Batista
Acho que, no mundo de hoje, uma das coisas mais difíceis é encontrar alguém verdadeiramente honesto. Para mim, a honestidade é o primeiro pilar para construir qualquer relação, parceria ou projeto. Sem ela, não existe confiança, e sem confiança, nenhuma construção se sustenta.
Confissões de uma Fé Inabalável
Eu rendo minha absoluta confiança ao que é comprovadamente falho.
Eu confio nas cartas metodicamente marcadas do jogo,
nos sorrisos límpidos dos políticos recém-eleitos
e nas mãos estendidas, já bem entendidas, a pedir meu ouro em todas as esquinas.
Eu confio na sorte grande e na alquimia silenciosa dos banqueiros em fazer dinheiro
a partir de juros que jamais poderei entender ou pagar.
Eu confio, sobretudo, nas mãos entendidas que, com uma, distribuem o sopão ao necessitado,
e com a outra, rapidamente recolhem o troco a mais dado pelo caixa distraído.
Eu confio no criminoso que mantém um código de honra limitado,
e naqueles arautos da fé que nos prometem o céu enquanto filipendiam a alma
para, em seguida, arremessá-la ao inferno como um brinquedo usado.
Eu acredito e ponho a mão no fogo nas pessoas maldizentes,
naquelas que não deixam escapar um só fio de maldade sutil
na hora da conversa trivial nos cafés.
Eu acredito fervorosamente na Justiça que, com um aceno,
solta o malfeitor que ceifou a vida de um trabalhador,
deixando a miséria da viuvez e a dor da orfandade como herança.
Eu confio na cortesia eloquente do loquaz,
que busca arrebanhar meu suor sagrado
em troca de um produto etéreo que só existe em sua promessa.
Eu acredito em um mundo onde as guerras que matam inocentes irão, de fato, resolver nossos problemas.
Eu acredito no Papai Noel, coelhinhos da Páscoa, em gnomos e fadas.
Eu acredito em um mundo melhor, onde a grama do vizinho é seca e a minha é verde.
Eu sempre acredito piamente em um mundo melhor.
Eu acredito num mundo onde os pais obedecem os filhos e são espancados por eles.
Acredito piamente que quando acordo todos os dias, todas as pessoas são menos inteligentes do que eu e devem, portanto, aceitar e acreditar no que eu acredito.
Eu acredito na beleza vertiginosa de tudo que me dá prazer imediato,
depois de ver meu suor e sangue sagrado
esvaírem-se em poucos minutos,
diluídos em uma noite de luxúrias vazias.
E finalmente, com a mais sombria convicção:
Eu acredito naquilo que me tira a paz, que está tirando,
porque mereço sofrer, ser insultado e suportar todo escárnio.
Com uma convicção quase religiosa,
eu confio em tudo o que me rouba a visão e a simples,
egoísta e cansativa tarefa de focar no meu próprio bem-estar.
Crônicas de uma vida – Parte que não se conta no currículo
Quando eu nasci, não entendia nada sobre humanidade. Nem por que raios eu tinha vindo ao mundo. Era só um choro automático, um corpo quente e confuso que exigia leite, colo e silêncio.
Com o passar dos anos, comecei a querer ser alguém **especial**. Não sabia ainda o que era humanismo, compaixão ou empatia — palavras grandes demais para uma criança que só queria ser notada. Então foquei no meu eu: minhas notas, minhas conquistas, meu quartinho organizado, minhas pequenas vitórias que eu achava que definiam valor. O mundo era um palco, e eu ensaiava meu monólogo principal.
Até que, numa noite qualquer — daquelas em que a cidade parece respirar mais devagar —, tudo mudou sem aviso.
Eu caminhava pela rua estreita atrás do prédio, fugindo da insônia e do calor abafado do apartamento. Foi quando a vi: uma figura encurvada, quase fundida com a sombra do poste. Uma mulher (acho que era mulher, a penumbra roubava detalhes). Ela revirava uma lata de lixo com uma paciência feroz, os braços magros desaparecendo até o cotovelo no fundo metálico. O som era seco, plástico rasgando, latas batendo. De vez em quando ela parava, examinava algo na luz amarelada, levava à boca e mastigava devagar, como se saboreasse um prato requintado.
Fiquei parado. Não consegui seguir andando.
Primeiro veio a surpresa. Depois, uma pontada de indignação quase infantil: **Como assim? Como uma pessoa igual a mim, feita da mesma carne, do mesmo sangue quente, pode chegar a esse ponto?** O cérebro tentava calcular: acidente? drogas? doença? família que virou as costas? E logo em seguida veio o desconforto pior: e se eu, com toda a minha pose de “alguém especial”, estivesse a apenas algumas más decisões de distância daquela lata de lixo?
