Não Tenha Medo de Mim
Armadilha
Um choro silencioso na cozinha
Você a dois passos de mim
Mas a distância emocional que nos separa é tal qual o espaço entre os dois trópicos da Terra.
Você, trópico de Câncer, clima seco, terra firme, grandes desertos. Olhar de quem sabe que domina sem precisar se esforçar muito pra isso.
Eu, Capricórnio, chuvas, sol e calor, florestas e savanas. Entrega de alguém que não tem luz própria. Fotossíntese sempre foi o meu forte. Você é meu sol, estrela inconstante, distração brilhante que me faz voltar pra casa.
Eu voltei, mas era uma armadilha.
Nessa casa, nessa cozinha
Estou com você e estou sozinha
Te vejo apagar o cigarro, pressionando-o contra o cinzeiro. O mesmo fez comigo. Só restam as cinzas.
O pior é que sempre conheci suas artimanhas. Sabia que era um golpe e me permiti cair. E mais ainda: não me arrependo, porque parece que me vale o sofrimento quando te ouço mentir que me ama.
Você continua me olhando em silêncio, gelando-me a face com os olhos, enquanto eu, covarde, prefiro não encontrar os teus. Medo doentio que me impede de reagir a você.
Seus lábios, como que lendo meus pensamentos e ainda soltando a fumaça do cigarro que acabara de morrer, balbuciam que seu amor é verdadeiro como quem diz o preço de um produto do supermercado. Mentira. Você mente, eu acredito.
Então, diminuindo a distância entre os trópicos, eu cruzo a linha do Equador e te abraço, envolvendo meus braços quentes em seus ombros congelantes. Eclipse total. Você me escurece, mesmo assim, eu permaneço. E ainda não terminei de cair em sua armadilha.
Eu quero apenas equivalência do acreditar ate que o abismo dentro de mim responda.
Dentro de tantas possibilidades estão mastigadas para se tenha compreensão de uma fração da realidade.
Responsório
Santo Antônio,
procurai para mim a carteira perdida,
vós que estais desafadigado,
gozando junto de Deus a recompensa dos justos.
Estão nela a paga do meu trabalho por um mês,
documentos e um retrato
onde apareço cansada, com uma cara
que ninguém olhará mais de uma vez
a não ser vós, que já em vida
vos apiedáveis dos tormentos humanos:
sumiu a agulha da bordadeira,
sumiu o namorado,
o navio no alto-mar,
sumiu o dinheiro no ar.
Tenho que comprar coisas, pagar contas,
dívidas de existir neste planeta convulso.
Prometo-vos uma vela de cera,
um terço do meu salário
e outro que rezarei
pra entoar vossos louvores, ó Martelo dos Hereges,
cuja língua restou fresca
entre vossos ossos, intacta.
Servo do Senhor, procurai para mim a carteira perdida
e, se tal não aprouver a Deus para a salvação da minha
[alma,
procurai antes me ensinar
a viver como vós,
como um pobre de Deus.
Amém!
E se…?
E se eu morresse hoje, o que diriam sobre mim??
Será que fui um bom amigo?
Será que fui um bom filho? Ou se ao menos fui um bom colega?
Não sei, talvez tenha sido, ou não…😕
"Eu fui tudo por você
e esqueci de mim."
Amar o outro não é se nular
e sim, se complementar: com respeito, confiança,
carinho e atenção.
Lindo dia para você, para mim, para todos nós!
"As flores revelam a beleza de Deus!
Sinta- as como bênçãos Que Deus na sua bondade e misericórdia espalha pelos caminhos da humanidade.
Observe-as, colha-as, cultive-as!
Traga- as para perto de si! Fique mais perto de Deus!
Só Ele é capa paz de fazer nosso "deserto" florir
Para o dia de hoje colha muitas " flores de Deus " É transforme o seu dia!
by edite/2016
Sou o sopro que aprende a existir no agora,
e o tempo que em mim desaprende a correr.
Hoje renasço naquilo que nunca fui embora,
e celebro o infinito que insiste em ser
com uma suposta poesia.
Tento descrever
Que a vida é uma passagem.
Quanto para mim e para você.
Mas é só porque eu observo você.
Que eu tento imaginar os seus afazeres de amanhã.
Felicidade pra mim sempre foi prazer descontrolado ou amor obsessivo...
Dessa vez é a tal da luxúria, não com um significado normativo e pecaminoso, mas é que se torna impossível separar luxúria de paixão nesse ponto.
↑
Pq esse ponto?????↑
É difícil saber que minha alma só quer a satisfação familiar da vida comum noturna.
Isso é para todo mundo, entenda seus desejos e os realizem, mesmo que envolvam coisas estranhas, ninguém tem podridão no centro da alma, então dá para satisfazer esse centro com coisas tão simples quanto um beijo, doom, um poste de luz, fazer conteúdo, ter descendentes, comer, dormir....
Como uma sábia raposa azul já diria:
"Vc não vê a verdade?
Eu estou louco ou você está cego!"
-cara aleatório
No fim o ser humano deseja criar descendentes e curtir a noite.
Tudo que já estudei leva e sempre levou e sempre levará a isso.
Desde Mussolini até Nick Land, ninguém nega esse desejo de liberdade e êxtase, de transcendência que acóde todos nós.
Há muitos de mim escondidos em meu ser,
tantos caminhos que ainda quero viver.
Sou força e ternura, sou noite e sou dia,
sou medo, coragem, desejo e poesia.
Tenho um que se esconde, outro quer se mostrar,
um fecha os seus olhos, outro prefere encarar.
Um carrega mistérios, outro busca a verdade,
mas ambos caminham na mesma vontade.
Às vezes sou homem, às vezes sou flor,
às vezes sou fogo, às vezes amor.
