Nunca Diga que Ama uma Pessoa
Você nunca esteve preso, apenas acreditou na ideia de um “alguém” que poderia se perder e depois se encontrar. Essa crença sustenta toda a busca. Quando isto é visto com clareza, a busca simplesmente acaba. Não há libertação, porque nunca houve prisão.
O desapego genuíno revela apenas aquilo que sempre este evidente: o Ser, intocado, sem centro, infinito e inabalável.
No ponto mais profundo, não há nem mesmo liberdade, porque nunca houve aprisionamento. A noção de libertação só faz sentido enquanto há alguém que se percebe preso. Quando essa base desaparece, não resta conquista, nem estado, nem realização - apenas o que nunca começou e nunca terminará.
Paródia: Naquela Mesa - Nelson Gonçalves.
Mesa Declinada
Naquela mesa ele nunca foi presente,
E esse amor ausente me bate sem dó.
Naquela mesa não houve vitórias,
E nunca demos glória pelo amor ao redor.
Naquela mesa faltou amor presente
E essa dor persistente vem logo de manhã.
E na minha lembrança só vem gatilho,
Por causa desse empecilho durmo no divã.
Sem saber que doesse tanto,
Tento conter os prantos que matam a mim.
Se eu contivesse essa ferida,
Essa dor da minha vida não seria o fim.
Esse ardor que mais ninguém cala
Embaraça minha fala quase que no fim.
E as memórias que eu tenho dele
Me deixam daquele jeito bem assim.
Esse ardor que mais ninguém cala
Embaraça minha fala quase que no fim.
E as memórias que eu tenho dele
Me deixam daquele jeito bem assim!!
Tsharllez Foucallt
Aceitar a sua cor
...E me diz um cidadão,
que nunca passou por tal situação:
“Cada um tem que aceitar a sua cor...”
Como assim, aceitar?
A minha cor não é um câncer,
não é uma síndrome,
não é uma deficiência.
A minha cor não é uma doença
para ser aceita, superada, removida ou esquecida.
Posso ser uma mulher negra e doente,
mas não sou doente por ser negra.
É esse surto silencioso,
disfarçado, maquiado, hipócrita,
que enfrentamos todos os dias —
nos olhares, nas atitudes,
nas perguntas retóricas que ferem mais que o silêncio.
Eu sou livre.
Posso ser o que eu quiser,
e como eu quiser.
A minha cor não me define.
Não define o meu caráter,
os meus valores,
a minha competência.
Pelo menos...
não deveria.
Racismo não é doença a ser curada.
Racismo é burrice.
É ignorância.
É maldade.
Mais de cento e trinta anos
lutando contra o que nunca deveria ter existido.
Centos e trinta anos lutando
por uma liberdade que humilha,
que sufoca,
que prende,
que mata.
A Borboleta Azul
Ela tem tantos poemas…
Que eu nunca imaginei.
Muitos já a viram…
Não fui só eu.
Li vários significados,
não sei se todos são verdade.
Alguns, eu gostaria que fossem…
Outros, talvez.
O que eu sei é que
foi uma sensação maravilhosa —
algo mágico.
E não sei se mereço
o direito de presenciar
um milagre assim.
E isso me assusta.
Penso: “Quem sou eu
para viver todo esse encanto?”
Um pequeno grão de areia…
E, incrivelmente, é real.
E nesse momento de reflexão,
compaixão e humildade…
ela pousa em mim.
Meu coração se renova
e se enche de uma alegria inexplicável.
Me sinto completa.
Me sinto num mundo de fantasia,
de faz de conta.
Ela levanta voo,
dança feliz…
E em nenhum momento
pensei em detê-la.
Porque a maravilha
é a vida,
e está em ser livre.
Penso que talvez
seja um sonho
do qual eu nunca quero acordar.
Não vi só beleza…
vi magia.
Abaixo a cabeça novamente
e, humildemente, agradeço.
Obrigada, Borboleta Azul.
Obrigada, meu Deus.
Talvez nunca tenha sido depressão…
Sempre pensei que a depressão fosse excesso…
sentir demais, transbordar por dentro.
Mas, outro dia, ouvi que talvez seja o oposto:
a falta.
E, de repente… fez sentido.
Atualmente, todos se veem
como depressivos…
E muitos estão apenas no lugar errado,
entre pessoas que não sabem acolher…
como um peixe fora d’água,
tentando respirar onde não há vida.
E tudo o que querem
é que o afeto que oferecem
um dia retorne.
São almas gentis,
que não se encaixam em um mundo
onde a hipocrisia virou costume.
Porque, às vezes, não é sobre sentir muito —
é sobre sentir o suficiente em um universo
pequeno demais.
Com seres presos em uma caixa
de autossuficiência…
onde não enxergam o próximo.
E, então, se decepcionam…
principalmente quando são
esquecidas, ignoradas, diminuídas.
Mas, lá no fundo —
bem no íntimo —
sabem.
Sabem que são luz.
E talvez doa justamente por isso:
porque sentem quando tentam apagá-las.
Sentem tanto…
que, às vezes, nem conseguem entender
o que se passa dentro de si.
E é nesse silêncio confuso
que nasce o chamado:
aproximar-se de Deus.
Não como fuga —
mas como reencontro.
Porque há um despertar acontecendo,
mesmo que doa, mesmo que pese.
E todo crescimento…
carrega um pouco de sacrifício.
