Nunca Diga que Ama uma Pessoa
O INTERDITO DO SER
(Quando a resiliência se torna uma cela invisível.)
Muitas vezes possuímos a força necessária, mas enfrentamos circunstâncias tão adversas que nos retiram o direito ao sentir; há uma interdição externa que nos nega essa permissão.
A vida vai passando, e os ponteiros do relógio parecem cavalos selvagens correndo na praia deserta, com sede urgente de um oásis. São como os dias que nascem e morrem: às vezes nos exigem o encilho, mas em outros nos negam o fôlego.
Então, erguemos castelos de resiliência sobre terrenos movediços, dunas disformes e mares agitados. Sob o peso do dever, os ombros aprendem uma postura que não admite o tremor.
Temos, inevitavelmente, a força — essa força bruta, quase descomunal, que nos mantém de pé quando tudo ao redor desmorona. Mas é uma força solitária que ninguém vê; só a gente sente e observa, desprovida de alento.
As circunstâncias são como carcereiras invisíveis que impõem o silêncio aos nossos afetos. É a pressa do mundo, o rigor do papel que desempenhamos, a interdição de quem nos olha esperando apenas a solução, nunca o cansaço. O mundo nos aplaude a armadura, mas ignora a pele que pulsa por baixo dela.
Negam-nos a permissão. Dizem que o sentir é um luxo para tempos de bonança, um desvio de rota para quem tem pressa em chegar. E assim seguimos: fortes por fora, mas com um deserto de palavras não ditas por dentro. Pois a dor que não encontra o direito de ser sentida não desaparece; ela apenas se acumula nas frestas da nossa estrutura, esperando o dia em que a força, finalmente, se canse de ser apenas pedra e reivindique o seu sagrado direito de pulsar.
Porque a vida, tal qual uma vertente de rio, não foi feita para ficar represada em armaduras; ela nasce para contornar obstáculos e, enfim, desaguar no sentir.
Lu Lena / 2026
CHÃO E CÉU
(A plenitude de uma caminhada entre dois mundos)
Viver é caminhar, às vezes, com um pé no chão e uma mão no céu. E quando fecharmos nossos olhos e adormecermos na eternidade, veremos a luz que nos guiou nessa efemeridade terrena, porque é a mesma que nos soprou o fôlego da vida.
Lu Lena / 2026
O MALABARISMO
(A arte de não soltar o céu)
Com uma mão eu toco o céu e a outra eu toco o chão,
e assim vou seguindo fazendo esse malabarismo chamado vida.
Suspensa pelo fio da esperança
e ancorada pela corda da realidade.
Lu Lena / 2026
Todos os dias somos uma versão nova, tornamo-nos uma metamorfose da nossa própria essência, aprendendo sempre uma forma diferente de sair do casulo.
Lu Lena / 2026
MÃE, ORVALHO DO CÉU
Toda vez que uma mãe chora, um anjo desce à Terra e usa suas lágrimas para borrifar e polir todas as estrelas do céu.
Lu Lena / 2026
O sentido da vida está dentro de uma lógica muito maior do que a nossa percepção é capaz de apreender.
A Força da Linhagem: O destino moldou uma história mais firme e bonita quando vi crescer a minha Bruna, filha querida.Teu porte alto e tua presença morena e marcante trazem ao meu mundo uma nobreza constante,revelando a virtude que em tua alma habita.Tua inteligência brilha com passos seguros,um farol de lucidez para os dias futuros.Companheira fiel nas jornadas de cada estrada,tua mão junto à minha deixa a alma acalmada,construindo pontes sobre os tempos mais duros.No silêncio cúmplice do nosso caminhar,vejo a maturidade de quem sabe escutar.Você compreende o silêncio deste pai escritor,traduzindo em lealdade a matéria do amor,no laço mais nobre que a vida pôde me dar.O mundo lá fora desaba em pressa e ruído,mas ao teu lado o tempo ganha novo sentido.A ti, Bruna, dedico esta herança que escrevo,com o orgulho e o respeito que no peito levo,neste manuscrito que deixo hoje impresso e selado.AnjoPoeta
Medo de que o casamento não corra bem? De que o namoro não dê certo? De que tudo seja uma ilusão? O amor e o medo não podem andar juntos. Quem tem medo não entende do amor. Amar é precisamente não ter medo. É entender que se possui uma força imensa. Quem ama sabe que é também possuído e protegido pelo amor. E que por isso, caminha noutra altura; voa por cima dos cumes gelados, dos salpicos das ondas, das pedras afiadas e dos vales profundos. Quem ama navega por cima de um mundo muito pequeno, se move com asas de fogo, descansa em mãos de fadas, possui sua própria dimensão. Quem ama vira um ser de outro mundo.
