Nunca Diga que Ama uma Pessoa
A maternidade atípica é uma experiência intensa, visceral e de amor profundo que transcende a compreensão superficial, exigindo uma força que humaniza e transforma a dor em esperança.
É um enfrentamento constante de preconceitos, desumanização (como a visão de “mães de anjos”), e uma necessidade angustiante de rede de apoio e busca por políticas públicas em prol de nossos filhos.
Lu Lena
MONTANDO PEÇAS
Sou uma alma acoplada em um corpo efêmero.
Todos os dias, ao acordar,
reviro dentro dele pedaços
de um tempo que ficou para trás.
São como peças de um quebra-cabeça
que insisto em montar.
E quando conseguir?
Deixarei minha história de vida
para alguém contar.
Lu Lena
REDE DE ESTRELAS
Peguei o cordão umbilical e amarrei cada ponta em uma estrela; então, um anjo me emprestou suas asas para que eu fizesse uma rede, onde pudesse descansar minha alma no céu.
Lu Lena
MONTANDO PEÇAS...
Sou uma alma acoplada num corpo efêmero e todos os dias ao acordar…
fico revirando dentro dele pedaços de um tempo que ficou pra trás…
Como se fossem peças de um quebra cabeças que tento montar…
E quando conseguir montar?
- Deixarei minha história de vida para alguém contar…
ÀS VEZES LOBA...
Como uma loba
às vezes libero
num uivo híbrido
minhas emoções
mais funestas no ar
e na total escuridão
numa noite intrépida
como testemunha
e cúmplice daquilo
que só eu sinto…
apenas o esplendor
do luar…
LINHA DA VIDA...
A vida não é mole, mas também não é dura…
é apenas uma linha que temos que passar
pelo buraco da agulha…
A vida é uma caixinha de surpresas a cada amanhecer e dependendo do dia voce tem até medo de abrir...
A vida é como uma novela, dependendo de como se acorda sempre vamos interpretar no nosso dia a dia um personagem diferente (da gente).
Por quê?
- Ficção é mais fácil de interpretar do que a nossa própria realidade.
As vezes acordo e tenho a sensação que esse mundo é apenas uma ficção e que sou apenas mais uma vítima do Filme Matrix, um sistema inteligente e artificial que manipula a mente das pessoas, criando a ilusão de um mundo real enquanto usa os cérebros e corpos dos indivíduos para produzir energia dentro de um mundo virtual.
Às vezes a prudência de não tomar uma atitude hoje é que pode ocasionar consequências dolorosas no amanhã.
Quando a gente acha que vai fazer o gol, vem a vida e te dá uma rasteira e o juiz (paciência) apita e diz que é pênalti e aí vem novamente os nossos sonhos fazer barreira.
A vida é uma caixinha de música, temos sempre que dar corda para que a nossa bailarina interna (alma) dance conforme os passos sincronizados dela.
Pelo sim ou pelo não, vou fazendo um zigue zague com uma cordinha chamada “talvez” e nessa linha imaginária e pueril ela fica flutuante como pipa conforme o vento sopra…
Onde?
- No meu coração!
E TUDO JÁ ESTAVA ESCRITO...
Quando nascemos trouxemos junto um bloquinho de notas, lápis e uma borracha.
E vamos anotando nossa história, algumas vezes corrigimos, outras vezes apagamos e muitas vezes arrancamos uma folhinha e refazemos novamente e assim o bloquinho vai terminando. Então, decidimos comprar um caderno bonito e bem encadernado e com bastante folhas para passar tudo a limpo, mas aí a gente se dá conta que o lápis já está sem ponta e gasto (de tanto usar e apontar) e a borracha já nem existe mais…
Por que?
- Tudo já estava escrito!
O VOO DO SER
(Entre o sopro e a luz)
Sou como uma nuvem passageira,
Sem forma fixa, sem peso ou chão;
Voo livre que separa o tempo
da finitude.
Nesse toque divino me desfaço,
Desprendo-me das amarras de quem julguei ser,
Deixando o ego perdido
Para um novo sentido poder florescer.
E finalmente, dentro dessa luz, me encontro,
Pois no ponto mais alto me liberto
Dessa impermanência no infinito.
Lanço um suspiro ao campo estelar que sorri para mim,
No sopro que acabo de soltar.
É nos dedos de Deus que me encontro,
Como um verso escrito em pleno ar,
No silêncio que desata esse nó da existência
E me ensina o segredo de apenas estar.
Lu Lena / 2026
O VOO DA ÁGUIA
(O passado ficou na água, hoje escolho voar.)
Pairava sobre mim uma sombra que não me pertencia. Doeu, até que o sofrimento virou cinzel e me esculpiu nova. Hoje, diante do espelho e da memória, faço como Pilatos: lavo as mãos. Deixo que a água leve os resíduos do passado. Sigo o caminho sob o sol, enfim, subo ao alto da montanha e, como águia, renasço e voo...
Lu Lena / 2026
A alma dos diferentes é feita de uma luz além.
2 de Abril é o Dia Mundial da Conscientização do Autismo, as palavras de Artur da Távola nos lembram que a neurodiversidade não é um "quebra-cabeça a ser montado", mas um universo a ser compreendido e respeitado. 🧩
É preciso recordar que a criança autista cresce; adultos existem, mas são frequentemente esquecidos.
Como diz o poeta, a alma dos diferentes é feita de uma luz além... 💫
E é nesse "além" que se encontram os autistas adultos, muitas vezes caminhando de mãos dadas com mães que carregam sozinhas uma lanterna na mão.
Ser diferente é carregar tesouros de ternura que nem todos conseguem enxergar de primeira. Mas o reconhecimento falha quando a mãe atípica deixa a lanterna cair pelo peso da exaustão.
Que possamos abrir nossos olhos e corações para que essa luz e essa lanterna se transformem em acolhimento, apoio e empatia.
Mais do que conscientizar, precisamos incluir e amar. Que a sociedade não nos entregue apenas a lanterna para continuarmos o caminho sós, mas que ela seja, finalmente, a própria LUZ. 💡
Lu Lena /2026
