Nao Tente Adivinhar o que

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⁠O que não te mata, te deixa mais forte
Te faz ficar mais alto
Não significa que estou solitária quando estou sozinha
O que não te mata, te faz um lutador
Deixa os passos mais leves
Não significa que estou acabada, porque você foi embora

Kelly Clarkson

Nota: Trecho da canção Stronger (What Doesn't Kill You).

⁠Mas eu não me preocupava porque eu sabia
Que era preciso conseguir tudo
O que sempre quis e depois perder
Para saber o que é a verdadeira liberdade

Lana Del Rey

Nota: Trecho da música Ride (Monologue).

*O HOMEM QUE NÃO QUERIA SER PRESO*




Era final de tarde de domingo e minhas alegres visitas tinham partido.


A casa ficou com aquela aparência de lugar onde alguma coisa aconteceu, mas ninguém teve a educação de limpar depois. Havia copos sobre a mesa, brinquedos espalhados, migalhas no sofá e um cheiro de comida que já começava a perder a batalha para o cheiro de casa fechada.


Não me incomodei.


Algumas bagunças são provas de que a vida esteve ali.


O Sol decidiu Acompanhar as crianças e a chuva veio para o expediente.


O gato ficou.


Estava deitado na janela, olhando para a rua com a seriedade de quem aguardava uma decisão importante. As crianças tinham ido embora fazia pouco tempo e, aparentemente, aquilo tinha sido uma experiência marcante para ele.


Talvez tivesse descoberto que humanos pequenos são mais divertidos do que os grandes.


Ou talvez estivesse esperando que voltassem para continuar o serviço.


Eu sabia que não voltariam naquele dia.


Ele não.


Ficou olhando.


Quanto a mim, era apenas o outro morador da casa. Aquele que compra comida, abre a porta, limpa a caixa de areia e paga as contas.


Ele fazia um trabalho muito mais nobre.


Companhia.


Achei injusto.


Fui até a padaria.


Era uma dessas padarias de bairro que colocam algumas mesas na calçada e fingem que aquilo é uma extensão da sala de estar. Sentei do lado de fora. Dali dava para ver o parque, as árvores e os últimos pedaços de sol tentando atravessar os galhos.


O trânsito de domingo fazia pouco barulho.


Alguns carros passavam sem pressa. Pessoas caminhavam pelas calçadas. Um casal empurrava um carrinho de bebê. Um homem levava um cachorro que parecia mais interessado em qualquer coisa do que nele.


Era um bairro residencial. Não havia grandes lojas, vitrines iluminadas ou aquela necessidade permanente de convencer alguém a comprar alguma coisa de que não precisava.


O parque estava cansado.


Talvez eu também.


As árvores continuavam ali, mas tinham aquela aparência de coisa que sobrevive mais por hábito do que por vontade.


A natureza é muito mais honesta quando ninguém tenta fotografá-la.


Pedi um café.


Na mesa atrás da minha havia três mulheres.


Falavam alto o suficiente para dispensar qualquer esforço de escuta.


Conversavam sobre homens.


Pretendentes.


Ex-namorados.


Homens que sumiram.


Homens que apareceram demais.


Homens que não ligavam.


Homens que ligavam demais.


Uma delas dizia que precisava dar um jeito de prender um homem.


Falou aquilo com a naturalidade de quem estava discutindo uma receita.


As outras riram.


Depois começaram a trocar métodos.


Demonstrar menos interesse.


Depois demonstrar mais.


Fazer ciúmes.


Desaparecer por dois dias.


Voltar como se nada tivesse acontecido.


Não responder imediatamente.


Responder quando ele estivesse começando a desistir.


Fazer com que sentisse falta.


A velha engenharia do afeto.


Pensei que talvez o amor moderno fosse isso.


Um jogo de caça com aplicativos.


Uma espécie de pesca esportiva onde ninguém quer admitir que está segurando a vara.


Uma delas falou que homem gosta de quantidade.


Outra discordou.


Disse que o problema era encontrar um que prestasse.


Elas riram novamente.


Eu fiquei olhando para o café.


Já ouvi aquela história antes.


Em bares.


Quartos.


Mesas de restaurantes.


Às vezes falando de mim.


Às vezes falando de homens que eu conhecia.


Às vezes falando de homens que eu não conhecia e provavelmente não queria conhecer.


Ja houvi que sou um homem de muitas mulheres.


Talvez seja.


Ou talvez eu apenas tenha vivido tempo suficiente para descobrir que os rostos mudam muito mais rápido do que as cicatrizes.


