Frases sobre Nunca
Nunca esperes
por condições favoráveis
para realizar o que
desejas - na verdade, caberá
a ticriá-las, como um primeiro
passo na feitura daquilo
que ambicionas!
... o grande mal
do homem é o esquecimento.
E, por esquecer, nunca aprende.
Por não aprender, não evolui — e,
pior: abdica do mais caro dos
seus pertences, a sua
consciência!
Nunca pergunte quem sou
Não vou saber responder
Hoje sou uma pessoa
E outro ao amanhecer.
Gélson Pessoa
Santo Antônio do Salto da Onça RN
13/08/2026
QUANDO O PROGRESSO NÃO NOS TORNA HUMANOS
Nunca fomos tão capazes de compreender o universo. Calculamos o que antes parecia impossível, criamos máquinas que processam bilhões de informações, atravessamos continentes em poucas horas e colocamos nas mãos de qualquer pessoa uma quantidade de conhecimento que nenhuma geração anterior sequer poderia imaginar.
E, paradoxalmente, ainda não conseguimos resolver aquilo que talvez seja o problema mais antigo da humanidade: nós mesmos.
Continuamos matando por ódio, ciúme, vingança, intolerância e indiferença. Mulheres são assassinadas, crianças são violentadas, idosos são abandonados, famílias se destroem e vidas são interrompidas por conflitos que, muitas vezes, poderiam ter sido evitados pela simples capacidade de dialogar.
Então surge uma pergunta que nenhum avanço tecnológico consegue responder:
De que vale aumentar a inteligência das máquinas se não aumentamos a consciência dos seres humanos?
Podemos construir uma inteligência artificial capaz de aprender padrões em segundos. Podemos enviar uma mensagem para qualquer lugar do planeta. Podemos observar galáxias a bilhões de anos-luz. Podemos modificar genes, explorar o espaço e criar tecnologias que nossos antepassados considerariam magia.
Mas ainda encontramos seres humanos incapazes de controlar a própria raiva.
Talvez esse seja o grande paradoxo da nossa espécie.
Conhecemos cada vez mais o mundo, mas ainda conhecemos pouco de nós mesmos.
Informação não é sabedoria. Inteligência não é caráter. Conhecimento não é consciência.
Uma pessoa pode dominar matemática, física, tecnologia ou filosofia e, ainda assim, ser incapaz de sentir compaixão pelo sofrimento de outro ser humano.
O verdadeiro avanço talvez não possa ser medido apenas pela quantidade de coisas que conseguimos criar, mas pela quantidade de crueldade que conseguimos abandonar.
Porque evolução não deveria significar apenas ir mais longe.
Deveria significar ser melhor enquanto avançamos.
Se conseguimos ensinar uma máquina a reconhecer padrões, por que ainda não conseguimos ensinar uma sociedade a reconhecer a dor do outro?
Se conseguimos criar sistemas capazes de conversar com milhões de pessoas simultaneamente, por que ainda fracassamos tantas vezes em conversar dentro de nossas próprias casas?
Se temos acesso praticamente ilimitado à informação, por que continuamos escolhendo a ignorância quando ela alimenta nosso preconceito?
Talvez o problema não seja falta de inteligência.
Talvez seja falta de consciência sobre o que fazemos com a inteligência que possuímos.
O futuro pode nos oferecer máquinas extraordinárias, cidades inteligentes, medicina revolucionária e tecnologias inimagináveis.
Mas nenhuma dessas conquistas será suficiente se continuarmos carregando dentro de nós os mesmos impulsos primitivos que produziram violência, ódio e destruição ao longo da história.
Uma civilização não é verdadeiramente avançada apenas porque consegue construir máquinas mais inteligentes. Ela é avançada quando consegue produzir seres humanos mais conscientes.
E essa talvez seja a pergunta mais difícil de todas:
Estamos realmente evoluindo ou apenas ficando mais eficientes naquilo que já sabemos fazer?
Porque podemos conquistar o espaço e continuar perdidos dentro de nós mesmos.
Podemos criar inteligência artificial e permanecer incapazes de exercer inteligência emocional.
Podemos conhecer quase tudo sobre o universo e continuar sem compreender o valor de uma única vida humana.
E talvez, no fim, o maior teste da nossa inteligência não seja descobrir como dominar o mundo.
Talvez seja descobrir como não destruir uns aos outros enquanto tentamos dominá-lo.
A tecnologia nos deu poder.