Não cabe em palavras aquilo que sou,
sou muitos caminhos dentro de um só.
Tenho tantas faces, mas uma só essência,
tantas diferenças na mesma existência.
E quanto mais busco saber quem eu sou,
mais vejo quantos vivem dentro de um só.
Não quero escolher o que devo parecer,
nem qual das versões o mundo vai conhecer.
Quero ser inteiro, sem medo ou prisão,
mistura de alma, desejo e razão.
E se alguém perguntar: “Afinal, quem você é?”
Eu sorrio e respondo: “Sou tudo o que eu puder ser.”
Sou ontem, sou hoje, sou sonho e sou pó,
sou muitos, muitos mesmo,
vivendo dentro de um só.
Sandro Paschoal Nogueira
ENTREGA A MIM
Mesmo não querendo, eu me entrego para mim.
Quando não percebo, também me entrego para mim.
Eu sou a beleza da minha própria vida.
Eu sou, também, o motivo da minha felicidade.
Experiencio a vida conscientemente e me deleito nos meus próprios pensamentos.
Não sou autossuficiente, tampouco independente.
Mas tenho consciência de que sou livre para gritar o sim que penso.
E sei que tenho exatamente o tempo de que preciso para contemplar todas as coisas que me são possíveis.
Porque, no fim, antes de qualquer entrega ao mundo, existe uma entrega inevitável:
a entrega de mim a mim mesmo.
P. H. Amancio
O que será que a vida espera de mim?
Às vezes me pergunto se ela espera que eu seja alguém digno. Alguém que tenha aprendido as regras do mundo, que saiba distinguir o certo do errado, que cumpra os valores que me ensinaram e carregue, com alguma dignidade, tudo aquilo que esperaram que eu fosse.
Mas quem decidiu o que é ser digno?
Talvez dignidade seja apenas uma palavra que inventamos para dar nome à maneira como esperamos que o outro viva.
Desde cedo nos ensinam o que devemos ser. Estudamos para ser alguém. Trabalhamos para ser alguém. Construímos relações, acumulamos histórias, conquistas, fracassos, títulos e lembranças — quase sempre tentando responder a uma pergunta que ninguém nos fez diretamente, mas que parece estar escondida em tudo:
“Você está sendo aquilo que deveria ser?”
E talvez seja justamente aí que a vida se torne estranha.
Porque, enquanto tentamos corresponder ao mundo, vamos nos afastando lentamente de nós mesmos.
Talvez a vida não queira de mim grandes feitos. Talvez não queira que eu seja extraordinário, admirado ou lembrado. Talvez queira apenas que eu consiga existir sem precisar transformar cada passo em uma prova de que mereço estar aqui.
Ser alguém simples.
Alguém que compreenda a si mesmo, ainda que nunca completamente. Alguém que reconheça as próprias contradições, faça as pazes com algumas delas e aprenda a conviver com aquilo que jamais conseguirá compreender.
E, quem sabe, compreender um pouco os outros.
Porque talvez compreender o outro seja também perceber que ninguém sabe exatamente o que está fazendo. Há pessoas que parecem ter todas as respostas, mas carregam perguntas que nunca tiveram coragem de dizer em voz alta.
Talvez todos nós estejamos apenas tentando encontrar alguma forma de chamar de vida aquilo que fazemos com o tempo que nos foi dado.
E então penso que talvez eu esteja fazendo a pergunta errada.
Talvez não seja a vida que espera alguma coisa de mim.
Talvez seja eu quem espere alguma coisa dela.
Espero que, em algum momento, tudo faça sentido. Que os encontros tenham uma razão, que as perdas tenham deixado alguma coisa, que os caminhos que não escolhi tenham me conduzido, de alguma maneira, até onde deveria estar.
Espero que exista alguma espécie de resposta escondida depois de todas essas perguntas.
Mas talvez não exista.
Talvez eu esteja procurando por algo que nunca teve nome.
Algo simples e, ao mesmo tempo, impossível de explicar. Algo que não cabe em uma profissão, em uma relação, em uma conquista ou em qualquer uma das palavras que usamos para definir uma vida.
Algo que talvez exista apenas naquele lugar silencioso dentro de nós onde ninguém mais consegue entrar.
E talvez seja por isso que, mesmo quando conquistamos aquilo que um dia desejamos, ainda sentimos que falta alguma coisa.
Porque há desejos que não sabem dizer o próprio nome.
Há vazios que não pedem para ser preenchidos, apenas compreendidos.
Há partes de nós que passam anos esperando que finalmente prestemos atenção nelas.
Talvez viver seja esse movimento estranho entre aquilo que o mundo espera de nós e aquilo que, silenciosamente, esperamos encontrar dentro de nós mesmos.
Talvez amadurecer não seja finalmente descobrir quem somos.
Talvez seja aceitar que nunca seremos uma resposta definitiva.
Somos perguntas em movimento.
Somos aquilo que fomos, aquilo que perdemos, aquilo que escolhemos, aquilo que recusamos e também tudo aquilo que ainda não conseguimos ser.
E talvez a vida não esteja esperando nada de nós.
Talvez ela simplesmente aconteça.
E sejamos nós que, diante dela, insistimos em perguntar:
“O que devo fazer com tudo isso?”
Talvez a resposta não esteja em descobrir o que a vida espera de mim.
Talvez esteja em descobrir o que, apesar de tudo, ainda faz com que eu queira continuar vivendo.
Eu cuidei tanto que esqueci de cuidar de mim mesmo, eu priorizei tanto que acabei comigo mesmo aos poucos ..
Eu esqueci de mim mesma por alguém que nunca pensou onde estava me machucando de verdade...
Eu cuidei tanto quando na verdade eu quem estava precisando de ajuda..
E no silêncio ninguém pode me ouvir...
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