As pessoas chegam.


Fazem barulho.


Deixam alguma coisa sobre a mesa.


Depois vão embora.


Algumas deixam perfume.


Outras deixam contas.


Quase todas deixam alguma história que você prefere não contar inteira.


Nunca fui muito bom em explicar isso.


A verdade é menos interessante do que parece.


Nunca procurei quantidade.


Só não sabia muito bem como procurar outra coisa.


Durante algum tempo, confundi desejo com companhia.


Depois confundi companhia com amor.


Mais tarde descobri que nenhuma das duas coisas servia para preencher uma casa vazia.


Eu queria abrigo.


Só isso.


Um lugar onde não precisasse estar em guarda o tempo inteiro.


E abrigo é uma coisa rara.


Principalmente entre pessoas que passaram a vida aprendendo a partir antes de aprender a ficar.


Talvez eu também tenha feito isso.


Talvez tenha chamado de liberdade aquilo que, em algumas ocasiões, era apenas medo de descobrir o que aconteceria se eu permanecesse.


As mulheres continuavam falando.


Uma delas dizia que o problema era deixar o homem confortável demais.


Eu quase ri.


Conforto virou ameaça.


Imagine isso.


Duas pessoas passam anos procurando alguém com quem possam descansar e, quando encontram, começam a desconfiar porque o outro parece confortável.


Talvez tenhamos aprendido a confundir paz com desinteresse.


Talvez o barulho seja mais fácil de reconhecer como paixão.


Eu já confundi.


Muitas vezes.


Conquistar alguém é fácil.


No começo tudo ajuda.


A novidade ajuda.


O desejo ajuda.


A mentira ajuda.


Até o silêncio parece interessante quando ainda existe mistério.


Depois chegam as contas.


As manias.


Os dias ruins.


O mau humor.


As doenças.


Os parentes.


As mensagens não respondidas.


A roupa jogada no lugar errado.


A mesma história contada pela terceira vez.


O silêncio que não tem nada de sexy.


É aí que começa o trabalho.


E é aí que muita gente vai embora.


Não porque deixou de amar.


Às vezes porque descobriu que amar dá trabalho.


A mulher da mesa atrás falou que ninguém deve deixar um homem completamente livre.


Pensei no gato.


Ele tinha liberdade para sair pela janela.


Não saía.


Tinha comida.


Tinha água.


Tinha um lugar quente para dormir.


E ainda assim ninguém havia colocado uma tela naquela janela.


Talvez fosse esse o segredo que os humanos complicaram.


Não quero possuir ninguém.


Posse é medo fantasiado de amor.


Se alguém ficar ao meu lado, quero que fique porque poderia ir embora.


Quero que a porta esteja aberta.


Quero saber que existe uma rua do outro lado.


Quero que a pessoa possa caminhar para qualquer lugar e, mesmo assim, em algum momento, decida voltar.


Isso é muito diferente de prender alguém.


Prender é fácil.


Até animais sabem fazer isso.


O difícil é ser escolhido quando ninguém é obrigado a escolher você.


Fiquei olhando para o parque.


O sol já tinha descido mais um pouco e a chuva escurecia as ruas.


As sombras das árvores, sob relâmpagos atravessavam a calçada.


Um homem passou empurrando uma bicicleta.


Uma senhora caminhava rapido com duas sacolas de mercado.


Do outro lado da rua, um menino corria atrás de uma bola enquanto alguém gritava seu nome.


A cidade fazia o que sempre faz no domingo.


Tentava parecer tranquila.


Mas havia qualquer coisa de cansado em tudo aquilo.


Talvez porque domingo seja o dia em que as pessoas percebem que segunda-feira existe.


Pedi outro café.


A mesa atrás de mim tinha ficado mais silenciosa.


Por alguns segundos.


Depois uma delas disse que o problema era encontrar alguém que soubesse ficar.


Dessa vez ninguém riu.


Achei curioso.


Talvez aquela fosse a única coisa verdadeira que tinham dito naquela tarde.


Ficar.


É uma palavra pequena.


Mas custa caro.


Eu não me apaixono pela perfeição.


Nunca me interessou.


A perfeição é uma mentira bem vestida.


Gosto de quem sangra.


De quem tropeça.


De quem já perdeu uma guerra e ainda aparece no dia seguinte com a cara amassada para tentar outra vez.


Talvez porque eu conheça esse tipo de gente.


Talvez porque eu seja esse tipo de gente.


Carrego ferrugem na alma.


Algumas rachaduras.


Há coisas que o tempo não consertou.


