Nem de mais nem de menos
Enquanto todo mundo quer mais
Meu coração deseja um pouco menos
Menos astúcia, menos desconfiança
e um pouco menos angústia
Meu coração de criança
deseja que não houvesse
este excesso de falsas promessas
Proferidas por tantas mãos
unidas em prece
Eu queria que no mundo houvesse
Menos dor, menos rancor e falsidade
Procedente deste excedente de má vontade
Queria viver, enquanto há vida
Uma vida que fosse, ao menos levemente
uma vida de verdade
Enquanto meu coração pede menos
Os meus olhos pedem mais
Mais abelhas entre as flores
Mais aviões no Céu
todos feitos de papel
Mais sapos a cantar na noite
Mais estrelas visíveis
No clarão da madrugada
Mais sonhos possíveis
Mais frutas nos pomares
Promessas verdadeiras
Agradecidas nos altares
Sorrisos costumeiros
e cumprimentos matinais
e poemas madrigais
e que houvesse lugar pra todos
O último e o antepenúltimo
O primeiro e o segundo
Meus olhos desejam ver
Um pouco mais de amor neste mundo.
Escolher suas lutas te torna
menos reativa
e mais consciente.
Te tira do impulso
e te coloca no comando.
Nem toda batalha merece teu sangue,
nem toda provocação merece tua voz.
Escolher é maturidade.
É saber que vencer, às vezes,
é simplesmente não entrar.
utopia?
Tem dias em que acordar parece menos um começo e mais uma conferência.
Antes mesmo de levantar da cama, existe uma lista invisível esperando por ele. Não são grandes sonhos escritos em papel, nem promessas bonitas feitas para o futuro. São necessidades pequenas, quase ridículas quando colocadas lado a lado, mas que juntas dizem muito sobre quem ele se tornou.
Precisa de dinheiro. Não pelo dinheiro em si, mas pela tranquilidade que ele promete. Precisa guardar, investir, construir alguma coisa que permita olhar para a velhice sem sentir que o futuro é uma ameaça. Existe uma vontade cada vez maior de sair do lugar onde está, conhecer outro país, aprender outra língua, começar de novo em algum canto onde ninguém saiba seu nome.
Precisa ser forte também.
E talvez essa seja uma das coisas mais difíceis.
Porque existe uma contradição nele que ninguém vê de primeira. Por fora, aprende a ser durão. Engole certas palavras, segura algumas vontades, finge que determinadas coisas não doem. Mas por dentro continua sendo sentimental demais. Ainda se importa. Ainda espera. Ainda sente falta. Ainda consegue transformar uma conversa pequena em alguma coisa enorme dentro da cabeça.
Precisa falar com alguém.
Não necessariamente para ser aconselhado. Às vezes, só precisa encontrar alguém que também esteja cansado de guardar coisas dentro de si. Alguém que não tenha medo do silêncio depois da conversa. Alguém que entenda que existem sentimentos que não querem solução, só companhia.
Precisa escrever também.
Talvez seja por isso que transforma tanta coisa em texto. Porque quando não consegue dizer, escreve. Quando não sabe para quem falar, escreve. Quando alguma lembrança insiste em voltar, escreve. Como se cada palavra colocada no papel fosse uma maneira de impedir que alguma parte dele desaparecesse.
Precisa de uma vitória do Palmeiras, dessas que fazem o mundo parecer menos complicado por algumas horas. Precisa de uma música certa no momento certo. Precisa de uma noite em que o celular fique virado para baixo e a cabeça finalmente fique quieta. Precisa rir de alguma coisa idiota. Precisa encontrar motivos pequenos para continuar acreditando que a vida não é feita apenas das coisas que deram errado.
Precisa cuidar da família.
Precisa cuidar de si.
Precisa ter fé, mesmo quando não entende muito bem o que está esperando.
E, principalmente, precisa de carinho.
Talvez esse seja o item mais difícil de admitir.
Porque dinheiro se procura. Trabalho se conquista. Uma passagem pode ser comprada. Um idioma pode ser aprendido. Um carro pode ser trocado. Uma cidade pode ser deixada para trás.
Mas carinho não funciona assim.
Carinho precisa vir de alguém.
E talvez por isso ainda exista, em algum canto dele, aquela pergunta que não sabe morrer, será que alguém ainda gosta dele? Será que alguma pessoa ainda pensa nele quando uma música toca? Será que alguém sente vontade de mandar uma mensagem e desiste? Será que existe alguém passando pela mesma rua, no mesmo horário, carregando uma saudade que ele desconhece?
Ele não precisa necessariamente de uma resposta.
Precisa apenas saber se ainda existe alguma coisa esperando por ele do outro lado.
E é curioso perceber que, no meio de tantos planos grandes, ele ainda se pega querendo entender coisas pequenas.
Por que o coração insiste justamente onde a razão já colocou uma placa dizendo para não entrar?
E, no fim, talvez seja essa a maior contradição da vida adulta, a gente passa anos tentando descobrir como construir um futuro, enquanto continua fazendo perguntas que parecem ter sido inventadas na infância.
Ele quer dinheiro, uma casa, uma vida em outro lugar, estabilidade, conquistas, viagens, histórias.
Mas também quer ser compreendido.
Quer alguém para conversar.
Quer alguém para amar.
Quer alguém que olhe para toda essa confusão e, em vez de perguntar por que ele é assim, simplesmente diga que entende.
Talvez seja isso que ele esteja procurando.
Não uma vida perfeita.
Só uma vida em que suas necessidades não pareçam exageradas.
Uma vida em que possa ser forte sem precisar esconder que sente.
Em que possa ir embora sem sentir que está fugindo.
Em que possa construir o futuro sem precisar abandonar tudo o que ainda sente.
E talvez, no fundo, ele tenha acordado naquela manhã apenas para descobrir que ainda precisa de muita coisa.
Mas também descobriu uma coisa importante
ainda existe vontade.
E enquanto houver vontade de conhecer o mundo, ganhar dinheiro, escrever, amar, cuidar, acreditar, viajar, torcer, recomeçar e entender por que certas coisas são proibidas sem que ninguém saiba explicar direito…
ainda existe vida acontecendo.
Mesmo que, as vezes, ela pareça apenas uma longa lista de coisas que ele ainda precisa.
“Alguns vínculos sobrevivem menos pelo amor e mais pela necessidade inconsciente de sustentar faltas antigas. Desapegar, às vezes, é interromper um ciclo e não apenas terminar uma relação.”
Dr Ederson Dantas psicanalista CBO 2515-50
“A inteligência artificial talvez revele menos sobre as máquinas e mais sobre o vazio emocional dos homens que as criaram.”
“O futuro do Direito dependerá menos da quantidade de leis que conseguirmos produzir e mais da quantidade de injustiças que conseguirmos evitar.”
Talvez o futuro pertença menos aos que sabem prever mudanças e mais aos que sabem mudar sem perder seus princípios.
Diversas vezes, sem mais nem menos,
Desisti de tentar,
Parei no tempo.
O arrependimento chegou.
Devia ter dado um passo,
Mas o medo do desconhecido
Fez-me ficar na zona de conforto.
Perdi dias valiosos da vida.
O atraso não se recupera,
Pois já ficou no passado.