Ela ergueu os olhos por um instante. Não sei se me viu de verdade. Talvez eu fosse só mais um vulto na noite, mais uma silhueta que passa e julga. Mas naquele segundo de cruzamento de olhares — ou de quase-olhares — alguma coisa em mim estalou.
Não foi pena. Pena é confortável, dá para resolver com uma moeda ou um sanduíche. Foi **reconhecimento**. Uma espécie de espelho torto e cruel. Ela ali, eu aqui. Mesma espécie. Mesma fragilidade essencial. Só que a vida tinha apertado o acelerador em direções opostas.
Voltei para casa com o estômago embrulhado e os pensamentos em looping. Naquela noite, pela primeira vez, percebi que ser “especial” não era uma conquista solitária. Era, na verdade, uma ilusão muito frágil, sustentada por circunstâncias que eu não controlava: nasci em berço que não desabou, tive acesso a escola, saúde, comida na mesa, rede de proteção invisível que a maioria nem percebe que tem.
A criatura furtiva da noite adentro não era “outra”. Era um **lembrete**. Um lembrete vivo, sujo, faminto, de que a humanidade não é mérito — é sorte, é sistema, é escolha alheia, é conjunto de acasos e de decisões coletivas.
E aí, devagar, quase sem querer, comecei a entender o que talvez seja o humanismo: olhar para o outro e enxergar, antes de qualquer coisa, o mesmo grito surdo de existir. Não importa se está dentro de um terno caro ou revirando lixo à meia-noite.
Aquele encontro não me transformou num santo. Longe disso. Mas plantou uma dúvida incômoda e permanente:
E se eu tivesse nascido do outro lado da lata?
E se, amanhã, a vida virar a chave e me colocar lá?
Talvez a verdadeira especialidade não seja chegar ao topo.
Talvez seja conseguir olhar para baixo — ou para o lado — sem desviar os olhos.
E, quem sabe, estender a mão.
Não por pena.
Mas por reconhecer, no fundo do peito, que aquela mão que revira o lixo poderia, em outra história, ser a minha.
E você? Ja passou por situação que fez repensar quem você acha que é?
Ysrael Soler
A síntese de O Cristo Nu pode ser entendida como uma narrativa poética que aproxima a figura de Cristo da realidade cotidiana e social contemporânea.
Síntese
O poema apresenta Cristo despindo-se da glória divina para caminhar entre os homens, tornando-se humano e próximo dos marginalizados. Ele é visto nos trabalhadores comuns, nos diaristas, catadores, ambulantes e nos que carregam cruzes invisíveis. O texto denuncia as injustiças sociais, comparando o sofrimento moderno às imagens bíblicas da Paixão: boletos como chicotes, preços como lanças, mercado como calvário.
As “trinta moedas de pratas” simbolizam a corrupção e a ganância que ainda vendem destinos e silenciam vidas. Cristo chora junto aos Lázaros de hoje — os pobres, os esquecidos, os que dormem sob marquises e disputam restos. Ao mesmo tempo, o poema afirma que não virá salvador externo: cada pessoa é chamada a ser “seu próprio Cristo”, a assumir compaixão, esperança e resistência.
A ressurreição é apresentada como experiência diária, nos gestos simples e na sobrevivência diante da violência. O legado do Cristo nu é a força da humanidade que, mesmo abatida, renasce todos os dias.
Em resumo, O Cristo Nu é um manifesto poético que une espiritualidade, crítica social e filosofia existencial, mostrando que o divino se revela no humano e que a redenção se dá na luta cotidiana pela dignidade e pela esperança.
O Cristo Nu
I – Abertura e cotidiano
Olhai, olhai os pássaros em seus voos misteriosos,
Olhai as flores em seu desabrochar livre.
Vede os lírios nos verdes campos: se vestem tão belos e trazem os aromas pela manhã, espalhando perfumes pelo ar.
Portanto, eu aqui, ao olhar com clareza, avisto: quão formosos são, assim como a alma dos que labutam suas lutas diárias.
Pois, se a alma brilha sob o peso do fardo,
o homem exala em si a rara fragrância da nobreza — o aroma sagrado de quem constrói o mundo.
E quando o Verbo habitou entre nós, revelou-se: Ele, o filho do carpinteiro,
moldou como artífice a madeira e os pregos que o sistema, um dia, usaria contra Ele.