Apenas ensinou a esconder melhor.


Também erro.


Muito.


E talvez tenha demorado mais do que deveria para entender que continuar presente na vida de alguém pode ser mais difícil do que conquistá-la.


No começo, quase todo mundo sabe ficar.


Depois é que começam os problemas.


Quando o encanto diminui.


Quando o outro deixa de parecer uma descoberta e passa a parecer uma pessoa.


Com seus defeitos.


Suas manias.


Seus medos.


Sua história.


Seu mau humor.


É nesse momento que você descobre se estava apaixonado pela pessoa ou pela versão que inventou dela.


Eu já tive versões.


Algumas bastante convincentes.


Nenhuma durou muito.


A maturidade talvez seja justamente isso.


Parar de procurar alguém que nos faça sentir completos e começar a procurar alguém diante de quem não precisamos fingir que estamos.


Não ofereço salvação.


Não tenho.


Não ofereço uma vida sem problemas.


Seria propaganda enganosa.


Ofereço café.


Silêncio.


Alguma honestidade.


E a possibilidade de continuar aqui quando a novidade acabar.


A conta chegou.


Paguei.


Fiquei alguns minutos olhando o parque antes de levantar.


As mulheres ainda estavam ali.


Agora falavam de outra coisa.


Talvez de homens.


Talvez de outra maneira de prendê-los.


Não importava.


Peguei o caminho de casa.


Quando cheguei, a bagunça continuava exatamente onde eu havia deixado.


Os copos.


Os brinquedos.


As migalhas.


As marcas da visita.


O cheiro de comida.


O gato continuava na janela.


Olhou para mim como quem verifica se o funcionário responsável finalmente voltou ao posto.


Depois voltou a olhar para a rua.


As crianças ainda não tinham voltado.


Talvez estivesse decepcionado.


Talvez apenas gostasse de esperar.


Fiquei pensando nisso.


Esperar também é uma forma de liberdade.


Você não espera alguém porque foi obrigado.


Espera porque quer.


Talvez seja por isso que a maturidade muda a maneira como enxergamos o amor.


Quando somos jovens, queremos ser desejados.


Depois queremos ser escolhidos.


Mais tarde, talvez, queremos apenas encontrar alguém que conheça nossas partes ruins e ainda consiga sentar ao nosso lado sem precisar fingir que elas não existem.


Alguém que poderia ir embora.


E sabe disso.


Mas fica.


Não porque foi convencido.


Não porque foi preso.


Não porque tem medo da rua.


Fica porque, entre todos os lugares possíveis, escolheu aquela mesa.


E talvez seja isso que eu tenha procurado o tempo todo sem saber dar um nome.


Não muitas mulheres.


Não muitas histórias.


Não muitas conquistas.


Só algum lugar onde dois sobreviventes pudessem parar por alguns minutos.


Olhar um para o outro.


Sem algemas.


Sem promessas grandiosas.


Sem precisar provar nada.


A porta continua aberta.


A rua continua ali.


Cada um poderia ir.


Mas ninguém vai.


E, depois de tudo o que já aconteceu, depois de todas as pessoas que passaram, todas as que partiram e todas as que juraram ficar, existe uma frase que ainda vale alguma coisa.


Não precisa ser dita.


Basta que os dois saibam.


Ainda estou aqui.

Noite do dia 20.


Eu dormi com a consciência pesada.


Você não dormiu, com o coração partido.


Eu a conquistei e a deixei.


Eu machuquei você, te furei com agulhas; te queimei com fósforos; fiz cortes em sua pele e joguei álcool por cima de cada uma dessas feridas.


Elas doiam tanto, sangravam tanto e você chorava mais um tanto.


Dor que não se esquece, saudade não desaparece.


Nas noites geladas; noites caladas, esse sentimento se fazia mais presente. As lágrimas mais realistas e os cortes mais ardentes.


Te feri com a minha confusão e indecisão.


Perdão.


Seu quarto era bagunçado, escuro e gelado. A porta sempre trancada e as janelas sempre escancaradas.


Bitucas de cigarro em sua escrivaninha, eram várias. Várias como as garrafas de bebida quebradas; vazias e espalhadas, como suas roupas todas jogadas.


Os olhos inchados; olheiras escuras; descabelada; roupa amarrotada; amassada; toda suada; lágrimas obviamente molhadas.


As janelas permanecem sempre abertas.


A ventania lá fora que agora bagunça tudo, só não tão bagunçada quanto sua mente e o asfalto, definitivamente não tão rachado quanto seu coração.


Tarde do dia 20, meses depois.


