Nao Tente Adivinhar o que
Talvez o pior não seja errar,
mas apontar no outro aquilo
que ainda não tivemos coragem
de encarar em nós.
Julgamos para não sentir,
acusamos para aliviar o peso,
transferimos a culpa
na tentativa de nos absolver.
Mas o que é empurrado para fora
continua morando dentro.
E enquanto o erro tiver rosto alheio,
a mudança seguirá adiada.
Lugar Secreto
Meu lugar secreto não é refúgio,
é onde me escondo quando o medo me encontra primeiro.
Ali estou aprisionada,
não por grades visíveis,
mas por silêncios que se repetem
e pensamentos que me paralisam.
Há um peso que não sei nomear,
mas que me impede de seguir.
Não é falta de desejo,
é excesso de cansaço.
O corpo até permanece,
mas a alma hesita.
Quis asas.
Quis distância suficiente
para não lembrar,
para não tocar no que ainda dói.
Mas fiquei.
Não por coragem,
mas por medo de ir
e por não saber quem eu seria do outro lado.
No meu lugar secreto,
aprendi a sobreviver em pausa.
A respirar raso.
A esperar que o tempo resolvesse
o que eu não consegui enfrentar.
Ainda assim, há fé.
Pequena, silenciosa,
mas firme o bastante
para não me deixar desistir.
Minha esperança não está em fugir,
mas em Deus,
que me encontra exatamente aqui,
onde estou paralisada
e já não consigo fingir força.
Se não consigo seguir,
que Ele me sustente.
Se não consigo voar,
que seja descanso.
Talvez o recomeço não seja partir,
mas permitir que Deus me alcance
no lugar onde permaneci.
A vida não tem sido justa.
E dizer isso em voz alta já cansa.
Porque não é reclamação,
é constatação de quem tentou permanecer inteira
mesmo quando tudo parecia exigir mais do que havia.
Já não sei mais o que busco.
Os nomes se perderam no caminho,
os sonhos ficaram difusos,
as certezas não acompanharam o tempo.
Só sei que preciso descansar.
Mas nem sei de quê.
Talvez da esperança que lutei para manter,
das versões de mim que precisei sustentar,
das expectativas que carreguei em silêncio.
Acho que preciso descansar de mim.
Da mente que não silencia,
do coração que sente demais,
da coragem forçada
de quem continua mesmo sem forças.
Se Deus me permitir,
que o descanso não seja fuga,
mas cuidado.
Que eu possa repousar sem culpa,
existir sem me explicar,
respirar sem me exigir.
Hoje não peço caminhos claros.
Peço abrigo.
Porque às vezes,
o maior ato de fé
é admitir o cansaço
e confiar que Deus ainda sustenta
quando já não sei nem o que pedir.
Cada dia é, sim, uma despedida silenciosa.
De versões nossas que não voltam, de instantes que não se repetem, de palavras que escolhemos dizer, ou calar.
Talvez a pergunta não seja apenas como queremos ser lembrados,
mas como estamos vivendo enquanto ainda estamos aqui.
Ser lembrado pelo afeto que oferecemos.
Pela presença que não pesou, mas acolheu.
Pelas palavras que curaram mais do que feriram.
Pelo olhar que viu o outro inteiro, não só por partes.
Porque, no fim, não ficam os grandes feitos,
ficam os gestos simples carregados de verdade.
O cuidado. A escuta. O amor possível.
E você,
se hoje fosse uma despedida,
o que deixaria vivo em quem cruzou o seu caminho?
Havia uma mulher que colecionava silêncios.
Não porque gostasse deles, mas porque eram o único lugar onde conseguia descansar o coração.
Todas as noites, ela deixava uma vela acesa na janela. Não era para iluminar a rua, era um aviso para si mesma: ainda havia esperança acordada dentro dela.
Um dia, o vento entrou sem pedir licença e apagou a chama. A mulher pensou que tudo tinha acabado.
Mas foi no escuro que ela percebeu: o calor não vinha da vela, vinha dela.
Desde então, aprendeu a caminhar mesmo quando a luz falta — levando no peito o que nunca se apaga.
Rabiscos são o jeito que encontrei de não desaparecer.
Em cada frase, um pedido de ajuda que não sabe gritar.
Quem aprende meus limites, aprende também
a medida exata do cuidado.
Assim, talvez consiga me resgatar…
Quem me conheceu de verdade
saberá que não era força o que faltava,
era cuidado.
O resgate nunca exigiu heroísmo,
apenas consciência dos meus limites.
Assim, talvez…
POV:
Eu não precisava ser salva à força.
Precisava ser vista.
Quem me conheceu de verdade
sabia onde eu cessava,
onde o peso começava,
e ainda assim escolheu a pressa,
não o cuidado.
O resgate nunca foi sobre coragem.
Foi sobre atenção.
Sobre permanecer quando não era fácil me mover.
Talvez, se meus limites tivessem sido respeitados,
eu não tivesse precisado me perder
para tentar me encontrar.
Eu te perdoo pela palavra não dita
Refugiada na solidão dos teus lábios
Entre os beijos que amordaçaste
Eu te perdoo pelo carinho adiado
Tatuado na insônia do teu corpo
Entre os sonhos que não dormiste
Eu te perdoo pelo olhar aflito
Desenhado no deserto do teu rosto
Entre os gritos de silêncio que guardaste
Eu te perdoo pelo abraço apenas imaginado
Sonâmbulo a ansiar o calor dos meus braços
Entre os luares que teus olhos apagaram
Eu te perdoo por sufocares teus desejos
Exilando-os na penumbra do teu coração
Entre os invernos perenes da tua alma
Eu te perdoo pelas vezes que te esperei
Quando teus passos emudeceram
Entre as fronteiras dos teus limites
Eu te perdoo pela tua renúncia
Por amontoares teus sonhos em gavetas
Entre tantos outros estilhaçados pelo tempo
Eu te perdoo por te perderes de mim...
Ser ingrato é ser pequeno ... é não reconhecer a mão amiga que um dia apoiou e, pior, é virar as costas para essa mesma mão quando de sua ajuda necessita. Pessoas ingratas são mesquinhas, egoístas e falíveis ... sim, falíveis, pois acham que estão prontas, quando na verdade são apenas minúsculos embriões.
Polícia na rua tormenta civil
Bandido na rua polícia nem viu
Roubo não é crime, crime é seu perfil.
Um país de poucos, bem-vindo ao Brasil
Porque algumas vezes... Em um bom dia... Se eu tentar, com muito esforço eu não sou somente um Senhor do Tempo que fugiu... Eu sou o Doutor.
Faça coisas. Seja curiosa, persistente. Não espere por um empurrão da inspiração ou por um beijo da sociedade na sua testa. Preste atenção. É tudo sobre prestar atenção. É tudo sobre captar o máximo que você puder do que está por aí e não deixar que desculpas e que a monotonia de algumas obrigações diminuam sua vida.
A questão não é quem vai me permitir, é quem vai me impedir.
Quero os melhores romances, ou prefiro ficar sozinha. Quero as melhores lembranças, ou prefiro não lembrar. Ou vivo intensamente, ou vou levando essa rotina que não incomoda, não interfere, não fere, mas também não é vida. Vou dispensando tudo o que não julgo suficiente pra me roubar a solidão. Vou excluindo do meu convívio todos que não parecem prontos pra marcar meus dias.
