Mirian Castanheira
De tudo não sei nada
Tenho apreço pela mais desimportantes
das palavras
E sobre as grandezas do nada eu quero
saber tudo
Que mania é essa que as pessoas têm de usarem verbo no infinitivo (?)
Talvez, só talvez, prefiram a brevidade do que o infinito.
Eu, que nunca me expressei como deveria, agora, em meio às minhas próprias vozes internas, tropeço.
— ecos de tudo aquilo que guardei.
Poesia intimista
É para quem sabe ler nas entrelinhas
Para quem furiosamente
Busca por sinais não convencionais.
Eu posso ser
Centenas em uma só
Extremamente polida
Minimamente sem cerimônias
Depende das lentes que me enxergam
E das quais eu me permito ser enxergue
Olhava ao longe
Uma árvore de tronco curvado
A qual oferecia uma sutil sombra
E desejosa, em pensamento,
Se via assentada abaixo dela
Em descanso e apreciação das pastagens
Enverdecidas em um tom quase seco
Contemplativa com a própria solidão
Ou, espere […], solitude?
Almas raras não temem estarem a sós consigo mesmas
Elas temem estarem presas a um mundo de brevidades vazias.
Poesia não faz sentido à primeira leitura
Se fizesse,
Os poetas perderiam o posto de malucos incompreendidos.
Es·cri·te·ra·pi·a
(es·cri·te·ra·pi·a)
s.f. (substantivo feminino) / (neologismo)
1. Ato, processo ou efeito de escrever com o intuito de alcançar alívio, equilíbrio ou cura emocional.
2. Escrita utilizada como ferramenta de autoconhecimento e cicatrização interna. Refúgio das emoções transformadas em palavra.
Etimologia
Composição híbrida: do latim scripta (escrita) + do grego therapía (tratamento, cura).
Sem hiato, sem depois, sem desculpas.
Perduraremos por todas as existências e universos.
Eu te infinito.
