Nunca Diga que Ama uma Pessoa
Eu sou impulsivo. Quando uma ideia ou um sentimento surge, eu quase sempre ajo na hora. Às vezes isso é um bom palpite, e acerto. Outras vezes me engano, e vejo que não foi intuição, mas sim uma atitude infantil.
A dúvida que me persegue é: devo seguir meus impulsos ou tentar controlá-los? Devo aceitar meus acertos e erros, como parte de um jogo, ou tentar amadurecer?
Confesso que tenho medo dessa maturidade. Tenho medo de perder a alegria simples e pura de quem age por impulso, ...
Penso sobre isso. Mas sei que alguns minutos... mais um impulso. Talvez eu não seja maduro ainda. Ou talvez nunca seja.
Uma mulher de amor tão grande que parece ter um pouco de D'us. Mesmo jovem, seu cuidado constante lhe dá a sabedoria calma dos mais velhos.
Na velhice, ela guarda a força da juventude. Se não estudou muito, entende a vida por um sentimento profundo; se é instruída, age com simplicidade de criança. Sendo pobre, sua riqueza é a alegria da família. Sendo rica, daria tudo para não sofrer ingratidão.
É forte, mas treme com o choro de um bebê. É frágil, mas pode lutar como um leão.
Em vida, muitas vezes não a valorizamos, pois perto dela a dor some. Quando parte, daríamos tudo para tê-la de volta, mesmo que por um instante.
A mulher é como uma flor que a gente observa, igual à flor do campo, pelas suas cores, pelas suas pétalas e, principalmente, pelo seu perfume. Ela é tão especial que, por mais que a gente tente conhecê-la, sempre encontra nela algo novo. A mulher é a mais linda entre todas as criaturas; ela está entre o ser humano e os anjos. Ela é a obra mais bonita da natureza.
Em uma mesa de bar, um católico devoto debatia política com um amigo evangélico, enquanto uma senhora espírita ouvia atenta, ao lado de um praticante de religiões africanas, que exaltava a força de seus ancestrais. Um jovem budista tentava acalmar os ânimos. A discussão acirrou quando um empresário de direita defendeu reformas econômicas, sendo contestado por uma professora universitária de esquerda, que pedia mais investimentos sociais. No fim, todos concordaram: religião e política dividem opiniões, mas futebol e cerveja unem a torcida — principalmente na hora da saideira ou depois do apito final...
da vida!
Observe as coisas de um jeito novo: pense no que elas podem se tornar.
Uma grande causa do desânimo é achar, sem razão, que o futuro vai ser igual ao passado.
É mesmo difícil seguir em frente quando uma experiência anterior trouxe tanta decepção.
Mas a verdade é que a vida não precisa andar sempre em linha reta.
A qualquer momento, podemos mudar de direção.
Cada novo dia é uma chance diferente, não importa o que aconteceu antes.
Tire do passado os melhores ensinamentos que conseguir, mas coloque seu tempo, sua força e sua atenção no que está adiante.
O seu passado pode trazer à memória dores e até desespero. Porém, lembre-se de que D'us esteve tão presente no seu passado quanto está no presente e no futuro.
E isso basta!
"vida x azar: a gente precisa acertar o tempo todo, o azar só precisa acertar uma vez."
Edson Ricardo Paiva
Tem uma lua diferente
Que só nasce na minha rua
Ela pode parecer igual
Pra toda gente
Não pra mim, que a vejo de lá
E quando eu saio da minha rua
Levo junto meus olhares
E prossigo vendo as coisas do meu jeito
Pois desse jeito, eu sei, não sofro tanto
Não ponho leveza onde não há
Não aumento a tristeza onde há
Tem um azul claro vibrante
Tem um céu assim, pra mim
Quando eu o olho de lá
E quando eu me molho na chuva de lá
Não me sinto menos rico
Por não ter um guarda-chuva igual
Não desejo nunca mais ultrapassar as portas
De cujas maçanetas
Eu jamais devia ter me aproximado
Às vezes, fico até de madrugada
Olhando estrelas da calçada
A lua brilha na areia do chão
Como na areia da praia
Mas é preciso olhar pro chão
Como quem olha pro céu, para vê-las
E não desejar que caiam estrelas
Todas elas vão cair um dia
Nesse dia, eu vou morar na estrela
Para ver minha rua distante
Como distantes serão meus olhares
E vai tudo estar do mesmo jeito
Ou, talvez, até melhores
Não sei
O melhor lugar do mundo
Fica atrás dos meus olhares
Sob a chuva sem guarda-chuva
Na qual, fatalmente, eu apenas me molho
Eu apenas vivo assim
As emoções pequenas
Nas asas da ilusão, eu viajo pra bem longe
Mas, quando eu saio da minha rua
Levo junto meus olhares
Minha paz, meu coração
E o melhor lugar deste mundo
Será sempre onde eu estiver
Pois estou contente em minha companhia.