Assim como o construtor de hoje, que ergue o prédio onde jamais terá morada,
Ele se ajusta agora em meio a rostos cansados, a operários e à multidão das ruas.
São os cristos diários, batendo ponto em fábricas e escritórios, sob as luzes das lanchonetes e o óleo das mecânicas.
Cristos na diarista, nos postos, no catador de lixo, no vendedor de água e nos trens com seus ambulantes.
Almas de mão de obra erguidas para construir presentes e futuros,
nos alojamentos distantes e no suor do asfalto.
Eis o corpo: o vigor entregue às máquinas e aos balcões.
Eis o sangue: o fluido que move a economia do cansaço.
O sagrado se transmuta no suor das batalhas, onde cada gota de lágrima é o vinho de uma nova aliança com a vida.
A simplicidade resiste ao ego insano.
Resta um Cristo nu, de braços abertos,
folheando páginas do tempo e da história.
Moedas ainda compram vidas; esperança ainda se esconde nos cantos da alma.
II – O Cristo que desceu patamares
Um Cristo que desceu patamares:
primeiro, despiu-se de sua glória celestial
e caminhou entre os homens;
depois, desceu da cruz para mostrar o caminho —
não de forma divina, mas humana —
o caminho da compaixão, da esperança,
da expiação que se revela no cotidiano.
III – O Cristo chora
Periférico caminha pelas ruas,
a compartilhar o pão vivo da esperança
com os largados nos corredores de hospitais,
com os espremidos nos ônibus e trens
das manhãs de segunda-feira.
São os Lázaros de agora:
os que dormem sob marquises,
disputam restos com ratos nas ruas,
caminham como almas perdidas,
envoltos em sua dura realidade ambígua,
carregando cruzes sem nome,
à espera de um milagre que não vem.
Seu Getsemani é o travesseiro nas noites traiçoeiras.
O traidor que o vende por trinta moedas
é a cegueira diante do enredo criado.
Sua Via Crucis é feita de congestionamentos,
lotações e filas intermináveis.
Um Cristo que não sorri, não reclama;
guarda uma vaga esperança de dias melhores, mesmo desajeitado na cruz.
Uma cruz herdada, uma cruz que nasceu com ele.
Sem saber, grita ao Pai:
“Perdoe, eles não sabem o que fazem.”
Num desses dias, o Cristo calou-se e começou a chorar,
não pelo amigo Lázaro, mas pelo leite azedo que puseram à mesa.
Ali, não teve o bom vinho; fizeram do leite, coalhada.
A esponja de vinagre veio em forma de luz cortada pelo dinheiro que faltou.
Houve quem, como o centurião,
agarrando-se ao seu manto escarlate, surtou;
mas aqui, o manto é a pele no sol a sol,
e o escarlate é o suor e o sangue deixado.
Houve um certo Cirineu que se juntou para arrastar o madeiro,
simpatizando com seu choro e sua dor.
IV – As moedas de pratas
Trinta moedas de pratas
ainda vendem destinos,
ainda compram silêncios,
ainda pesam na balança da injustiça.
São vendidas por um sistema caótico,
num banquete de ganância, prepotência e luxúrias,
onde vidas se tornam mercadorias
e esperanças se desfazem em pó.
V – O Cristo político-social
Eu vi meu Cristo sorrir quando chegaram
com pão e leite frescos, e no mesmo instante soou algo estranho na TV:
falavam dos dois ladrões — o capitalismo à direita, o socialismo à esquerda.
E surgia o terceiro, chamado Barrabás:
um mecanismo chamado governo,
eloquente e audaz, prometendo o céu
já que o paraíso não tinha dado certo.
O pão nosso é a labuta do cotidiano,
o templo se ergue no seio da família,
e o sagrado é a força motriz de quem tece dias melhores.
Meu Cristo Nu habita em cada alma que expia sua existência em dias tempestivos;
pois o sagrado não ocupa palácios majestosos, nem habita catedrais de pedra,
vindo Ele de uma manjedoura para brilhar na resiliência de quem não se dobra ao fardo
e na resistência de quem sustenta o mundo com as próprias mãos.
O cálice deste Cristo é o sistema corrompido, entre ternos, carros de luxo e vida boa.
O chicote que o açoita são os boletos diários e impostos extravagantes.
As carnes continuam rasgadas, sem esforço,
pelo braço forte da indiferença.
VI – O Cristo interior
A lança transpassada
é o anúncio na alta dos preços,
e o mercado é o calvário.
Não virá salvador algum
para fazer o que só você pode fazer.
Tu és o teu próprio Cristo.
