Nove Noites de Bernardo Carvalho
MEDOS E TERREMOTOS
Trancos.
Barrancos.
São enormes os empecilhos
E constantes as desilusões.
Lágrimas.
Angústias.
Sentimentos e sensações
Dos medos e frustrações.
O passado.
O futuro.
O receio de o que é hoje
Deixar de ser meu porto seguro.
Tão certas as incertezas.
Tão vivas as emoções,
Mas a vida só faz surpresas
A quem se entrega às paixões.
E é a mesa que eu viro.
E de tempestade encho o copo.
Não sou feita de suspiros,
Mas de muitos terremotos.
Nara Minervino
AMORES E ESTAÇÕES
São quatro as estações
Que mudam o tempo e as condições
Do clima e das paixões
Dos desejos e das ilusões:
A Primavera mais bela
Diminui o tempo de espera
Por um amor tão bonito
Que torne o tempo infinito.
O Verão é a estação
Que incendeia a multidão
Daqueles que ardente anseiam
Por um amor que de fogo queimam.
O Outono vem com tudo
Desabafando sons que são mudos.
Ele faz renascer e viver
Amores quase a adormecer.
Aí chega o frio Inverno,
Com seus calafrios externos,
Convidando o mundo todo
A dormir no aconchego um do outro.
VEM SEM MEDO, POETISA
Um convite, uma indicação,
E eis que nasce em furacão:
A mulher, a poetisa,
De ideias não dormidas
E há muito de emoções sentidas.
Poetisa que, mais que fecha,
Não deixa abrir feridas,
Que acalanta as almas de tantos
Desencantados de encantos
E de outros que jamais sabem
Que é a vida que os poetas invadem.
Nasce a poetisa artesã,
De palavras e de divã,
Que descreve com singularidade
(Des)alentos que a todos invadem
E que diz com alegria
Que o viver faz a alma sortida
De prazeres e de deveres,
De sonhos e fantasias,
De problemas e de dilemas,
De solidões, companhias.
Nasce a poetisa de alma só,
A poetisa de alma só dela,
Que, se encontrando em si mesma,
É no outro que se vê mais bela
De palavras e pensamentos
Que fazem sua inspiração deleitar
No papel, versos e incrementos
Que toda a poesia lhe dá.
Poetisa de almas e delírios,
Acalma aqui seus suspiros
Por uma vida de amor,
Cheia de luz e esplendor.
Que seus textos, em poucos versos
- Mas para a vida tão certos -,
Cheguem aqui a repousar
E à nossa antologia acrescentar
A definição do amor verdadeiro
E a contemplação do amar sem receio.
Que mostre à humanidade
Que é preciso amar com vontade,
De se perder e de se achar
Nos braços que só o amor dá.
Poetisa de vida e de almas,
Cujos versos corações acalma,
Cujos versos vêm oferecer
Calor para tantos do frio se aquecer,
Chega aqui, vem sem medo,
Que este espaço lhe será bom recreio.
Enriquece, pois, seus anseios
E se deleita, aqui, em devaneios.
APELO AO MEU AMADO
Vou inventando palavras e elaborando canções
Que envolvam o meu amado e arrebatem suas emoções.
Não quero seu amor sofrido nem sua dor sentida.
Quero seu desejo mais vivo e sua vontade de vida.
Vem amado que amo! Vem logo pra mim, me amando!
Não posso viver sem ti, pois preciso continuar pulsando.
Aceita o meu amor ardente que do peito está exalando
O desejo de para sempre te amar e viver para sempre sonhando.
LEONINOS SOMOS
Leoninos somos
Chama que queima
Fogo que arde
Amor que invade.
Leoninos somos
Mar em fúria
Vulcão em tormenta
Paixão que alimenta.
Leoninos somos
Flor com espinho,
Abrigo e castigo
Mão boba e sorriso.
Leoninos somos
Presente
E corrente
E enchente
Que supera e alaga
As mentes das gentes.
Leoninos somos
Assim e assado.
O presente e o passado
De um futuro que chega
Por nós programado!
Nara Minervino.