O conhecimento nos deu possibilidades.
Mas somente a consciência poderá decidir o que faremos com tudo isso.
De que adianta conquistar o futuro se, para chegar até ele, perdermos aquilo que nos torna humanos?
Talvez essa seja a verdadeira fronteira que ainda precisamos atravessar.
Não está no espaço.
Não está nos computadores.
Não está nas máquinas.
Está dentro de nós.
“Montanhas foram criadas para serem escaladas e barreiras existem para serem ultrapassadas.
Nunca deixe de estabelecer metas de desenvolvimento temporal e principalmente espiritual para sua vida. E tenha sempre em mente que obstáculos surgirão mas que a razão disso é que eles servirão para valorizar ainda mais o valor da sua chegada, sua vitória, mesmo sua conquista”
Ney P. Batista
Jun/13/2021
Nunca se desespere diante das dores da vida, as sextas-feiras virão sempre mas o domingo também virá, assim como aconteceu com O nosso Salvador Jesus Cristo.
As pedras que surgem no nosso caminho, são para ser removidas por nós, pois é assim que nos tornamos mais fortes. Não importa o tamanho da pedra, o SENHOR só quer sentir nossa fé para crer que Ele nos dará a força necessária que precisamos para afastá-la do nosso caminho!
Eu, Ney Paula Batista, sei que Ele vive sim, Jesus Cristo, e que Seu Pai é o nosso SENHOR do Universo. As dores que passamos são sempre pedagógicas, até mesmo quando perdemos alguém que amamos. Lembre que o Filho sofreu tudo por nós e Seu Pai sentiu tudo isso, inclusive sua morte. Sendo assim, nossos sofrimentos nos ensinam muita coisa e podem nos tornar mais semelhantes a ELES.
Enfim, esse é o propósito dessa vida:
O tempo para nosso aperfeiçoamento espiritual que só pode acontecer pela dor pedagógica, isso mesmo, aquela que ensina e que quando compreendida e aceita, nos faz crescer.
Ney Paula B.
Tem gente que treina infidelidade. Gente que não se importa, que não luta por nada que nunca quis ser respeitador, verdadeiro. Nunca quis descobrir a verdade de suas escolhas dentro de si.
E esse é o pior infiel.
Não é leal nem a si.
Sei lá, a vida é tão curta.
Precisamos tirar o máximo proveito dela. E que seja positivo.
Nunca procures no outro o teu vazio de alma, a tua ilusão, pois todos nós nascemos incompletos.
E, só Deus nos ama, incondicionalmente!!!
Chamam-me de vilão porque minhas mãos estão manchadas de sangue. Curioso… nunca perguntaram de quem era o sangue que manchava as mãos dos heróis.
O problema nunca foi tratar alguém com respeito. O problema começa quando a virtude vira uniforme e a consciência passa a usar crachá.
Chamam isso de "politicamente correto". Eu chamaria de maquiagem para um cadáver. A mesma sociedade que transforma gente em número, afoga velhos na solidão, vende infância como produto, mede amor por conveniência e dignidade por seguidores, agora quer ensinar boas maneiras. É como um açougueiro discursando sobre vegetarianismo enquanto afia a faca.
Trocaram a ética pela etiqueta.
Antes, um homem podia ser um canalha sem pedir desculpas. Hoje ele destrói vidas durante o expediente e, antes de ir para casa, publica uma frase sobre empatia. A crueldade aprendeu gramática. A hipocrisia descobriu o vocabulário da inclusão. A mentira fez faculdade.
Não é civilização. É cosmética moral.
O ser humano continua o mesmo animal assustado, egoísta, faminto por poder e aprovação. Apenas aprendeu quais palavras lhe rendem aplausos. Descobriu que é mais lucrativo parecer bom do que tentar sê-lo.
A verdadeira decência nunca precisou de cartilha. Ela aparece quando ninguém está olhando. Quando você pode humilhar e escolhe compreender. Quando pode esmagar e prefere estender a mão. Quando discorda sem desejar exterminar quem pensa diferente.
Todo o resto é teatro.
E o teatro sempre foi o esconderijo favorito dos covardes.
Talvez o maior escândalo do nosso tempo não seja que existam pessoas más. Pessoas más sempre existiram. O escândalo é que elas aprenderam a vestir a roupa da virtude e convenceram o mundo de que a aparência vale mais do que o caráter.