O Divino já disse:
“Vós sois deuses.”
E, por isso, como pequenos cristos,
somos levados — dia após dia — cativos,
como ovelhas ao matadouro,
como cordeiros mudos ao abate.
VII – Paixão e ressurreição cotidiana
A Paixão de Cristo são os regalos dos passeios;
o piquenique no parque da esquina,
o vão das coisas ditas nos olhares cheios de ternura,
nos momentos simples.
A ressurreição é o mote diário,
equilíbrio entre estar vivo ou morto nas trevas da violência.
Num domingo qualquer verei o Cristo descansar.
O dia é dele.
E sagrou-se senhor do seu dia.
Um dia tranquilo, movido a cheiro de mirra e aloés:
a fragrância final de quem, enfim, cumpriu sua jornada.
Todos os dias nascem novos cristos.
E quando eu me for, matarão esses novos cristos que vieram à terra.
Só não matarão o legado do Cristo nu.
Nossa ressurreição é diária dentro deste ciclo.
Autor: Israel Soler
PORMENORES
Eu fiz uma canção.
Ela exprime meus anseios.
Eu não tinha tal entendimento,
Mas a canção se fez rainha nos meus sonhos.
Qual a um erudito, fiz nos pormenores
As causas de sua construção.
E entoei um grito sufocado.
Eu já não tinha um porquê de entoá-la.
Mesmo assim, a fiz!
Desejei que o mundo ouvisse!
Mas, depois, compreendi...
Que só eu a entenderia!
A CANÇÃO QUE NÃO É MINHA
Existe uma canção em mim,
Uma canção que não é minha.
Ela vaga imortal no meu inconsciente
E arrasta sensações de tempestade e calmaria.
Nas poucas vezes que estou lúcido,
Sou arrebatado de forma cálida.
Eu, que não sou um entusiasta do meu pessimismo provocado por ela, devo esclarecer: entenda, meu pessimismo é meu bom vivant; não é tristeza, desesperança ou solidão, é apenas solitude.
Entenda: meu pessimismo foi construído com bases fortes na canção entoada na alma.
O pessimismo é meu, e ele se agarra a mim como se eu fosse a última fronteira entre a esperança e o desânimo.
A canção continua tocando, cadenciada e ressoando no caminho da alma, um caminho tortuoso e sem fim!
O Sol, a Pedra e a Rosa
Eu olho uma flor
E vejo suas pétalas
Enxergo no broto
O talo da vida
O chão que eu piso
Pisou tantos outros
A flor que eu vejo
É rosa vermelha
O orvalho que de mansinho
Amacia a rosa
A rosa que pendurada
No caule é rosa vermelha
O sol que aquece a pedra
Incandeia a rosa
A mão que afaga a rosa
É bruta...
A bruta que é pedra
Sosleia a rosa
O vento sopra e carrega
O pó que cobre os pés
No caminho
O caminho que
Lápida a pedra
A pedra bruta deságua
No fundo do mesmo espinho
E a rosa resiste ao tempo
Vermelha de sangue e calma
Enquanto a mão que a machuca
Também lhe entrega a alma
Ysrael Soler
#israelsoler
#ysraelsoler
Tu és uma criatura admirável, traz vida no teu ventre.
Traz força, saúde, amor e paz para esta gente.
Mulher que corre, grita, se agita, educa, ama e sente-se aflita.
Aflita em ver os teus em harmonia, desejando a todos alegria.
No teu íntimo gera vida, teu ventre acolhe um novo ser,
Que se alimenta, cresce e se aquece dentro de você.
Ah... não podes gerar no teu ventre? Consideras-te doente?
Geras de forma diferente, pois a doença está apenas na mente.
Geras vida quando acolhes e acalenta uma criança.
Que vive neste mundo, jogada, abandonada, sem esperança.
Geras vida por tuas atitudes e dedicação.
Quando abres teus braços e o teu coração.
Não mereces apenas um dia, mas sim muitas melodias.
És guerreira, amiga, companheira e tens ousadia.
Ousas em trabalhar, estudar, educar e ser dona de casa no fim do dia.
És exemplo de determinação, amando a todos, pais, filhos e irmãos.
“A lei pode ser igual para todos e, ainda assim, produzir uma sociedade desigual; é por isso que a justiça precisa olhar além do texto.”
“Toda desigualdade juridicamente tolerada precisa responder a uma pergunta: por que o outro vale menos nesta circunstância?”
“O primeiro dever de uma Constituição é impedir que a diferença entre os homens se transforme em diferença de dignidade.”