Eds
O que achei depois da ilusão
Esta não é uma carta de prosperidade.
Não é um relato de vitória.
Não é uma narrativa otimista construída para convencer alguém de que tudo acontece por uma razão ou de que, no final, tudo ficará bem.
Não sei se ficará.
Escrevo de um intervalo.
Um espaço estranho entre quem fui e aquilo que ainda não sei nomear.
Durante muito tempo acreditei que estava vivendo minha própria vida.
Hoje suspeito que apenas executava uma sequência de instruções herdadas.
Estude. Trabalhe. Produza. Conquiste. Resista. Suporte.
E eu suportei.
Suportei tanto que transformei o peso em identidade.
Passei a admirar minhas cicatrizes mais do que minhas necessidades.
Confundi exaustão com virtude.
Confundi utilidade com valor.
Confundi sobrevivência com existência.
Fui o homem que carregava.
O homem que resolvia.
O homem que seguia.
O homem que sempre encontrava uma forma.
Mas ninguém me perguntou se eu ainda queria carregar aquilo tudo.
Nem eu.
Talvez porque algumas perguntas sejam perigosas demais.
Elas não derrubam apenas respostas.
Derrubam estruturas inteiras.
Então o abismo apareceu.
Não como um monstro.
Não como um inimigo.
Mas como um espelho.
E pela primeira vez percebi algo perturbador:
eu não estava com medo do abismo.
Estava com medo do que descobriria sobre mim ao olhar para dentro dele.
Porque durante anos me tornei especialista em observar o mundo.
Analisei sistemas.
Pessoas.
Comportamentos.
Estratégias.
Falhas.
Mas havia uma região inteira de mim que permanecia interditada.
Uma caverna onde escondi desejos.
Medos.
Raivas.
Carências.
Sonhos abandonados.
Partes de mim que não cabiam na narrativa do homem forte.
E quando aquela porta começou a abrir, tudo entrou em conflito.
A carreira.
Os relacionamentos.
As crenças.
A espiritualidade.
A identidade.
A própria ideia que eu tinha sobre quem era.
Descobri que saber meu nome não responde quem sou.
Saber meus gostos não responde quem sou.
Saber meus objetivos não responde quem sou.
Nem mesmo minhas conquistas respondem.
Porque existe um ponto da existência onde o currículo perde valor.
Onde a performance social perde força.
Onde os títulos deixam de explicar a alma.
E foi exatamente ali que me encontrei.
Ou talvez tenha sido exatamente ali que me perdi.
Ainda não sei.
Só sei que algo morreu.
Não fisicamente.
Mas simbolicamente.
Morreram versões de mim que eu jurava serem definitivas.
Morreram certezas.
Morreram personagens.
Morreram narrativas que me mantiveram funcional por anos.
E quando a poeira baixou, restou apenas o silêncio.
Um silêncio pesado.
Incômodo.
Sem promessas.
Sem aplausos.
Sem distrações.
Foi então que percebi que minha solidão não era ausência.
Era convocação.
Ela não queria me punir.
Queria conversar.
Queria que eu sentasse diante dela sem telefone, sem trabalho, sem justificativas e sem fuga.
Queria me apresentar a alguém que passei anos evitando.
Eu mesmo.
E essa conversa continua acontecendo.
Nem sempre de forma gentil.
Nem sempre de forma bonita.
Às vezes ela chega como revolta.
Às vezes como vergonha.
Às vezes como tristeza.
Às vezes como uma pergunta simples que destrói uma semana inteira:
"Se ninguém esperasse nada de você, quem você escolheria ser?"
Ainda não tenho a resposta.
Mas pela primeira vez parei de fingir que tenho.
Hoje compreendo algo que antes me ofendia:
a consciência tem um preço.
Toda visão ampliada dói.
Toda lucidez cobra.
Toda verdade exige espaço.
Porque enxergar não é ganhar conforto.
É perder ilusões.
E nenhuma ilusão abandona o palco sem resistência.
Por isso não escrevo esta carta como alguém que venceu.
Escrevo como alguém que despertou.
E despertar não é um momento glorioso.
É um processo brutal.
É perceber que algumas das grades eram feitas pelas próprias mãos.
É descobrir que parte do sofrimento vinha das correntes que chamávamos de identidade.
É admitir que certas escolhas eram abandono disfarçado de responsabilidade.
Hoje caminho sem muitas respostas.
Mas com menos mentiras.
E isso precisa bastar por enquanto.
Não sei exatamente quem me tornarei depois desta travessia.
Mas sei quem não consigo mais continuar sendo.
Talvez esse seja o verdadeiro começo.
Não a certeza.
Não a paz.
Não a iluminação.
Mas a coragem de permanecer acordado enquanto tudo aquilo que era falso desmorona.
