Norte
Vida
Tudo é tão superficial e sintético, o presente que vemos agora se tornará passado em poucos instantes. Mesmo que queiramos, a trajetória do ser humano se resume em viver e o resultado no final são as lembranças deixadas e marcadas nas vidas das demais pessoas, mas o que é esse viver?
Será que estamos, na verdade, só sobrevivendo, como um dia após o outro, ou existe um sentido no centro de toda esta história?
O Único motivo que faz toda relatividade ser aniquilada é a própria Vida, o real sentido de estarmos aqui. Se nascemos, logo, temos uma razão para nos encontrarmos neste mundo e período, nada que ocorre é em vão. Entretanto, a escolha está em nossas mãos de fazermos valer a nossa estadia nesta terra, mesmo sendo curta e breve, ou de simplesmente só sermos mais um em meio a multidão que perambula pelas ruas sem sentido algum.
Muitos não foram chamados para fazer arquitetura, outros não foram selecionados para atuarem na medicina, no entanto, todos fomos chamados para algo, e em meio a peculiaridade de cada um, fomos escolhidos para um propósito maior, que está intrínseco em todos nós.
Precisamos parar e ouvir a Voz que ecoa em nosso peito, e escutar o que ela diz, para que entendamos qual o verdadeiro Norte que tornará nossas vidas um marco sobre esta terra e que dará direção sobre nossos passos, não a tornando como uma qualquer, mas fazendo valer cada respirar, cada batimento de nosso coração e cada despertar de toda manhã.
LINDO ROSTO
Lindo rosto de mulher.
Cabelos negros caídos
sobre ele.
Boca de um sorriso que
nos deixa perdido, até
do mundo se fica esquecido.
Lábios que devem ser quentes,
queixo meigo de boneca,
jeito doce de olhar.
Ao te ver o coração pulsa
mais forte.
Teus olhos indicam o norte
de um querer sem fim.
Ah! se tu soubésses o bem
que fazes à mim?
Roldão Aires
Membro Honorário da Academia Cabista. RJ
Membro Honorário da Academia de Letras do Brasil
Membro da U.B.E
Acadêmico da Acilbras - Roldão Aires
Cadeira 681 -
Patrono- Armando Caaraüra- Presidente
No Brasil da pra sentir o nariz gelado,mas não a ponto de por um casaco. É como se você tivesse uma radiação a sua volta. A energia do calor do corpo vence o frio, e dá uma sensação refrescante.
No mesmo Brasil da pra viver em um lugar que quase todo dia as 18:00, chove. Da para colecionar um leque novos sentimentos com esse clima.
De norte a sul, as pessoas estão se entregando ao narcisismo digital e alimentação e hábitos medíocres.
A mudança se dá apenas em você e isso transforma o mundo ao seu redor.
UM PONTO
Tudo, aliás, é um ponto.
Um ponto incerto.
Um ponto sem nó.
Um ponto de interrogação.
Um nó atravessado.
Uma incerteza dentro da outra.
Uma exclamação.
A vida
A morte
Meu norte
Meu nada
Meu tudo
Verticalizado
Nas ruas desertas.
Assim, aliás, é o meu mundo,
Enigmatizado,
Energizado,
Sem uma pretensão,
Apenas uma razão
E uma loucura.
Florescem Cosmos
nas duas Américas
cada Hemisfério
guarda o seu mistério.
Continuo esperando
por você como a noite
espera o dia clarear:
te quero ver raiar.
O nosso Sul é o norte,
o coração é ciente
de que o amor tem
a sua própria sorte.
Você é meu fraco,
o meu ponto mais forte,
e na vida não há outro
amor que em mim horte.
Às vezes falo, grito,
mesmo estando mudo.
Há sentimento
que não se traduz.
As palavras não dizem tudo.
Se a esta hora o agora
se fez em você passivo,
é porque de algum modo
estou em você cativo.
Se a esta hora meu verso
é espelho e você me lê,
é porque de algum modo
estou vivo em você.
Os vencidos não têm história
e a glória é tarde
para a palavra vazia.
Sincronizo o tempo
e os vencidos escorrem
pelo ralo da pia.
Conto do Desmantelo Azul
Uma vez, durante a primavera, eu vi o mar. Era fim de tarde, eu era criança, pouco mais de seis anos. Foi a primeira, foi a última vez.
O encontro, no horizonte, do céu azul com um mundo de espelho azulado com moldura azul-dourada invadiu meus olhos, arrebatou minha alma. Nunca nada mais enxerguei.
Uma vez, durante a primavera, ouvi o mar. Era fim de tarde, eu criança era, pouco mais de seis anos. Foi a primeira, foi a última vez.
O encontro do marulho azul com o silêncio azulado do infinito estourou meus tímpanos, ensurdeceu minha alma. Nada nunca mais ouvi.
Uma vez, durante a primavera, cheirei o mar. Era fim de tarde, criança eu era, pouco mais de seis anos. Foi a primeira, foi a última vez.
O encontro da maresia de azul salgado com o aroma celeste de um céu azulado quase noite entranhou-se pelas minhas narinas, embrenhou-se em minha alma.
Nunca mais nada cheirei.
Uma vez, durante a primavera, degustei o mar. Era fim de tarde, era eu criança, pouco mais de seis anos. Foi a primeira, foi a última vez.
O encontro de minha doce inocência com o azul salgado segredo das águas engravidou meu peito, emprenhou minha alma. Nada nunca mais provei.
Hoje, toda tarde, sento em frente ao mar, e uma suave fluida mão anil acaricia minha pele instantes antes de meu corpo se diluir na brisa marinha e meus poros explodirem em azul ao serem penetrados pela alma do mundo.
Arrancar do peito o indizível,
e deixá-lo exposto em minha cara,
pode ser um ato de extremo egoísmo,
mas é no fundo do abismo
que nascem as flores mais raras.
Não se limite
a dizer coisa com causa.
Não beba o eco ou o cio
que brota de versos alheios.
Não se banhe duas vezes
no mesmo vazio,
mesmo estando cheio.
Não caminhe por estradas conhecidas
nem queira novas perguntas
para suas velhas respostas.
Não se imite,
perca-se no caminho da volta.
Não tenho visão, sou visionário
no dicionário dos pequenos.
Não tenho calma, trago na palma
a alma dos mais, a alma dos menos.
Não tenho fama, sou difamado
pelos mais amados, pelos mais amenos.
Não tenho abrigo, sou amigo das estradas,
das madrugadas, do sereno.
Não tenho dor, vivo doendo.
Não faço versos,
os versos, em mim, vão se fazendo.
Quanta coisa me trava:
o medo, a solidão, a palavra.
Quanta coisa me cala:
a dor, o desejo, a fala.
Quanta coisa me cria:
a palavra, a fala, a poesia.
Palavro termos ternos,
buscando no efêmero
o que tenho de eterno.
A solidão vocabulizo
e, em cada rima perdida,
em cada rumo que tomo na vida,
eu me poetizo.
Verdadei minhas mentiras
de tal modo no abismo
mais profundo de mim
que as flores viçosas de plástico
coloriram e perfumaram meu jardim.
Sucumbi às minhas verdades
de modo tão íntimo, tão intenso
que construí com lágrimas
e com lenços
minha torre de marfim.
Vivi de tal modo
todos os meus eus,
que já não sei quem
me dirá adeus
quando eu chegar ao fim.
Se você pudesse
ouvir meu olhar,
evitaria a verdade
que, em minha boca, tropeça.
Se você pudesse ver
a alegria de minha alma,
quando a aurora começa,
amaria o menino
que a noite flecha.
