Nao tenho o Direito de Magoar Ninguem

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O amor torna tudo brilhante, agradável e vantajoso. O amor é o vaso que contém alegria!

Às vezes, falta apenas uma pessoa e parece que o mundo inteiro está despovoado.

Alphonse de Lamartine
Meditações Poéticas

As coisas tangíveis tornam-se insensíveis à palma da mão
Mas as coisas findas muito mais que lindas, essas ficarão.

Só quem está em estado de palavra pode
enxergar as coisas sem feitio.

Manoel de Barros
BARROS, M. Poesia Completa. São Paulo: Leya, 2011.

É muito melhor cair das nuvens que de um terceiro andar!

Machado de Assis

Nota: Adaptação de trecho do livro "Memórias Póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis

Vislumbrei um clarão no mistério da sua presença...
...Quando o mistério é muito impressionante, a gente não ousa desobedecer...

Escrevo deitado e as linhas ficam tortas, como se eu tivesse bebido. Só bebi um pouco de tristeza.

O homem, o indivíduo humano, é o portador do conhecimento efetivo. O conhecimento enquanto bem social é apenas conhecimento potencial, é coleção de registros e convenções que, para tornar-se conhecimento efetivo, deve ser efetivado, atualizado na consciência do indivíduo vivente.

À proporção que o homem exterior se destrói, o homem interior se renova.

Os melhores amores nascem de um minuto.

Machado de Assis

Nota: Carta para Salvador de Mendonça, escrita em 15 de abril de 1876.

A boca,
onde o fogo
de um verão
muito antigo
cintila.
O que pode uma boca
esperar
senão outra boca?

Eugénio de Andrade
ANDRADE, E., Obscuro Domínio, 1972

Falar é bom, calar é melhor, mas ambos são desagradáveis quando levados ao exagero.

A tarde está verde no olho das garças.

Manoel de Barros
BARROS, M. Poesia Completa. São Paulo: Leya, 2011.

Uma noite de amor é um livro a menos lido.

Por pudor sou impuro.

Manoel de Barros
BARROS, M. Poesia Completa. São Paulo: Leya, 2011.

Nenhum desejo neste domingo
nenhum problema nesta vida
o mundo parou de repente
os homens ficaram calados
domingo sem fim nem começo.

A mão que escreve este poema
não sabe o que está escrevendo
mas é possível que se soubesse
nem ligasse.

Distante o meu amor, se me afigura
O amor como um patético tormento
Pensar nele é morrer de desventura
Não pensar é matar meu pensamento.
Seu mais doce desejo se amargura
Todo o instante perdido é um sofrimento
Cada beijo lembrado uma tortura
Um ciúme do próprio ciumento.
E vivemos partindo, ela de mim
E eu dela, enquanto breves vão-se os anos
Para a grande partida que há no fim
De toda a vida e todo o amor humanos:
Mas tranqüila ela sabe, e eu sei tranqüilo
Que se um fica o outro parte a redimi-lo.

Nas entrelinhas é que dizemos. Bom terapeuta é o que escuta o que omitimos.

O fingidor

O ermo que tinha dentro do olho do menino era um
defeito de nascença, como ter uma perna mais curta.
Por motivo dessa perna mais curta a infância do
menino mancava.
Ele nunca realizava nada.
Fazia tudo de conta.
Fingia que lata era um navio e viajava de lata.
Fingia que vento era cavalo e corria ventena.
Quando chegou a quadra de fugir de casa, o menino
montava num lagarto e ia pro mato.
Mas logo o lagarto virava pedra.
Acho que o ermo que o menino herdara atrapalhava
as suas viagens.
O menino só atingia o que seu pai chamava de ilusão.

Manoel de Barros
BARROS, M. Poesia Completa. São Paulo: Leya, 2011.

A gratidão perfuma as grandes almas e azeda as almas pequenas.