O tempo
É impressionante como o tempo passa depressa, e nós não nos damos conta!
Não nos damos conta de que, ao ir embora, o tempo leva consigo as melhores e as piores experiências; leva consigo os melhores amigos e os melhores inimigos; leva os amigos de infância, os colegas de trabalho e alguns parentes, inclusive.
O tempo leva consigo, ainda, as alegrias, as dores, os sorrisos e as lágrimas; leva as surpresas e as frustrações. Até as lembranças o tempo se encarrega de levar de nós.
No entanto, as pessoas especiais, de algum modo e por alguma razão, o tempo não tira da gente, e elas seguem eternizadas em nossas vidas.
Torne-se eternizado na vida de alguém.
Nara Minervino
LIÇÃO DA ABELHA-RAINHA AO ZANGÃO ABUSADO
Era uma abelha-rainha zangada com seu zangão,
Pois todo dia ele vinha e esquecia o seu ferrão.
O zangão pedia à rainha o ferrão dela emprestado,
E quando o usava saía sem nem dizer obrigado.
Parecia que a rainha tinha o dever de lhe dar
O ferrão que ela tinha, e nem sequer podia usar.
Mesmo contrariada, a rainha atendia o pedido,
Achava mesquinharia não fazer um favor ao amigo.
Acontece que todo dia, todo dia sem esquecer
O zangão sempre saía e não lembrava de agradecer.
Um dia quando o zangão chegou pra fazer o empréstimo,
A rainha olhou pra ele e disse num tom bem completo:
"É muito feio você pra vida não estar preparado.
Todo dia você esquece do seu ferrão de bom grado.
Não vejo nenhum problema no meu ferrão emprestar.
Acontece que é muito feio dos favores abusar.
Além de ser feio explorar os favores de um amigo,
É mais feio, ainda, você ser mal agradecido."
O zangão, surpreendido, ficou "de boca aberta",
Não imaginava que a rainha lhe diria verdades tão certas.
Todo envergonhado, o zangão saiu de fininho
E foi embora voando, com o seu coração bem partido.
Chegando em casa chorou e passou a noite pensando.
No outro dia voltou e à rainha foi logo falando:
"Você é uma amiga que me ama de verdade.
Me ensinou que é importante respeitar as amizades.
Eu quero lhe agradecer por tudo o que me disse,
Muitas vezes nessa vida agimos com muita burrice.
Nunca mais vou abusar do seu nobre coração
E não vou mais me esquecer de andar com meu ferrão."
Depois de agradecer os ensinamentos da abelha-rainha,
O zangão saiu feliz, voando com muita euforia.
Ele aprendeu a lição que nunca mais vai esquecer:
"É muito bom ter amigos que lhes ensinem a crescer".
A abelha-rainha, que sempre ajudou ao zangão,
Ensinou para ele muito mais que uma linda lição
Ela ensinou que na vida é normal todo mundo errar,
Mas é muito feio, pra todos, com o erro se acostumar.
Nara Minervino
Há perguntas para as quais não se tem respostas, porque essas devem ser encontradas, como há respostas que, exatamente por não serem dadas, respondem, com seu silêncio, qualquer pergunta.
... E era um príncipe
tão encantado,
que se transformou
num sapo malvado!
Não era pra ser o contrário?!
FLORES DA VIDA!
Flor,
Botão,
Pétala
E emoção.
Estação,
Encantamento,
Poesia
E sentimento.
É assim a primavera
De cada flor tão bela!
Rosas asiáticas
E Jasmins aromáticas
Distribuem suas belezas
No meio da natureza.
Têm, ainda, as Tulipas
De pétalas raras e ricas,
Além das lindas Amarílis,
Que são naturais arco-íris,
E das incríveis Margaridas,
Cujas cores são bem vivas.
Que assim sejam os jardins
Dos corações e afins
Que, independente de estações,
Vivem de amor e emoções,
Porque a nossa humanidade,
Pra viver com dignidade,
Precisa urgentemente
Desse perfume atraente
Que só das flores exalam
E que de suas belezas espalham
A maior das alegrias:
Viver com as diferenças,
Mas em plena harmonia.