"Me ligue quando puder, se quiser. Saudades."

Embora eu tenha aprendido a viver sem você não aprendi a viver sem amar você. E quando acho que te esqueci, é porque estou vivendo pela metade, porque você é uma parte de mim, e tal fato torna impossível levar uma vida sem lembrar de você.

E quando eu estou com você, não existe nenhum outro lugar no mundo que eu gostaria de estar. Isto é tudo que eu queria que você soubesse: se eu tivesse a oportunidade de escolher estar em qualquer lugar do mundo, na verdade, eu escolheria estar com você.

''não é apenas o lugar, é a companhia. a presença é mais importante do que as circunstâncias, os problemas, o que está ao redor. quando estou com você, é apenas eu e você. já não importa mais em que lugar estou e quem está ao redor, tudo se resume ao que eu sinto por você''.

Eu só espero que não venha mais ninguém
Aí eu tenho você só pra mim

Peço desculpa por não ter te dado um adeus, mas é que eu simplesmente ainda não tive coragem o suficiente. Você se foi e espero que para um lugar melhor, o que sobrou para mim foi saudade. Não é como brigar e no outro dia se desculpar, o destino realmente teve poder para nos separar. Espero que esteja ao lado de Deus em um lugar melhor que aqui e esteja olhando por mim. Cada pensamento no futuro é um sofrimento, mas cada lembrança do passado alivia tudo o que eu tenho de bom pra lembrar de você. Quando penso em um tempo bom, lembro dos nossos dias juntos. Quando penso em momentos bons, você está em quase todos eles ao meu lado. Só espero que esteja com Deus, você é meu irmão de alma, sempre lembrarei de você. Melhor ligação com meu passado e alguém que vai cuidar do meu futuro, mesmo de longe.

Talvez você não se lembre mais, ou não se importa. Mas se precisar, estou aqui. Apesar do pesares, eu não deixei de gostar de você da noite para o dia. Meu passado ainda está presente e você ainda faz parte da minha vida.

Está chegando o fim de um novo ciclo, mas na verdade, este momento não é o fim de nada, mas apenas o começo de tudo. Por muito tempo, minha vida pouco mudou. Mas agora as esperanças se renovam, eu renasci. Tenho a chance de trilhar um novo caminho, de fazer tudo o que eu realmente quero, de realmente começar a viver. Tantos sonhos adormecidos que agora acordam prontos para serem realizados. A direção é a mesma, mas dessa vez, eu sou outra pessoa.

O que eu sofri por esse amor, talvez
Não compreendeste e se eu disser não crês
Depois de derramado, ainda soluçando
Tornei-me alegre, estou cantando

Os caminhos não são tão simples, mas eu vou seguir.

Não sei como fazer para ficar de pé
Sempre me digo que é a última vez.

É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos.

E eu nunca vou te esquecer. Não porque eu não posso, porque eu não quero também. Você sabe que é verdade que eu vou conseguir ter você de volta, mesmo que seja a última coisa que eu faça. De todos os amores encontrados e perdidos e nunca mais vistos você é o único que corre repetindo na minha cabeça.

⁠Ainda há muita coisa para viver
mas isso não quer dizer que posso esperar tanto tempo assim
pois já perdi tempo demais
deixei escapar tantos sonhos e desejos
mas agora eu preciso correr contra o tempo
para conquistar o que eu realmente quero
um pouco mais madura, com cicatrizes que nunca irão desaparecer
mas muito mais focada no presente, no momento
pois no fundo, é que o importa
a vida é agora
quanta coisa já perdi
e sei que nunca mais vou recuperar
pois o tempo não volta
é bom saber que tenho uma segunda chance.

⁠Como ousa me prender em memórias tão antigas?
Um amor não superado, um adeus que nunca foi dado
A sua ausência é uma dor que não consigo curar
O seu amor permanece para sempre

De certa forma, é um peso a carregar
Pois queria ter me livrado de tudo isso
de todas essas memórias que não posso superar
de uma história gravada no meu coração

Eu procurei encontrar você em outras pessoas
Mas só piorou a situação
porque você foi o único que marcou a minha vida
e mostrou que do passado sempre irei lembrar

Não sei viver sem amar você
e sinceramente nem quero aprender
pois tudo é melhor assim
com você do início ao fim.

Estamos vivendo tempos em que não podemos mais pensar tanto no futuro assim. O presente é a única certeza. As coisas estão mudando rapidamente e nem sempre nossos planos e esforços trazem os resultados esperados. Mais do que nunca, noassa única opção é o agora.