No fim das contas, não temo o homem que admite suas sombras. Temo aquele que sorri com a máscara da moral enquanto troca, silenciosamente, os valores que sustentam a condição humana por slogans convenientes.
Porque quando a ética é substituída pela aprovação coletiva, sobra apenas uma multidão educada demais para dizer a verdade e vazia demais para reconhecer a própria humanidade.
A poesia nunca foi um lugar para gente limpa.
Os que procuram perfume nas palavras deveriam comprar flores de plástico. Duram mais e não fazem perguntas.
Um poema de verdade chega cheirando a cigarro velho, sangue seco e cerveja derramada sobre um balcão onde ninguém acredita em finais felizes. Não nasceu para ser recitado em auditórios cheios de gente elegante. Nasceu para estragar o jantar de alguém.
As pessoas querem versos educados. Querem metáforas que façam carinho na culpa, rimas que embalem o sono, autores que peçam desculpas por existir.
Que se danem.
A poesia não veio ao mundo para ser simpática. Veio para arrancar o verniz das coisas. Para lembrar que existe mais ódio escondido atrás de um sorriso do que em um punho fechado. Mais luxúria atrás de uma oração do que em muitos quartos de motel. Mais mentira em um discurso bonito do que na boca de um bêbado.
Os melhores versos não conversam.
Eles entram sem bater.
Sentam na sua sala.
Bebem a última cerveja.
Acendem o último cigarro.
Olham nos seus olhos e dizem aquilo que você passou a vida inteira tentando esconder de si mesmo.
É por isso que incomodam.
Porque toda boa poesia é uma acusação escrita com tinta.
E toda acusação verdadeira deixa cicatrizes.
Se um poema termina e você continua exatamente a mesma pessoa, então aquilo era só tinta sobre papel.
Não poesia.
- OS MORTOS QUE AINDA RESPIRAM - O pub fede a cerveja velha, tabaco barato e promessas que nunca sobreviveram ao amanhecer. A madeira do balcão conhece mais derrotas do que qualquer igreja conhece confissões. Ninguém ali é santo. Ninguém ali espera um milagre.
É por isso que gosto deste lugar.
Aqui a mentira morre cedo.
Vejo homens afogando décadas dentro de um copo. Vejo outros contando moedas enquanto fingem que ainda têm tempo. Todos repetem a mesma oração miserável:
"Amanhã eu começo."
Mentira.
O amanhã é um golpe inventado para tranquilizar covardes.
A vida acontece agora, enquanto o gelo derrete no copo, enquanto a fumaça sobe em espirais e enquanto o coração ainda insiste em bater. Cada segundo desperdiçado é um pedaço da própria existência vendido por quase nada.
Você pode esperar.
Esperar o dinheiro. Esperar o amor. Esperar a oportunidade perfeita. Esperar que o medo vá embora.
Só não reclame quando descobrir que a morte nunca esperou por você.
Não se curve.
Porque o mundo adora homens de joelhos. Gente obediente compra mais, pensa menos e morre em silêncio.
Não quebre.
Quebrou o nariz? Levante. Quebrou o coração? Continue. Quebrou os planos? Construa outros com os pedaços. Ferro só vira lâmina depois que conhece o fogo.
Não desista.
Os maiores túmulos não estão nos cemitérios. Estão andando pelas ruas, respirando por obrigação, existindo sem nunca terem vivido um único dia de verdade.
Eu só quero viver enquanto estou vivo.
Não quero uma biografia limpa. Quero marcas. Quero erros. Quero noites mal dormidas, gargalhadas inconvenientes, amores intensos, fracassos honestos e histórias que façam alguém baixar o copo para escutar até o fim.
No fim da noite, o dono do pub apagará as luzes.
Um dia alguém apagará as suas.
A única pergunta que importa é esta:
Quando isso acontecer, você terá vivido... ou apenas ocupado espaço entre o nascimento e o enterro?
A morte não leva apenas os vivos. Ela coleciona, principalmente, aqueles que passaram a vida inteira pedindo licença para existir.
*O BAR ONDE AS ALMAS BEBEM* - O bar nunca fechava.
Porque o bar era o mundo.
Os balcões eram estradas polidas pelos cotovelos de homens que aprenderam a negociar a própria alma antes mesmo de aprenderem a pronunciá-la. Ali ninguém chegava para beber. Chegava para esquecer o nome daquilo que um dia acreditou ser.
O barman nunca servia bebidas.
Servia sentenças.
