Nao Tente Adivinhar o que
Difícil Distinguir
Narre-me o que não me convence,
Banhe-me de lorotas que me alimentem.
Não sei mais se pago pela sua prece,
Por ter me nutrido como os que sentem.
É pesado demais,
mas não cobiço.
Já estou há tanto nisto,
Que não mais distingo.
Seja lá o que distinguir.
Logre-me, ludibrie-me.
Faça-me crer que é admissível,
Seja razoável e me faça cabível.
Se não lhe couber não se acuse.
Viste como é pesado demais o que visto ?
Vestimenta abençoada que amaldiçoa-me.
Mas gosto-a.
Já estou há tanto nisto,
Que não mais distingo.
Vasta Sorte de Azares
A prudência não foi vista
Recentemente,
Os excelentíssimos
Desarticularam-se.
Na cédula pomposa
Elegeríamos cardápios,
Opções que limitavam-se
A nenhuma alternativa.
Uma bela dor,
Mostra quem fomos,
Então a bela dor,
Mostra onde estivemos.
Afinal a bela dor,
Mostra quem somos,
Vasta e bela dor,
Nas remissões, logradouros.
Agradeço esclarecer-me
O que foi péssimo,
Sem tuas agressões
Banhadas de exageros,
Eu não distinguiria
Quais receios são sinceros.
Nossas opções
Quase sempre limitaram-se,
A pouca ou nenhuma alternativa.
Das várias desavenças,
Entre ímpares e pares,
Na vasta sorte de azares,
Pinçamos perspectivas.
Não há Felicidade sem Liberdade, não há Liberdade sem Educação, não há Educação sem Igualdade, não há Igualdade sem Justiça Social.
Cordeiros não serão imolados,
Os Deuses da discórdia sangrarão.
Vingança não é prato requentado,
Mas banquete aos relegados
Onde os mesmos se fartarão.
Ela tem a experiência de quem já navegou em diferentes mares da vida.
Mares revoltos, já não a assustam.
E mesmo na calmaria, ela sabe que a qualquer hora, o tempo pode mudar.
O seu olhar observa cada detalhe.
Se a experiência falhar, Deus a livra e faz os seus pés novamente em terra, pisar.
Nascido para voar
Filho de ninguém
Não se casou
Não trabalhou
Não conheceu alguém
Filho de alguém
Que se casou
Que trabalhou
Refletiu sobre ser ninguém
Só mais um ninguém
Filho de ninguém
Casado com ninguém
Não queria ser ninguém
Além de ninguém
Se tornou um zé
Compreendido por ninguém
Morreu como um zé
Um zé ninguém
Só mais um zé
Considerado ninguém
O dito e o certo
Vento e momento
Não há tempo
Para o errado
Dito ao contrario
Parecendo certo
Coisa de momento.
Agora eu sei o que fazer
Mas é tarde demais
Agora eu sei o que dizer
Mas não é o suficiente
Agora eu sinto que te perdi
Mas não quero sentir.
Não sei como tudo começou
Mas sei como terminou
Tudo era um começo
Tudo era um fim
Quando as palavras perderam a força
Entrou em cena o amor
Quando tudo desabou
A vida cobrou
Quando todos se foram
Restou a dor.
você sabe
Que não irá conquistar tudo
Mas que tudo te conquista
você sabe
Que o mundo é cinza
Mas adicione cor
Você sabe
Que todos são estrelas brilhantes
Mas nem todos querem brilhar
Você sabe
Que só se ama uma vez
Mas não desiste do amor.
Todas aquelas poesias que eu escrevi
E rapidamente me despedi
Não foram tão longe
Mesmo as desprezando
E no lixo as desperdiçando
Dona maria, uma catadora sofrida
As encontrou, uma por uma
Elas as guardou
Sua alegria era encontrar meus
Pequenos rabiscos sobre o amor
Enquanto eu me sentia péssimo
Por ser um eterno clichê
Dona Maria se sentia amada
Por aquelas palavras
Dia após dia
Ela sentia
O que nunca tinha sentido antes
Tais palavras que para mim eram desconcertantes
Para ela era uma salvação
Em meio a tanta solidão
Fiquei sabendo por terceiros
Que meus versos estavam
Guardados em um canto no celeiro
Onde dona Maria dormia
Quando de forma triste faleceu
Ao me deparar com aquele amontoado
De folhas amassadas e grampeadas
Notei um rabisco
Nele estava escrito
" esse tal de amor, floresce até no lixão, porque não iria florescer em você".
Data
ontem
tal como hoje
busquei as palavras
certas
para lhe dizer
como é difícil
não poder falar
o que sinto
por você
hoje
tal como ontem
sinto sua
falta,
mas como tal
não sei se sente
a minha
mesmo que não sinta
não deixo de sentir a sua
amanhã
tal como semana passada
irei procurar por
você
esperando encontrar
seu sorriso
sua voz
beijos e abraços
ontem foi
como hoje
e amanhã
sera como na
semana passada
mesmo que
não se sinta amada
saiba
que ainda sinto o mesmo
ainda sinto o mesmo !
que ontem
ainda sinto o mesmo
que na semana passada
mesmo que eu não diga
sinto
independente do dia
e
da data.
No imaginário popular, poeta é aquele que esta sempre a falar em rimas e versos, não digo por todos, mas quando se trata de falar, mesmo transbordando eu travo, escrevo tudo que sinto, mas não falo tudo o que sinto, seria essa a minha maior mazela, nem tudo mundo gosta de ler poesias, nem todo mundo vai saber o que sinto.