Se os animais fossem sencientes a ponto de ter uma religião, os homens provavelmente seriam os demônios em seu livro sagrado.
FOLHAS DO TEMPO.
Como um vento a soprar sobre uma pradaria, assim perecem os sonhos do homem, que ele tanto queria.
A vida é como um vento que vai, que passa tão rápido e não volta mais.
Assim, nas folhas do livro do tempo, vamos escrevendo a história.
Não nas folhas que já se passaram completamente, mas na de agora — esta folha chamada presente.
Cícero Marcos
Prefiro sentir saudades do que deixar de viver grandes momentos. As saudades são uma consequência de quem teve muitas experiências boas na vida! Eu...
Na mitologia grega, Pandora, a primeira mulher criada pelos deuses, recebeu uma caixa (na verdade um pithos, um jarro) com a ordem de nunca abri-la. Vencida pela curiosidade, ela libertou todos os males da humanidade: doenças, vícios, ódio, velhice e morte. Ao fechar a caixa às pressas, apenas uma coisa restou dentro: a esperança (Elpis).
Muitos veem a esperança como consolo, mas Hesíodo, o poeta que narrou o mito, a considerava enganosa. A esperança mantém as pessoas presas a expectativas vazias, impedindo-as de aceitar a realidade e agir por si mesmas.
Por isso, não devemos ter esperança nas pessoas. O ser humano, por natureza, repete os erros de Pandora: cede à curiosidade destrutiva, libera males e, quando resta apenas a esperança, a usa como desculpa para não mudar. Confiar na esperança nos outros é acreditar que uma ilusória promessa interna pode reparar o que a própria ação quebrou. A esperança não salva — apenas adia o desastre.
CHAMA QUE NÃO SE APAGA 🔥
"Seja como a chama da vela: brilhe na escuridão,
uma chama que não se apaga facilmente,
nem com o vento, nem com o tempo,
irradie o ambiente,
deixando marcas em muita gente sendo fonte de inspiração."
— Mara Ferly
Eu tenho uma condição rara
Não tão rara
Se chama ‘mente tagarela’
Ela dialoga o tempo todo
Mil pensamentos por segundo
E às vezes fica difícil não transmitir o que ela diz
Em outros momentos, o ‘eu superior’ precisa intervir e dar a ela um pouco de ordem.
Eu posso ser
Centenas em uma só
Extremamente polida
Minimamente sem cerimônias
Depende das lentes que me enxergam
E das quais eu me permito ser enxergue
"Antes de comemorar a venda, calcule o lucro! Dinheiro que entra não é tudo seu: uma parte paga o que gastou, o lucro é o que fica no seu bolso no final." 💸🧠
IBIAPINA: TRADIÇÃO, CULTURA E MEMÓRIA
Ibiapina, uma terra abençoada,
No alto da serra fica localizada.
Seu nome carrega origem tupi,
marcando seu destino,
“terra tosqueada” de relevo divino.
Yby significa "terra", o chão a florescer.
Apin significa "pelado" relevo a crescer.
Serra bela, forte e cristalina,
Guardiã do verde, linda Ibiapina.
E na culinária não pode faltar,
O caldo de cana de açúcar é o melhor que há.
Tudo feito na hora, tradição milenar,
Impossível não querer provar.
As cachoeiras e o mirante fizeram a vida erguer.
Bica do Pajé, Buraco do Zeza e a Bigorna a permanecer.
Com turismo de paisagem ecológica a encantar,
Fazendo cada visitante pela natureza se apaixonar.
Ibiapina também tem muita ancestralidade e história,
Em honra ao Padre Ibiapina, ficou na memória.
Era missionário dos pobres, homem de fé e caridade,
Levando sua religiosidade em forma de bondade.
Fundou casas de caridade,
Ajudando o próximo com muita vontade.
Seu legado vive em cada esquina,
Na vida simples de quem mora em Ibiapina.
No dia vinte e três de novembro, então,
A cidade festeja sua emancipação.
Mais de cento e quarenta e oito anos de glória,
Ibiapina é cultura, tradição e memória.
— Mara Ferly