Seu rosto era o meu, alguns fracassos mais velho. Seus olhos não julgavam. Apenas devolviam a imagem de um homem que descobriu cedo demais que a consciência é o único carrasco que jamais dorme.
Sentava-me diante dele como quem comparece ao próprio julgamento.
Não havia defesa.
Ao meu redor, os copos tilintavam como sinos de um funeral interminável. As vozes enchiam o ambiente, mas nenhuma dizia coisa alguma. Eram ruídos produzidos por almas que confundiram existência com sobrevivência e passaram a chamar adaptação de virtude.
As cadeiras vazias pesavam mais do que as ocupadas.
Porque a ausência também possui corpo.
Ela senta ao nosso lado, acende um cigarro invisível e nos acompanha até o último gole.
Acendi meu charuto.
A fumaça subiu lentamente, desenhando pensamentos que jamais encontrariam repouso. Não era fumaça.
Eram ideias recusando o cemitério.
Flutuavam acima da minha cabeça como corvos circulando um campo onde Deus esqueceu de aparecer. Algumas morriam antes de ganhar forma. Outras retornavam para devorar aquilo que eu ainda chamava de esperança.
O barman serviu o whisky.
Não veio da garrafa.
Veio dos grãos espalhados pelo caminho. Da terra pisada por desconhecidos. Das derrotas herdadas de homens que nunca conheci. Das lágrimas que não eram minhas, mas que fermentaram dentro de mim até perderem o gosto de sal e adquirirem o gosto amargo da lucidez.
Bebi devagar.
Cada gole era um verso.
Cada verso era uma hemorragia que aprendera a sangrar para dentro.
Foi então que compreendi a maior mentira já aceita pelos frequentadores daquele lugar.
Não haviam destruído os valores.
Apenas mudaram seus nomes.
A covardia vestiu a roupa da prudência.
A indiferença passou a ser maturidade.
O egoísmo ganhou o perfume da liberdade.
A mentira tornou-se diplomacia.
A rendição foi chamada de paz. E a consciência... essa foi trancada no porão para que ninguém precisasse ouvir seus gritos durante o jantar.
Todos brindavam.
Não à vida.
Mas ao alívio de não precisarem mais distinguir o certo do conveniente.
É mais fácil dormir quando se assassina o espelho.
Olhei novamente para o barman.
Ele sorriu com uma tristeza antiga.
Como quem sabe que nenhum homem sai dali melhor do que entrou. Apenas mais consciente da própria escuridão.
E talvez seja esse o verdadeiro inferno.
Não o fogo.
Nem os demônios.
Mas caminhar entre milhões de pessoas e descobrir que a maioria já não vendeu a alma.
Descobrir que sequer acredita possuir uma.
Apaguei o charuto.
As últimas espirais desapareceram no teto como desaparecem as civilizações: não quando deixam de respirar, mas quando deixam de reconhecer o peso da verdade.
Deixei o copo vazio sobre o balcão.
O barman nada disse.
Também não era necessário.
Há silêncios que escrevem poemas com mais sangue do que qualquer homem conseguiria suportar
“Eu desconfio das almas que nunca conheceram a própria escuridão; talvez elas ainda não tenham descoberto a profundidade da própria luz.”
— Juliana Hoffmann Liska
Ser forte não significa nunca ter medo, incertezas ou momentos de dúvida. Ser forte é olhar para as próprias vulnerabilidades, reconhecer suas marcas e, mesmo assim, escolher caminhar com integridade e honestidade. O respeito mais valioso que você pode conquistar na vida não é o aplauso dos outros, mas aquele momento em que você se olha no espelho e sente orgulho da pessoa que se tornou.Siga firme,respeitando o seu próprio tempo. A caminhada é sua e cada passo conta...
*Bora pra cima*
morango.
Morango tem uma coisa curiosa, parece frágil, mas nunca passa despercebido.
Talvez seja a cor. Aquele vermelho vivo, quase exagerado, como se tivesse sido feito para chamar atenção mesmo quando está perdido no meio de tantas outras frutas. Talvez seja o contraste entre o doce e o azedo, entre aquilo que parece delicado por fora e aquilo que permanece na boca depois da primeira mordida.
Eu nunca gostei de morango.
E talvez seja justamente isso que torne tudo mais bonito.
Porque, antes de você, morango era só uma coisa que eu não gostava. Não fazia questão, não procurava, não sentia falta. Se estivesse na minha frente, provavelmente eu deixaria para lá.