Nara Minervino.
EU SEM VOCÊ
Em dias que sinto frio,
No teu calor eu me esquento,
Mas, quando não estás comigo,
Oh! Meu DEUS!
Como é grande o meu tormento.
Um suor frio, gelado
Toma conta do meu corpo atormentado
E num grito surdo, sem voz,
Eu penso num repente:
O que foi feito de nós?!
Nara Minervino.
POBRE ESNOBE
Eu acho é POUCO
Nesse mundo LOUCO
Quando alguém se ENGANA
Com a máquina da FAMA
E sai HUMILHANDO
Quem só está COMEÇANDO!
Se há quem PENSA
Que a RECOMPENSA
Para alguém ser FELIZ
É passar a ESNOBAR
E, até, ARREBITAR
O seu próprio NARIZ,
Esse é um pobre COITADO
Com certeza DESAMADO
Pois não conheceu o CALOR
De quem já viveu o AMOR!
Nara Marcelino
DEDICAÇÃO
Entregue-se,
de corpo,
de alma.
DEDIQUE-SE!
Não se tem
grandes conquistas
com pequenos empenhos.
Pessoas que fingem ser nossas amigas são sempre interesseiras: interesse no nosso dinheiro, na vida que nos conduz e principalmente em desvendar o segredo que nos mantém de pé. Esse tipo de amigo não me serve nem ao menos para aplaudir meu sucesso.Mas permito que continue admirando-me pelo que SOU e não aparento ter...
Para cada dia, um novo sol.
Para cada noite, novas estrelas.
Para cada oração, toda a fé.
Para cada plano, um único DEUS!
Nara Minervino.
MARÍLIA
Ela não é exata,
Não é fração nem polinômio.
É complexa. É inteira.
Ela é monômio!
Ela é produto único
De fatores tão múltiplos:
Alma, coração e razão.
Das quatro operações,
Soma sensações,
Subtrai imperfeições
E divide emoções.
O amor que nela habita
Faz crescer e multiplica!
Não é conjunto unitário,
Pois seu viver não é solitário.
E é nesse conjunto infinito
Que mora o amor mais bonito,
Fruto da grande paixão
Com o dono do seu coração.
Os números, que não têm fim,
São perto dela algo assim:
Poucos e limitados,
Restritos e apagados.
Ela é intensa. Ela é real.
Não é nenhum decimal.
Ela é plena. É equação.
É velocidade. Interseção.
Por ser a ponta do vértice,
A paz e o amor se convertem,
Se inflamam e se propagam
E entre os que ama se espalham.
Assim é a linda Marília
Que não é a de Dirceu.
É a Marília dos números
Que a matemática escolheu.
É a Marília do Carlos,
Que com ela sonha acordado.
Também da Letícia e da Laura,
Geradas bem na sua alma.
É a Marília dos alunos,
Dos professores e amigos.
A Marília de todos nós
Que amamos o seu sorriso.
Marília, você é mais
Do que pode imaginar.
Nem a maior matemática
Vai poder te acompanhar.
Eu sou aquela amiga
Que na vida te conheceu
E que logo descobriu:
Você é perfeição de DEUS!
O TEMPO
O TEMPO
Começa vidas e encerra ciclos.
Não se apressa nem se atrasa.
Constroi sonhos e ilusões acaba.
Modifica planos e altera objetivos.
O TEMPO
Não tem freios nem amarras.
Não faz sequer uma parada.
Não se apega a nenhum ninho,
Porque ele é "um ser" sozinho.
O TEMPO
É isento das ilusões.
Inicia e encerra paixões.
Está sempre jovem e ativo.
Não pára frente ao perigo.
O TEMPO
É dono de si e governa o mundo.
Passa depressa, num rápido segundo.
Não é apenas um vagão. Ele é o trem,
Que não muda o caminho pelos planos de ninguém.
O TEMPO
Não é meu, não é seu, não é nosso.
Ele segue por si, sem nenuhum propósito.
Mas sua verdade é clara e difundida:
Ele só é bom para quem vive bem a vida.
Nara Minervino