E continuar olhando.
Mesmo quando o abismo devolve o olhar.
A compensação emocional compõe uma província ilusória em nossa geografia íntima, um território cujas fronteiras desenhamos usando a argila pesada do pertencimento. Muitas vezes, erguemos essa topografia movidos pela urgência da aceitação ou por um senso mecânico de crescimento, preenchendo o papel com rotas que são, na verdade, decalques exatos dos sonhos alheios.
Contudo, reconhecer a existência desse continente de expectativas herdadas — e tateá-lo com a lucidez de uma vulnerabilidade consciente — é um ato de profunda integridade íntima. É essa clareza nua que nos devolve a pena e o compasso, concedendo-nos a permissão vital para adentrar o espaço virgem do nosso próprio mapa, onde as coordenadas finalmente obedecem ao silêncio e à nossa verdadeira razão de existir.
Nem sempre vai ser bom.
Nem sempre haverá uma lição escondida na dor.
Nem todo rompimento vem para ensinar.
Nem toda perda carrega um propósito elegante.
Às vezes, a vida não quer que você entenda tudo.
Não quer que você transforme cada ferida em discurso,
cada queda em filosofia,
cada silêncio em resposta.
Às vezes, a vida só quer que você exista
sem violentar a própria alma
em busca de um sentido imediato.
Existir respeitando a própria existência
talvez seja a lição mais profunda.
Porque há dias em que vencer
não é florescer.
É apenas não se abandonar.
O primeiro som que sucede o silêncio não deve ser um estrondo, mas uma pulsação. A verdadeira paz não exige a imobilidade de quem respira; ela apenas pede que o movimento não seja uma fuga, mas um ancorar contínuo. Ao atravessar as cortinas recém-abertas, o cenário que se revela não nos apressa. Ele exige presença. É na cadência minuciosa dos passos, no atrito suave da sola contra o cascalho da própria jornada, que a identidade deixa de ser uma ideia no espelho e passa a ser o chão que pisamos. O silêncio nos ensinou a olhar para o centro; agora, o ritmo nos ensinará a caminhar a partir dele.
Não abandone a parte de você que reconheceu uma possibilidade de existência. Mas também não a deixe presa no imaginário. Torne-se a ponte entre aquilo que pulsa dentro e aquilo que ainda precisa nascer no mundo.
É com letras brancas sobre uma folha preta que busco consolo nos desígnios de Deus.
Senhor, estas não são palavras de revolta. Mas olha para tudo à nossa volta: a vida aperta, e o coração chora por aqueles que nos foram tirados. Dói demais lembrar que aquilo que um dia foi um “até já” transformou-se em adeus uma travessia para o outro lado da ponte, de onde já não se volta.
Agora, tudo ao nosso redor é memória, ausência e dor. Perdemos pessoas que amávamos e, em nossa fragilidade, desejaríamos que as lágrimas tivessem o poder de trazê-las de volta.
Hoje lamentamos a partida. Um dia, porém, quando a dor permitir, celebraremos as lições, o legado e a maneira como tornavam mais bonita e mais leve a vida de todos ao redor.
Que os anjos os recebam na nova morada. Que Deus acolha aqueles que partiram e fortaleça os que permanecem aqui, aprendendo a caminhar com a saudade.
Porque o amor não termina quando alguém parte. Ele apenas muda de lugar: deixa de habitar os nossos olhos e passa a viver eternamente dentro de nós.
Não se foge de uma discussão por lhe faltar conhecimento, pois o que julga ter, faltou nas de boas práticas de convivência.
TAC
A teoria da Aprendizagem Corrupta não pretende afirmar uma verdade absoluta, reconhecendo a existência de exceções, mas busca demonstrar que ambientes reiteradamente corruptos exercem poderosa influência sobre a formação moral de seus integrantes
No cenário brasileiro, a recorrência de escândalos envolvendo agentes públicos suscita uma indagação inquietante: o político nasce corrupto ou aprende a sê-lo?
O homem não nasce inevitavelmente corrupto. Também não nasce necessariamente virtuoso.
Sua consciência é continuamente moldada pelas experiências, pelas instituições e pelos grupos sociais com os quais convive.
Quando o ambiente recompensa a honestidade, a virtude floresce.
Quando recompensa a corrupção, o vício tende a tornar-se comportamento adaptativo.
Talvez a maior tragédia das democracias contemporâneas não seja a existência de políticos desonestos, mas a transformação da desonestidade em método de sobrevivência política.
Uma sociedade que normaliza pequenos desvios prepara silenciosamente o terreno para grandes escândalos.
“Um espaço pode impressionar os olhos.
Mas só uma experiência é capaz de tocar a alma.”
— Daugliesi Giacomasi Souza
“Cuidar de alguém é mais do que tratar uma doença.
É respeitar a história de uma vida.”
— Yuri Silva Portela