Até você aparecer e, de algum jeito, me fazer gostar.
Não sei exatamente quando aconteceu. Talvez tenha sido aos poucos, como quase tudo que realmente muda a gente. Um dia eu provei. Depois outro. E, quando percebi, aquilo que antes eu não gostava já tinha se tornado uma das pequenas coisas que eu gostava.
E agora eu gosto de morango.
Só que existe um problema nisso.
Eu gosto de morango e lembro de você.
E talvez você tenha percebido hoje.
Ou talvez não.
Porque eu passei o dia inteiro falando de morango para você.
Morango pra cá.
Morango pra lá.
Uma hora era sobre comer morango, outra era sobre gostar de morango, outra eu simplesmente dava um jeito de colocar morango no meio da conversa.
E você não entendeu.
Achou que eu estava falando de morango.
E eu estava.
Mas não estava só falando de morango.
Esse era o jogo.
Você funciona assim pra mim, como o morango hoje.
E o morango?
Ai vem na cabeça o morango, falo sobre o morango, penso no morango, o morango hoje como foi pra você.
É como se o morango tivesse instalado numa parte lá, e fica chato, repetitivo, e porque você tá falando do morango o dia inteiro? porque você escreve sobre o morango o dia inteiro?
nem você mesma se fosse um morango iria querer ouvir falar do morango o dia inteiro.
Imagina como deve ser para as pessoas que me ouvem falar de morango.
A graça estava justamente em deixar a palavra passar pela sua frente o dia inteiro sem explicar por que ela estava ali. Eu queria ver se, em algum momento, você perceberia que eu estava tentando dizer alguma coisa sem realmente dizer.
Porque, para qualquer outra pessoa, era só uma fruta.
Para mim, era você disfarçada de fruta.
E talvez seja engraçado pensar que eu passei o dia inteiro te falando de morango sem falar de você nenhuma vez.
Ou melhor, falando o tempo inteiro.
Penso nas coisas que você gosta, nos pequenos detalhes que talvez nem perceba que deixou pelo caminho. Na maneira como certos sabores parecem ter sido feitos para você, nas pequenas preferências que foram ficando conhecidas por mim quase sem perceber.
E morango acabou entrando nesse lugar.
Talvez porque tenha a mesma contradição que você carrega. Uma coisa bonita, doce, quase delicada, mas que também sabe ser intensa. Que não precisa fazer esforço para ocupar espaço. Que basta aparecer para mudar alguma coisa ao redor.
E existe uma parte engraçada nisso tudo.
Porque eu posso olhar para um morango hoje e pensar que é só um morango. Posso cortar, comer, deixar de lado. Mas em algum momento vou lembrar que existe uma pessoa que fez aquela fruta significar alguma coisa diferente.
Você me fez gostar de uma coisa que eu nunca gostei.
E talvez você nem saiba o tamanho disso.
Porque algumas pessoas passam pela nossa vida e deixam fotos. Outras deixam frases. Outras deixam lugares.
Você deixou tudo isso, incluindo gostos novos.
Deixou pequenas preferências espalhadas em mim, como se tivesse colocado um pouco de você em coisas que continuam existindo mesmo quando você não está.
E talvez, se algum dia ler essas palavras, vá entender imediatamente.
Talvez você entenda e finalmente perceba que eu estava tentando te contar uma coisa.
Que quando eu dizia morango, eu queria que você pensasse em você.
Que quando eu insistia em morango, talvez estivesse esperando que você percebesse a coincidência.
Que eu nunca gostei de morango.
Mas você me fez gostar.
E agora eu gosto de morango.
E por gostar de morango, eu lembro de você.
Talvez seja justamente por isso que eu não precise dizer seu nome.
Porque morango já basta.
Você sabe.
Eu sei.
E, no fim, existem coisas que só fazem sentido para duas pessoas. O resto do mundo pode olhar e enxergar uma fruta vermelha, bonita, doce, comum.
Eu olho e vejo tudo aquilo que, de alguma maneira, ficou associado a você.
O gosto.
A cor.
As coisas que você gosta.
E aquela brincadeira que você não entendeu .
Talvez agora entenda.
Talvez tenha entendido e só tenha fingido que não.
Mas tudo bem.
Alguns jogos são melhores quando a outra pessoa demora para descobrir a resposta.
E a minha resposta foi simples:
morango.
Porque eu nunca gostei de morango.
Até você.
E agora, toda vez que eu gosto de morango, eu lembro de você.
